HORMONIOS E SUAS RELAÇÕES AO ANABOLISMO E CATABOLISMO

HORMONIOS E SUAS RELAÇÕES AO ANABOLISMO E CATABOLISMO

1 Acadêmicos da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, no curso de Nutrição. ² Professora Mestre da disciplina de Metodologia do Trabalho Científico da Pontifícia Universidade Católica de Goiás do ano de 2014

¹CORRÊA, Aliny Moreira ¹PAPINI, Luis Henrique de Almeida

² BARCO, Juliana Alexandra P. de C.

Estado anabólico é quando há um aumento da síntese proteica, e isso acontece pela ação dos hormônios caracterizados como anabólicos: Insulina, GH, IGF-1, testosterona. Em seu oposto existem os hormônios catabolicos, que possuem a característica reversa do anabolismo, diminuindo a síntese proteica e provocando a degradação de proteínas, alguns destes são: cortisol, glucagon e hormônios da tireoide (T3 e T4). Principalmente para praticantes de atividade física, um bom controle hormonal é essencial gerando então com máximo aproveitamento o desenvolvimento desejado.

Palavras-chave: hormônios; anabolismo; catabolismo

Anabolic state is when there is an increase in protein synthesis, and this happens by the action of hormones characterized as anabolic: Insulin, GH, IGF- 1, and testosterone. At its opposite exist catabolic hormones having the reverse characteristic of anabolism, decreasing protein synthesis and causing the degradation of proteins, some of these are cortisol, glucagon, and thyroid hormones (T3 and T4).Especially for physically active, a good hormonal control is essential so that capitalizes generating the desired development.

Keywords: hormones; anabolism; catabolism.

“O sistema endócrino utiliza mensageiros químicos, denominados hormônios, para regular os processos mais lentos do corpo, como a reprodução” (MARSIGLIO, 2009), entretanto participam também ativamente no metabolismo, sendo então cruciais na formação celular do indivíduo, digestão de nutrientes, processo de envelhecimento e outros.

As proteínas são responsáveis pela construção e manutenção do tecido muscular, esse estado de construção tecidual é denominado anabolismo, e para que isso ocorra, uma série de fatores devem ser levados em conta, sendo um deles o fator hormonal.

O corpo se encontra em estado anabólico quando há um aumento da síntese de proteínas, e isso acontece justamente pela ação dos hormônios caracterizados como anabólicos: Insulina, GH, IGF-1, testosterona. Em seu oposto existem os hormônios catabólicos, que possuem então a característica reversa do anabolismo, diminuindo a síntese proteica e provocando a degradação de proteínas, alguns destes são: cortisol, glucagon e hormônios da tireoide.

1 HORMONIOS ANABOLICOS

1.1 INSULINA

A insulina é um hormônio que regula o metabolismo de CHO e também influencia na síntese proteica e de RNA. Esse hormônio facilita e aumenta o transporte de glicose e aminoácidos para a células musculares e adipócitos, promove a diminuição do catabolismo proteico, aumentando a síntese e armazenamento de proteínas celulares e de glicogênio muscular.

O hormônio insulina pode ser considerado um dos hormônios mais anabólicos, por promoverem então um transporte e armazenamento aumentado de aminoácidos para dentro das células /ou aumento a nível ribossômico, a eficiência do processo de tradução, então atuando na iniciação da síntese de proteínas, logo, se bem controlada, a insulina promove um eficiente estado anabólico importante principalmente para atletas.

1.2 FATOR DE CRESCIMENTO SEMELHANTE A INSULINA 1 (IGF-1)

Asínteseproteica depende de um equilibrado balanço nitrogenado, sendo o principal fator do balanço a quantidade e qualidade das proteínas ingeridas, fator que influencia também na síntese de GH e IGF-1 (CASTILHOS et al, 2008).

O IGF-1 age como mediador do GH, promove crescimento corporal através da diferenciação de células, estimula a síntese de proteínas e diminui a degradação. Um mecanismo é o aumento de mionúcleos em consequência da replicação celular, dessa forma este hormônio exerce função anabólica no musculo esquelético (ROMERO et al, 20013).

O Fator de crescimento semelhante a insulina 1 é produzido por diversos tecidos, sendo os principais: fígado e musculo esquelético.

1.3 SOMATROPINA (GH, HORMONIO DO CRESCIMENTO)

Secretada pela hipófise anterior, através de sua ação interventiva na formação proteica, multiplicação celular e diferenciação celular, a somatropina, também conhecida por GH, promove o crescimento de todo o corpo.

Os principais estímulos que induzem a liberação do GH são: o sono, hipoglicemia, alta ingestão de proteínas, estresse, exercício e outros agentes.

O hormônio do crescimento, além do fator de crescimento, possui funções metabólicas especificas, sendo classificado como um hormônio anabólico, promove aumento da síntese proteica, eleva a mobilização lipídica para produção de energia e reduz a utilização da glicose.

Sua função no anabolismo proteico é exercida com “aumentos” da translação do RNA, elevando a síntese por meio dos Ribossomos, transição do DNA para a forma do RNA, e reduzo catabolismo proteico e dos aminoácidos.

1.4 TESTOSTERONA

A testosterona é o hormônio esteroide androgênico mais importante produzido pelos células de Leydig nos testículos. [...] A síntese dos hormônios androgênios dá-se a partir do colesterol. Este irá formar, após sucessivas oxidações, a pregnenolona. A pregnenolona é o principal precursor dos hormônios esteroides (DANIELSKI et al, 2002).

Hormônio sexual masculino com influencias no comportamento sexual e emocional, dando então características especificas masculinas ao indivíduo. Além dessas funções, a testosterona possui papel importante no controle metabólico, elevando a síntese proteica muscular e reduzindo a degradação. Um dos principais estímulos que levam a liberação do hormônio é o treinamento de força.

Um passo fundamental da síntese proteica é a tradução do mRNA em proteína, esse processo se divide em etapas até o peptídeo completo ser liberado no ribossomo. As etapas dependem de fatores de iniciação, alongamento e liberação. (ROMERO et al, 2013)

A ingestão de aminoácidos, administração de hormônio e treinamento de força aumentam a atividade dos fatores de iniciação da tradução, aumentando a síntese proteica.

1.5 USO DE HORMONIOS ANABOLICOS NO ESPORTE

Acredita-se que o uso de hormônios melhora o desempenho atlético por aumentarem a massa muscular (através do aumento da síntese proteica muscular, da promoção da retenção de nitrogênio, da inibição do catabolismo proteico e da estimulação da eritropoiese), bem como por promoverem a agressividade e a motivação. Estudos recentes têm demonstrado que os androgênios podem aumentar a síntese proteica, através da estimulação intramuscular da expressão do gene para o IGF-I, então o uso de hormônios sintéticos está presente em todos os tipos de esporte tanto de força, resistência, quanto de velocidade (DANIELSKI et al, 2002).

2 HORMONIOS CATABOLICOS 2.1 CORTISOL

É um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais. Tem algumas ações primárias, como o estímulo à quebra de proteínas, gorduras e ajuda na metabolização da glicose no fígado.

Muito se relaciona o cortisol com hormônio do stress. Diante situações de emergência ele ativa respostas para o organismo, fazendo com que aconteça o aumento da pressão arterial e também o açúcar no sangue. O organismo, por sua vez, neste momento, fica concentrado na função catabolica.

É usado em alguns casos de stress, para controlar inflamações, trabalha no controle dos níveis de açúcar no sangue e no funcionamento do sistema imune, principalmente no controle da pressão arterial.

Altos níveis de cortisol no organismo podem trazer problemas à saúde, como perda de massa muscular, aumento de peso ou a diminuição de testosterona ou menstruação irregular, pode causar também doenças como a Síndrome de Cushing. Já baixos níveis de cortisol podem trazer sintomas de depressão, cansaço e fraqueza ou problemas mais graves como a Doença de Addison.

2.2 GLUCAGON

Produzido pelo pâncreas, trabalha no aumento dos níveis plasmáticos da glicose, cetoácidos e ácidos graxos livres e na diminuição dos níveis de aminoácidos.

No exercício, há uma estimulação de glucagon, com isso a estimulação da insulina é diminuída. Isto é, há uma relação inversamente proporcional entre o exercício e a insulina, em outras palavras, quanto maior for a duração do exercício menor será a produção de insulina (MOREIRA et al, 2010), com isso a capacidade anabólica do hormônio insulina é diminuída e então o glucagon entra com suas funções.

2.3 HORMONIOS DA TIREOIDE, T3 E T4

Os hormônios tireoidianos são essenciais para o crescimento, desenvolvimento e metabolismo (WAJNER et al, 2008).

O T3, também conhecido como triiodotironina, é formado através da ligação de monoidotirosina e diidotirosina, o T4 conhecido também como tetraiodotironina é formado através da ligação de duas diidotirosina.

É o T3 que determina de certa forma a velocidade de trabalho da célula.

Quando o individuo é magro, ele tem uma alta presença desses hormônios, e quando o individuo possui uma massa corpórea mais elevada essa quantidade é menor.

Os hormônios da tireoide aumentam o tamanho das mitocôndrias e seu numero, trabalham no estimulo do crescimento linear, no desenvolvimento e maturação dos ossos, são essenciais no desenvolvimento do SNC, reduzem até 60% do metabolismo basal caso os níveis hormonais estejam baixos.

A conversão periférica de andrógenos em estrógenos, bem como os níveis de progesterona, estão aumentados no hipertireoidismo, enquanto a biodisponibilidade da testosterona está diminuída nesses pacientes quando comparados a controles. Homens hipotireoideos, por sua vez, apresentam níveis circulantes diminuídos de testosterona (WAJNER et al, 2008).

Seguindo a linha de pensamento, além de uma redução ou aumento do metabolismo, com a testosterona em baixa os níveis anabólicos proteicos serão reduzidos.

Hormônios são responsáveis pelo equilíbrio de todo o corpo, para o crescimento e um bom desenvolvimento, podem até ser considerados a base do funcionamento corporal. Principalmente para praticantes de atividade física, um bom controle hormonal é essencial gerando então com máximo aproveitamento o desenvolvimento desejado.

6 REFERÊNCIAS

CADORE, Eduardo Lusa et al. Fatores Relacionados com as Respostas da Testosterona e do Cortisol ao Treinamento de Força. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. São Paulo, Vol. 14, Nº 1, p. 74 – 78, 2008.

CASTILHOS, Carlos de Andrade et al. A relação da suplementação de macros e micronutrientes e sua ação potencializadora sobre a síntese de IGF-1. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva. São Paulo v. 2, n. 10, p. 240- 249, 2008.

DANIELSKI, Ricardo et al. Esteroides anabolizantes no esporte. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. São Paulo, Vol. 8, Nº 6, p. 235 – 243, 2002.

HALUCH, Eduardo. PROTEÍNAS e HORMÔNIOS. Disponível em <: http://duduhaluch.com.br/>. Acesso em 19 nov. 2014.

HALUCH, Eduardo. HIPERTROFIA: insulina, IGF-1, testosterona, miostatina e a via da mTOR. <: http://duduhaluch.com.br/>. Acesso em 19 nov. 2014.

MARSIGLIO, Bruna Nunes. Reprodução (Parte I) – Regulação Hormonal da Reprodução. Disponível em <: http://www.iepec.com/> Acesso em 21 nov. 2014.

MEDEIROS, Rômulo José Dantas et al. COMPREENDENDO O HORMÔNIO DO CRESCIMENTO NOS ÂMBITOS DA SAÚDE, DESENVOLVIMENTO E DESEMPENHO FÍSICO. Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. São Paulo, v. 6, n. 3, p. 68-7, 2008.

MOREIRA, Ramon Missias et al. A ação dos hormônios GH, catecolaminas, insulina, glucagon e cortisol nos níveis de glicose no corpo em exercício. Revista Digital Efdeportes.com. Buenos Aires, ano 15, n. 151, 2010.

PAULI, José Rodrigo et al. Treinamento físico e administração de insulina: efeitos sobre o metabolismo de carboidratos e proteínas. Motriz. v.9, n.2, p. 73 – 7, 2003.

ROGERO, Marcelo Macedo et al. Aspectos neuroendócrinos e nutricionais em atletas com overtraining. ArqBrasEndocrinolMetab. São Paulo, v. 49, n. 3, 2005.

ROMERO, Frederico G. et al.BASES MOLECULARES DAS AÇÕES DA TESTOSTERONA, HORMÔNIO DO CRESCIMENTO E IGF-1 SOBRE A HIPERTROFIA MUSCULAR ESQUELÉTICA E RESPOSTAS AO TREINAMENTO DE FORÇA. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte. São Paulo, v. 12, n. 2, p. 187-208, 2013.

WAJNER, Simone Magagnin et al. O papel dos hormônios tireoidianos na função testicular. Revista HCPA, Rio Grande do Sul, v. 28, n. 1, p. 41 – 48, 2008.

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