Pesquisa sobre a doença celíaca

Pesquisa sobre a doença celíaca

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A dieta pode ser incômoda. Enquanto as crianças pequenas podem obedecer aos pais, os adolescentes podem desejar esconder seu problema ou rebelar-se contra as restrições da dieta, podendo ter uma recaída. Muitos produtos contêm traços de glúten mesmo que sejam aparentemente livres de trigo. Os produtos livres de glúten são geralmente mais caros e difíceis de encontrar do que os alimentos que contêm trigo.

Mesmo com a dieta, a qualidade de vida relacionada à saúde pode ser diminuída nas pessoas com doença celíaca. Alguns possuem sintomas digestivos persistentes ou dermatites herpetiformes, úlceras na boca, osteoporose e fraturas. Podem estar presentes sintomas sugestivos de síndrome do intestino irritável, e existe uma taxa aumentada de ansiedade, fadiga, dispepsia e dor musculoesquelética

DOENÇA REFRATÁRIA

Uma pequena minoria dos pacientes sofrem de doença refratária, o que significa que eles não melhoram com uma dieta livre de glúten. Isto pode acontecer porque a doença está presente há tanto tempo que os intestinos não são mais capazes de se curarem sozinhos com a dieta, ou porque o paciente não está aderindo à dieta, ou porque o paciente está consumindo comidas que são contaminadas com glúten. Se as causas alternativas forem eliminadas, esteroides ou imunossupressores (como a azatioprina) podem ser considerados neste cenário.

CONDIÇÕES ASSOCIADAS

A doença celíaca pode estar associada a outras condições:

HISTÓRIA

A doença celíaca é conhecida desde o Século XI, mas foi só em 1888 que Samuel Gee, um pesquisador inglês, a descreveu em detalhes e achou que as farinhas poderiam ser as causadoras da moléstia. Em 1950, Dicke, um pediatra holandês, observou que durante a guerra, quando o pão esteve escasso na Europa, diminuíram os casos de doença celíaca. Três anos depois ele conseguiu comprovar sua teoria, deixando claro o papel do glúten (contido no trigocevadaaveiamalte e centeio) na provocação da doença.

CONCLUSÃO

Com o avanço nos testes sorológicos para o diagnóstico da DC ficou Evidenciado o aumento de sua prevalência, que deixou de ser uma doença considerada rara, além de podermos reconhecer seu acometimento sistêmico variado e não mais pesarmos nessa patologia somente como acometimento isolado do sistema digestivo e com início reservado a infância.

O conhecimento dos sinais e sintomas da DC é imprescindível para que os profissionais de saúde tenham a suspeita de seu diagnóstico, devendo ser lembrado que os testes sorológicos devem ser solicitados na presença de qualquer grau de suspeita do diagnóstico dessa patologia.

Ainda hoje a dieta isenta de glúten (DIG) é o único tratamento conhecido e deve ser abordado de forma esclarecedora por equipe multidisciplinar aos pacientes e a seus cuidadores, principalmente de crianças e idosos, sempre exaltando a importância da mesma na sobrevida do paciente.

ANEXO

Endoscopia de um duodeno com atrofia de pregas

Diagrama mostrando os diferentes estágios da doença celíaca

As mudanças patológicas clássicas do intestino delgado são categorizadas através da "classificação Marsh":

• Estágio Marsh 0: mucosa normal

• Estágio Marsh 1: número aumentado de linfócitos intra-epiteliais, geralmente mais de 20 a cada 100 enterócitos

• Estágio Marsh 2: proliferação das criptas de Lieberkuhn

• Estágio Marsh 3: atrofia completa ou parcial das vilosidades

• Estágio Marsh 4: hipoplasia da arquitetura do intestino delgado

As mudanças geralmente melhoram ou são revertidas após o glúten ser removido da dieta, devendo ser realizada diversas biópsias meses (4 a 6) após o início da exclusão do glúten.

ANEXO

Lesões na pele causada pela ingestão de glúten.

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Leia mais: http://acelbrace.webnode.com.br/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_cel%C3%ADaca#Fisiopatologia

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