Revista Vertice Tecnica de Dezembro de 2015

Revista Vertice Tecnica de Dezembro de 2015

(Parte 1 de 10)

Inovação

TÉCNICA EDIÇÃOESPECIAL / DEZ2015

ISSN 2117-5362

Parcerias impulsionam pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias inventá-lo. Alan Kay

A melhor forma de prever o futuro é

Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais

investimento dispensado às atividades de pesquisa científica e inovação tecnológica diz muito da vocação de um país e qual direcionamento ele pretende seguir. No Brasil, a produção científica vem em um crescente nos últimos 20 anos, mas ainda é preciso aprimorá-la no que tange à qualidade dos trabalhos desenvolvidos. Caminhamos com passos tímidos rumo ao pleno desenvolvimento desse setor, ainda que o país invista mais de 1% do seu PIB em pesquisas. Por exemplo, a atividade de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) ainda não assumiu seu protagonismo no processo de inovação tecnológica dentro das empresas e instituições de ensino. É preciso unir esforços para estimular e divulgar ainda mais a produção científica no Brasil.

Atento a essa necessidade, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-Minas) lança a Revista Vértice Técnica, que tem como principal intuito contribuir para a divulgação das pesquisas tecnológicas produzidas em Minas Gerais.

A publicação, que inicialmente terá periodicidade anual, surgiu como desdobramento da Feira de Ciências e Inovações Tecnológicas (Feicintec), realizada pelo Crea-Minas, para a divulgação dos trabalhos apresentados no evento. A Revista pretende ser uma referência nesse segmento, atuando como uma vitrine de pesquisas e projetos desenvolvidos no estado, democratizando, dessa forma, o conhecimento.

Nesta primeira edição, traremos os anais da Feicintec de 2014, com as publicações de uma matéria sobre o projeto vencedor e o registro dos projetos e protótipos premiados e classificados, que foram apresentados no evento. Teremos ainda a veiculação de artigos técnicos das mais diversas áreas de base tecnológica de autores convidados.

Esperamos, assim, reafirmar o compromisso do Crea-Minas com o desenvolvimento científico e tecnológico e proporcionar um ambiente favorável para a produção científica, reforçando a autoridade técnica da engenharia e valorizando as profissões da área tecnológica.

Boa leitura.

Jobson Andrade Presidente do Crea-Minas

CONSELHO EDITORIAL Presidente do Crea-Minas: Engenheiro civil Jobson Andrade • Diretor de Relações Institucionais: Engenheiro mecânico Josias Gomes Ribeiro Filho • Coordenador do Fórum de Coordenadores das Câmaras Especializadas: Engenheiro agrimensor Tarcísio dos Reis Vieira • Coordenador Estadual do Colégio de Instituições de Ensino: Engenheiro eletricista Alessandro Fernandes Moreira • Presidente do Crea-Minas Júnior: Maycon Juan de Souza

COMITÊ TÉCNICO Engenheiro civil Antônio Carlos Moreira da Costa Júnior (FIP/ Moc) • Engenheira civil Andrea de Freitas Avelar (UNIPAM) • Engenheiro agrícola José Aparecido de Oliveira Leite (UFVJM) • Engenheiro agrônomo João Carlos Cardoso Galvão (UFV) • Engenheiro de produção Paulo Rotela Júnior (FEPI) • Engenheiro eletricista Carlos Juarez Velasco (UFJF)

ANAIS DA 2ª FEIRA DE CIÊNCIAS E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA (FEICINTEC) Comissão avaliadora - 1ª etapa: Engenheiro de telecomunicações Carlos Antônio Rufino • Engenheiro mecânico Rodrigo Cetano Costa • Téc. em Enfermagem e em Segurança do Trabalho Fabrício Santos Rita • Bacharel em Ciências Agrárias Claudiomir Silva Santos • Engenheiro eletricista Marco Aurélio de Oliveira Schroeder • Engenheiro eletricista Humberto Mendes Mazzini • Engenheira industrial mecânica Vânia Regina Velloso Silva

• Engenheiro mecânico José Antônio da Silva • Engenheiro de computação Rodrigo Aparecido da Silva Braga • Engenheira civil Cátia de Paula Martins • Engenheiro eletricista Rodrigo de Paula Rodrigues • Engenheiro eletricista Carlos Henrique Valério de Moraes • Engenheiro eletricista Carlos Alberto Murari Pinheiro • Engenheiro eletricista Luiz Lenarth Gabriel Vermaas • Engenheiro eletricista Robson Luiz Moreno • Engenheiro eletricista Paulo Cesar Rosa • Engenheiro de computação Odilon de Oliveira Dutra • Engenheiro eletricista Ênio Roberto Ribeiro Engenheira hídrica Ana Paula Moni Silva • Bacharel e licenciado em Química Paulo Fernando Rodrigues Matrangolo • Engenheira de produção Gisele Figueiredo Braz • Engenheira civil Ivana Prado de Vasconcelos • Engenheiro agrônomo Watson Rogério de Azevedo • Engenheiro mecânico Josias Gomes Ribeiro Filho Comissão avaliadora - 2ª etapa (presencial): Engenheiro civil Luiz Fernando Resende dos Santos Anjo • Engenheiro agrícola José Aparecido de Oliveira Leite • Engenheiro eletricista Ênio Roberto Ribeiro • Engenheiro mecânico e de segrurança do trabalho Antônio Lombardo • Engenheiro agrimensor Jairo Ferreira Fraga Barrioni • Cientista político e técnico em eletrônica Oswaldo Dehon Roque Reis

Os resumos e sinopses dos trabalhos constantes nos anais da Feicintec foram encaminhados pelos autores e são de sua inteira responsabiliade.

REVISTA VÉRTICE CREA-MINAS | EDIÇÃO ESPECIAL TÉCNICA • Superintendente e Relações Institucionais: Engenheiro metalurgista João Bosco Calais Filho • Gerente de Comunicação e Publicidade: Debi Sarmento • Endereço: Avenida Álvares Cabral, 1.600 - Santo Agostinho - Belo Horizonte - Minas Gerais • Telefone: (31) 3299-8700 • E-mail: revistavertice@crea-mg.org.br • Editor Técnico: Engenheiro civil Antônio Carlos Moreira da Costa Júnior • Jornalista Responsável: Debi Sarmento (MG-06801-JP) • Redação: Adriana von Krüger • José Wilson Barbosa • Leidiane Vinhal • Colaboração: Antônio Bosco • Carlos Oliveira • Kelly Barbosa • Luciano Bicalho • Sinésio Bastos • Vitor Maia • Projeto gráfico e diagramação: Mayor Comunicação • Tiragem: 10.0 • Impressão: Edigráfica

Uma publicação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais • Presidente: Engenheiro civil Jobson Andrade • Diretoria 2015: Vice-Presidente: Engenheiro civil Gilson de Carvalho Queiroz Filho • Diretor Administrativo e Financeiro: Engenheiro de minas, metalurgista e de segurança do trabalho Dennis de Oliveira Ayres • Diretor Técnico e de Fiscalização: Engenheiro civil e de segurança do trabalho Marcos Venícius Gervásio • Diretor de Atendimento e Acervo: Engenheiro agrônomo Gustavo Costa de Almeida • Diretor de Planejamento, Gestão e Tecnologia: Engenheiro mecânico José Caldeirani Filho • Diretor de Recursos Humanos: Engenheiro eletricista Renato de Oliveira Medina • Diretor de Relações Institucionais: Engenheiro mecânico Josias Gomes Ribeiro Filho • Colégio Estadual De Instituições de Ensino (CIE-MG): Coordenador estadual: Engenheiro eletricista Alessandro Fernandes Moreira (UFMG) • Coordenador estadual adjunto: Engenheiro de computação e técnico em eletrônica Haroldo de Moraes Lopes (FACIT) • Coordenadores Regionais: Engenheira civil Adriana de Oliveira Leite Coelho (UNIVALE) • Engenheiro eletricista Alan Kardec Cândido dos Reis (UEMG/Ituiutaba) • Engenheiro mecânico Alex Nogueira Brasil (Universidade de Itaúna) • Engenheiro eletricista André Diniz de Oliveira (IF Sudeste/Santos Dumont) • Engenheira civil Andrea de Freitas Avelar (UNIPAM) • Engenheiro civil Antônio Carlos Moreira da Costa Júnior (FIP/Moc) • Engenheiro eletricista Attenister Tarcísio Rego (PUC-Minas) • Engenheiro civil Carlos Henrique de Souza Sarkis (FANAM) • Engenheiro eletricista Carlos Juarez Velasco (UFJF) • Engenheiro eletricista e de seguranca do trabalho Daniel Azevedo Dorca (FINOM) • Engenheira civil Enid Brandão Carneiro Drumond (FUMEC) • Engenheiro civil Fabrício Moura Dias (UNIFEI/Itabira) • Engenheiro mecânico Francis José Saldanha Franco (Universidade de Itaúna) • Engenheiro eletricista Giovanni Francisco Rabelo (UFLA) • Engenheira civil Ivana Prado de Vasconcelos (UFLA) • Engenheira civil Janaína Antonino Pinto (UNIFEI/Itabira) • Engenheiro agrônomo João Carlos Cardoso Galvão (UFV) • Engenheiro de producão Joaquim José da Cunha Júnior (UNI-BH) • Engenheiro agrícola José Aparecido de Oliveira Leite (UFVJM) • Técnico em eletrotécnica José Gomes da Silva (CEFET-MG) • Engenheiro civil Luiz Fernando Resende dos Santos Anjo (UFTM/Uberaba) • Engenheiro de controle e automacão Paulo Henrique Paulista (FEPI) • Engenheiro de produção Paulo Rotela Júnior (FEPI) • Engenheiro mecânico Renan Billa (UFU) • Engenheiro agrônomo Robson Thomaz Thuler (IFTM/Uberaba) • Engenheiro em eletrônica e de telecomunicações Rodrigo Almeida Soares (UNA) • Engenheira eletricista Vera Lúcia Donizeti de Sousa Franco (UEMG/Ituiutaba) • Engenheiro agrícola Vico Mendes Pereira Lima (IFNMG/Almenara)

TÉCNICA EDIÇÃOESPECIAL / DEZ2015

Alternativas para Inovar

Revelando talentos

Projetos de Eficiência Energética são selecionados através de Chamada Pública

Alessandro Fernandes Moreira 29ESPECIAL

Anais da 2º Feicintec

35 Os 10 Projetos Premiados

07ENTREVISTA

34 Projeto inova gestão de recursos hídricos

41 Os Projetos Classificados

46 Chamadas & Editais

Simulação termofluidodinâmica do escoamento de gases de combustão em escapamento de veículos automotivos

16Sistemas de proteção contra descargas atmosféricas para edificações: um estudo de caso

23A importância da compatibilização de projetos no gerenciamento de obras

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SETORJuntos construímos mais e melhor.

Vértice Técnica: Qual sua avaliação sobre o papel do CIE no diálogo entre o Conselho e a academia?

Alessandro Fernandes Moreira: A importância do Colégio é aproximar a universidade do Conselho Regional para que possamos discutir interesses em comum, como o perfil do profissional que colocamos no mercado. Existe sempre um embate muito grande entre as universidades, que formatam seus currículos, e os Creas, que regulamentam as profissões.

Vértice Técnica: Enquanto as universidades têm o desafio de implantar currículos compatíveis com as demandas atuais, o Sistema Confea/Crea precisa enfrentar um desafio semelhante no que diz respeito à regulamentação desses novos profissionais. Como você avalia a Resolução 1.010/2015 do Confea?

Alessandro: Esse é um debate para um ano. Acredito que tivemos um cisma na formação com a LDB e a flexibilização do ensino superior, permitindo o aparecimento de novas profissões. Há cursos de engenharia que se flexibilizaram e há cursos que não. O objetivo da Resolução 1.010 é exatamente acompanhar esse crescimento e regulamentar. Eu acredito que não daríamos conta de regulamentar toda e qualquer profissão, por isso não é possível criar um rótulo para elas. Acredito ser necessário repensar a Resolução 1.010. Ela tem o conteúdo perfeito, mas no momento em que tenta esta- belecer critérios para determinar onde se encaixa cada título, ela agarra. Por isso, a gestão de Jobson [Andrade] deve ser elogiada porque vislumbra uma saída, que é aproximar a universidade do Conselho.

Vértice Técnica: E essa aproximação tem sido bem-sucedida?

Alessandro: Estamos no caminho. A universidade não sabe que ela deveria desempenhar um papel dentro dos Creas e muitos dos Conselhos desconhecem a importância da universidade. Já existem algumas coisas interessantes acontecendo. Nós traçamos um plano e temos alguns projetos em mente e outros em execução. Um deles inclusive é a própria Vértice Técnica.

Vértice Técnica: Qual a expectativa do Colégio em relação a essa revista?

Alessandro: É notável que os profissionais da engenharia, dentro ou fora das universidades, fazem muitas coisas interessantes e há pouca visibilidade. Temos um conjunto de professores que fazem projetos muito interessantes e, muitas vezes, não têm espaço porque há poucas revistas que tenham foco na divulgação tecnológica. A ideia da Revista é criar um canal para Minas Gerais, não apenas para os professores, mas para que todos profissionais de engenharia pos-

Há quase duas décadas, com a (nem tão) nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, a flexibilização dos currículos e leis de renúncia fiscal tentam alavancar a inovação tecnológica no Brasil. Os desafios são muitos e devem ser enfrentados pelos setores público e privado. O Crea-Minas tem contribuído com esse processo. Em 2012 criou o Colégio Estadual de Instituições de

Ensino (CIE-MG) para um efetivo diálogo com as escolas da área tecnológica. Nesta entrevista, Alessandro Fernandes Moreira, coordenador estadual do Colégio fala sobre a consolidação do CIE, leis de incentivo à inovação tecnológica e a relação entre universidades, mercado e Crea-Minas.

Alessandro Fernandes Moreira é diretor da Escola de Engenharia da UFMG. Graduado em engenharia elétrica pela UFMG em 1991, Alessandro tem mestrado pela UFMG e PhD pela University of Wisconsin- -Madison. Atualmente se dedica a área de educação em Engenharia, com ênfase em inovação e empreendedorismo na formação dos novos engenheiros.

sam apresentar seus trabalhos. O Crea tem um alcance muito grande. A Revista Vértice é lida no estado inteiro e acredito que a nossa Revista vai ser também.

Vértice Técnica: Também voltada para a divulgação de novas tecnologias e criada com o intuito de estimular tanto a inovação quanto o empreendedorismo, a Feira de Ciências e Inovações Tecnológicas (Feicintec) chega a sua terceira edição. De que forma eventos desse tipo contribuem para a formação do futuro profissional?

Alessandro: Não se faz mais ensino superior sem a parte da inovação e do empreendedorismo. A Feira é um canal para melhorar a formação profissional porque a sala de aula continua sendo o espaço de transmissão de conhecimento técnico e não consegue abarcar tudo sozinha. A inovação vai aparecer a partir do momento em que se permite ao aluno criar. E o aluno só vai conseguir criar, mostrar toda a sua competência e habilidade se ele tiver liberdade. A inovação passa por esse princípio. Só é possível permitir ao aluno se encontrar nesse meio se houver alternativas de aprendizado. São as iniciações científicas, são os projetos acadêmicos, as equipes de competição, são as empresas juniores, os Creas Juniores, são os eventos. O Colégio, junto com o Crea, acerta na realização da Feicintec porque consolida mais um canal para que o aluno possa inovar e empreender.

Vértice Técnica: Quais são as alternativas, dentro e fora das universidades, para garantir a inovação tecnológica?

Alessandro: A saída para nós, da universidade, para melhorar a formação é inovar nos processos de aprendizagem e permitir que os alunos possam empreender. Muito se fala e pouco se faz. Tudo isso é um aprendizado para todos nós. Há 10 anos se falava que iria faltar engenheiros no Brasil. Hoje, formamos quase 60 mil por ano. Não é pouco. Desses, talvez 40% sejam aprovei- tados pela pelas indústrias. E os outros não são empregados por serem pouco competentes ou pouco inovadores? Não, o problema é que as empresas também não inovam, não empreendem. Esse é um trabalho dos dois lados e exige um aprendizado muito grande.

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