Mamiferos escrito FINAL

Mamiferos escrito FINAL

(Parte 1 de 2)

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS

CURSO DE AGRONOMIA

DEPARTAMENTO DE DEFESA FITOSSANITÁRIA

DISCIPLINA DE BIOECOLOGIA E CONTROLE DE ANIMAIS DANINHOS

MAMÍFEROS

Camila Belo

Eduardo Canova

Kamila Santos

Maíne Lerner

Tiéle Fernandes

Santa Maria, 24 de junho de 2013

SUMÁRIO

  1. INTRODUÇÃO

O desaparecimento dos grandes répteis há dezenas de milhões de anos, na era mesozoica, assinalou o começo da ascensão de pequenos animais, tímidos e ariscos, os mamíferos, que, ao contrário do que se poderia supor, tornaram-se os herdeiros dos imponentes sáurios que até então haviam reinado como senhores absolutos na Terra. Expandiram-se para quase todos os nichos e habitats disponíveis sobre a terra. São encontrados nos oceanos, ao longo dos litorais, em lagos e rios, no subsolo, sobre a terra e nas árvores, alguns habitam até os ares. Sua distribuição é desde as regiões polares até os trópicos e, na maior parte das áreas continentais, ultrapassam todos os outros vertebrados em número de indivíduos.

Os primeiros mamíferos eram pequenos e provavelmente insetívoros. Uns poucos aspectos selecionados da irradiação adaptativa dos mamíferos modernos proporcionam uma apreciação da versatilidade da estrutura e função dos mamíferos. Os modos pelos quais os mamíferos interagem com seus ambientes, é possível graças ao fato destes animais serem endotérmicos (sangue quente). Devido a sua habilidade endotérmica em manter uma temperatura corporal interna e relativamente constante, eram capazes de ser ativos à noite e sob condições frias.

Como grupo, os mamíferos possuem muitas características estruturais, que os distinguem prontamente de outros vertebrados existentes. O aspecto mais diagnóstico dos mamíferos é a presença de glândulas mamárias, que fornecem alimento aos filhos e prolongado cuidado com a prole. Outras glândulas como as sebáceas e as sudoríparas, são, comumente, encontradas em regiões do corpo. Pelos existem durante algum período da vida, embora possam ser reduzidos ou estar completamente ausente no estágio adulto de alguns de seus membros, como as baleias. Sentidos acurados e variadas especializações dentárias, entre outras características.

As atividades da grande parte dos mamíferos ocorrem durante as horas crepusculares e noturnas; no entanto, muitos deles são diurnos, como é o caso da maior parte dos primatas. Os mamíferos podem ser encontrados nos mais variados habitats como: interiores de florestas densas, bordas florestais, áreas de campos naturais, cerrados, próximos à beira de rios e até mesmo em ambientes alterados pelo homem. Podem utilizar como abrigos buracos, troncos de árvores, fendas de rochas, espaço entre as raízes, em barrancas de rios, sótãos de edificações humanas, entre outros. A alimentação é muito variada, reflexo da existência de diferentes fórmulas dentárias e adaptações gastrointestinais sendo que algumas espécies se alimentam de plantas (folhas, frutos e menos comumente flores), outras de animais (insetos à outros mamíferos) e algumas ambos.

O Brasil é um país privilegiado em termos de diversidade biológica, tanto em relação à flora quanto à fauna. Dos mamíferos descritos atualmente, cerca de 524 espécies ocorrem em território brasileiro, o que representa aproximadamente 13% da mastofauna do mundo (FONSECA et al., 1996). Estes números fazem com que o Brasil possua a maior riqueza de mamíferos de toda a Região Neotropical. No entanto, por causa da crescente destruição e fragmentação dos ambientes naturais, cada vez mais espécies se encontram ameaçadas de extinção e muitas delas ainda têm sua biologia desconhecida.

Dentre os mamíferos terrestres brasileiros existem animais de tamanho variado, desde os de pequeno porte, como morcegos-borboleta que medem menos de 10 cm e pesam cerca de 4g, até os de maiores dimensões, como as antas, de até 201 cm e 300 kg. Além disso, existe uma grande variedade de colorações de pelagens, deixando os animais aptos a se camuflarem no ambiente em que vivem, tornando-se assim, menos vulneráveis a possíveis predadores ou aptos a serem caçadores mais eficientes. Diferentes colorações podem servir também na seleção sexual entre indivíduos.

Os mamíferos sempre despertaram interesses nas pessoas, devido a sua diversidade, beleza, utilidade, ou pelos problemas que podem causar. Os roedores, representados por ratos e camundongos, estão em cada faculdade de ciências médicas ou biológicas, servindo de cobaias a inúmeros experimentos, e para o treinamento de futuros profissionais, mas também podem se poderosas pragas que destroem plantações. Os morcegos fornecem guano para adubo, são dispersores de pólen e de sementes e reguladores de populações de insetos, porém, são transmissores de doenças a animais e seres humanos. Os coelhos, há séculos são companhia para crianças.

Nesse sentido, o objetivo do presente trabalho foi mostrar a importância que os mamíferos possuem, também foi descrito aspectos relacionados a morfologia e anatomia, as formas de alimentação e o habitat em que costumam frequentar, sua biologia e classificação e por fim mostrar os mamíferos considerados pragas e seu correto controle.

  1. IMPORTÂNCIA

Os mamíferos têm um importante papel na manutenção e na regeneração das florestas, pois apresentam funções ecológicas vitais e são chaves na estruturação das comunidades biológicas. Este grupo de animais está entre as espécies mais utilizadas pelos seres humanos para a alimentação, como animais de estimação e como artefatos (peles, ossos, dentes), sendo componentes integrantes da religião e da cultura em algumas comunidades, além de serem fontes de recursos econômicos.

Os mamíferos desempenham papéis fundamentais na dinâmica dos ecossistemas, seja como predadores de topo de cadeia alimentar que regulam herbívoros generalistas, seja como polinizadores dispersores e predadores de sementes que influenciam a regeneração da vegetação ou provendo recursos que mantêm espécies que exercem funções ecológicas importantes.

Ao longo da sua história, o ser humano tem se utilizado dos animais (mamíferos) de diferentes formas, evidenciando a importância destes e refletindo-se em atitudes de respeito, admiração e afeto. Muitas destas atitudes são afetadas pelo estilo de vida da pessoa e da visão que ela tem do lugar que o ser humano ocupa na natureza. Contudo, algumas atitudes ligadas ao domínio, à exploração, ao medo e à aversão para com os animais têm provocado impactos graves sobre muitas espécies, gerando conflitos entre as populações humanas e animais.

Esse conflito ocorre quando as necessidades e o comportamento dos animais geram impactos negativos para os objetivos dos seres humanos (danos à colheita, ferimento ou morte de animais domésticos, ameaça ou morte de pessoas) ou quando os objetivos humanos geram impactos negativos para as necessidades dos animais, como por exemplo, a redução de hábitat e a caça. Ele representa um problema histórico e que atinge todas localidades onde o homem convive próximo a ‘predadores’.

Os mamíferos estão entre os grupos zoológicos mais importantes em termos de impacto econômico, saúde pública. Para o controle de pragas ou doenças em qualquer cultura, é preciso que haja uma razão de ordem econômica. Todo agricultor tem a sua lavoura como negócio e não como obra filantrópica. Assim tudo que afeta a produtividade da lavoura é motivo de preocupação por parte dos lavradores que chegam, às vezes, ao exagero, tomando medidas antieconômicas visando à solução do problema.

A grande maioria das espécies de mamíferos neotropicais depende das áreas de vegetação nativa preservadas para se manter em paisagens dominadas pelo homem, com exceção de algumas poucas espécies que proliferam e são capazes de manter populações em ambientes urbanos ou agrícolas, como alguns roedores e marsupiais ou morcegos. Algumas espécies de mamíferos generalistas que tendem a proliferar nos ambientes antrópicos, podem se tornar importantes reservatórios de doenças infecciosas ao homem ou pragas na agricultura. Portanto, se quisermos manter a sustentabilidade dos ambientes naturais nas paisagens modificadas pelo homem, certamente temos que levar em conta o papel dos mamíferos nos ecossistemas.

Muitos mamíferos carnívoros estão no topo da cadeia alimentar e representam uma extraordinária função na manutenção do equilíbrio ecológico, como controladores das populações de suas presas. Esse é o caso, por exemplo, dos felídeos, como a jaguatirica, que frequentemente se alimenta de pequenos roedores, atuando no controle de suas populações. Já outros carnívoros; como o quati e o cachorrodo-mato, chegam a consumir frutos em quantidades iguais ou até mesmo maiores do que a quantidade de presas animais. Ao mesmo tempo, estes animais podem ser considerados pragas, quando atacam animais de interesse econômico, como, por exemplo, o ataque destes a animais domésticos.

Os herbívoros desempenham um papel importante na manutenção de diversidade de árvores da floresta, através da dispersão ou predação de sementes e de plântulas (ajuda no controle de populações). Exemplos são as antas, veados, lebres, capivaras, porcos-do-mato, macacos, morcegos, gambás e grandes roedores. Esse expressivo consumo de frutos e a dispersão de suas sementes indicam que as antas desempenham um papel fundamental nos ecossistemas onde ocorrem, promovendo sua regeneração e manutenção. Por outro lado quando estes animais atacam plantações podem causar prejuízos enormes, com a destruição e/ou injúrias causadas a estas.

Embora em alguns casos o conflito seja inevitável, quase sempre é possível diminuir a perda de animais, plantações, etc., sem a necessidade de se perseguir o predador. O primeiro passo na resolução do problema é entendê-lo. Antes de pensar em eliminar o problema, é preciso entender melhor a situação: identificar corretamente o predador responsável pelas perdas, compreender a importância de preservá-lo, conhecer os fatores que tornam os animais domésticos mais vulneráveis ao seu ataque, entender as causas que levam estes animais a ‘destruírem’ as plantações e saber das medidas alternativas que podem ser tomadas para minimizar o problema.

  1. MORFOLOGIA E ANATOMIA

Os mamíferos são animais tetrápodes de sangue quente, cobertos de pelos e dotados de glândulas mamárias. São características deste grupo:

  • Corpo de divide em cabeça, tronco e membros;

  • A formação de uma placenta, um anexo que permite as trocas respiratórias e nutritivas entre o feto e a mãe, contribuindo para que aquele passe todo o seu período de desenvolvimento no interior do útero materno, livre dos perigos do meio exterior;

  • A caixa craniana (exceto nos mamíferos mais primitivos) é comparativamente maior;

  • O crânio tem dois côndilos occipitais, o que não permite uma rotação tão ampla da cabeça sobre o pescoço, como ocorre com outros animais, como em aves;

  • Circulação ampla (dupla) e completa, com o coração apresentando 4 cavidades distintas;

  • Respiração pulmonar;

  • Presença de diafragma separando a cavidade torácica (coração e pulmões) da cavidade abdominal (estômago, intestino, rins, fígado, pâncreas, etc.) e auxiliando na respiração e na circulação sanguínea;

  • Encéfalo altamente desenvolvido, mostrando numerosas circunvoluções que dão maior extensão à superfície ou córtex cerebral, onde se aloja a massa cinzenta;

  • Animais heterodontes, os dentes são diferenciados em caninos, pré-molares, molares e incisivos;

  • Apresentam dentição de leite e dentição definitiva;

  • Articulação têmporo-mandibular, senda a mandíbula formada por apenas por um osso articulado diretamente com o crânio;

  • A coluna vertebral divide-se em cinco zonas específicas (cervical, toráxica, lombar, sagrada e caudal), permitindo movimentos de flexão e extensão no plano (vertical) de simetria do corpo, em vez de ondulações laterais, como nos anfíbios e répteis;

  • Presença de glândulas mamárias em ambos os sexos, porém se desenvolvem mais no sexo feminino e possuem como função o aleitamento dos filhotes;

  • São animais homeotermos ou de sangue quente;

  • Corpo total ou parcialmente coberto de pelos;

  • Os bigodes de alguns mamíferos, como o rato, são pelos dotados de células sensoriais embutidas na pele que detectam qualquer movimento;

  • Exceto os monotrêmatos (ornitorrinco e equidna), todos os mamíferos têm a boca rodeada por lábios, necessários aos pequenos animais para a sucção na fase de amamentação.

  • O número de dedos de um mamífero nunca é superior a cinco;

  • Viviparidade, desenvolvimento do filhote no interior do útero.

Os pelos que recobrem o corpo dos mamíferos são constituídos de queratina e formados no interior dos folículos pilosos, nos quais se abre uma glândula sebácea que produz gordura e que tem a função de lubrificar a pele e os pelos, contribuindo para sua impermeabilização. Possuem a função de proteção e também de isolante térmico, mantendo a temperatura do corpo sempre constante. A pelagem dos mamíferos oferece proteção e aquecimento aos animais, mas também pode favorecer o aparecimento de parasitas, que se alojarão na pele quente e se alimentarão sugando seu sangue. Sob a pele dos mamíferos há uma camada de células que armazenam gorduras (adipócitos), formando o panículo adiposo. Essa camada de gordura serve como reserva de alimento e também como isolante térmico.

Alguns mamíferos apresentam garras, unhas, chifres e cascos. As garras e os cascos de alguns mamíferos são formados por queratina, enquanto que os cornos, estruturas permanentes, podem ser formados por queratina, como no rinoceronte; ou osso coberto por queratina ou pele, como no boi e no antílope. Os chifres encontrados em alguns grupos de mamíferos são constituídos por ossos e são revestidos por peles apenas durante o crescimento, como nos veados e alces. Nestes mamíferos, os chifres são trocados a cada ano.

As glândulas sudoríparas presentes em alguns mamíferos produzem suor e, com isso, ajudam a baixar a temperatura corporal. Isso acontece porque, ao evaporar, a água presente no suor retira o calor da pele e do sangue, resfriando o corpo.

Sistema digestivo

Na boca, além da língua, há diferentes tipos de dentes (incisivos, caninos, pré-molares e molares). O estômago é simples, pórem nos ruminantes possui quatro câmaras (pança, barrete, folhoso e coagulador) denominado estômago poligástrico. Só os monotremos possuem cloaca; os demais possuem ânus. Anexos do sistema digestivo: fígado, pâncreas e glândulas salivares. Depois de mastigados e insalivados na boca, os alimentos são engolidos e levados até o estômago. Ao passarem por várias transformações, seguem do estômago para o intestino delgado, onde os nutrientes passam para o sangue, através das paredes deste órgão. Assim, as substâncias nutritivas podem ser distribuídas pelo corpo do animal. Os resíduos dos alimentos seguem para o intestino grosso, que absorve a água e forma as fezes, que são mandadas para fora do corpo pelo ânus.

Sistema excretor

O sistema urinário dos mamíferos é formado por dois rins e pelas vias urinárias (ureteres, bexiga e uretra). Os rins são órgãos que funcionam como filtros. Sua função é a retirada de resíduos do sangue para a formação da urina, que fica armazenada na bexiga. A saída da urina ocorre pela uretra.Mamíferos são animais ureotélicos, ou seja, excretam principalmente uréia através dos rins metanefros. Os ureteres desembocam na bexiga urinária, da qual sai a uretra, que conduz os produtos de excreção (principalmente a uréia) ao exterior, em geral, por uma abertura independente do aparelho digestivo. A urina de todos os mamíferos passa pelos ureteres, bexiga e uretra, com exceção de indivíduos da Ordem Monotremata, que possuem apenas uma abertura (cloaca) para o sistema digestivo, reprodutor e urinário.

Sistema circulatório

Nos mamíferos, a circulação do sangue percorre um duplo circuito. No primeiro, entre o coração e os pulmões, o sangue é oxigenado. No segundo, entre o coração e os tecidos, o sangue perde paulatinamente o oxigênio. O coração está dividido em quatro cavidades: dois átrios e dois ventrículos. Desta forma, o sangue oxigenado não se mistura com o sangue rico em gás carbônico, o que aumenta o rendimento do animal. Os mamíferos são homeotermos, pois mantêm sua temperatura constante independentemente do meio externo no qual se encontram.

Sistema respiratório

O sistema respiratório é formado pelos pulmões, de aspecto esponjoso, e pelas vias respiratórias (fossas nasais, faringe, laringe, traqueia e brônquios). Possuem respiração pulmonar, sendo os pulmões compostos por pequenas estruturas localizadas ao final dos bronquíolos, denominados alvéolos, onde ocorre a hematose pulmonar (troca pulmonar). Destaca-se a presença do diafragma separando os pulmões e o coração da cavidade abdominal, sendo o principal músculo dos movimentos respiratórios. Possuem a laringe, situada na parte média do pescoço, importante órgão do aparelho respiratório, que além de ser caminho de entrada do ar, é essencial para a emissão de sons.

Sistema nervoso

O cérebro dos mamíferos possui muitas circunvoluções ou dobras, que aumentam a superfície do órgão e o número de células nervosas. Por esta razão, os mamíferos desenvolveram um comportamento complexo, que pode ser percebido em atitudes como as estratégias de caça, o cuidado com os filhotes, a adaptação a qualquer ambiente e os diferentes sistemas de comunicação estabelecidos entre os indivíduos da mesma espécie.

Sistema reprodutivo

Os mamíferos têm reprodução sexuada. Os machos possuem um órgão copulador que lhes permitem introduzir os espermatozoides no corpo da fêmea. A grande maioria é vivípara: uma vez fecundado, o óvulo se transforma num embrião que se desenvolve dentro da mãe. A viviparidade é possível porque a mãe e o filhote estão ligados pela placenta. Através da placenta o concepto realiza as trocas de oxigênio e gás carbônico, recebe os nutrientes por difusão do sangue maternos e excreta produtos de seu metabolismo (excretas nitrogenadas). Porém existem espécies ovíparas, os ovos se desenvolvem fora do corpo da fêmea (Ordem Monotremata - ornitorrinco), e espécies ovovivíparas, onde parte do desenvolvimento é no interior do corpo da mãe e o restante é no ambiente (Ordem Diprotodontia - canguru).

  1. ALIMENTAÇÃO

Os mamíferos por serem ativos e de sangue quente, precisam de muita energia para se manter. Uma das razões da necessidade de energia é a capacidade de estarem ativos no inverno, quando os animais de sangue frio são lerdos e preguiçosos. Os mamíferos menores tendem a comer mais, pois proporcionalmente os corpos pequenos têm uma área maior que os corpos grandes, portanto perdem calor muito mais depressa. Em climas frios, os mamíferos pequenos têm apenas algumas horas para encontrar o alimento.

Poucos lugares oferecem abastecimento de alimento durante todo o ano. Dessa forma, nossos antepassados perceberam a necessidade de construir depósitos de armazenagem de alimentos. Os mamíferos usam diferentes métodos para armazenar a energia e os nutrientes de suas refeições. Esses métodos foram evoluindo conforme a oferta de alimentos.

O leite produzido pelas fêmeas dos mamíferos é um alimento completo para os filhotes. Contém gorduras e açúcares que fornecem energia, vitaminas e aminoácidos essenciais além de água e sais minerais, possui também muitos anticorpos, nas primeiras horas após o nascimento do filhote, que protegem contra infecções. As proporções dos ingredientes básicos do leite variam muito de uma espécie para outra.

Os grãos são o alimento preferido, pois nele a planta-mãe deixou os nutrientes necessários para a germinação. A carne é mais problemática, pois se decompõem rapidamente, porém uma das técnicas utilizadas pelos animais é enterrá-la.

Especializações na alimentação

Insetívoros: alimentam-se de insetos, possuem dentes cúspides pontudas individuais ou sem dentes. Dentição generalizada pontiaguda (ouriços), focinho longo e tubular, dentes perdidos (tamanduás), focinho alongado, dentes reduzidos em tamanho e número (morcegos).

Carnívoros: Caninos grandes, tendência de redução no número de dentes posterior, aparelho carniceiro, alimentam-se de carne.

Herbívoros: Os dentes rompem as paredes das células, mas somente as enzimas celulase podem digerir a celulose. Porém, nenhum animal sintetiza celulase, sendo necessária a associação com microrganismos simbiontes. Os mamíferos herbívoros podem ser monogástricos ou digástricos ruminantes. Os monogástricos geralmente mastigam muito as plantas, pois possuem dentes eficientes na mastigação, à fermentação ocorre no ceco por microrganismos simbiontes, após é feita a absorção e digestão no intestino. Sobrevivem com alimentos de baixa qualidade, mais fibrosos, mas em grande quantidade. Os digástricos ruminantes mastigam pouco as plantas, a fermentação ocorre em câmaras (rúmen e retículo) e no intestino ocorre somente à absorção. Sobrevivem com alimentos em menor quantidade, porém de boa qualidade.

  1. HABITAT

A capacidade de manter a temperatura do corpo elevada e constante (homotérmicos) foi o principal fator adaptativo dos representantes desse grupo que permite que esses animais habitem os mais variados ambientes da Terra, desde regiões tropicais, polos, mares, desertos, florestas densas, dominando os ambientes terrestres. Muitos mamíferos voltaram para o meio aquático (baleias, focas, golfinhos, peixes-boi) e outros se adaptaram ao voo (morcegos) e compartilharam o meio aéreo com as aves e os insetos. Existem também variações quanto ao modo de viver, alguns vivem em grupos e outros isolados, porém mesmo isolados, agrupam-se na época do cio.

Os mamíferos conseguem viver em locais muito quentes ou muito frios, eles se mantêm em atividade durante as estações frias, desde que tenham alimento suficiente para sobreviver. Para resistir à falta de comida durante as estações mais frias do ano, muitas espécies hibernam. Durante a hibernação os batimentos cardíacos e a temperatura do corpo diminuem, o ritmo respiratório é muito lento e o animal utiliza a gordura acumulada para obter seu combustível.

  1. BIOLOGIA

Os mamíferos constituem o grupo mais “evoluído” do Reino Animal. Receberam este nome devido à presença de glândulas mamárias, que nas fêmeas fornecem leite para os filhotes, mais nítida na espécie humana. Habitam os mais diferentes ambientes e têm uma dieta muito diversificada. Os mamíferos formam o grupo mais evoluído e mais conhecido dos cordados. Nesta classe incluem-se as toupeiras, morcegos, roedores, gatos, macacos, baleias, cavalos, veados e muitos outros, o próprio homem entre eles. Todos (com raras exceções) apresentam o corpo coberto de pelos e têm temperatura interna constante. Os cuidados com a prole são os mais desenvolvidos do reino animal e atingem o seu clímax com a espécie humana. São, ainda, extremamente adaptáveis, modificando o seu comportamento de acordo com as condições do meio.

Alguns grupos, principalmente primatas, formam sociedades muito complexas. Uma característica única dos mamíferos é a capacidade de brincar. Os jovens mamíferos aprendem quase tudo o que necessitam saber para a sua vida adulta através de brincadeiras, onde as crias experimentam, entre si e com adultos, as técnicas de caça, luta e acasalamento. Estas brincadeiras estabelecem frequentemente uma hierarquia que se manterá na fase adulta, evitando conflitos potencialmente perigosos para os indivíduos.

Com a extinção dos dinossauros, há cerca de 65 milhões de anos, o rumo da evolução foi modificado, abrindo caminho para a multiplicação da classe mais evoluída de vertebrados, os mamíferos (possuidores de mamas). Durante toda a era dos répteis, pequenos mamíferos conviveram com os dinossauros. Os espaços vazios que eles podiam ocupar eram muito poucos, pois os habitats terrestres estavam cheios de grandes répteis. Somente após o desaparecimento dos dinossauros, os mamíferos puderam, enfim, apossar-se dos locais que ficaram vazios. Assim, eles conseguiram evoluir e aumentar, progressivamente, o número de espécies até chegar à grande diversidade que hoje conhecemos.

É o grupo de vertebrados com cerca de 4600 espécies viventes, com uma enorme variação em termos morfológicos e de ocupação de habitats. Existem mamíferos vivendo nas regiões polares e nos trópicos, nas florestas tropicais úmidas e nos desertos, nos mares, rios e no ar. Todos têm outra particularidade: três ossos no ouvido médio (martelo, bigorna e estribo). É a classe que tem maior cuidado com os filhotes.

Os mamíferos são representados tanto por pequenas espécies como os musaranhos e camundongos com menos de 5 cm de comprimento e pesando apenas alguns gramas, quanto por enormes seres como o elefante africano (Loxodonta africana), que pode pesar até 7 toneladas. No mar, a baleia-azul (Balaenoptera musculus), que pode alcançar 31,5 m e 119 toneladas de peso, é o maior animal conhecido. No Brasil, o tamanho varia desde cerca de 5 cm e alguns gramas nos pequenos roedores até aproximadamente 300 kg da anta (Tapirus terrestris). Eles podem ser extremamente úteis à humanidade, fornecendo alimentos e matérias primas diversas, ou extremamente prejudiciais, quando são vetores de doenças.

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