(Parte 1 de 3)

Ministério da Saúde

ABC do Câncer:

Abor dag ens Básic as par a o Con tr ole de Câncer

Ministério da Saúde Instituto Nacional de Câncer

ISBN 978-85-7318-202-69 788573182026ISBN 978-85-7318-201-9
9 788573182019

Apoio: VERSÃO ELETÔNICAVERSÃO IMPRESSA

MINISTÉRIO DA SAÚDE Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA)

2ª edição revista e atualizada

Rio de Janeiro, RJ 2012

© 2012 Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva/ Ministério da Saúde. Todos os direitos reservados. A reprodução, adaptação, modificação ou utilização deste conteúdo, parcial ou integralmente, são expressamente proibidas sem a permissão prévia, por escrito, do INCA e desde que não seja para qualquer fim comercial. Venda proibida. Distribuição gratuita. Esta obra pode ser acessada, na íntegra, na Área Temática Controle de Câncer da Biblioteca Virtual em Saúde - BVS/MS (http://bvsms.saude.gov.br/bvs/controle_cancer) e no Portal do INCA http://www.inca.gov.br

Tiragem: 3.0 exemplares - 2ª edição revista e atualizada - 2012

Elaboração, distribuição e informações MINISTÉRIO DA SAÚDE INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA (INCA) Coordenação Geral de Ações Estratégicas Coordenação de Educação (CEDC) Rua Marquês de Pombal, 125 – Centro 20230-092 - Rio de Janeiro – RJ Tel.: (21) 3207-50 w.inca.gov.br

Edição Serviço de Edição e Informação Técnico-Científica/CEDC Rua Marquês de Pombal, 125 – Centro 20230-092 - Rio de Janeiro – RJ Tel.: (21) 3207-50

Supervisão Editorial Letícia Casado

Edição e Produção Editorial Taís Facina

Revisão Fabrício Fuzimoto (estagiário de Produção Editorial) Maria Helena Rossi Oliveira Rita Rangel de S. Machado

Capa, Projeto Gráfico e Diagramação Mariana Fernandes Teles

Normalização Bibliográfica e Ficha Catalográfica Iara Rodrigues de Amorim

Organização Luiz Claudio Santos Thuler

Equipe de Elaboração No anexo

Impresso no Brasil / Printed in Brazil Flama

I59aInstituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação Geral de
Ações Estratégicas. Coordenação de Educação.
ABC do câncer : abordagens básicas para o controle do câncer / Instituto
Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, Coordenação Geral de Ações
Estratégicas, Coordenação de Educação ; organização Luiz Claudio Santos
Thuler. – 2. ed. rev. e atual.– Rio de Janeiro : Inca, 2012.
129 p.
Inclui referências.
ISBN 978-85-7318-202-6 (versão impressa)
ISBN 978-85-7318-201-9 (versão eletrônica)
1. Comunicação em saúde. 2. Neoplasias – Prevenção e controle.
3. Educação em saúde. 4. Prospecto para educação de pacientes. I. Thuler, Luiz
Claudio Santos, org. I. Título.
CDD 302.232

FICHA CATALOGRÁFICA Catalogação na fonte – Seção de Bibliotecas/ Coordenação de Educação

Títulos para indexação Em inglês: ABC of Cancer: Basic Approaches to the Cancer Control Em espanhol: El ABC del Cáncer : Abordajes Básicas para el Control del Cáncer

A Coordenação de Educação do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva

(CEDC/INCA) agradece a participação dos discentes do programa de Residência Multiprofissional em Oncologia (Turma 2010) e do Curso de Especialização em Enfermagem em Oncologia (Turma 2011) na validação dos conteúdos do curso ABC do Câncer.

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) tem o prazer e o orgulho de dividir com você este compêndio sobre o câncer.

Segunda causa de óbitos no país, com tendência de crescimento nos próximos anos, o câncer é uma questão de saúde pública, principalmente ao se levar em consideração seu percentual de prevenção: cerca de um terço dos casos novos de câncer no mundo poderia ser evitado.

Por isso, a Coordenação de Educação (CEDC) do INCA desenvolveu o Curso a Distância ABC do Câncer, cujo foco são os profissionais de nível superior não especializados em oncologia e os alunos dos cursos de graduação e pós-graduação na área da saúde, com o objetivo de compartilhar o conhecimento da Instituição com quem atua diretamente na ponta da assistência, na linha de frente dos ambulatórios e consultórios; e, por isso mesmo, com grande potencial de prevenir e detectar precocemente a doença.

Em uma linguagem simples, dinâmica e de fácil compreensão, o curso fornece informações básicas e objetivas abrangendo todos os principais aspectos do câncer: definição, prevenção, tratamento, epidemiologia e políticas públicas.

Nosso objetivo é que você aproveite e aplique na prática tais conhecimentos. Acima de tudo, buscamos aliados na luta constante que é o controle do câncer no país.

Luiz Antonio Santini

Atualmente, o câncer é um dos problemas de saúde pública mais complexos que o sistema de saúde brasileiro enfrenta, dada a sua magnitude epidemiológica, social e econômica. Ressalta-se que pelo menos um terço dos casos novos de câncer que ocorre anualmente no mundo poderia ser prevenido.

A prevenção e o controle da doença são, por esse motivo, prioridades na Agenda da Saúde do

Ministério da Saúde (MS). Nesse contexto, um dos compromissos do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) com a saúde da população brasileira é participar ativamente das políticas do Sistema Único de Saúde (SUS) e colaborar na constituição da rede de cuidados integrais à saúde.

Dessa forma, ao se utilizar tecnologias de Educação a Distância, o curso ABC do Câncer - Abordagens

Básicas para o Controle do Câncer visa, consolidando as políticas governamentais de educação em saúde, a oferecer um conjunto de informações básicas e objetivas que facilitem o entendimento da dimensão do câncer, das medidas para o controle da doença e das estratégias de governo para o enfrentamento do problema.

Segundo o sentido dicionarizado, o curso traz: (A) abordagens – uma “forma de tratar alguma questão”; (B) básicas – consideradas “indispensáveis, imprescindíveis, fundamentais, essenciais”, sendo dirigido (C) para o controle do câncer, no sentido de somar esforços na compreensão das dimensões aqui abordadas – políticas de saúde, estratégias de promoção, prevenção, detecção precoce, diagnóstico até tratamento e cuidados paliativos – para diminuição da mortalidade pela doença no Brasil.

Estruturado em cinco unidades, o curso é autoinstrutivo e está disponibilizado no ambiente virtual de aprendizagem (Plataforma MOODLE). Instruções sobre inscrição no curso podem ser obtidas na página do INCA na Internet (w.inca.gov.br) ou por e-mail ead@inca.gov.br

Esta não é a primeira vez que, no país, se lança um texto com esse nome. Coincidentemente, há exatos 60 anos, o médico e farmacêutico Von Doellinger da Graça lançava O ABC do câncer – um manual prático de clínica e de tratamento. De lá para cá, muita coisa mudou, e o presente texto de apoio ao nosso “ABC do Câncer” quer compartilhar com os não iniciados (ou em vias de se iniciar) na Atenção Oncológica o que há de mais atual no conhecimento sobre a doença. Boa leitura,

Luiz Claudio Santos Thuler

AGRADECIMENTOS03
PREFÁCIO05
APRESENTAÇÃO07
LISTA DE ILUSTRAÇÕES13
UNIDADE I: O QUE É O CÂNCER15
1. INTRODUÇÃO16
2. O QUE É O CÂNCER17
2.1 Câncer e crescimento celular17
2.2 Câncer: tipos de crescimento celular18
2.3 Classificação das neoplasias19
2.4 Câncer in situ e câncer invasivo20
3. A FORMAÇÃO DO CÂNCER21
3.1 Oncogênese2
3.2 Agentes cancerígenos23
4. A EVOLUÇÃO DOS TUMORES23
4.1 Estadiamento clínico24
5. A NOMENCLATURA DOS TUMORES29
6. OS PRINCIPAIS TIPOS DE CÂNCER30
7. PENSE NISSO34
UNIDADE I: MAGNITUDE DO PROBLEMA35
1. INTRODUÇÃO36
2. TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA37
2.1 A mudança do perfil epidemiológico ocorrida no Brasil37
3. O NÚMERO DE CASOS NOVOS DE CÂNCER NO BRASIL38

SUMÁRIO 3.1 Representação espacial....................................................................................................42

- Abor dag ens Básic as par a o Con tr ole do Câncer

4. A MORTALIDADE POR CÂNCER NO BRASIL42
4.1 Mortalidade proporcional43
4.2 Análise da mortalidade segundo diferentes aspectos4
5. A IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DE DADOS46
6. PENSE NISSO46
UNIDADE I: AÇÕES DE CONTR OLE49
1. INTRODUÇÃO50
2. PREVENÇÃO51
2.1 Causas de câncer51
2.2 Classificação dos fatores de risco54
2.3 Conhecimento em ação58
3. DETECÇÃO PRECOCE59
3.1 Diagnóstico precoce59
3.2 Rastreamento60
3.3 Recomendações para detecção precoce61
3.4 Conhecimento em ação67
4. DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO67
4.1 Principais formas de tratamento68
4.2 Conhecimento em ação72
5. CUIDADOS PALIATIVOS72
5.1 Sinais e sintomas frequentes73
5.2 Quando indicar cuidados paliativos74
5.3 Responsáveis pelos cuidados paliativos74
5.4 Modelos de assistência75
5.5 Conhecimento em ação76
6. PENSE NISSO76
UNIDADE IV: A INTEGRAÇÃO DAS AÇÕES DE ATENÇÃO ONCOLÓGICA7
1. INTRODUÇÃO78
2. LINHAS DE CUIDADO79
2.1 Desenho da história natural da doença81
2.2 Organização das linhas de cuidado82

2.3 Função das linhas de cuidado..........................................................................................82

2.4 Exemplo de linha de cuidado83
3. HIERARQUIZAÇÃO DAS AÇÕES E SERVIÇOS85
4. REGIONALIZAÇÃO DAS AÇÕES E SERVIÇOS85
5. PENSE NISSO86
NO BRASIL87
1. INTRODUÇÃO8
2. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE89
3. AS POLÍTICAS GERAIS QUE SE APLICAM AO CONTROLE DO CÂNCER92
3.1 Pacto pela Saúde93
4. AS POLÍTICAS ESPECÍFICAS RELACIONADAS AO CONTROLE DO CÂNCER96
5. PENSE NISSO96
REFERÊNCIAS97
GLOSSÁRIO105

UNIDADE V: POLÍTICAS, AÇÕES E PROGRAMAS PARA O CONTROLE DO CÂNCER ANEXO..............................................................................................................................................127

Figura 1 - Caranguejo17
Figura 2 - Hipócrates17
Figura 3 - Células cancerosas17
Figura 4 - Tipos de crescimento celular18
Figura 5 - Diferenças entre tipos de tumores19
Figura 6 - Metástase20
Figura 7 - Mutação e câncer21
Figura 8 - Passo a passo do processo de carcinogênese2
Figura 9 - T (tumor primário)25
Figura 10 - N (linfonodos regionais)26
Figura 1 - M (metástases a distância)27
na população brasileira38
as neoplasias42
Figura 14 - Distribuição proporcional das causas de morte - Brasil, 1930-200843
Figura 15 - As dez principais causas de morte por câncer, segundo sexo, Brasil, 20084
Figura 16 - Causas de câncer52
Figura 17 - Estatística sobre as principais causas de câncer54
Figura 18 - Quimioterapia69
Figura 19 - Radioterapia70
Figura 20 - História natural da doença81

FIGURAS Figura 12 - Tipos de câncer mais estimados para 2012/2013, exceto pele não melanoma, Figura 13 - Representação espacial das taxas brutas de incidência por 100 mil homens e mulheres estimadas para os anos 2012/2013, segundo a Unidade da Federação para todas

Quadro 1 - Principais diferenças entre tumores benignos e malignos20
Quadro 2 - Recomendações para detecção precoce segundo a localização do tumor61
Quadro 3 - Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de mama62

QUADROS Quadro 4 - Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer do colo do útero.......62

- Abor dag ens Básic as par a o Con tr ole do Câncer

Quadro 5 - Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de cólon e reto63
Quadro 6 - Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de boca64
Quadro 7 - Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de pulmão65
Quadro 8 - Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de próstata65
Quadro 9 - Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de estômago6
Quadro 10 - Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de pele6
Quadro 1 - Exemplo sistematizado da linha de cuidado do câncer do colo do útero84
Tabela 1 - Grupamento por estádios28
em homens e mulheres, segundo localização primária39
regiões do Brasil, 2012/201339
Brasil, 2012/201340
Tabela 5 - Mortalidade proporcional (%), segundo grupos de causas, 200843

TABELAS Tabela 2 - Estimativas, para os anos 2012/2013, do número de casos novos de câncer, Tabela 3 - Número total de casos novos de câncer (exceto pele não melanoma) por Tabela 4 - Número total de casos novos de câncer por Unidade de Federação, Tabela 6 - Número total de óbitos por câncer, distribuído por faixa etária, homens e mulheres, Brasil, em 2007............................................................... .................................45

Unidade I O que é o câncer

O que é o câncer

1. INTRODUÇÃO

Você sabe o que é o câncer e como ele se desenvolve em nosso corpo?

Nesta unidade, você verá que o termo câncer refere-se a uma variedade de doenças, com localizações e aspectos biológicos múltiplos.

Você vai conhecer ainda os principais termos utilizados no estudo do câncer e os aspectos mais relevantes dos tipos de câncer mais comuns.

2. O QUE É O CÂNCER

A palavra câncer vem do grego karkínos, que quer dizer caranguejo (Figura 1), e foi utilizada pela primeira vez por Hipócrates, o pai da medicina (Figura 2), que viveu entre 460 e 377 a.C.

O câncer não é uma doença nova. O fato de ter sido detectado em múmias egípcias comprova que ele já comprometia o homem há mais de 3 mil anos antes de Cristo.

Atualmente, câncer é o nome geral dado a um conjunto de mais de 100 doenças, que têm em comum o crescimento desordenado de células (Figura 3), que tendem a invadir tecidos e órgãos vizinhos.

2.1 Câncer e crescimento celular

As células normais que formam os tecidos do corpo humano são capazes de se multiplicar por meio de um processo contínuo que é natural. A maioria das células normais cresce, multiplica-se e morre de maneira ordenada, porém, nem todas as células normais são iguais: algumas nunca se dividem, como os neurônios; outras – as células do tecido epitelial – dividem-se de forma rápida e contínua.

Dessa forma, a proliferação celular não implica necessariamente presença de malignidade, podendo simplesmente responder a necessidades específicas do corpo.

Figura 1 - Caranguejo Fonte: Stock.xchng

Figura 2 - Hipócrates Fonte: U.S. National Library of Medicine, History of Medicine Division

Figura 3 - Células cancerosas Fonte: Science Photo Library

- Abor dag ens Básic as par a o Con tr ole do Câncer

O que se entende por crescimento desordenado de células?

O crescimento das células cancerosas é diferente do crescimento das células normais. As células cancerosas, em vez de morrerem, continuam crescendo incontrolavelmente, formando outras novas células anormais. Diversos organismos vivos podem apresentar, em algum momento da vida, anormalidade no crescimento celular – as células se dividem de forma rápida, agressiva e incontrolável, espalhando-se para outras regiões do corpo – acarretando transtornos funcionais. O câncer é um desses transtornos.

O câncer se caracteriza pela perda do controle da divisão celular e pela capacidade de invadir outras estruturas orgânicas.

2.2 Câncer: tipos de crescimento celular

A proliferação celular pode ser controlada ou não controlada. No crescimento controlado, tem-se um aumento localizado e autolimitado do número de células de tecidos normais que formam o organismo, causado por estímulos fisiológicos ou patológicos. Nele, as células são normais ou com pequenas alterações na sua forma e função, podendo ser iguais ou diferentes do tecido onde se instalam. O efeito é reversível após o término dos estímulos que o provocaram. A hiperplasia, a metaplasia e a displasia são exemplos desse tipo de crescimento celular (Figura 4).

Figura 4 - Tipos de crescimento celular Fonte: Ilustração de Mariana F. Teles

DisplasiaCâncer in situCâncer invasivo

Célula geneticamente alterada

Vaso sanguíneo

No crescimento não controlado, tem-se uma massa anormal de tecido, cujo crescimento é quase autônomo, persistindo dessa maneira excessiva após o término dos estímulos que o provocaram. As neoplasias (câncer in situ e câncer invasivo) correspondem a essa forma não controlada de crescimento celular e, na prática, são denominadas tumores.

2.3 Classificação das neoplasias

Como se viu no item 2.2, a neoplasia é uma proliferação anormal do tecido, que foge parcial ou totalmente ao controle do organismo e tende à autonomia e à perpetuação, com efeitos agressivos sobre o homem.

Neoplasias podem ser benignas ou malignas (Figura 5). As neoplasias benignas ou tumores benignos têm seu crescimento de forma organizada, geral- mente lento, expansivo e apresentam limites bem nítidos. Apesar de não invadirem os tecidos vizinhos, podem comprimir os órgãos e tecidos adjacentes. O lipoma (que tem origem no tecido gorduroso), o mioma (que tem origem no tecido muscular liso) e o adenoma (tumor benigno das glândulas) são exemplos de tumores benignos.

As neoplasias malignas ou tumores malignos manifestam um maior grau de autonomia e são capazes de invadir tecidos vizinhos e provocar metástases, podendo ser resistentes ao tratamento e causar a morte do hospedeiro.

Tumor benignoTumor maligno

Figura 5 - Diferenças entre tipos de tumores Fonte: Ilustração de Mariana F. Teles

O câncer é uma neoplasia maligna.

- Abor dag ens Básic as par a o Con tr ole do Câncer

Quadro 1 - Principais diferenças entre tumores benignos e malignos Tumor benignoTumor maligno

Formado por células bem diferenciadas (semelhantes às do tecido normal); estrutura típica do tecido de origem

Formado por células anaplásicas (diferentes das do tecido normal); atípico; falta diferenciação

Crescimento progressivo; pode regredir; mitoses normais e raras Crescimento rápido; mitoses anormais e numerosas

Massa bem delimitada, expansiva; não invade nem infiltra tecidos adjacentes

Massa pouco delimitada, localmente invasivo; infiltra tecidos adjacentes

Não ocorre metástaseMetástase frequentemente presente

2.4 Câncer in situ e câncer invasivo

O câncer não invasivo ou carcinoma in situ é o primeiro estágio em que o câncer pode ser classificado (essa classificação não se aplica aos cânceres do sistema sanguíneo). Nesse estágio (in situ), as células cancerosas estão somente na camada de tecido na qual se desenvolveram e ainda não se espalharam para outras camadas do órgão de origem. A maioria dos cânceres in situ é curável se for tratada antes de progredir para a fase de câncer invasivo.

Tumor original

Célula tumoral Capilares

Tecido normal

MetástaseCélula imune

Eliminação da célula tumoral

Vasos tumorais

No câncer invasivo, as células cancerosas invadem outras camadas celulares do órgão, ganham a corrente sanguínea ou linfática e têm a capaci- dade de se disseminar para outras partes do corpo. Essa capacidade que os tumores malignos apresentam, de invasão, de disseminação e de produção de outros tumores em outras partes do corpo, a partir de um já existente, é a principal característica do câncer. Esses novos focos de doença são chamados de metástases (Figura 6).

Figura 6 - Metástase Fonte: Adaptado da ilustração de Alexandre Giannini

A capacidade invasiva das neoplasias malignas é a principal responsável pela dificuldade da erradicação cirúrgica das mesmas.

3. A FORMAÇÃO DO CÂNCER

Uma célula normal pode sofrer uma mutação genética, ou seja, alterações no DNA dos genes.

As células cujo material genético foi alterado passam a receber instruções erradas para as suas atividades (Figura 7).

Independentemente da exposição a agentes cancerígenos ou carcinógenos, as células sofrem processos de mutação espontânea, que não alteram seu desenvolvimento normal.

As alterações podem ocorrer em genes especiais, denominados proto-oncogenes, que, a princípio, são inativos em células normais. Quando ativados, os proto-oncogenes transformam-se em oncogenes, responsá- veis pela malignização (cancerização) das células normais. Essas células diferentes são denominadas cancerosas.

Célula normal

1ª mutação2ª mutação3ª mutação4ª mutação Células neoplásicas

Figura 7 - Mutação e câncer Fonte: Ilustração de Mariana F. Teles

Acesse o vídeo “A Sabedoria e a Inteligência do Câncer” http://www.youtube.com/watch?v=-aaTkr6Nyaw&feature=youtu.be e saiba como as células se proliferam no interior do organismo humano.

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