Intensivo Pré Vestibular - 18 literatura

Intensivo Pré Vestibular - 18 literatura

(Parte 1 de 4)

Inclusão para a Vida Literatura

1° Documento escrito em terras brasileiras: Carta a D. Manuel. Gêneros: poesia lírica e épica, teatro

Crônicas 9 Pero Vaz de Caminha.

Teatro 9 José de Anchieta.

Valorização do homem (antropocentrismo); paganismo (maravilhoso pagão); superioridade do homem sobre a natureza; objetividade; racionalismo; universalidade; saber concreto dos valores greco-romanos; rigor métrico e rítmico: equilíbrio e harmonia.

1601 Bento Teixeira: Prosopopéia.

Padre Antônio Vieira 9 oratória (sermões)

Gregório de Matos (Boca do Inferno) 9 poesia satírica 9 poesia sacra (religiosa) 9 poesia amorosa

Arte dos contrastes; antinomia homem/céu; homem/terra; visualização e plasticidade; fugacidade; irracionalismo; unidade e abertura (perspectivas múltiplas para o observador); luta entre o profano e o sagrado. Culto a elementos evanescentes (água/vento). Movimento ligado ao espírito da Contra-Reforma; jogos de metáforas; riqueza de imagens; gosto pelo pormenor; malabarismo verbal – uso de: hipérbato, hipérbole, metáforas e antíteses.

Cláudio Manuel da Costa: Obras Poéticas.

Poesia lírica 9 Cláudio Manuel da Costa 9 Tomás Antônio Gonzaga 9 Silva Alvarenga 9 Alvarenga Peixoto

Poesia épica 9 Basílio da Gama 9 Santa Rita Durão

Arte do equilíbrio e da harmonia; busca do racional, do verdadeiro e da natureza (Bucolismo); retorno às concepções de beleza do Renascimento; poesia objetiva e descritiva; aurea mediocritas; o objetivo arcádico de uma vida serena e bucólica; pastoralismo; valorização da mitologia; técnica da simplicidade.

Leitura linear e regrada: inutilia truncat (cortar o inútil), carpe diem (aproveitar o dia), fugere urbem (fugir da cidade = Rousseau)

Gonçalves de Magalhães Suspiros Poéticos e Saudades.

Poesia 1ª Geração 9 Gonçalves Dias

2ª Geração 9 Álvares de Azevedo 9 Casimiro de Abreu 9 Fagundes Varela 9 Junqueira Freire

3ª Geração 9 Castro Alves

Prosa Urbano 9 Joaquim Manuel de Macedo 9 Manuel Antônio de Almeida

Regional 9 Bernardo Guimarães 9 Visconde de Taunay

Indianista/Histórico/Regional/Urbano 9 José de Alencar.

1ª Geração: nacionalismo, ufanismo, natureza, religião (cristianismo), indianismo/medievalismo.

2ª Geração: mal do século, evasão, solidão, profundo pessimismo, anseio de morte, Ultra-Romantismo, Byronismo, saudosismo.

3ª Geração: Condoreirismo, liberdade. Oratória reivindicatória, literatura social e engajada. Hipérbole.

Geral: imaginação, fantasia, sonho, idealização, sonoridade, simplicidade, subjetivismo, sintaxe emotiva, liberdade criadora, idealização da mulher, cor local, fuga da realidade, bem X mal, final feliz

Barroco “Pecado contrito aos pés do Cristo crucificado”.

“Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade, Verdade é, meu Senhor, que hei delinqüido, Delinqüido vos tenho, e ofendido, Ofendido vos tem minha maldade.

Maldade, que encaminha a vaidade, Vaidade, que todo me há vencido, Vencido quero ver-me e arrependido, Arrependido a tanta enormidade,

Inclusão para a Vida Literatura

Arrependido estou de coração, De coração vos busco, dai-me abraços, Abraços, que me rendem vossa luz.

Luz, que claro me mostra a salvação, A salvação pretendo em tais abraços Misericórdia, amor, Jesus, Jesus!”

Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia.

“A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha; Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um bem freqüente olheiro, Que a vida do vizinho e da vizinha Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, Para levar à praça e ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados, Trazidos sob os pés os homens nobres, Posta nas palmas toda a picardia,

Estupendas usuras nos mercados, Todos os que não furtam muitos pobres: E eis aqui a cidade da Bahia.”

Moralidade sobre o dia de quarta-feira de cinzas.

“Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te, Te lembra hoje Deus por sua Igreja; De pó te faz espelho, em que se veja A vil matéria, de que quis formar-te.

Lembra-te Deus, que és pó para humilhar-te, E como o teu baixel sempre fraqueja Nos mares da vaidade, onde peleja, Te põe à vista a terra, onde salvar-te.

Alerta, alerta, pois, que o vento berra Se assopra a vaidade e incha o pano, Na proa a terra tens, amaina e ferra.

Todo o lenho mortal, baixel humano; Se busca a salvação, toma hoje terra, Que terra de hoje é porto soberano.”

Arcadismo Soneto XLVI

“Não vês, Nise, brincar esse menino Com aquela avezinha? Estende o braço; Deixa-a fugir; mas apertando o laço A condena outra vez ao seu destino.

Nessa mesma figura, eu imagino, Tens minha liberdade; pois ao passo Que cuido que estou livre do embaraço, Então me prende mais meu desatino.

Em um contínuo giro o pensamento Tanto a precipitar-me se encaminha, Que não vejo onde para o meu tormento.

Mas se fora menos mal esta ânsia minha, Se me faltasse a mim o entendimento Como falta razão a esta avezinha.”

Texto I

“Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, Que viva de guardar alheio gado, De tosco trato; de expressões grosseiro, Dos frios gelos e dos sóis queimado. Tenho próprio casal e nele assisto; Dá-me vinho, legume, fruta, azeite; Das brancas ovelhinhas tiro o leite E as mais finas lãs, de que me visto. Graças, Marília bela, Graças à minha estrela!”

Texto VII

“Os seus compridos cabelos, Que sobre as costas ondeiam, São que os de Apolo mais belos, Mas de outra cor não são. Têm a cor da negra noite, E com o braço do rosto Fazem, Marília, um composto Da mais formosa união.”

Texto VIII

“Os teus olhos espelham a luz divina, A quem a luz do sol não se atreve; Papoila ou rosa delicada e fina Te cobre as faces, que são da cor da neve. Os teus cabelos são uns fios d’ouro; Teu lindo corpo bálsamo vapora.”

Romantismo Canto da Morte

“Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi: Sou filhos das selvas, Nas selvas cresci; Guerreiros, descendo Da tribo tupi.

Da tribo pujante, Que agora anda errante Por fado inconstante, Guerreiros, nasci: Sou bravo, sou forte, Sou filho do Norte; Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi. (...)”

A Maldição do Pai

“Tu choraste em presença da morte? Na presença de estranhos choraste? Não descende o cobarde do forte; Pois choraste, meu filho não és! Possas tu, descendente maldito De uma tribo de nobres guerreiros, Implorando cruéis forasteiros, Seres presa de vis Aimorés.(...)”

Canção do Exílio

“Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.

Inclusão para a Vida Literatura

Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha vida tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar - sozinho, à noite - Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.” (Coimbra, julho 1843)

Se Eu Morresse Amanhã

“Se eu morresse amanhã, viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã; Minha mãe de saudades morreria Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro, Que aurora de porvir e que manhã! Eu perdera chorando essas coroas Se eu morresse amanhã!

Que sol! Que céu azul! Que doce n’alva Acorda a natureza mais louçã! Não me batera tanto amor no peito Se eu morresse amanhã!

A ânsia de glória, o dolorido afã

Mas essa dor da vida que devora A dor no peito emudecera ao menos Se eu morresse amanhã!”

Lembrança de Morrer

“Quando em meu peito rebentar-se a fibra, Que o espírito enlaça à dor vivente, Não derramem por mim nenhuma lágrima Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura A flor do vale que adormece ao vento: Não quero que uma nota de alegria Se cale por meu triste pensamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio Do deserto, o poento caminheiro - Como as horas de um longo pesadelo Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

(...)Descansem o meu leito solitário Na floresta dos homens esquecida, À sombra de uma cruz, e escrevam nela: Foi poeta - sonhou - e amou na vida.”

Meus Oito Anos

“Oh! Que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias Do despontar da existência! - Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar é - lago sereno,

O céu - um manto azulado, O mundo - um sonho dourado, A vida - um hino d’amor!

Que auroras, que sol, que vida, Que noites de melodia Naquela doce alegria, Naquele ingênuo folgar! O céu bordado d’ estrelas, A terra de aromas cheia, As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar!

Oh! Dias da minha infância! Oh! Meu céu de primavera! Que doce a vida não era Nessa risonha manhã! Em vez de mágoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas, Eu ia bem satisfeito, Da camisa aberto o peito, - Pés descalços, braços nus - Correndo pelas campinas À roda das cachoeiras, Atrás das asas ligeiras Das borboletas azuis!”

Cântico do Calvário À memória de meu filho morto a 1 de dezembro de 1863

“Eras na vida a pomba predileta Que sobre um mar de angústias conduzia O ramo da esperança. - Eras a estrela Que entre as névoas do inverno cintilava Apontando o caminho ao pegureiro. Eras a messe de um dourado estio. Eras o idílio de um amor sublime. Eras a glória, - a inspiração, - a pátria, O porvir de teu pai! - Ah! No entanto, Pomba, - varou-te a flecha do destino! Astro, engoliu-te o temporal no norte! Teto, - caíste! – Crença, já não vives!”(...)

Boa noite

Boa-noite, Maria! É tardeé tarde...

“Boa-noite, Maria! Eu vou-me embora. A lua das janelas bate em cheio. Não me apertes assim contra teu seio.

Boa noite!E tu dizes - Boa noite,
Mas não mo digas assim por entre beijos

Mas não mo digas descobrindo o peito, - Mar de amor onde vagam meus desejos.(...)”

Vozes d’África (trecho)

Que embalde desde então corre o infinito
Onde estás, Senhor Deus?

“Deus! ó Deus! Onde estás que não respondes? Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes Embuçado nos céus? Há dois mil anos te mandei meu grito, 3

Inclusão para a Vida Literatura

- Infinito: galé!

Qual Prometeu tu me amarraste um dia Do deserto na rubra penedia

Por abutre - me deste o sol cadente, E a terra de Suez - foi a corrente

Que me ligaste ao pé
A Europa é sempre Europa, a gloriosa!

(...) A mulher deslumbrante e caprichosa,

Rainha e cortesã.

No glorioso afã!

Artista - corta o mármor de Carrara; Poetisa - tange os hinos de Ferrara, (...) Hoje em meu sangue a América se nutre - Condor que transformara-se em abutre,

Ela juntou-se às maisirmã traidora

Ave da escravidão, Qual de José os vis irmãos de outrora Venderam seu irmão.

Perdão p’ra os crimes meus!
Há dois mil anoseu soluço um grito...

Basta, Senhor! De teu potente braço Role através dos astros e do espaço Escuta o brado meu lá no infinito, Meu Deus! Senhor, meu Deus!!...”

Iracema (José de Alencar)

Pousando a criança nos braços paternos, a desventurada mãe desfaleceu como a jetica, se lhe arranca o bulbo. O esposo viu então como a dor tinha consumido o seu belo corpo; mas a formosura ainda morava nela, como o perfume da flor caída do manacá.

Iracema não se ergueu mais da rede onde a pousaram os aflitos braços de Martim. O terno esposo, em que o amor renascera com o júbilo paterno, a cercou de carícias que encheram sua alma de alegria, mas não a puderam tornar à vida: o estame de sua flor se rompera.

O doce lábio emudeceu para sempre; o último lampejo despediu-se dos olhos baços.

Poti amparou o irmão na grande dor, Martim sentiu quanto um amigo verdadeiro é precioso na desventura: é como o outeiro que abriga do vendaval o tronco forte e robusto do Ubiratã, quando o cupim lhe broca o âmago.

O camucim que recebeu o corpo de Iracema, embebida em resinas odoríferas, foi enterrado ao pé do coqueiro, à borda do rio. Martim quebrou um ramo de murta, a folha da tristeza, e deitou-o no jazigo de sua esposa. A jandaia pousada no olho da palmeira repetia tristemente: – Iracema!

Desde então os guerreiros potiguaras que passavam perto da cabana abandonada, e ouviam ressoar a voz plangente da ave amiga, afastavam-se com a alma cheia de tristeza do coqueiro onde cantava a jandaia. E foi assim que um dia veio a chamar-se Ceará o rio onde crescia o coqueiro, e os campos onde serpeja o rio.

O Guarani (José de Alencar)

– Sim?...murmurou ela, viveremos!lá no céu, no seio
de Deus, junto daqueles que amamos!

Cecília abriu os olhos e vendo seu amigo junto dela, ouvindo ainda suas palavras, sentiu o enlevo que deve ser o gozo da vida eterna.

Peri! Tu viverás com tua irmã, sempre!

O anjo espanejava-se para remontar o berço. – Sobre aquele azul que tu vês, continuou ela, Deus mora no seu trono, rodeado dos que O adoram. Nós iremos lá,

Ela embebeu os olhos nos olhos do seu amigo, e lânguida reclinou a loura fronte.

A palmeira arrastada pela torrente impetuosa fugia
E sumiu-se no horizonte

O hálito ardente de Peri bafejou-lhe a face. Fez-se no semblante da virgem um ninho de castos rubores e lânguidos sorrisos: os lábios abriram como asas purpúreas de um beijo soltando o vôo. EXERCÍCIOS

1.1) PUC-RJ) Quais dessas afirmações caracterizavam a poesia realizada no Brasil no século XVIII?

01. Preocupa-se em descrever uma atmosfera denominada locus amoenus. 02. A poesia seguia o tema de “cortar o inútil” do texto. 04. As amadas eram ninfas lembrando a mitologia grega e romana. 08. Os poetas da época não se expressaram no gênero épico.

“Enquanto pasta, alegre, o manso gado, minha bela Marília, nos sentemos à sombra deste cedro levantado. Um pouco meditemos Na regular beleza, Que em tudo quanto vive nos descobre A sábia natureza. Atente como aquela vaca preta O novilhinho seu mais separa, e o lambe, enquanto chupa a lisa teta. Atente mais, ó cara, Como a ruiva cadela Suporta que lhe morda o filho o corpo, e salte em cima dela.”

Com relação ao fragmento acima, de uma lira de Tomás Antônio Gonzaga, podemos afirmar que:

01. apresenta uma expressão poética altamente subjetiva. 02. apresenta uma nítida concepção de poesia de cunho pedagógico, ao gosto barroco. 04. apresenta a clareza, a simplicidade e a verossimilhança como características evidentes. 08. apresenta, como característica pré-romântica, uma preocupação idealizante em relação à natureza. 16. apresenta um clima pastoral, convenção poética árcade que tematiza a naturalidade e o equilíbrio como formas ideais das relações humanas.

1.3) (Puc-PR) Nos romances Senhora e Lucíola, José de Alencar apresenta como qualidade mais importante:

a) exame psicológico das personagens femininas; b) análise do contexto social e político do Brasil do segundo império; c) estudo das transformações sociais e seu reflexo sobre o comportamento das personagens; d) estudo do problema amor X dinheiro e sua crítica; e) verificação das diferenças entre o interior e a capital, considerando que as personagens mais importantes são originárias do interior do Brasil.

Inclusão para a Vida Literatura

1.4) O padre Antônio Vieira celebrizou-se:

a) no século XVII, pela sua extraordinária parenética barroca. b) no século X, pela riqueza e beleza de seus ensaios. c) no século XIX, por ser historiados e cronista dos tempos coloniais. d) no século XVIII, pelo jornalismo lúcido e equilibrado que fez na Colônia. e) no século XVI, por suas atitudes vacilantes em relação ao invasor holandês protestante.

1.5) (FUVEST-SP)

“Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te Te lembra hoje Deus por sua Igreja; De pó te faz espelhos, em que se veja A vil matéria, de que quis formar-se.”

Pelas características do quarteto acima podemos dizer que ele se enquadra no:

a) Barroco b) Arcadismo c) Romantismo d) Parnasianismo e) Modernismo

(Parte 1 de 4)

Comentários