Economia Ortodoxa versus Economia Heterodoxa

Economia Ortodoxa versus Economia Heterodoxa

Economia Ortodoxa versus Economia Heterodoxa

A ciência econômica como sendo uma ciência eminentemente social, diverge das ciências naturais pelo facto de não possuir regras e leis fixas. Isto permite que as várias escolas de pensamento econômicos – clássicos, neoclássicos, novo-clássicos, keynesianos e pós-keynesianos, monetaristas, (entre outros) – construam teorias que são antagônicas entre si. Convêm, nesse caso, distinguir Ortodoxia de Heterodoxia, portanto, duas doutrinas econômicas distintas.A Doutrina Ortodoxa compreende todos os pensadores da escola clássica e neoclássica. Defendem a neutralidade da moeda, ou seja, que a moeda não interfere no lado real da economia (Produção) e, também acreditam no equilíbrio econômico de pleno emprego de um mercado livre. A lei de Say é um elemento básico da teoria ortodoxa, no qual, toda a oferta cria a sua própria demanda, não havendo possibilidade de superprodução e desemprego involuntário. Então, se isso é verídico, como podemos explicar a crise de 1929? Certamente, esta teoria apresenta falhas.Os Ortodoxos em relação à política econômica, defendem a não intervenção do Estado na economia. Acreditam que para uma nação crescer de forma sustentada é necessário controlar a inflação, por meio de políticas fiscais e monetárias contracionistas, onde o governo deve reduzir os gastos para conter a demanda global. Lembrando que a política fiscal engloba as receitas (impostos e tributos) e os gastos estatais, ao passo que a política monetária trata de controlar a quantidade de moeda em circulação e a inflação, de um modo geral.De outro lado temos a Doutrina Heterodoxa que está em constante desacordo com a ortodoxia. Engloba-se a esta teoria, principalmente, os keynesianos e pós keynesianos. Os heterodoxos destacam o papel do Estado, como agente regulador e capaz de promover o crescimento econômico. A idéia principal desta teoria é que, o sistema não tende de forma automática ao pleno emprego dos recursos, isto é, o pleno emprego é uma possibilidade.O Estado deve assim, preocupar-se em fazer crescer a economia e, por conseguinte, controlar a inflação. O controle inflacionário dá-se por meio de medidas como a regulação de preços, salários, contratos e câmbio. O governo pode estimular o crescimento econômico através do aumento dos gastos públicos (não financiados pelo aumento dos impostos).Alguns economistas heterodoxos, como Steve Cohn (Knox College, USA), têm tentado fazer três coisas; (1) identificar idéias compartilhadas que gerem um padrão de crítica heterodoxa através de tópicos e capítulos de textos didáticos introdutórios de macroeconomia; (2) dar atenção especial a idéias que liguem diferenças metodológicas com diferenças em relação à formulação de políticas; e (3) caracterizar as semelhanças de maneira que permita que paradigmas distintos desenvolvam diferenças comuns com a economia dos livros didáticos de diferentes formas.Associados aos heterodoxos encontramos os denominados Estruturalistas, que acreditam que o Estado tem papel importante na economia, além do social. No entanto, o Estado passa a ser não apenas promotor do crescimento econômico, mas também do desenvolvimento econômico, isto é, do crescimento com melhoria nas condições de vida da população em geral.Para um economista ortodoxo, “A ciência econômica é o estudo da administração dos recursos escassos”.Para um economista heterodoxo, “A ciência econômica é o estudo da administração da política do Estado do ponto de vista de seus condicionantes, objetivos e implicações”.Resumindo, os heterodoxos aceitam a intervenção estatal na economia, enquanto que os ortodoxos acreditam no livre equilíbrio entre a oferta e demanda, onde o Estado deve ser orientado apenas a atividades de policiamento, segurança e defesa nacional.

Carlos Bentub, Economista pela PUC-Campinas, São Paulo, Brasil.E-mail: calubentub21@hotmail.com

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