Revista Diagnóstico e Tratamento

Revista Diagnóstico e Tratamento

(Parte 1 de 13)

Federada da

Revista diagnóstico

&tRatamento Volume 19 • edição 3 iSSN 1413-9979

Jul-SeT 2014

Expediente i

Editorial103Patentes: unir para conquistar Alessandro Wasum Mariani, Paulo Manuel Pêgo-Fernandes

Artigo original

Medicamentos usados por idosos e critério de Beers e colaboradores

Aline Cristina Henriques da Silva, Leonardo Affonso Pedrosa Sibillo, Marcelo Rozenfeld Levites, Maria Alenita de Oliveira

Estudo comparativo das bombas de rolete e centrífuga em pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio

Carolina Teles Taipina Matias, Paulo Manuel Pêgo-Fernandes, Ramez Anbar, Nádia Taylor, Aristides Correia, Ludhmila Abrahão Hajjar, Roberto Kalil Filho, Fabio Biscegli Jatene

Relato de caso

115Pancitopenia associada a tratamento com azatioprina e mesalazina em paciente com colite ulcerativa: relato de caso

Gerson Julio de Freitas, Maycon Paulo de Oliveira, Virginia Fernandes Moça Trevisani, Marcelo Moock, Sergio Elia Mataloun

119 Imunodeficiência comum variável: relato de caso

Patrícia Estrela Evangelista, Elenice Stroparo

Dermatologia 125 Impetigo bolhoso disseminado Vanessa Mello Tonolli, Juliana Polizel Ocanha, Hamilton Ometto Stolf

Nutrologia 129

Efetividade e segurança do vegetal Cissus sicyoides (“insulina vegetal”) como fitoterápico hipoglicemiante Hernani Pinto de Lemos Júnior, André Luis Alves de Lemos

POEMs: Patients-oriented evidence that matters

Sequência de testes pode melhorar identificação do delirium em idosos atendidos na emergência Autores da tradução: Pablo Gonzáles Blasco, Marcelo Rozenfeld Levites, Cauê Monaco

Purulência do escarro e proteína C-reativa são preditores de mau prognóstico na exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica Autores da tradução: Pablo Gonzáles Blasco, Marcelo Rozenfeld Levites, Cauê Monaco

Linguagens 136 Lógicas Alfredo José Mansur

Residência e ensino médico139A vocação médica e a academia Ricardo Aun

Eletrocardiograma 141 Fibrilação atrial na síndrome de Wolff-Parkinson-White

Antonio Américo Friedmann

Medicina sexual144 Desejo sexual em mulheres jovens em relacionamentos estáveis

Heloisa Junqueira Fleury, Mirian Bernardes Lopes Alves, Carmita Helena Najjar Abdo

Destaques Cochrane

Medicamentos orais para o tratamento do pé de atleta (tinea pedis)

Tradução: Centro Cochrane do Brasil e Liga de Medicina Baseada em Evidências da Escola Paulista de Medicina — Universidade Federal de Medicina (EPM-Unifesp) Autora dos comentários independentes: Leontina da Conceição Margarido

Intervenções para a prevenção da obesidade infantil

Tradução: Centro Cochrane do Brasil e Liga de Medicina Baseada em Evidências da Escola Paulista de Medicina — Universidade Federal de Medicina (EPM-Unifesp) Autora dos comentários independentes: Angela Maria Spinola e Castro

Instruções aos autoresI

Sumário

Imagem da capa: shutterstock.com revista diagnóstico e tratamento • volume 19 • edição 3

Diretoria Executiva da Associação Paulista de Medicina (Triênio 2011-2014)

Presidente Florisval Meinão 1 vice-presidente Roberto Lotfi Júnior 2 vice-presidente Donaldo Cerci da Cunha 3 vice-presidente Paulo De Conti 4 vice-presidente Akira Ishida Secretário geral Paulo Cezar Mariani 1 Secretário Ruy Yukimatsu Tanigawa

Diretor administrativo Lacildes Rovella Júnior

Diretor administrativo adjunto Roberto de Mello 1 diretor de patrimônio e finanças Murilo Rezende Melo 2 diretor de patrimônio e finanças João Márcio Garcia

Diretor científico Paulo Manuel Pêgo Fernandes

Diretor científico adjunto Álvaro Nagib Atallah

Diretor de defesa profissional João Sobreira de Moura Neto

Diretor de defesa profissional adjunto Marun David Cury

Diretor de comunicações Renato Françoso Filho

Diretor de comunicações adjunto Leonardo da Silva

Diretor de marketing Nicolau D’Amico Filho

Diretor de marketing adjunto Ademar Anzai

Diretora de eventos Mara Edwirges Rocha Gândara

Diretora de eventos adjunta Regina Maria Volpato Bedone

Diretor de tecnologia da informação Desiré Carlos Callegari

Diretor de tecnologia de informação adjunto Antônio Carlos Endrigo

Diretor de previdência e mutualismo Paulo Tadeu Falanghe Diretor de previdência e mutualismo adjunto Clóvis Francisco Constantino

Diretor social Alfredo de Freitas Santos Filho

Diretor social adjunto Nelson Álvares Cruz Filho

Diretora de responsabilidade social Denise Barbosa

Diretora de responsabilidade social adjunta Yvonne Capuano

Diretor cultural Guido Arturo Palomba

Diretor cultural adjunto Carlos Alberto Monte Gobbo

Diretor de serviços aos associados José Luiz Bonamigo Filho

Diretor de serviços aos associados adjunto João Carlos Sanches Anéas

Diretor de economia médica Tomás Patrício Smith-Howard

Diretor de economia médica adjunto Jarbas Simas 1 diretor distrital Airton Gomes 2 diretor distrital Arnaldo Duarte Lourenço 3 diretor distrital Lauro Mascarenhas Pinto 4 diretor distrital Wilson Olegário Campagnone 5 diretor distrital José Renato dos Santos 6 diretor distrital José Eduardo Paciência Rodrigues 7 diretor distrital José Eduardo Marques 8 diretor distrital Helencar Ignácio 9 diretor distrital José do Carmo Gaspar Sartori 10 diretor distrital Paulo Roberto Mazaro 1 diretor distrital José de Freitas Guimarães Neto 12 diretor distrital Marco Antônio Caetano 13 diretor distrital Marcio Aguilar Padovani 14 diretor distrital Wagner de Matos Rezende

A Revista Diagnóstico & Tratamento (indexada na base LILACS) é uma publicação trimestral da Associação Paulista de Medicina

Disponível na versão para smartphone e tablet (iOS e Android)

Conselho Editorial Adauto Castelo Filho (Doenças Infecciosas e Parasitárias) Alberto José da Silva Duarte (Alergia e Imunologia) Antônio José Gonçalves (Cirurgia Geral) Armando da Rocha Nogueira (Clínica Médica/Terapia Intensiva) Artur Beltrame Ribeiro (Clínica Médica) Bruno Carlos Palombini (Pneumologia) Carmita Helena Najjar Abdo (Psiquiatria) Délcio Matos (Coloproctologia/Gastroenterologia Cirúrgica) Eduardo Katchburian (Microscopia Eletrônica) Edmund Chada Baracat (Ginecologia) Enio Buffolo (Cirurgia Cardiovascular) Ernani Geraldo Rolim (Gastroenterologia) Fernando Antonio Patriani Ferraz (Neurocirurgia) Flávia Tavares Elias (Avaliação Tecnológica em Saúde) Guilherme Carvalhal Ribas (Neurocirurgia) Irineu Tadeu Velasco (Clínica Médica/Emergências) Jair de Jesus Mari (Psiquiatria) João Baptista Gomes dos Santos (Ortopedia)

Correspondências para Associação Paulista de Medicina Departamento Científico – Publicações Científicas Av. Brig. Luís Antônio, 278 – 7 andar – São Paulo – SP – Brasil – CEP 01318-901 Tel: (1) 3188-4310 / 3188-431 Home page: http://www.apm.org.br/revista-rdt.aspx – E-mail: revistas@apm.org.br publicacoes@apm.org.br

A revista Diagnóstico & Tratamento não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. A reprodução impressa, eletrônica ou por qualquer outro meio, total ou parcial desta revista só será permitida mediante expressa autorização da APM.

Editores Paulo Manuel Pêgo-Fernandes Álvaro Nagib Atallah

Assistente Editorial Marina de Britto

Assessora Editorial Rachel Riera

Auxiliar Editorial Joyce de Fátima Silva Nakamura

Editores Associados Aytan Miranda Sipahi Edmund Chada Baracat Elcio dos Santos Oliveira Vianna Heráclito Barbosa de Carvalho José Antonio Rocha Gontijo Julio César Rodrigues Pereira Olavo Pires de Camargo Orlando César de Oliveira Barreto

Jornalista Científica e Editora Patrícia Logullo (MTb 26.152) Palavra Impressa Editora – Fone (1) 3032-617

Produção Editorial Zeppelini Editorial Ltda w.zeppelini.com.br zeppelini@zeppelini.com.br – Fone (1) 2978-6686

João Carlos Bellotti (Ortopedia e Traumatologia) Lilian Tereza Lavras Costallat (Reumatologia) Manoel Odorico de Moraes Filho (Oncologia Clínica) Marcelo Zugaib (Obstetrícia/Ginecologia) Marco Antonio Zago (Hematologia) Maurício Mota de Avelar Alchorne (Dermatologia) Milton de Arruda Martins (Clínica Médica) Moacyr Roberto Cuce Nobre (Reumatologia) Nestor Schor (Clínica Médica, Nefrologia) Noedir Antonio Groppo Stolf (Cirurgia) Orsine Valente (Clínica Geral, Endocrinologia e Metabologia) Raul Cutait (Gastroenterologia e Proctologia) Rubens Belfort Mattos Junior (Oftalmologia) Rubens Nelson A. de Assis Reimão (Neurologia) Sérgio Luiz Faria (Radioterapia) Ulysses Fagundes Neto (Gastroenterologia Pediátrica) Ulysses G. Meneghelli (Gastroenterologia)

REvIsTA diagnóstico TRATAMENTO

Patentes: unir para conquistar

Alessandro Wasum MarianiI, Paulo Manuel Pêgo-FernandesII Instituto do Coração (InCor), Hospital das Clínicas (HC), Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)

Os últimos 20 anos foram importantes para a ciência brasileira, saímos de uma posição quase obscura para alcançar uma posição relevante no cenário internacional. A prova mais contundente é a grande evolução no número de publicações e de citações alcançados por autores e instituições brasileiras. Os esforços empregados pelo governo, pelas universidades, centros de pesquisa e pesquisadores geraram frutos mensuráveis no número de publicações produzidas no Brasil. Informação divulgada demonstra que, em 2011, atingimos o número total de 49.664 artigos, o que nos fez saltar para o 13o lugar no ranking entre os países com maior número de publicações.1 Por outro lado, questiona-se que o impacto dessas publicações ainda é menor que o esperado. Todavia, um informe de relevância nesse sentido é a constatação de que diversas Universidades Brasileiras encontram-se em posição de destaque no “Ranking Web of Universities” da Webometrics, principalmente no quesito “Impacto”.2

Entretanto, é notável que outra importante faceta da atividade científica não acompanhou essa evolução: a produção de patentes. Estudo demostrou que o total de pedidos de patentes no Brasil entre 2001 e 2010, aumentou 64%, todavia, o número final, 5,5 mil em 2010, ainda é pequeno no contexto mundial.3 Outra informação negativa é que, entre as economias emergentes do mundo, o Brasil ainda tem posição de pouca relevância quando estudamos o número de patentes aqui desenvolvidas bem como quantas dessas acabam por gerar um produto final comercializável. Em 2011 foram registradas pouco mais de 20 mil patentes no Brasil, número pequeno se comparada à produção da China, 400 mil no mesmo ano.3

ceito, é “um título de propriedade temporária sobre uma

Segundo a Agência USP de Inovação, patente, por coninvenção ou modelo de utilidade, outorgado pelo Estado aos inventores ou outras pessoas físicas ou jurídicas detentoras de direitos sobre a criação”.4 O racional e a justificativa para a existência das patentes residem no fato de que: “a pesquisa e o desenvolvimento para elaboração de novos produtos requerem, na maioria das vezes, grandes investimentos humanos e financeiros. Proteger esse produto através de uma patente significa prevenir-se de competidores, inibindo a concorrência desleal”.4

Algumas considerações são importantes: A patente se justifica pelo produto que ela pode gerar, patente não é título, tampouco não pode ser encarada apenas como item curricular.

Quem mais tem a ganhar com o desenvolvimento na produção de patentes é o Brasil enquanto país, afinal, isso pode, em última análise, representar uma inserção positiva na matriz produtiva brasileira.

Em países desenvolvidos, podemos identificar claramente um “círculo virtuoso” que mantém ativo um “sistema” de produção de patentes: as empresas injetam dinheiro em centros

Este editorial foi publicado na versão em inglês no periódico São Paulo Medical Journal/Evidence for Health Care, volume 131, edição número 6, de novembro a dezembro de 2013.Cirurgião torácio, Instituto do Coração (InCor), Hospital das Clínicas (HC), Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).Professor titular, Disciplina de Cirurgia Torácica, Instituto do Coração (InCor), Hospital das Clínicas (HC), Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Endereço para correspondência: Alessandro Wasum Mariani Rua Treze de Maio, 1.217 — apto 31 — Bela Vista — São Paulo (SP) — CEP 01327-001 E-mail: alessandro_mariani@hotmail.com

Fonte de fomento: nenhuma declarada — Conflito de interesse: nenhum declarado Entrada: 18 de setembro de 2013 — Última modificação: 18 de setembro de 2013 — Aceite: 27 de setembro de 2013 diagn tratamento. 2014;19(3):103-4.103 de pesquisa que desenvolvem projetos, que se transformam em patente para a empresa, que a confecciona e comercializa como um produto final, gerando capital, que é frequentemente reinvestido no ponto de partida. A participação dos governos não se limita apenas à regulação, mas deve ocorrer intervenção quando esta se faz necessária.

Voltando ao Brasil, iniciativas positivas nesse sentido podem ser identificadas. Por exemplo, a criação, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), dos novos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids). Estes centros têm como uma de suas características a busca e consolidação de parcerias com setor produtivo com o objetivo final de promover a transformação à cultura da inovação.5

Outra iniciativa importante tem partido das próprias Universidades por meio da criação de agências com a meta comum de dar apoio à inovação, seja dentro da Universidade, ou mesmo fora dela, pela parceria com empresas, pesquisadores e centros de pesquisas. Notadamente o foco dessas chamadas “Agências de Inovação” é o desenvolvimento de patentes. Importantes Universidades já abarcaram a ideia: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre outras.

Governo, universidades e empresas precisam não somente unir esforços, mas, sobretudo, coordená-los de uma melhor forma para que as atividades de cada segmento se completem, iniciando processo produtivo que gere patentes e produtos, determinando assim não só uma alavancagem na ciência, mas também na atual cadeia produtiva da economia brasileira.

REFERÊncias

1. Righetti S. Produção científica do Brasil aumenta, mas qualidade cai. Folha de S.Paulo. 2 abr. 2013: Ciência + Saúde. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/105099- producao-cientifica-do-brasil-aumenta-mas-qualidade-cai. shtml. Acessado em 2013 (24 set). 2. Ranking Web of Universities. World. Disponível em: http:// w.webometrics.info/en/world?sort=asc&or der=ranking. Acessado em 2013 (24 set). 3. Garcia R. Países emergentes quase alcançam G7 em patentes. Folha de S.Paulo. 6 mar. 2013: Ciência. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1241294-paisesemergentes-quase-alcancam-g-7-em-patentes.shtml. Acessado em 2013 (24 set). 4. Agência USP de Inovação. Patentes. USP Inovação. Disponível em: http://w .inovacao.usp.br/propriedade/patentes.php. Acessado em 2013 (24 set). 5. Marques F. A expansão do conhecimento. Pesquisa FAPESP. 2013;208:17-25. Disponível em: http://r evistapesquisa.fapesp. br/wp-content/uploads/2013/06/016-025_CAP A_CEPIDS_208. pdf. Acessado em 2013 (24 set).

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