Intensivo Pré Vestibular - 19 redação

Intensivo Pré Vestibular - 19 redação

(Parte 1 de 2)

PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC

Inclusão para a Vida Redação

Para que um texto seja considerado bem-sucedido, é necessário prezar por:

Î clareza; Î coerência; Î coesão; Î correção gramatical; Î elegância.

Assim, sabe-se que os ditos “defeitos” de um texto devem ser evitados! Os mais comuns são:

A. Ambiguidade Uma frase ambígua é aquela que apresenta mais de um sentido.

Veja: “Em época de pleito* é comum ouvirmos candidatos dizendo ao povo que se preocupam com o seu bem-estar”.

*Ortografia/Semântica: pleito = eleição; preito = homenagem

Analisando: “bem-estar” de quem? Do próprio candidato?

Do povo?

Percebe-se que o pronome possessivo (seu) não foi bemempregado.

B. Obscuridade A obscuridade é ainda pior que o a ambigüidade, pois, quando se é ambígüo, pode-se ter duas interpretações, enquanto que na obscuridade, muitas vezes, não podemos nem mesmo imaginar do que se trata. É uma falta total de clareza.

Normalmente a obscuridade é causada por fases longas, má pontuação, desrespeito à normas gramaticais e linguagem rebuscada.

Analise um trecho retirado da Folha de São Paulo já há algum tempo:

“As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito. A decisão atende a uma portaria de Dezembro de 2001, do Juizado de Menores, que proíbe que as casas de vídeo aluguem, exponham e vendam fitas pornográficas a menores de dezoito anos. A portaria proíbe ainda os menores de dezoito anos de irem a motéis e rodeios sem a acompanhia ou autorização dos pais.”

Fica a pergunta: então, se estiverem acompanhados dos pais, os menores poderão ir a motéis?

C. Pleonasmo É uma espécie de redundância. No Ensino Médio estudamos que Pleonasmo faz parte dos

Vícios de Linguagem e nos são passados exemplos de expressões que devemos evitar, tais como “subir para cima”, “descer para baixo”, “entrar para dentro” e “sair para fora”.

Contudo não são apenas esses os pleonasmos existentes.

Veja outros casos: matinal da manhã, noturno à noite, hemorragia de sangue, dois irmãos gêmeos, ganhou de graçar, recinto fechado, certeza absoluta, grande maioria, dois irãos gêmeos e outros casos.

Atenção: quando usado de maneira poética, o Pleonasmo não constitui um erro.

Exemplos: “E rir meu riso e derramar meu pranto.” (Vinícius de

Moraes)

“Os sonhos mais lindos, sonhei...” ( F. D. Marchetti e M. de Feraudy, veersão de Armando Louzada).

Há casos de Pleonasmo mais comuns do que se imagina! “Acesso restrito somente a funcionários do setor.” “Há cinco anos atrás(...).” “Este produto é de boa qualidade.” “Isso é um pequeno detalhe.” “Estas são propriedades próprias do sódio.” “É um produto de boa qualidade.” “Que surpresa inesperada!”

D. Cacofonia É um som desagradável (às vezes, obsceno), resultante da proximidade de determinadas sílabas.

Por exemplo: lá tinha; da vez passada; mande-me já; Õ, dor horrível!

E. Eco É a repetição de terminações (mesmo som). Observe: A decisão causou comoção na população. Corrigindo: A decisão fez com que o povo se comovesse.

F. Prolixidade A prolixidade é o oposto da concisão. Consiste, portanto, em utilizarmos mais palavras do que o necessário, tornando a leitura cansativa e de difícil compreeensão.

O uso de cacaoetes lingüísticos (expressões que não acrescentam nada ao texto, as quais só falamos porque estamos acostumados a ouvir) deve ser evitado.

Por exemplo, não devemos introduzir um texto com expressões do tipo “antes de mais nada” ou “inicialmente”, pois, se estamos iniciando, é óbvio que é “inicialmente”.

Outros casos: pelo contrário, por outro lado, por sua vez. Na prolixidade (lembre: ser prolixo é “enrolar”; é não ser objetivo), também encontramos o uso dos chavões.

Os chavões são frases ou expressões “feitas” as quais só empobrecem o texto.

Veja alguns exemplos: inflação galopante, caloroso abraço, caixinha de surpresas, vitória esmagadora e outros.

G. Incoerência Ser incoerente é se contradizer. Por isso, tome muito cuidado e releia mais de uma vez seu texto, analisando-o, principalmente para que a conclusão não destoe do restante do texto.

O desrespeito às regras gramaticais pode causar incoerência.

Portanto tenha muita atenção com as regras de concordância, de regência, de acentuação e até mesmo com a ortografia.

Veja:

RETIFICAR = corrigir RATIFICAR = confirmar

IR DE ENCONTRO = chocar-se; idéias contrárias IR AO ENCONTRO = lado a lado; idéias afins, semelhantes

PARA PRATICAR

01. Leia com atenção o texto a seguir e identifique os problemas existentes nas passagens numeradas:

“A exploração do trabalho infantil, ela é algo1 alarmante e intrigante2. Seu índice tem diminuído3 nos últimos anos, talvez pelas medidas tomadas pelo governo. E isso4 é de responsabilidade do governo federal e não do estadual.

Na época de nossos5 avós, isso não acontecia4, pois viviam na tranqüilidade do interior. Lá tinha6 tudo que precisavam. Os governantes valorizavam o povo e mantinham seu conforto7.”

02. Há uma ambiguidade no trecho: A.( ) “vem sendo praticada no mundo inteiro” B.( ) “Outros praticam a violência apenas como objetivo de enriquecerem”

C.( ) “Há filhos matando pais para tomarem o que lhes pertence”

D.( ) “Basta andarmos uns minutos” E.( ) “por quererem simplesmente mostrar que podem mais que os outros”

03. Certo dia, houve, na Inglaterra, um jogo entre Brasil e

Argentina. Pouco antes do início da partida, um e Globo afirmou: “O estádio é um espetáculo! Mas o gramado é um tapete: a bola rola com a maior perfeição.” a) Para fazer alusão à qualidade do gramado, usou-se uma metáfora. Sublinhe-a. b) Explique o sentido dessa metáfora. c) Após responder às questões “a” e “b”, percebemos que o comentarista não formulou bem seu comentário. Explique a incoerência cometida.

04. Agora, analise o trecho de uma fala de um apresentador de telejornal apresentada logo após um comentário sobre a fauna brasileira: “(...) a caça e a extração ilegais de palmito (...).” a) Tal passagem apresenta uma incoerência. Qual? b) Reescreva a fala do jornalista, de modo a torná-la coerente.

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Inclusão para a Vida Redação d) Tato 05. Todas as frases listadas a seguir apresentam ambiguidade. Indique quais são as duas interpretações possíveis em cada caso: a) O juiz declarou ter julgado o réu errado. b) O piloto enjoado levantou vôo. c) Comprou um carro rápido. d) Deixou a sala vazia. e) Confessou os erros que cometeu com franqueza. f) O jornal criticou a peça exibida com falta de talento. g)Trata-se de um estudo a respeito de Machado de Assis cuja leitura recomendo. h) A professora deixou a turma entusiasmada.

A Descrição nada mais é que um retrato verbal. Para que esse tipo de texto tenha êxito, uma boa dica é explorar a base sensorial.

Analise: a) Visão

“A dona era uma idosa franzina, de cabelos mais negros que a asa da graúna. Vestia um pijama desbotado, de seda japonesa. Tinha as unhas bem curtas, recobertas por uma crosta de esmalte vermelho escuro, descascado nas pontas.”

(Lygia Fagundes Telles, “As formigas”) b) Audição “De uma mesa distante, a única ocupada ainda, vinha o ruído de vozes de homens. Uma gargalhada sonora em meio de vozes exaltadas. E a palavra cabrito saltou dentre outras que se arrastavam pastosas. Num rádio da vizinhança, ligado ao volume máximo, havia uma canção que contava a história de uma jovem a qual vendia violetas na porta do teatro. A voz da cantora era plana e um pouco fanhosa.”

(Lygia Fagundes Teles, “A ceia”) c) Olfato “Lá, os armazéns tresandavam* a lixo e peixe podre, a latas vazias de óleo como cheiro de homens esfarrapados.”

(Autran Dourado, “A barca dos homens”) *tresandar = 1. fazer andar para trás; 2. exalar (mau cheiro); 3. cheirar mal.

“O pai comprou o sapado dois números maiores (...). Enfiou o sapato branco, um rígido como só o couro pode ser, no pé frio e trêmulo do garoto. Ao pentear o loiro e sedoso cabelo do caçula, a cabeça ainda em fogo.”

(Dalton Trevisan, “Pedrinho”) e) Paladar “Deitado, ele beliscou dois ou três gomos. Chupou o sumo azedo, deixou cair a casca no prato. Apanhou outro bago, desta vez mais doce.”

PARA PRATICAR

01. Leia o texto abaixo, retirado do romance A Moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo, e responda às questões pertinentes a ele.

“É inútil descrever o quarto de um estudante. Aí nada se encontra de novo. Ao muito, acharão uma estante, onde ele guarda seus livros, um cabide no qual pendura a casaca, a moringa, o castiçal, a cama, uma, até duas canastras de roupa, o chapéu, a bengala e a bacia; a mesa onde escreve e que só apresenta de recomendável a gaveta, cheia de papéis, de cartas da família, de flores e fitinhas misteriosas. É mais ou menos assim o quarto de Augusto.” a) Qual o tema-núcleo da descrição lida? b) A partir de que elementos o tema-núcleo foi destacado? c) Que elementos do texto mostram que o ambiente descrito pertence ao passado? d) Segundo o autor, quando algo merece ser descrito?

02) Observe, agora, trecho da crônica Menor Abandonado, escrita por Fernando Sabino.

“Escurinho, de seus seis ou sete anos, não mais. Deitado de lado, braços dobrados como dois gravetos, as mãos protegendo a cabeça. Tinha os gambitos também encolhidos e enfiados na camisa esburacada, para se defender contra o frio da noite. Estava dormindo, como podia estar morto. Não era um ser humano, era um bicho, um saco de lixo mesmo, um traste inútil, abandonado sobre a calçada. Um legítimo menor abandonado.” a) Qual o tema-núcleo do parágrafo lido? b) De que modo o cronista busca provocar no leitor o sentimento de pena pela situação do menino? c) Como Fernando Sabino passa ao leitor a idéia de que a cena descrita não é algo incomum?

Aproveitando

03) Compare as charges abaixo e indique qual delas apresenta o mesmo tema que o parágrafo de Fernando Sabino. Justifique (Bem!) sua resposta.

Charge 1 Charge 2

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FIGURAS DE LINGUAGEM MAIS COMUNS a) Metáfora b) Metonímia c) Perífrase d) Catacrese e) Sinestesia f) Onomatopéia g) Hipérbole h) Eufemismo i) Ironia j) Antítese k) Paradoxo

PARA PRATICAR

01. “Foi uma fatalidade” ou “o elemento faleceu” é como um policial, que atirou fatalmente em um suspeito, pronuncia-se, ante a imprensa. Tradução: “Deus tirou-lhe a vida. Eu só fiz o furo.”.

E locutores de futebol driblam o erro do seu jogador preferido, que chutou a redonda para fora, narrando: “O campo estreitou” ou “O campo acabou”.

Nas passagens em destaque, temos: A. hipérbole e sinestesia. B. eufemismo e catacrese. C. apenas ironia. D. hipérbole e eufemismo. E. ironia e eufemismo.

02. Analise alguns versos da música O paraíso tem um tempo bom, da banda Cidade Negra: “onda grande, onda pequena na maré alta ou na maré vazia surfei ondas de melodia (...) corre devagar”

Agora, considere as sentenças: I – No primeiro verso mencionado, temos a presença de antítese.

I – O terceiro verso revela uma metáfora. I – o verso “corre devagar” evidencia um paradoxo.

Quanto às três classificações enumeradas logo acima: A. apenas a I está correta. B. apenas a I está correta. C. apenas a I está correta. D. estão todas corretas. E. nenhuma está correta.

“ESPARADRAPOHá palavras que parecem exatamente o que querem dizer. Esparadrapo, por exemplo. Quem quebrou a cara fica mesmo com cara de esparadrapo. No entanto há outras, aliás de nobre sentido, que parecem estar insinuando outra coisa. Por exemplo, incunábulo*.”

QUINTANA, Mário.

Da preguiça como método de trabalho.

Rio de Janeiro, Globo 1987 p. 83.

*Incunábulo: [do lat. Incunabulu: berço] Adj. 1 – Diz-se do livro impresso até o ano de 1500./S.m. 2 – Começo, origem.

03. A expressão “quebrar a cara” é largamente empregada na língua portuguesa com sentido conotativo. O vocábulo que melhor traduz o emprego conotativo dessa expressão no texto é:

A. fracassar. B. desanimar. C. machucar-se. D. destruir. E. desistir.

04. Considere o texto a seguir: “A aposentada A. S., 68, tomou, na semana passada, uma decisão macabra em relação ao seu futuro. Ela pegou o dinheiro de sua aposentadoria (um salário mínimo) e comprou um caixão. A. mora com a irmã, M. F., 70, que também é aposentada. Elas não têm parentes. A. diz que está investindo no futuro. Sua irmã a apóia. A. também comprou a mortalha — roupa que quer usar quando morrer. O caixão fica guardado na sala da casa.”

Folha de S. Paulo, 2/8/2005, adaptado. a) Localize e sublinhe o trecho que revela ironia. b) Explique como se dá esse efeito de ironia. Ou seja, explique por que ele é irônico.

“RECEITA DE MULHER As muito feias que me perdoem

Mas beleza é fundamental.

É preciso que haja qualquer coisa de flor em tudo isso.” Vinícius de Moraes

05. Nesses versos, Vinícius de Moraes faz menção às mulheres de uma forma nada hipócrita. Ou seja, traça comentários de que muitos fugiriam. Assim, explique, de forma coerente e coesa, a metáfora empregada no último verso.

06. Considere a tira a seguir e as afirmações feitas em relação ao exposto nela:

I – A expressão “Psiu” corresponde a uma onomatopeia. I – Do comportamento de Mafalda, infere-se a maturidade da menina. I – Analisando a postura dos personagens, depreende-se que nada mais pode ser feito para socorrer a Terra.

Agora, indique a alternativa que expõe a correta análise das afirmações feitas quanto à tira lida: A. as afirmações I e I são verdadeiras. B. as afirmações I e II são verdadeiras. C. somente a afirmação I é verdadeira. D. somente a afirmação I é verdadeira. E. nenhuma das afirmações é verdadeira.

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A questão 07 se refere aos versos apresentados a seguir, de

Alphonsus de Guimarães.

Hão de chorar por ela os cinamomos, Murchando as flores ao tombar do dia. Dos laranjais hão de cair os pomos, Lembrando-se daquela que os colhia.

As estrelas dirão: - ‘Ai, nada somos, Pois ela se morreu silente e fria...’ E pondo os olhos nela como pomos, Hão de chorar a irmã que lhes sorria. (...)”

07. No decorrer dos versos lidos, percebe-se o emprego de: A. perífrase. B. eufemismo. C. prosopopéia. D. hipérbole. E. antonomásia.

08. Metáforas não são privilégio de textos escritos. Ou seja, elas podem ser facilmente empregadas em textos visuais, imagens. Levando isso em consideração, analise a figura a seguir de modo a identificar a problemática levantada. Depois, produza um parágrafo, dissertando sobre o tema exposto na charge.

Mas, atenção: não está sendo solicitada a você uma explicação da metáfora empregada, como ocorreu na questão 09. E sim que você discuta o problema focado por ela.

ELEMENTOS DA NARRATIVA I – Discurso I – Narrador I – Personagem IV – Tempo

PARA PRATICAR

A Seca Raquel de Queiroz (O Quinze – trecho adaptado)

Novamente a cavalo, segui o menino pelo solo árido.

Vicente marchava através da estrada vermelha e pedregosa da caatinga morta. Os cascos do animal pareciam tirar fogo dos pedacinhos de rocha em leitos secos dos rios. Lagartixas davam carreirinhas com paradas breves por cima das folhas secas, que estalavam como papel queimado.

Todos os dias era isso: o sol que queimava, a seca que matava, a busca pela água não encontrada. Vicente sentia por toda parte uma impressão ressequida de calor e aspereza. A mãe aguardava-lhe, na esperança de ter um pouco d’água que fosse para umedecer a farinha que seria a refeição do dia.

Mas o chão, que em outro tempo a sombra cobria, era uma confusão desolada de galhos secos, cuja agressividade ainda mais se acentuava pelos espinhos. E Vicente, mais uma vez, retornava; as mãos vazias da água esperada. 01. Com base no texto A Seca, responda: a) Sendo Vicente o protagonista no texto lido, a seca pode ser classificada a antagonista? Justifique sua resposta: b) O texto apresenta personagens secundárias? Em caso positivo, cite-a(s): c) O tempo trabalhado nessa narração é o cronológico ou o psicológico? Por quê? d) Seria correto dizermos que Vicente é um personagemtipo? Por quê? e) Qual foi o tipo de narrador empregado por Raquel de Queiroz no trecho lido?

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