Avaliação na educação superior produção da proposta de

Avaliação na educação superior produção da proposta de

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Talma Bastos de Barros1 Orientadora: Professora Dr.ª Maria Aparecida Bosschaerts de Camargo

RESUMO: A avaliação do processo de aprendizagem na educação superior possibilita investigar e refletir a respeito da ação do aluno e do professor, instigando a transformação além do contexto da sala de aula, em estágios supervisionados do início do curso até ao seu final. O ato de avaliar tem sido foco de reflexão e estudo de pesquisadores, que procuram compreender melhor sua estrutura e características no campo da educação como um dos conjuntos do processo de desenvolvimento dos sujeitos, que serve para mediar o homem com o meio no qual vive e em suas relações mútuas. O objetivo da avaliação deve consistir em preparar o indivíduo para exercer atividades em determinado contexto social, político e cultural e como processo de tomada de decisões para ações frente a entendimentos filosófico-políticos do mundo e da realidade. A educação superior deveria, por meio da avaliação, cumprir a função de humanização e emancipação, oportunizando o desenvolvimento em seus múltiplos aspectos; repensando sua prática, refletindo sobre o significado social do seu trabalho e buscando novas alternativas para os inúmeros problemas educacionais. Esta proposta verifica a possibilidade de uma avaliação contínua, por meio de estágio supervisionado, durante todo o curso superior, que possibilite ao educando ser útil, ao mesmo tempo em que, por meio da aquisição de conhecimentos, assimila e aperfeiçoa sua futura profissão.

Palavras-chaves: Avaliação. Educação Superior. Procedimentos.

ABSTRACT: The evaluation of the learning process in higher education allows investigate and reflect on the action of the student and the teacher prompting the transformation beyond the context of the classroom, in supervised from the beginning of the course, until the end. The act of assessment has been the focus of studies by various scholars and researchers, reflect and seek to better understand their formation and organization in the field of education as a set of procedures for the development of the subjects that serve to mediate the man with the environment in which lives and in their mutual relations. The objective of the evaluation should be to prepare the individual to perform activities in a particular social context, while political and cultural decision-making process for actions against the political-philosophical understanding of the world and reality. Higher education should, through the evaluation, perform the function of humanization and emancipation, nurture the development in its many aspects; rethinking their practice, reflecting on the social significance of their work and seeking new alternatives to the many educational problems. This verifies the possibility of a continuous assessment, through the supervised training, throughout the university, enabling students to be useful, at the same time, through the acquisition of knowledge, assimilate and improve their future profession.

KEYWORDS: Assessment. Higher Education. Procedures.

E orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. (Mateus, 6:5 a 8)

A avaliação tem sido objeto de estudo de diferentes autores. Nesta pesquisa apresenta-se uma inovação avaliativa para a educação superior. Escolheu-se este nível de ensino tendo em vista que não se trata de ensino obrigatório, os alunos têm

1 Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Docência na Educação Superior da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Uberaba – MG. E-mail: thalmadebarros@hotmail.com maior autonomia em suas decisões e pretensões e os professores são mais vinculados à pesquisa. Portanto, entende-se que na educação superior as mudanças podem ser realizadas com maior facilidade e se refletirão nos demais níveis educacionais.

Pode ser importante discorrer a respeito de avaliação porque as mesmas fórmulas para avaliar vêm sendo utilizadas, com poucas variações, há séculos, pelo sistema educacional em todo o mundo ocidental. O embasamento estrutura-se na pesquisa bibliográfica em fontes fidedignas.

Este estudo observa, de forma ampla, o significado da avaliação pelo aprofundamento do referencial teórico e análise da visão do aluno, seus anseios, suas necessidades suas dificuldades e limitações, suas expectativas e, principalmente, dar significância e utilidade para a avaliação. Não se pretende afirmar a melhor maneira de avaliar no caso de disciplinas teóricas e práticas da educação superior, mas sim de refletir como o cotidiano acadêmico pode mudar, com práticas pedagógicas que possibilitem o acompanhamento do processo de construção do conhecimento vivenciado pelo aluno, tendo em vista a superação dos problemas e dificuldades de aprendizagem.

Trata-se de revisão bibliográfica fundamentada em literatura especializada por meio de consulta a artigos científicos selecionados através de busca no banco de dados do Scielo a partir das fontes Medline e Lilacs.Organizou-se a redação por assuntos vinculados, facilitando o entendimento do tema. Inicia-se a análise a respeito de conceitos de avaliação, que define objetivamente o assunto maior, depois, verifica-se a avaliação na educação superior, mais significativa e delicada que nos níveis educacionais anteriores, tanto para professores, quanto para alunos, pois tem caráter formativo e, finalmente, sugere-se uma proposta prática de avaliação para a educação superior, que possibilite o conhecimento profundo da disciplina, que contenha oportunidades de adequação, inovação e estudo.

O objetivo amplo é a proposta para inovar a avaliação universitária e especificamente sugerir inovações no método atualmente usado e, concomitantemente, elaborar novas propostas para avaliar, por meio de novo método, que deverá inibir o estresse causado por testes, provas e trabalhos requeridos com o intuito de valorar o saber do estudante.

A prática avaliativa é uma das formas mais eficientes de instalar comportamentos, atitudes e crenças entre os estudantes, podendo ser positivas ou destrutivas de suas possibilidades de desenvolvimento, como mecanismo de inclusão ou exclusão social, através das marcas burocráticas e legais impregnadas na sua utilização.

A avaliação no processo ensino-aprendizagem é um ritual pedagógico que atinge aspectos sociais, éticos e psicológicos podendo estimular ou frustrar o crescimento do sujeito que aprende. (CAMARGO, 1996).

Percebe-se que a avaliação tem diferentes metas como: propor novos métodos de estudo e pesquisa, angariar mais conhecimento, adquirir condições de domínio temático e, também, para sopesar o aproveitamento das aulas e seus conteúdos programáticos.

A avaliação é um procedimento da existência humana, que pensa criticamente a prática, que tenta perceber os avanços, resistências, dificuldades, objetivando decidir o que fazer para superar problemas e obstáculos de variadas situações (VASCONCELLOS, 2000).

Provar o que se sabe parece servir para definir, para saber o que se prova. A avaliação tem característica desveladora e emancipadora.

Luckesi (1986, 1994) entende que a avaliação educacional escolar, se traduz em prática pedagógica. A respeito da avaliação educacional a conceitua como avaliação da culpa, na qual notas são usadas para classificar os alunos comparando desempenhos sem se preocupar em se atingir metas pré-estabelecidas.

sujeito objetivo da educação

Observar o que o aluno não sabe, pode dificultar o processo do ensino e aprendizagem, as notas classificam o aluno, como se fosse um objeto e não como o

Os regimentos escolares instituíram uma cultura própria, decodificada por linguagem jurídica e símbolos, que medem e avaliam de forma ampla, tanto a escola, quanto seus componentes discentes e docentes (LÜDKE; ANDRÉ, 1986).

Pode ser que a avaliação de tudo e de todos que se relacionam a educação seja apenas uma prática, mais política que pedagógica voltada apenas ao aferimento e/ou subtração de valores, tentando atingir um objetivo não muito claro, de maior, ou menor importância institucional.

O principal objetivo da avaliação é ajudar o aluno a aprender e o professor a ensinar. (PERRENOUD, 1999). Por meio da avaliação, utilizando instrumentos e procedimentos próprios, pode-se mensurar quantidade e nível de aprendizagem alcançados. (LIBÂNEO, 1994).

A literatura especializada define e conceitua avaliação e suas instâncias, porém observa-se que a avaliação sempre pretende mensurar o conhecimento. Seu principal objetivo parece ser verificar se o aluno encontra-se apto em determinada disciplina. Nunca tem caráter eminentemente formativo, mesmo na educação superior.

A proposta sugerida neste artigo é transformar a avaliação em uma grandeza produtiva, que defina e delineie qualidades ao universitário. A avaliação, no caso em tela, extrapola as medidas convencionais. O que se aprende é imediatamente praticado, por mais teórico que seja. Assim, em um exemplo objetivo, ao se estudar Metodologia Científica, a avaliação será realizada por meio da elaboração de um artigo, que traduza todo o entendimento do aluno em relação ao conteúdo estudado, que será levado à consideração de leitores e que sofreará críticas valorativas.

A avaliação, na educação superior é muito mais do que aplicar testes, levantar medidas, selecionar e classificar alunos. "Avaliar, para muitos de nós, professores da educação superior, é uma das atividades pedagógicas mais difíceis de realizar..." (ABREU E MASETTO, 1990, p. 108).

É necessário estabelecer, por meio de técnicas utilizadas pelo professor, medidas que promovam ou não os estudantes avaliados. Estas técnicas se dividem em grupos de acordo com o que se quer avaliar: conhecimentos, habilidades ou atitudes. São abrangentes quando afirmam que o ensino, como um todo, deve ser avaliado não só na vertente aluno, mas também nas vertentes plano de ensino e professor.

"Situações-problema", "concepção de tarefas, tanto de ensino como de avaliação”, "realização de gráficos evolutivos dos alunos”, são atividades que auxiliam na avaliação formativa que podem ser continuamente inovadas pela imaginação. (SORDI, 2001).

A avaliação na educação superior deveria estar a serviço da aprendizagem como um todo, servindo como experiência da aprendizagem, com estratégias inovadoras sempre que possível, pois se trata de área um tanto conservadora.

Anastasiou e Alves (2003) verificam a avaliação como estratégia de ensino variada, que pode ser realizada por muitos meios como, por exemplo, aula expositiva dialogada, júri simulado etc.

A avaliação já não é apenas um instrumento para atribuir nota a um estudante numerado no diário de classe. Ela preocupa-se com um aluno que possui nome, características próprias de velocidade de aprendizado, habilidades e competências únicas, interagindo com um professor motivado a observar as etapas desta dinâmica e que também é avaliado no processo educacional.

Na educação superior a avaliação é função conformativa da escola. As notas e conceitos são decisivos para a continuidade dos estudos, determinando o status de “sucesso” ou de “fracasso” acadêmico, de permanência ou de exclusão do processo escolar, independentemente da adequação ou não dos procedimentos que lhe deram origem.

Tradicionalmente as notas têm representado a quantidade de informações adquiridas pelos sujeitos que aprendem em relação à expectativa do avaliador.

Na avaliação somativa, através de parâmetros utilizados pela escola, notas e registros escolares irão servir de orientação para efetuar a avaliação do processo ensino-aprendizagem e do planejamento escolar.

Para Luckesi (1999), a avaliação não pode ser autoritária e conservadora, mas sim diagnóstica, propiciando avanços e propondo novas metas. A aprendizagem tem que ser vista de forma detalhada, relevando as necessidades prioritárias. Os critérios são importantes como parâmetros difundidos e flexíveis, que se amoldam às necessidades de alunos e professores. Na avaliação diagnóstica o professor identifica interesses, aptidões, traços de personalidade, grau de envolvimento, para traçar os objetivos.

Hoffman (2003) entende que no curso superior acontece a avaliação classificatória com o aproveitamento máximo do aluno através das oportunidades obtidas durante o curso, em um parâmetro avaliativo fixo. Para Hoffman: "qualidade, numa perspectiva mediadora de avaliação, significa desenvolvimento máximo possível, um permanente 'vir a ser', sem limites pré-estabelecidos...". Esta forma de avaliar, no entendimento deste autor, procura acompanhar o aluno em todos os instantes, interagindo com o contexto do aprendizado.

A respeito de avaliação formativa na educação superior, Romanowski e

Wachowicz (2006) a entendem como vantajosa porque aluno e professor interagem. O aluno, ao compreender a dinâmica da avaliação formativa, pode estabelecer novos parâmetros para a aprendizagem.

Na avaliação formativa o professor avalia se a aprendizagem está realmente acontecendo, como prosseguir, adequando-se às situações que vão surgindo no decorrer do processo, alterando ou até retrocedendo, ressurgindo, reiniciando, recomeçando, etc. O que é explicado da seguinte forma pelas autoras:

Alunos e professores podem verificar a precisão dos conceitos elaborados e a validade das análises realizadas(...) o que se espera é que aluno e professor possam interagir para conquistar o conhecimento. (p. 129)

Existe dificuldade no registro de atividades que colaborem com a avaliação formativa, porque é um procedimento diferente da avaliação classificatória, em que se atribui uma ou mais notas de forma objetiva.

A preparação profissional na educação superior tem requerido mais do que acúmulo de informações, pois são desafiadoras de raciocínios, de decisão, solução de problemas, exige flexibilidade, análises, relações, seleções. (SCHÖN, 1997; ALARCÃO, 1996).

Acreditar que avaliar informações memorizadas é o procedimento seguro para medir o saber pode ser interpretado como desconsiderações de critérios importantes do desempenho do aluno, como os intelectuais, motores, atitudinais apreendidos e aperfeiçoados em tempo de formação, relativos ao curso ou carreira a que se destinam.

Na educação superior os alunos são mais maduros. A maioria tem objetivos profissionais claros, muitos professores não estão preparados para a docência, aumentando dificuldades para proceder à avaliação (SILVEIRA, 2008).

A avaliação na Universidade abrange um estudo teórico sobre avaliação e avaliação na educação superior, incluindo revisão de conceitos, entendimentos e experiências, além de um levantamento da situação institucional a respeito de políticas, programas, propostas e realizações existentes, dadas as características da área de ensino/conhecimento.

As conseqüências das práticas avaliativas na vida acadêmica do aluno de educação superior são visíveis nas práticas avaliativas de seus professores e refletem-se, de forma crítica, sobre o significado político-pedagógico dessas práticas na vida acadêmica dos alunos (SILVEIRA, 2008).

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