Manual Tarifação de Energia Elétrica

Manual Tarifação de Energia Elétrica

(Parte 1 de 4)

1“ Ediçªo - MAIO/2001

ELETROBRÁS PROCEL3

1. INTRODUO5
2. DEFINIÕES E CONCEITOS5
3. CLASSIFICAO DOS CONSUMIDORES6
4. MODALID ADES TARIFRIAS E TARIF AO7
4.1 A T arifaçªo Convencional7
4.2 A T arifaçªo horo -sazonal V erde8
4.3 A T arifaçªo horo -sazonal Azul10
5.A ENERGIA REATIVA E FATOR DE POTNCIA12
6.REDUZINDO A CONTA DE LUZ13
ANEXOS15
ANEXO I – Exemplo de Publicaçªo dos Reajustes TarifÆrios17
ANEXO I – AnÆlise da Conta de Luz23
1 – Correçªo do Fator de PotŒncia23
2 – Demanda Contratual23
3 – Enquadramento T arifÆrio28

ELETROBRÁS PROCEL5

A compreensªo da forma como Ø cobrada a energia elØtrica e como sªo calculados os valores apresentados nas contas de luz Ø fundamental para a tomada de decisªo em relaçªo a projetos de eficiŒncia energØtica.

A conta de luz reflete o modo como a energia elØtrica Ø utilizada e sua anÆlise por um período de tempo adequado, permite estabelecer relaçıes importantes entre hÆbitos e consumo.

Dadas as alternativas de enquadramento tarifÆrio disponíveis para alguns consumidores, o conhecimento da formaçªo da conta e dos hÆbitos de consumo permite escolher a forma de tarifaçªo mais adequada e que resulta em menor despesa com a energia elØtrica.

Este Manual, parte do Plano de EficiŒncia EnergØtica nos PrØdios Pœblicos Federais do Programa Nacional de Conservaçªo de Energia ElØtrica - PROCEL, apresenta noçıes bÆsicas sobre as formas de tarifaçªo, estando calcado no instrumento legal mais recente que versa sobre o tema, a Resoluçªo 456 da AgŒncia Nacional de Energia ElØtrica ANEEL, publicada no DiÆrio Oficial em 29 de novembro de 2000.

Para a compreensªo dos assuntos tratados neste Manual Ø necessÆrio conhecer alguns poucos conceitos e definiçıes.

PotŒncia: simplificadamente, podemos dizer que Ø a capacidade de consumo de um aparelho elØtrico. A potŒncia vem escrita nos manuais dos aparelhos, sendo expressa em watts (W) ou quilowatts (kW), que corresponde a 1000 watts. Um condicionador de ar Springer Carrier, modelo XCJ108D, de 10500 BTU, por exemplo, tem uma potŒncia de 10 W (ou 1,1 kW).

Energia: simplificadamente, Ø a quantidade de eletricidade utilizada por um aparelho elØtrico ao ficar ligado por certo tempo. Tem como unidades mais usuais o quilowatthora (kWh) e o megawatt-hora (MWh). O condicionador acima, se ficar ligado por duas horas, gastarÆ 2,2 kWh. Na conta de energia elØtrica dos pequenos consumidores, como por exemplo as residŒncias, cobra-se apenas a energia utilizada ( consumo ). MØdios e grandes

ELETROBRÁS PROCEL6 consumidores pagam tanto pela energia quanto pela potŒncia. A potŒncia aparece nas contas desses consumidores com o nome de Demanda, que, na verdade, corresponde à potŒncia mØdia verificada em intervalos de 15 minutos.

O horÆrio de ponta Ø o período de 3 (trŒs) horas consecutivas exceto sÆbados, domingos e feriados nacionais, definido pela concessionÆria em funçªo das características de seu sistema elØtrico. Em algumas modalidades tarifÆrias, nesse horÆrio a demanda e o consumo de energia elØtrica tem preços mais elevados.

O horÆrio fora de ponta corresponde às demais 21 horas do dia.

Finalmente, precisamos definir os períodos seco e œmido. Para efeito de tarifaçªo, o ano Ø dividido em dois períodos, um período seco que compreende os meses de maio a novembro (7 meses) e um período œmido, que compreende os meses de dezembro a abril (5 meses). Em algumas modalidades tarifÆrias, no período seco o consumo tem preços mais elevados.

3.CLASSIFICAÇÃO DOS CONSUMIDORES Os consumidores sªo classificados pelo nível de tensªo em que sªo atendidos.

Os consumidores atendidos em baixa tensªo, em geral em 127 ou 220 volts, como residŒncias, lojas, agŒncias bancÆrias, pequenas oficinas, edifícios residenciais e boa parte dos edifícios comerciais, sªo classificados no Grupo B. É o caso da maioria dos prØdios pœblicos federais.

O Grupo B Ø dividido em sub-grupos, de acordo com a atividade do consumidor. Os consumidores residenciais, por exemplo, sªo classificados como B1, os rurais como B2, etc, mas essa sub-classificaçªo nªo Ø relevante para o objetivo deste Manual.

Os consumidores atendidos em alta tensªo, acima de 2300 volts, como indœstrias, shopping centers e alguns edifícios comerciais, sªo classificados no Grupo A.

Esse grupo Ø subdividido de acordo com a tensªo de atendimento, como mostrado na tabela abaixo.

ELETROBRÁS PROCEL7

Poucos sªo os prØdios pœblicos classificados no Grupo A, em geral no Sub-Grupo A4.

Os consumidores atendidos por redes elØtricas subterrâneas sªo classificados no Grupo A, Sub-Grupo AS, mesmo que atendidos em baixa tensªo.

4.MODALIDADES TARIFÁRIAS E TARIFAÇÃO Sªo duas as modalidades tarifÆrias.

Os consumidores do Grupo B (baixa tensªo) tem tarifa monômia, isto Ø, sªo cobrados apenas pela energia que consomem.

Os consumidores do Grupo A tem tarifa binômia, isto Ø, sªo cobrados tanto pela demanda quanto pela energia que consomem. Estes consumidores podem enquadrar-se em uma de trŒs alternativas tarifÆrias:

· Tarifaçªo Convencional, ·Tarifaçªo horo-sazonal Verde, ou

·Tarifaçªo horo-sazonal Azul (compulsória para aqueles atendidos em tensªo igual ou superior a 69 kV).

O enquadramento na tarifa Convencional exige um contrato específico com a concessionÆria no qual se pactua um œnico valor da demanda pretendida pelo consumidor ( Demanda Contratada ), independentemente da hora do dia (ponta ou fora de ponta) ou período do ano (seco ou œmido).

Os consumidores do Grupo A, sub-grupos A3a, A4 ou AS, podem ser enquadrados na

SubgruposTensão de Fornecimento

A1≥ 230 kV A288 kV a 138 kV

A369 kV A3a30 kV a 4 kV

A42,3 kV a 25 kV AS Subterrâneo

ELETROBRÁS PROCEL8 tarifa Convencional quando a demanda contratada for inferior a 300 kW, desde que nªo tenham ocorrido, nos 1 meses anteriores, 3 (trŒs) registros consecutivos ou 6 (seis) registros alternados de demanda superior a 300 kW.

A conta de energia elØtrica desses consumidores Ø composta da soma de parcelas referentes ao consumo, demanda e ultrapassagem.

A parcela de consumo Ø calculada multiplicando-se o consumo medido pela Tarifa de Consumo:

P = Tarifa de Consumo x Consumo Medido

A parcela de demanda Ø calculada multiplicando-se a Tarifa de Demanda pela Demanda Contratada ou pela demanda medida (a maior delas), caso esta nªo ultrapasse em 10% a Demanda Contratada:

P = Tarifa de Demanda x Demanda Contratada

A parcela de ultrapassagem Ø cobrada apenas quando a demanda medida ultrapassa em mais de 10% a Demanda Contratada. É calculada multiplicando-se a Tarifa de Ultrapassagem pelo valor da demanda medida que supera a Demanda Contratada:

P = Tarifa de Ultrapassagem x (Demanda Medida Demanda Contratada)

Na tarifaçªo Convencional, a Tarifa de Ultrapassagem corresponde a trŒs vezes a Tarifa de Demanda.

Atençªo:Pela legislaçªo anterior (Portaria DNAEE 3/8), revogada pela Resoluçªo 456, a Demanda Contratada poderia ter valor zero e nªo existia pagamento por ultrapassagem. Se a sua unidade de consumo estÆ enquadrada na Tarifa Convencional, fique de olho, em breve vocŒ poderÆ ser convocado pela concessionÆria para rever seu contrato.

4.2A Tarifação horo-sazonal Verde

O enquadramento na tarifa Verde dos consumidores do Grupo A, sub-grupos A3a, A4 e AS, Ø opcional. Essa modalidade tarifÆria exige um contrato específico com a concessionÆria no

ELETROBRÁS PROCEL9 qual se pactua a demanda pretendida pelo consumidor ( Demanda Contratada ), independentemente da hora do dia (ponta ou fora de ponta). Embora nªo seja explícita, a Resoluçªo 456 permite que sejam contratados dois valores diferentes de demanda, um para o período seco e outro para o período œmido.

A conta de energia elØtrica desses consumidores Ø composta da soma de parcelas referentes ao consumo (na ponta e fora dela), demanda e ultrapassagem.

A parcela de consumo Ø calculada atravØs da expressªo abaixo, observando-se, nas tarifas, o período do ano:

P =Tarifa de Consumo na ponta x Consumo Medido na Ponta + Tarifa de Consumo fora de Ponta x Consumo Medido fora de Ponta

No período seco (maio à novembro) as tarifas de consumo na ponta e fora de ponta sªo mais caras que no período œmido.

A parcela de demanda Ø calculada multiplicando-se a Tarifa de Demanda pela Demanda Contratada ou pela demanda medida (a maior delas), caso esta nªo ultrapasse em mais de 10% a Demanda Contratada:

P = Tarifa de Demanda x Demanda Contratada

A tarifa de demanda Ø œnica, independente da hora do dia ou período do ano.

A parcela de ultrapassagem Ø cobrada apenas quando a demanda medida ultrapassa em mais de 10% a Demanda Contratada. É calculada multiplicando-se a Tarifa de Ultrapassagem pelo valor da demanda medida que supera a Demanda Contratada:

P = Tarifa de Ultrapassagem x (Demanda Medida Demanda Contratada)

Atençªo:Pela Portaria DNAEE 3/1988, exigia-se que a Demanda Contratada para o período œmido fosse nªo inferior à Contratada para o período seco. Como essa Portaria foi revogada, a exigŒncia nªo mais se sustenta.

ELETROBRÁS PROCEL10

O enquadramento dos consumidores do Grupo A na tarifaçªo horo-sazonal azul Ø obrigatório para os consumidores dos sub-grupos A1, A2 ou A3.

Essa modalidade tarifÆria exige um contrato específico com a concessionÆria no qual se pactua tanto o valor da demanda pretendida pelo consumidor no horÆrio de ponta ( Demanda Contratada na Ponta) quanto o valor pretendido nas horas fora de ponta ( Demanda Contratada fora de Ponta). Embora nªo seja explícita, a Resoluçªo 456 permite que sejam contratados valores diferentes para o período seco e para o período œmido.

A conta de energia elØtrica desses consumidores Ø composta da soma de parcelas referentes ao consumo, demanda e ultrapassagem. Em todas as parcelas observase a diferenciaçªo entre horas de ponta e horas fora de ponta.

A parcela de consumo Ø calculada atravØs da expressªo abaixo, observando-se, nas tarifas, o período do ano:

P =Tarifa de Consumo na ponta x Consumo Medido na Ponta + Tarifa de Consumo fora de Ponta x Consumo Medido fora de Ponta

As tarifas de consumo na ponta e fora de ponta sªo diferenciadas por período do ano, sendo mais caras no período seco (maio à novembro).

A parcela de demanda Ø calculada somando-se o produto da Tarifa de Demanda na ponta pela Demanda Contratada na ponta (ou pela demanda medida na ponta, de acordo com as tolerâncias de ultrapassagem) ao produto da Tarifa de Demanda fora da ponta pela Demanda Contratada fora de ponta (ou pela demanda medida fora de ponta, de acordo com as tolerâncias de ultrapassagem):

P =Tarifa de Demanda na Ponta x Demanda Contratada na Ponta + Tarifa de Demanda fora de Ponta x Demanda Contratada fora de Ponta

As tarifas de demanda nªo sªo diferenciadas por período do ano.

A parcela de ultrapassagem Ø cobrada apenas quando a demanda medida ultrapassa a Demanda Contratada acima dos limites de tolerância. Esses limites sªo

ELETROBRÁS PROCEL11 de 5% para os sub-grupos A1, A2 e A3 e de 10% para os demais sub-grupos.

É calculada multiplicando-se a Tarifa de Ultrapassagem pelo valor da demanda medida que supera a Demanda Contratada:

P =Tarifa de Ultrapassagem na Ponta x (Demanda Medida na Ponta

Demanda Contratada na Ponta) + Tarifa de Ultrapassagem fora de Ponta x (Demanda Medida fora de Ponta Demanda Contratada fora de Ponta)

As tarifas de ultrapassagem sªo diferenciadas por horÆrio, sendo mais caras nas horas de ponta.

Atençªo:Pela Portaria DNAEE 3/8, exigia-se que as demandas contratadas para o período œmido nªo fossem inferiores às do período seco e a demanda contratada para fora de ponta nªo fosse inferior à contratada para a ponta. Como essa Portaria foi revogada, a exigŒncia nªo mais se sustenta.

nas contas de luz, a unidade usada para expressar o consumo de

Lembre-se que... ...a demanda medida Ø a mÆxima verificada ao longo do mŒs. Basta vocŒ deixar todos os seus aparelhos ligados por 15 minutos que vocŒ pagarÆ a demanda como se eles tivessem permanecidos ligados o mŒs todo ! ...em todas as modalidades tarifÆrias, sobre a soma das parcelas incide o ICMS, com alíquotas variando entre 20 e 25% dependendo do Estado; ...as tarifas sªo diferenciadas por concessionÆria e os reajustes tarifÆrios anualmente homologados pela ANEEL. Os valores das tarifas podem ser obtidos atravØs da Internet, no endereço http://www.aneel.gov.br/ defaultinf.htm . Como exemplo, no Anexo I mostra-se a Resoluçªo 126, de 5 de abril de 2001, que homologa o reajuste tarifÆrio da CEMIG; energia elØtrica Ø kWh, porØm a ANEEL divulga as tarifas de consumo em MWh. Assim, ao utilizar as expressıes para calcular P, divida a tarifa informada por 1000.

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5.A ENERGIA REATIVA E FATOR DE POTÊNCIA

AlØm da energia ativa, sobre a qual discorremos atØ agora, existe um outro tipo de energia elØtrica, denominada energia reativa.

Essa Ø uma energia diferente : embora nªo se possa classificÆ-la de inœtil, nªo realiza trabalho œtil e produz perdas por provocar aquecimento nos condutores. A energia reativa tem como unidades de medida usuais o VArh e o kVArh (que corresponde a 1000 VArh) e a potŒncia reativa a unidade de VAr ou kVAr.

AtØ certo limite, as concessionÆrias nªo sªo autorizadas a cobrar essa energia e atØ recentemente nªo a cobravam dos consumidores do Grupo B mesmo quando o limite era excedido. Esse panorama pode mudar em breve, mas o fato Ø que a cobrança, em geral, Ø encontrada apenas nos consumidores do Grupo A.

O limite Ø indicado de forma indireta, atravØs de um parâmetro denominado fator de potŒncia , que reflete a relaçªo entre as energias ativa e reativa consumidas. De acordo com a Resoluçªo 456, as instalaçıes elØtricas dos consumidores devem ter um fator de potŒncia nªo inferior a 0,92 (reativo ou indutivo).

Pela energia reativa, os consumidores do Grupo A sªo cobrados da mesma forma que pela energia ativa, apenas mudam as mediçıes e os nomes.

Os consumidores do Grupo A, tarifa Convencional, pagam tanto o consumo de energia reativa (UFER) quanto a demanda reativa (UFDR):

FER = Tarifa de Consumo x UFER e:

FDR = Tarifa de Demanda x UFDR

(FER: Faturamento de Energia Reativa e FDR: Faturamento de Demanda Reativa)

Ao invØs de FER e FDR, algumas contas de luz mostram nomes como EREX e DREX ou Energia Reativa Excedente e PotŒncia Reativa Excedente.

Os consumidores do Grupo A, tarifa Verde, pagam o consumo de energia reativa na ponta e fora de ponta (UFER) e a demanda reativa (UFDR):

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FER =Tarifa de Consumo na Ponta x UFER na Ponta + Tarifa de Consumo fora de Ponta x UFER fora de Ponta e: FDR = Tarifa de Demanda x UFDR

Os consumidores do Grupo A, tarifa Azul, pagam tanto o consumo de energia reativa (UFER) quanto da demanda reativa (UFDR), para as horas de ponta e horas fora de ponta.

A energia reativa cobrada Ø calculada pela expressªo:

FER =Tarifa de Consumo na Ponta x UFER na Ponta + Tarifa de Consumo fora de Ponta x UFER fora de Ponta e a demanda reativa:

FDR =Tarifa de Demanda na Ponta x UFDR na Ponta + Tarifa de Demanda fora de Ponta x UFDR fora de Ponta

Nªo existe cobrança de ultrapassagem para a demanda reativa.

Existem fórmulas próprias para cÆlculo dos valores de UFER e UFDR, mostradas na Resoluçªo 456, porØm apresentÆ-las e discuti-las foge aos objetivos deste Manual.

6.REDUZINDO A CONTA DE LUZ

A existŒncia de alternativas de enquadramento tarifÆrio permite a alguns consumidores escolher o enquadramento e valor contratual de demanda que resultam em menor despesa com a energia elØtrica. A decisªo, porØm, só deve ser tomada após adequada verificaçªo dos padrıes de consumo e demanda nos segmentos horÆrios (ponta e fora de ponta) e sazonais (períodos seco e œmido).

AlØm de revelar relaçıes entre hÆbitos e consumo de energia elØtrica, œteis ao se estabelecer rotinas de combate ao desperdício, a anÆlise da conta de luz Ø a base para a avaliaçªo econômica dos projetos de eficiŒncia eletro-energØtica.

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