Metodologia Trabalho Cientifico Unid II

Metodologia Trabalho Cientifico Unid II

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO Unidade I

2 TIPOS DE CONHECIMENTO

O que é “conhecer”?

Conhecer é estabelecer uma relação entre a pessoa que conhece e o objeto conhecido; criar um modelo/conceito mental do objeto conhecido. As formas de aquisição de conhecimento são: os sentidos, o raciocínio, a tradição e a autoridade.

• Sentidos: tudo o que a visão, a audição, o paladar, o olfato e o tato percebem.

• Raciocínio: compreensão. O pesquisador prova seus objetos de pesquisa pelo raciocínio, adere as provas lógicas aos argumentos provenientes da observação, da leitura e de experiências anteriores. O observador pode rever as mudanças ocorridas no ambiente que o conduziu às primeiras conclusões e como os argumentos lógicos negam as conclusões anteriores.

• Tradição: as tradições são compreendidas pelo raciocínio e pode incorrer em dogmas.

• Autoridade: oriunda dos pais, professores, governantes, líderes partidários, jornalistas e escritores. À medida que segmentos da população dão crédito a esses conhecimentos, eles são tidos como verdadeiros. Esse tipo de conhecimento é restrito ao conhecimento da autoridade.

Unidade I

Revisão: Beatriz - Diagr amação: Már cio - 26/1 1/09 - Alter ação do nome da disciplina em 25/1

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Compreensão do universo

Ciência

Filosofia

Arte Loucura

Religião

Senso comum

Os tipos de conhecimento

2.1 Tipos de conhecimento: filosófico

É a forma de conhecimento caracterizada pela reflexão racional e pelo foco na lógica. O estudo filosófico tem a intenção de ampliar a compreensão da realidade, no sentido de apreendê-la na sua amplitude, buscando conceitos, definições e classificações.

O filósofo está sempre pensando e avaliando a justiça, a correção e todos os valores considerados universais. Ele não tem um objeto de estudo único. Ele investiga e questiona profundamente o ser, a sua natureza, sua essência e seu fim.

O conhecimento filosófico:

• utiliza o raciocínio; • surge da capacidade de reflexão;

• serve para estabelecer uma concepção geral do universo;

• especulativo;

• não depende de provas materiais/reais;

• gera ideologias.

São várias as contribuições da filosofia à humanidade. Dentre elas, pode-se citar:

• matemática: os números, como as questões filosóficas, são abstratos, mas são aplicados à realidade.

• teoria do conhecimento: a teoria do conhecimento investiga os problemas decorrentes da relação entre sujeito e objeto do conhecimento, bem como as condições primordiais do saber verdadeiro.

• lógica: o papel do filósofo no desenvolvimento de sistemas formais que podem auxiliar o desenvolvimento técnico foi primordial (informática, cibernética, inteligência artificial).

Características do conhecimento filosófico:

• valorativo: o ponto de partida são hipóteses que não podem ser submetidas à observação. O conhecimento emerge da experiência e não da experimentação;

• não verificável: os enunciados das hipóteses filosóficas não podem ser confirmados nem refutados, mas são logicamente correlacionados;

• sistemático: suas hipóteses e seus enunciados visam à representação coerente da realidade estudada, na tentativa de apreendê-la como um todo;

• infalível e exato: seus postulados e hipóteses não são submetidos ao teste da experimentação. Há um esforço da razão pura, com a finalidade de questionar os problemas humanos e discernir entre o certo e o errado. A filosofia emprega o método racional, em que prevalece a coerência lógica.

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2.2 Tipos de conhecimento: teológico ou religioso

É a forma de conhecimento baseada na fé e na crença, na aceitação de princípios dogmáticos (irrefutáveis e indiscutíveis) ligados à existência de entidades supra-humanas. Trata-se de conhecimento por revelação divina, experiência religiosa ou mística.

Características do conhecimento religioso:

• valorativo: apoia-se em doutrinas que contêm proposições sagradas;

• inspiracional: revelado pelo sobrenatural;

• infalível e exato: contém verdades reveladas pelo sobrenatural que são indiscutíveis, dogmáticas;

• sistemático: analisa a origem, o significado, a finalidade e o destino como obras de um criador divino;

• não verificável: as pessoas têm uma atitude de fé perante um conhecimento revelado; a adesão das pessoas é um ato de fé; as evidências não são postas em dúvida.

2.3 Tipos de conhecimento: popular

Senso comum (ou conhecimento espontâneo, ou conhecimento vulgar) é a primeira compreensão do mundo, resultante da herança fecunda de um grupo social e das experiências atuais que continuam sendo efetuadas. Pelo senso comum, fazemos julgamentos, estabelecemos projetos de vida, adquirimos convicções e confiança para agir.

O senso comum varia de acordo com o conhecimento relativo alcançado pela maioria num determinado período histórico, embora possa existir uma minoria mais evoluída que alcançou um conhecimento superior ao aceito pela maioria. Estas minorias, por destoarem desse “senso comum”, são geralmente discriminadas.

Essa forma de conhecimento provém da experiência cotidiana, do senso comum. É transmitida de geração em geração, pode ser transformada em crença religiosa ou em doutrina inquestionável.

Características do conhecimento popular:

• valorativo ou sensitivo: baseado em ânimo e emoções, os valores do sujeito impregnam o objeto do conhecimento;

• qualitativo: grandes ou pequenos, doces ou azedos, pesados ou leves, novos ou velhos, belos ou feios etc.;

• reflexivo: não pode ser reduzido a uma formulação geral;

• assistemático: a organização de experiências não visa à sistematização das ideias nem na forma de adquiri-las nem na tentativa de validá-las;

• verificável: limitado ao âmbito da vida diária;

• falível: conforma-se com a aparência e com o que se ouve dizer;

• inexato: não permite formular hipóteses para além das percepções objetivas;

• superficial: conforma-se com a aparência, com aquilo que se pode comprovar simplesmente estando junto das coisas (“porque o vi”, “porque senti”, “porque disseram”, “porque todo mundo diz”).

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Exemplos:

Senso comumCiência

O Sol é menor do que a Terra, é um pequeno círculo avermelhado que percorre o céu de leste para oeste.

Astronomia: o Sol é muitas vezes maior do que a Terra.

O Sol se move em torno da Terra, que permanece imóvel.

Copérnico: a Terra que se move em torno do sol.

As cores existem em si mesmas: rosas são vermelhas, o céu é azul, as árvores são verdes.

Óptica: cores são ondas luminosas de comprimentos diferentes, obtidas pela refração, reflexão ou decomposição da luz branca.

Gêneros e espécies de animais surgiram como os conhecemos.

A biologia: gêneros e espécies de animais se formaram lentamente, no curso de milhões de anos, a partir de modificações de micro-organismos extremamente simples.

A família é uma realidade natural, pois os humanos sentem a necessidade de viverem juntos - a família existe naturalmente e é a célula primeira da sociedade.

Historiadores e antropólogos: família é uma instituição social recente (século XV), própria da Europa ocidental, não existindo na Antiguidade nem nas sociedades africanas, asiáticas e americanas pré-colombianas.

A raça é uma realidade natural ou biológica, os africanos são negros; asiáticos são amarelos de olhos puxados, índios são vermelhos e europeus, brancos.

Sociólogos e antropólogos: raça é a recente (século XVIII) explicação para as diferenças físicas e culturais entre os europeus e os povos descobertos no século XIV, por Marco Pólo, e no século XV, nas grandes navegações.

Senso comum

Saber imediatoSaber subjetivoSaber heterogêneo

Saber não crítico ligado ao processo de socialização

O saber do senso comum

Saber imediato: nível mais elementar do conhecimento baseado em observações ingênuas da realidade. Está frequentemente ligado à resolução de problemas práticos do quotidiano.

Saber subjetivo: construído com base em experiências subjetivas. É o próprio sujeito que organiza as experiências e os conhecimentos. Por vivência própria ou “por ouvir dizer”, o sujeito exprime sentimentos e opiniões individuais e de grupos, variando de uma pessoa para outra, ou de um grupo para outro, dependendo das condições em que vivemos.

Artista → beleza da árvore

Marceneiro → qualidade da madeira

Sob o Sol → a sombra da madeira Boia-fria → os frutos que devo colher

Saber heterogêneo: resulta de sucessivas acumulações de dados provenientes da experiência, sem qualquer seletividade, coerência ou método. Trata-se de uma forma de saber ligado ao processo de socialização dos indivíduos, sendo muito evidente a influência das tradições e ideias feitas transmitidas de geração em geração. Refere-se a fatos que julgamos diferentes porque os percebemos como diversos entre si.

corpo que cai → pena que flutua

Saber não crítico: conhecimento que não permite generalização.

Certezas cotidianas e senso comum cristalizam-se em preconceitos pelos quais passamos a interpretar toda a realidade que nos cerca e todos os acontecimentos.

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2.4 Tipos de conhecimento: conhecimento científico

A ciência (do latim scientia, conhecimento) é o conjunto de informações sobre a realidade acumuladas pelas várias gerações de investigadores depois de devidamente validadas pelo método científico. A palavra ciência é de origem latina, scientia, que provém de scire, que significa aprender ou conhecer.

A ciência compõe-se de conhecimentos sobre um objeto de estudo, que é expresso por uma linguagem precisa. Suas conclusões são passíveis de verificação e isentas de emoção, possibilitando a reprodução da experiência, podendo o saber ser transmitido e verificado, utilizado e desenvolvido, possibilitando por meio deste o desenvolvimento de novas descobertas.

O conhecimento científico resulta da investigação reflexiva, metódica e sistemática da realidade. Transcende os fatos em si mesmos, procura descobrir as relações que estes possuem entre si, determinar as causas e os respectivos efeitos. O objetivo é construir uma teoria explicativa dos fenômenos, determinando, se possível, as leis gerais que regem a sua produção.

O conhecimento científico é o mais jovem dos conhecimentos citados. É o conhecimento produzido segundo as normas da ciência, que se baseiam em três pressupostos:

1. o desconhecido é passível de ser conhecido;

2. há ordem na natureza; 3. o ser humano é capaz de descobrir essa ordem.

A atitude científica vê problemas e obstáculos; aparências que precisam ser explicadas e, em certos casos, afastadas. A ciência desconfia:

• da veracidade de nossas certezas; • de nossa adesão imediata às coisas;

• da ausência de crítica;

• da falta de curiosidade.

Características do conhecimento científico:

• factual: lida com ocorrências ou fatos, toda a forma de existência que se manifesta;

• contingente: as proposições têm veracidade ou falsidade conhecidas pela experiência e não só pela razão.

• sistemático: é logicamente ordenado, formando um sistema de ideias.

• verificável: as hipóteses precisam ser testadas. Todo o conhecimento científico é falível, isto é, só é válido enquanto não for refutado pela experiência. Nenhuma experiência nos garante que uma dada teoria é verdadeira, mas apenas se a mesma é ou não refutável. Se não o for, podemos admiti-la como verdadeira num dado contexto histórico. Nesse sentido, o conhecimento científico não se assume como absoluto, mas apenas como progressivo;

• as hipóteses científicas carecem não apenas da prova da experiência antes de ser aprovadas, mas de posteriores experiências para testar a sua validade;

• falível: não definitivo, absoluto ou final;

• aproximadamente exato: novas proposições e técnicas podem reformular as teorias existentes.

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O conhecimento científico procura estabelecer propriedades e os padrões interdependentes entre as propriedades, para construir as generalizações ou as leis. É orientado para remover barreiras e resolver ou apresentar soluções para os problemas sociais, econômicos, políticos e científicos.

O conhecimento científico resulta de um trabalho paciente e lento de investigação e de pesquisa racional, aberto a mudanças, não sendo nem um mistério incompreensível nem uma doutrina geral sobre o mundo.

Conhecimento Informação

Dados

Interpretação

Operações lógicas

Etapas do conhecimento científico

Os fatos ou objetos científicos não são dados empíricos espontâneos de nossa experiência cotidiana, mas são construídos pelo trabalho da investigação científica. Este é um conjunto de atividades intelectuais, experimentais e técnicas, realizadas com base em métodos que permitem e garantem:

• separar os elementos subjetivos e objetivos de um fenômeno;

• construir o fenômeno como um objeto do conhecimento, controlável, verificável, interpretável e capaz de ser retificado e corrigido;

• demonstrar e provar os resultados obtidos durante a investigação. A demonstração é feita para verificar a validade dos resultados e para prever racionalmente novos fatos como efeitos dos já estudados;

• relacionar um fato isolado com outros fatos, integrandoo numa explicação racional unificada (fato explicado por uma teoria);

• formular uma teoria geral sobre o conjunto dos fenômenos observados e dos fatos investigados, isto é, formular um conjunto sistemático de conceitos que expliquem e interpretem as causas e os efeitos, as relações de dependência, identidade e diferença entre todos os objetos que constituem o campo investigado.

A ciência distingue-se do senso comum porque este tem uma opinião baseada em hábitos, preconceitos, tradições cristalizadas, enquanto a primeira baseia-se em pesquisas, investigações metódicas e sistemáticas e na exigência de que as teorias sejam internamente coerentes e digam a verdade sobre a realidade.

A ciência é conhecimento que resulta de um trabalho racional construído com base no estudo dos fenômenos pelo método das inferências.

A construção das proposições e dos enunciados está de acordo com um sistema conceitual e teórico e os procedimentos e as operações lógicas da ciência permitem:

• a observação racional e controlada dos fenômenos; • a interpretação e explicação adequada dos fenômenos;

• a verificação dos fenômenos, positivados pela experimentação e observação;

• a fundamentação dos princípios de generalização ou o estabelecimento dos princípios e das leis.

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A ciência apresenta-se, nesta dimensão, como um conjunto de proposições ou enunciados que podem ser organizados de forma hierárquica, dos mais elementares para os mais gerais e vice-versa.

Resumo: os quatro tipos de conhecimento:

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