Sistema de criação

Sistema de criação

(Parte 2 de 3)

  1. DESENVOLVIMENTO

3.1 Sistemas De Criação De Bovinos

Basicamente, existem três tipos de sistemas de produção de carne bovina: extensivo,semi-intensivo e o intensivo. De acordo com Euclides Filho (2000) entende-se porsistema de produção de gado de corte o conjunto de tecnologias e práticas de manejo,bem como o tipo de animal, o propósito da criação, a raça ou grupamento genético e ae com região onde a atividade é desenvolvida. Devem-se considerar, ainda, ao se definir umsistema de produção, os aspectos sociais, econômicos e culturais, uma vez que têminfluência decisiva, nas modificações que poderão ser impostas por forças externas e,especialmente, na forma como tais mudanças deverão ocorrer para que o processo sejaeficaz, e que as transformações alcancem os benefícios esperados. No entremeio de todasessas considerações, devem estar a definição do mercado e a demanda a ser atendida, ouseja, quais são e como devem ser atendidos os clientes ou consumidores (Euclides Filho 2000).De maneira geral, no Brasil os diferentes sistemas de produção de carne bovinacaracterizam-se em:

      1. Sistema Extensivo

O sistema extensivo caracteriza-se por: utilização maciça de recursos naturais (algumas vezes de forma extrativista); a maioria das propriedades rurais situa-se longe dos centros consumidores; gado a campo; animais mestiços (azebuados); produção e/ou produtividade baixa; sem ou com diminutos planejamentos alimentar, profilático e ou sanitário; controles de produção e reprodutivos inadequados ou inexistentes; instalações inadequadas, muitas vezes somente o curral de manejo; pastos constituídos de plantas nativas e/ou exóticas, mas com os manejos da pastagem e do pastejo inapropriados; a utilização de suplementação alimentar quase inexistente (Ronaldo Lopes Oliveira 2008).

Figura 1: Sistema Extensivo de Bovino de corte.

      1. Sistema Semi-Intensivo

O sistema semi-intensivo caracteriza-se por: propriedades rurais especializadas, ditas empresas rurais, podem ou não estar próximos a grandes centros; alimentação com base em pastos, mas com utilização de suplementos minerais e concentrados; técnicas de conservação de forragens (silagens) e ou capineiras; quando utilizado o sistema de confinamento geralmente está vinculado à fase de engorda; controle zootécnico, profilático e reprodutivo; processos modernos de criação, em que utiliza gerenciamento agropecuário, de biotécnicas de reprodução; de maquinarias e de insumos; emprego de maiores investimentos por unidade de terra, quando comparado com o extensivo; contabilização do trabalho/ha; os funcionários são mais capacitados; as pastagens são exóticas e, algumas vezes, com manejos apropriados do pastejo e da pastagem e em alguns casos utiliza a integração lavoura pecuária; a suplementação alimentar concentrada pode ocorrer ao longo do ano, ou em partes do ano (estacionalidade de produção forrageira), no entanto a suplementação mineral ocorre ao longo do ano; quanto ao material genético o zebu ainda permanece predominante, em especial no rebanho de matrizes, utilizando técnicas de inseminação artificial e/ou no mínimo touros puros de origem; não é rara a utilização de animais de origem europeia nos cruzamentos, principalmente aqueles destinados ao abate; controle de outras enfermidades e de parasitos; as instalações de maneira geral são mais apropriadas e não se restringem ao curral de manejo (Ronaldo Lopes Oliveira 2008).

Figura 2: Sistema Semi-Intensivo de bovino de corte.

3.1.3 Sistema Intensivo

O sistema intensivo caracteriza-se por: propriedades rurais altamente especializadas, ditas empresas rurais, geralmente estão próximos a grandes centros, onde o preço da terra é alto e os conhecimentos mercadológicos são a chave para a manutenção; necessidade de planejamento dos recursos alimentares, sanitários, produtivos e reprodutivos, administrativos, entre outros; os pastos são explorados intensivamente, principalmente para rebanho de matrizes, quando utilizados para a fase de engorda podem estar associados à irrigação e/ou suplementação (semiconfinamentos) e/ou integração lavoura-pecuária; há adoção do sistema de confinamento, que pode ocorrer logo após a desmama; devido ao alto grau de especialização dos animais, é característica a alta produção animal e alta produtividade; há emprego de alimentos concentrados e minerais; o manejo geral dos animais é mais detalhado e laborioso; o manejo sanitário é mais complexo; de maneira geral os custos de produção são mais elevados; ocorre exploração ao máximo do potencial genético dos animais; mão de obra especializada, com a necessidade de especialistas nas áreas que circundam o sistema de produção de carne; quanto às características genéticas dos bovinos, esta pode ter base zebuína, mas também pode ocorrer maior utilização de animais de origem européia, essa variação é dependente do objetivo da produção, que geralmente estão associados ao mercado consumidor final (Ronaldo Lopes Oliveira 2008).

Figura 3: Sistema Intensivo de Bovino de Corte

    1. Sistemas De Criação De Bubalinos

3.2.1 Produção De Carne Em Pastagem Nativa

3.2.1.1 Em terra firme

É um sistema interessante para grande número de criadores, uma vez que reduz as despesas com formação de pastagens, além da pequena infestação de invasoras, considerando-se que este sistema está em equilíbrio ecológico, dispensando assim a limpeza das pastagens, que normalmente implica em custos elevados. Além disso, a pastagem nativa não é infestada pela cigarrinha das pastagens, principal praga das forrageiras cultivadas (Wanderley Bernardes).

Entretanto, a baixa capacidade de suporte dessas áreas e a reduzida qualidade da forragem constituem entraves ao melhor desempenho animal. Apesar desse fato, a pastagem nativa deve ser preservada e, se possível, melhorada através da introdução de novas gramíneas e leguminosas, que permitam aumentar a capacidade de suporte e garantir a disponibilidade de forragem durante o ano inteiro, com suprimento alimentar de melhor valor nutritivo (Wanderley Bernardes).

O manejo utilizado nesse sistema de criação é o extensivo, utilizando-se pastejo contínuo, com taxa de lotação que varia de três a seis hectares por UA, podendo ser melhorado por meio de cercas divisórias que facilitam o manejo. Para um regime mais intensivo, as grandes áreas devem ser transformadas em vários piquetes, aplicando-se a rotação de pastagens. Apenas com a adoção dessas tecnologias simples, observa-se um incremento na taxa de lotação, que chega a um ou dois hectares por UA, em função do melhor aproveitamento das forrageiras. A introdução de gramíneas com maior produtividade e melhor qualidade, como o quicuio-da-Amazônia, branquearão e andropogon, promovem taxa de ocupação que pode chegar até uma UA/ha/ano (Wanderley Bernardes).

Quando criados no sistema tradicional de pastagem nativa de baixa qualidade em solos pobres, os búfalos atingem apenas 370 kg de peso vivo, aos 30 meses de idade. No sistema melhorado, isto é, em regime semi-extensivo com manejo rotacionado e introdução de gramíneas mais produtivas e fornecimento de mistura mineral à vontade (macro e microelementos misturados em função das deficiências locais), os animais chegam a atingir cerca de 450 kg de peso vivo, entre 24 e 30 meses de idade(Wanderley Bernardes).

Figura 4: Búfalos em pastagem nativa em terra firme

3.2.1.2 Em terra inundável

Nos campos inundáveis é encontrada uma grande variedade de forrageiras. Essas áreas possuem água e lama em abundância, ajudando os animais a se protegerem dos insetos e outros parasitas, além de permitir o controle do calor corporal (Pit Kennel).

A pastagem nativa de terra inundável, embora seja utilizada eficientemente apenas durante a estação de estiagem, deve ser preservada, pois se caracteriza como sistema estável e muito econômico, proporcionando boa produtividade do búfalo neste período. Alguns produtores apresentam também, áreas de terra firme cobertas de forrageiras de baixo valor nutritivo para onde os animais são conduzidos no período crítico. Nessas condições de manejo ultra-extensivo dominante, a capacidade de suporte é de 6 ha por UA. Apesar disso, o desempenho produtivo dos bubalinos á satisfatório, atingindo peso vivo de abate de cerca de 400 kg, aos dois anos de idade. Este sistema de criação pode ser melhorado por meio do uso integrado de pastagens nativas de terra inundável, no período seco do ano, e da pastagem cultivada de terra firme, na época chuvosa (Pit Kennel).

Figura 5: Búfalos em pastagem nativas em terra inundável

3.2.2 Produção De Carne Em Pastagem Cultivada

3.2.2.1 Em terra firme

Pode ser realizada com as gramíneas de cada região. Na região Norte, o quicuio-da-amazônica, normalmente introduzida em solos de baixa fertilidade, constitui excelente alternativa na formação de pastagem devido às suas características de produtividade, agressividade e resistência a pragas e doenças. Os búfalos se adaptam bem as mais diversas condições de ambiente. No entanto, o meio mais favorável é aquele constituído de pastagem em terra firme e bem servido de água. Os cochos devem possuir sal mineral à vontade de acordo com as deficiências da região. As instalações zootécnicas devem ter dimensões adequadas ao atendimento do rebanho e construídas em locais que facilitem o manejo (Nascimento e Carvalho 1993).

O sistema de pastejo mais adotado é o contínuo, com divisões de lotes por categoria animal ( vaca com bezerro, vaca de recria e de engorda ). A taxa de lotação deve ser adequada à disponibilidade de forragem durante o ano inteiro. A pressão de pastejo gira em torno de 1UA/ha/ano (Nascimento e Carvalho 1993).

Em pastejo rotacionado, onde ocorre a divisão de piquetes, normalmente adota-se um manejo flexível, que permite aumentar ou diminuir o número de cabeças por unidade de área, de acordo com a disponibilidade de forragem no decorrer do ano. Em condições de pastagem cultivada e de bom manejo, os búfalos podem atingir peso médio de 450 kg de peso vivo, com aproximadamente 20 meses (Nascimento 1993).

Figura 6: Búfalos em terra firme em pastagem cultivada

3.2.2.2 Em terra inundável

O plantio é realizado somente por mudas, pois as principais forrageiras, canaranas e braquiárias, geralmente não produzem sementes viáveis. O êxito do estabelecimento da pastagem depende das condições de umidade do solo. A gramínea deve ser usada em pastejo contínuo ou rotacionado, com 1 a 3 UA/ha/ano, com roçagem manual e adubação, quando necessária (Nascimento e Carvalho 1993).

O sal mineral deve ser fornecido à vontade no cocho. Após a recria e engorda, os animais podem atingir até 450 kg de peso vivo aos 18 meses de idade (Nascimento e Carvalho 1993).

Figura 7: Búfalos em terra inundável em pastejo cultivado

3.2.2.3 Produção de carne em sistema integrado

A formação de pastagem cultivada em terra firme, com o objetivo de viabilizar o uso do sistema integrado, constitui alternativa importante no desenvolvimento da pecuária, tendo em vista que no período das inundações as pastagens devem ser preservadas para serem utilizadas no período seco, quando as gramíneas de terra firme apresentam reduzida disponibilidade de forragem, de menor valor nutritivo (Nascimento 1993).

Esse sistema pode ser implantado em algumas regiões do país, utilizando-se as pastagens nativas de terra inundável, durante o período seco, e as áreas de terra firme, com pastagem cultivada, durante a época chuvosa. Em terra firme deve ser providenciado, se possível, locais para banho e consumo de água (Carvalho 1993).

O sistema de manejo pode ser contínuo ou de preferência rotacionado, com taxa de lotação de até 3 UA/ha/período. Nesse sistema, os búfalos chegam a atingir 470 kg de peso vivo aos 24 meses de idade. A utilização do sistema integrado permite a obtenção de carcaças de melhor padrão, mais pesadas e precoces, além de possibilitar a comercialização na entressafra (Carvalho 1993).

3.2.2.4 Produção de carne em sistema intensivo rotacionado

Nesse sistema devem ser utilizadas gramíneas de elevada produtividade e bom valor nutritivo, dos gêneros Pennisetum (cameron, napier, roxo), Brachiaria (braquiarão ou quicuio-da-amazônia), Panicum (tobiatã, tanzânia e mombaça), plantadas em terra firme, ou Echynochloa (canarana-erecta-lisa e canarana de paramaribo), em terra inundável. Essas gramíneas, quando bem manejadas, asseguram elevadas taxas de lotação. É possível conseguir taxas de 3 a 4 UA/ha/ano) (Nascimento e Carvalho 1993).

O período de ocupação de cada piquete deve variar de 1 a 7 dias, com período de descanso de 24 a 45 dias, de acordo com a disponibilidade de forragem avaliada a cada ciclo de pastejo (Nascimento e Carvalho 1993).

Os piquetes devem ser arranjados preferencialmente de forma a darem acesso a uma área central de manejo, contendo cocho para mineralização e bebedouros. Quando existirem aguadas naturais, os piquetes podem ser direcionados para as mesmas. Nesse sistema de criação, o ganho de peso pode alcançar até 1000 kg/ha/ano (Nascimento e Carvalho 1993).

3.2.2.5 Produção de carne em confinamento

Nesse sistema, os animais permanecem em currais, divididos em grupos, com acesso à mistura mineral e água para banho e consumo. A alimentação é fornecida diariamente no cocho, sendo constituída de 60 % de volumoso e 40 % de concentrado. Devem ser implantados em pequenas propriedades próximas aos grandes centros urbanos (Nascimento e Carvalho 1993).

A alimentação deve ser constituída de gramíneas de bom valor nutritivo, cortadas manual ou mecanicamente, e de rações compostas por ingredientes produzidos na própria fazenda ou provenientes da agroindústria, de acordo com a disponibilidade e preços locais. Esse sistema é interessante pelo fato de permitir a produção em menor tempo e em pequenas áreas, estando sua rentabilidade associada diretamente à disponibilidade e ao preço dos componentes da ração concentrada (Nascimento e Carvalho 1993).

    1. Sistemas De Criação De Ovinos e Caprinos

O retorno econômico da criação de ovinos ou caprinos depende de quatro elementos essenciais: as pessoas envolvidas, os animais, os recursos naturais disponíveis na propriedade e os recursos tecnológicos empregados, que devem funcionar em perfeito equilíbrio e voltados para o mesmo objetivo. A condução desses elementos é chamada de sistema de produção ou sistema de criação. O que diferencia um sistema do outro é a forma de exploração dos recursos disponíveis e o grau de utilização de tecnologia (Izabel Maria de Araújo Aragã 2011). Desta forma, são classificados em:

3.3.1 Sistema extensivo

O mais simples rústico e de menor custo. Normalmente são criados animais de menor exigência nutricional. São mantidas as pastagens naturais, sendo que o rendimento da atividade depende totalmente da fertilidade natural da terra, das condições climáticas e da produção sazonal das pastagens. As instalações são mínimas, as práticas de manejo sanitário são raramente utilizadas, o nível de adoção de tecnologia é baixo, o que reflete em baixos índices reprodutivos, elevada taxa de mortalidade e por consequência, menor produtividade (Izabel Maria de Araújo Aragã 2011).

Figura 8: Sistema extensivo de ovinos e caprinos

3.3.2 Sistema semi-intensivo

Com certo grau de adoção de tecnologia, uma vez que envolve a base do sistema extensivo com algumas melhorias dos índices produtivos por meio da adoção de algumas ferramentas como a suplementação dos animais, práticas de manejo sanitário, dentre outras (Izabel Maria de Araújo Aragã 2011).

Figura 9: Sistema semi-intensivo de ovinos e caprinos

3.3.3 Sistema intensivo

Tem como objetivo a maior produtividade por animal ou maior produção por área, por meio da melhor utilização de recursos tecnológicos, como cultivo e adubação de pastagens, divisão das pastagens em piquetes, fornecimento de ração balanceada, uso da estação de monta, instalações adequadas e correto manejo sanitário dos animais. Todas as ações devem ser muito bem planejadas, pois os custos de produção são superiores aos demais (Izabel Maria de Araújo Aragã 2011).

Figura 0: Sistema intensivo de ovinos e caprinos

A escolha do sistema é complexa e depende da adequação à realidade de determinada propriedade ou região. O mais eficiente será aquele capaz de atender o objetivo principal da criação, que é obter um produto de qualidade (que atenda a necessidade do mercado consumidor) com custo relativo baixo, possibilitando ganho adequado, com o mínimo prejuízo ao meio ambiente (Kênia Régia Anasenko Marcelino 2011).

Para a escolha do melhor sistema, o produtor deve:

1. Definir claramente os objetivos da criação (carne, pele, leite, reprodutores, matrizes, etc), baseado principalmente no conhecimento do mercado consumidor e na realidade da região (Kênia Régia Anasenko Marcelino 2011).

2. Calcular os valores iniciais de investimento e tempo de retorno do capital investido (Kênia Régia Anasenko Marcelino 2011).

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