Estudo da precipitação pluvial no município de são joão do cariri-pb

Estudo da precipitação pluvial no município de são joão do cariri-pb

Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia CONTECC 2014 Centro de Convenções Atlantic City - Teresina - PI

12 a 15 de agosto de 2014

ALÉCIO RODRIGUES PEREIRA1 ; RAIMUNDO MAINAR DE MEDEIROS2

ROSEANE CRISTINA SILVA OLIVEIRA3 ; PAULO ROBERTO MEGNA FRANCISCO4

1Mestrando em Meteorologia, UFCG, Campina Grande-PB; Fone: (83) 2101-1054, aleciorp_@hotmail.com 2Doutorando em Meteorologia, UFCG, Campina Grande-PB; Fone: (83) 2101-1054, mainarmedeiros@gmail.com 3Mestranda, Campina Grande-PB; Fone: (83) 2101-1054, crystina40@hotmail.com 4Dr. em Engenharia Agrícola, UFCG, Campina Grande-PB; Fone: (83) 2101-1055, paulomegna@ig.com.br

Apresentado no

Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia – CONTECC 2014 12 a 15 de agosto de 2014 - Teresina-PI, Brasil

RESUMO: A precipitação é de suma importância para o dimensionamento de projetos de irrigação, e nas engenharias: civil, florestal, agronômica, agrícola e a hidrologia. Objetivou-se verificar a distribuição mensal, a frequência de precipitação durante o período de 9 anos e a influência dos fenômenos meteorológicos El Niño e La Niña na precipitação anual da área em estudo. Para estimar a distribuição de precipitação ao longo do ano, empregou-se uma série histórica pluviométrica das médias mensais e sazonais, do período de 1911 a 2010. Observou-se que o ano de maior índice pluviométrico foi 1985 com uma precipitação anual de 1.3163,2 m, enquanto que o ano de menor índice foi 1998 com uma precipitação anual de 124,8 m. A distribuição da pluviometria interanual ocorre de forma irregular e com grande variabilidade, mesmo com presença dos fenômenos de larga escala. PALAVRAS–CHAVE: Eventos extremos, Climatologia, Polígono da Seca.

ABSTRACT: Precipitation is of paramount importance for the design of irrigation projects, and in engineering: civil, forestry, agronomy, agriculture and hydrology. The objective is to verify the monthly distribution, the frequency of precipitation during the period of 9 years and the influence of meteorological phenomena El Niño and La Niña in the annual rainfall of the study area. To estimate the distribution of rainfall throughout the year, we used a rainfall time series of monthly and seasonal averages for the period 1911-2010. It was observed that the higher rainfall year was 1985 with an annual precipitation of 1.3163,2 m, while the lower index year is 1998 with an annual rainfall of 124.8 m. The distribution of interannual rainfall occurs irregularly and with great variability, even with the presence of large-scale phenomena. KEYWORDS: Extreme events, Climatology, Drought Polygon.

INTRODUÇÃO: A precipitação é uma das variáveis meteorológicas mais importantes para os estudos climáticos das diversas regiões do Brasil em especial na região semiárida. Tal importância deve-se as consequências do que elas podem ocasionar, quando em excesso ou em deficiência para os setores produtivos da sociedade, tanto do ponto de vista econômico quanto social (agricultura, irrigação, transporte, hidrologia, etc.), causando enchentes, secas, inundações, assoreamento dos rios, quedas de barreiras, etc (Calbete et al., 2003). Historicamente a região Nordeste sempre foi afetada por grandes secas. Relatos de secas na região podem ser encontrados desde o século XVII, quando os portugueses chegaram à região. Ocorrem com uma frequência de 18 a 20 anos de seca a cada 100 anos (Marengo & Valverde, 2007). Eventos como La Niña têm sido associados à ocorrência de estações chuvosas mais úmidas que o normal na Região Nordeste do Brasil (NEB) e El Niño tem sido associados às ocorrências de estações mais secas que o normal no NEB. A partir das informações da pluviosidade, é interessante efetivar-se um estudo sobre a essa variável climatológica relacionando-a com fenômenos de grande escala El Niño e La Ninã para se aprimorar informações a respeito das características climáticas do Estado da Paraíba. O monitoramento do regime pluviométrico dessa região nos últimos anos tem mostrado que a falta de recursos hídricos acentua os problemas socioeconômicos, em particular, no final de anos com totais pluviométricos em torno ou abaixo da média da região (Marengo & Silva Dias, 2006). A partir das informações da pluviosidade, este trabalho teve como objetivo verificar mensalmente a frequência de precipitação durante um período de 9 anos e a influência dos fenômenos meteorológicos El Niño e La Niña no município de São João do Cariri-PB.

MATERIAL E MÉTODOS: A sede do município localiza-se na latitude 07º24’ sul e longitude 36º32’ a oeste de Greenwich com uma altitude de 445 metros. O município está inserido na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, formada por maciços e outeiros altos, com altitude variando entre 650 a 1.0 metros (AESA, 2011). Segundo Köppen o clima é do tipo, BSh – semiárido quente com chuvas de verão, e um bioclima do tipo 2b (9 a 1 meses secos) – sub desértico quente de tendência tropical. Os dados de precipitações mensais utilizados foram obtidos de uma série histórica de 9 anos (1911 a 2010), fornecido pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA), e pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). Foram utilizados os dados de precipitação pluviométrica totais, mensais médios e anuais, no período de 1911 a 2010 (9 anos). Foram desconsiderados como valores mínimos os totais mensais iguais à zero, considerando-se apenas aqueles que se encontravam no intervalo de 5 a 10 m. Para análise dos dados foi utilizado planilha eletrônica. Destaca-se que no período de 1984 a 1993 não foram realizadas observações pluviométricas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: Observa-se na Figura 1 (a, b), que o mês mais chuvoso é o mês de março apresentando 23% de toda precipitação anual; e o mês menos chuvoso é setembro, o qual apresenta apenas 1% de precipitação. O período chuvoso de dezembro a abril representa 84% da precipitação anual, e no período seco 18% da precipitação anual.

(a)(b)

Figura 1. (a) Distribuição mensal da precipitação no município de São João do Cariri; (b) Distribuição mensal da precipitação e seus percentuais no município de São João do Cariri. Fonte: Medeiros (2013).

Andrade (2011), estudando a variabilidade da precipitação pluviométrica de um município do estado do Pará, observou para chuva média mensal, maiores índices no período de dezembro a maio e menores de Junho a Novembro, coincidindo com os resultados obtidos nesse estudo, mesmo sendo em uma região diferente. De acordo com Molion & Bernardo (2002), isso ocorre devido a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) migrar de uma posição mais ao norte, cerca de 14º N em agostosetembro, para a posição mais ao sul, cerca de 4º S, durante março-abril, sendo este o principal mecanismo responsável pelas chuvas que ocorrem no norte do Nordeste do Brasil (NNE), durante sua estação chuvosa principal, entre fevereiro e maio.

Figura 2. Variação da precipitação ao longo dos anos no município de São João do Cariri-PB.

Na Tabela 1 observam-se os anos que ocorrem os eventos de El Niño e La Niña, e que o ano de 1985 houve maior precipitação, sendo um ano de ocorrência de La Niña, e o de menor índice pluviométrico foram os anos de 1982 e 1983, que foi um ano de El Niño. Esta flutuabilidade está relacionada aos eventos de La Niña (anos com tendências de precipitações acima da média) e os eventos de El Niño (anos com tendências de precipitações abaixo da média) para região do Nordeste Brasileiro. Segundo Medeiros (2013), em todos os anos de acontecimento de El Niño cerca de 50 a 65% dos mesmos, apresentaram chuvas abaixo da média para área estudada. Na Figura 2 observa-se a distribuição anual de precipitação pluviométrica e a média histórica para o município, onde se observam que o ano de maior índice pluviométrico foi 1985 com uma precipitação anual de 1.3163,2 m, enquanto que o ano de menor índice foi 1998 com uma precipitação anual de 124,8 m. Em estudo realizado por Bezerra (2003), nas últimas duas décadas (80/90), vários cientistas demonstraram que as variações climáticas do fenômeno El Niño não ocorrem sozinho.

Tabela 1. Intensidade de eventos El Niño e La Niña baseada no padrão e magnitude das anomalias da TSM do Pacífico Tropical

Ocorrência de El Niño

Intensidade do El Niño

Ocorrência da

La Niña

CONCLUSÕES: A influência dos fenômenos El Niño e La Niña sobre a ocorrência de secas ou enchentes no Nordeste Brasileiro ainda não está bem compreendida, onde se tem anos com atuação dos fenômenos atuantes e precipitação acima ou abaixo das climatológicas; A distribuição da precipitação pluviométrica em São João do Cariri - PB ocorre de forma irregular e com grande variação durante todo o ano, demonstrando que mesmo em anos de El Niño as chuvas ocorrem praticamente entre a normalidade; As ocorrências de fenômenos sinóticos de largas escalas não impendem que o home tanto rural com urbano possa realizar o armazenamento da água de chuvas.

AGRADECIMENTO A CAPES e ao CNPq pela concessão da bolsa de estudo ao primeiro e segundo autores.

REFERÊNCIAS AESA. Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba. João Pessoa, 2011. Disponível em: <http://geo.aesa.pb.gov.br>. Acesso em: 20 de outubro de 2013. Andrade, F. S. Variabilidade da precipitação pluviométrica de um município do estado do Pará. Revista de Engenharia Ambiental, Espírito Santo do Pinhal, v.8, n.4, p.138-145, 2011. Bezerra, A. C. N.; Rocha, E. J. P.; Rolim, P. A. M. Identificação da região do El Niño que influencia com maior intensidade o regime de precipitação no litoral leste da Amazônia através das anomalias de TSM do Oceano Pacífico. Anais. In: XIII Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, 2003, Santa Maria-RS. Situação atual e perspectivas da Agrometeorologia, 2003. v.2, p.1037-1038. Calbete, N. O.; Calbete, S. R.; Rozante, J. R.; Lemos, C. F. Precipitações intensas ocorridas no período de 1986 a 1996 no Brasil, 1996. Disponível em: http:/w.cptec.inpe.br. Acesso em: 29 abr. 2013. Marengo, J. A.; Valverde, M. C. Revista Multiciência, v.8, 2007. Marengo, J.; Silva Dias, P. Mudanças climáticas globais e seus impactos nos recursos hídricos. Capitulo 3 em Águas Doces do Brasil: Capital Ecológico, Uso e Conservação, 2006, p.63-109, Eds. Rebouças, A.; Braga, B.; J. Tundisi. Editora Escritura, SP. Medeiros, R. M. Estudo agrometeorológico para o Estado da Paraíba. 2013. p.120. Molion, L. C. B.; Bernardo, S. O. Revista Brasileira de Meteorologia, v.17, n.1,p.1-10, 2002.

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