Fidel - o Tirano Mais Amado do - Humberto Fontova

Fidel - o Tirano Mais Amado do - Humberto Fontova

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Sobre a obra:

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Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível.

Ficha Técnica

Copyright © Humberto Fontova, 2005

Tradução para a língua portuguesa © Texto Editores Ltda., 2012

Título original: Fidel – Hollywood’s Favorite Tyrant

Diretor editorial Pascoal Soto

Coordenação editorial Tainã Bispo Indicação editorial Leandro Narloch

Coordenação de produção Carochinha Editorial

Tradução Rodrigo Simonsen

Preparação de texto Frank de Oliveira

Revisão de provas Daniela Sumyk, Débora Tamayose, Mariana Tomadossi,

Maurício Katayama e Simone Oliveira

Índice Simone Oliveira

Capa Gilmar Fraga Créditos das imagens

Doug Colier/AFP • AP Photo/Glowimages • AFP • Rex Features/Keystone • Timothy L. Flowers/Departamento de Defesa dos EUA • Ann

Johansson/Corbis/Latinstock • RT/AP Photo/Glowimages • AP Photo/Glowimages • AP Photo/Glowimages • Saul Loeb/AFP • TopFoto/Keystone • AKG-Images/Album/Latinstock • Pixtal/Glowimages • Alan Diaz/Reuters/Latinstock • Lucy Nicholson/Reuters/Latinstock

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Fontova, Humberto Fidel : o tirano mais amado do mundo / Humberto Fontova ; tradução Rodrigo Simonsen. – São Paulo : Leya, 2012.

1. Castro, Fidel, 1926- – Opinião pública 2. Comunismo – Cuba – História 3. Cuba – Condições sociais – 1959 4. Cuba – Opinião pública norteamericana 5. Cuba – Política e governo 6. Cubano-americanos – Atitudes 7. Direitos humanos – Cuba – História – Século 20 8. Meios de comunicação – Objetividade – Estados Unidos 9. Opinião pública – Estados Unidos 10. Políticos – Estados Unidos – Atitudes I. Título.

Índices para catálogo sistemático: 1. Castro, Fidel : Ditador cubano : Biografia : História 972.91064092

Todos os direitos desta edição reservados à TEXTO EDITORES LTDA. [Uma editora do grupo Leya]

Rua Desembargador Paulo Passaláqua, 86 01248-010 – Pacaembu – São Paulo – SP w.leya.com

À maior geração cubana: os combatentes da liberdade, vivos e mortos, da Brigada 2.506, da Revolta de Escambray, e todos aqueles que lutaram contra o comunismo; e aos pais que sacrificaram tudo para trazer-nos aos Estados Unidos, especialmente aos meus pais, Humberto e Esther Maria.

Cuba está a apenas 145 quilômetros dos Estados Unidos, mas pouquíssimos americanos sabem que uma tirania comunista que rivaliza com a da Coreia do Norte – e que teve armas nucleares décadas antes daquele país – está logo ao largo da costa da Flórida. A história da Revolução de Fidel Castro é conhecida pessoalmente por todos na Little Havana, em Miami. Mas é desconhecida fora dali – ou ao menos a verdade sobre ela é ignorada. Então, a mídia de esquerda e a Hollywood de esquerda saem com as mais ultrajantes mentiras sobre Cuba e os cubano-americanos. Este livro destina-se a destruir seus mitos com a verdade.

Este também é um livro para expressar gratidão aos milhares que arriscam suas vidas para lutar contra o comunismo em Cuba – e aos Estados Unidos, que nos deram, como exilados, as mais calorosas boas-vindas que alguém jamais recebeu. O processo de se tornar americano não foi fácil para nossos pais, que chegaram sem dinheiro, sem perspectivas e sem saber falar inglês. Eles tiveram de sucumbir a barbarismos, como o abandono da siesta, jantar antes das 2 horas e – Dios mío! – ver as filhas terem encontros sem suas damas de companhia. Mas seus filhos foram poupados dos horrores, das humilhações e dos aviltamentos – os pelotões de fuzilamento e os campos de prisioneiros – da vida a que estão sujeitos os comunistas. Nos Estados Unidos de hoje, esses pais cubanos são contados às centenas de milhares. Vocês podem chamar a mim e a meus contemporâneos cubano-americanos de “geração mais sortuda dos Estados Unidos”; nossa liberdade, prosperidade e felicidade foi resultado dos sacrifícios de duas diferentes (porém sempre consideradas irmãs) gerações que estão entre as melhores do país: nossos pais e os americanos provenientes da geração que participou da Segunda Guerra Mundial, que nos acolheram. Este livro é um modesto jeito de agradecer.

Humberto Fontova Nova Orleans, Louisiana

Na escuridão, antes do amanhecer de 13 de julho de 1994, 74 cubanos desesperados – jovens e velhos, homens e mulheres – embarcaram escondidos em um decrépito mas confiável rebocador no porto de Havana e partiram para os Estados Unidos – e para a liberdade. O nome do barco era 13 de Março, denominação que permanecerá infame para todos os cubano-americanos – e para todos os amantes da liberdade e da decência.

O vento uivava naquela noite feia. Fora do porto, na penumbra, um mar agitado aguardava. Mas essas pessoas desesperadas não podiam se dar ao luxo de cancelar ou adiar a viagem. Planejar a fuga havia levado meses. A polícia infiltrada de Fidel e seus diversos delatores não tinham percebido o plano.

O pesado veículo deixou o porto. Ondas de um metro e meio começaram a espancar o rebocador. Mães, irmãs e tias silenciavam as crianças apavoradas, algumas com apenas um ano de idade. Voltar estava fora de questão.

Com o 13 de Março já tendo avançado alguns quilômetros no mar turbulento,

Maria Garcia, uma mulher de 30 anos, sentiu algo puxando sua manga. Olhou para baixo; era o filho de 10 anos, Juan. “Mamãe, olhe!”, ele apontou para trás deles, na direção da costa. “O que são aquelas luzes?”

“Parece um barco nos seguindo, filho”, ela gaguejou enquanto alisava o cabelo do menino. “Fique calmo, mi hijo. Tente dormir. Quando você acordar, estaremos com seus primos em um país livre. Não se preocupe.”

O pequeno Juan não foi o único a ver as luzes. Outros ficaram em pé na popa do barco apontando e franzindo as sobrancelhas. Logo, mais dois grupos de luzes apareceram. “Mamãe! Tem mais!”, Juan ofegou. “E elas estão chegando mais perto! Olhe!” O garoto continuava puxando a manga da mãe.

“Não se preocupe, filho”, ela gaguejou novamente. Na verdade, Maria suspeitava que as luzes pertencessem à patrulha de Fidel, que vinha interceptá-los. E elas se aproximavam rápido. Logo haviam alcançado o pesado rebocador.

Eram de fato barcos da patrulha de Fidel – barcos de bombeiros, tecnicamente, armados com poderosos canhões. Os fugitivos imaginaram que iriam voltar para Cuba, provavelmente para a cadeia.

Mas, em vez disso, bam! O barco de patrulha mais próximo bateu na traseira do rebocador com sua proa de aço – os passageiros foram derrubados no deque como pinos de boliche. Um acidente, certo? Mar difícil e tudo o mais.

“Ei, cuidado! Temos mulheres e crianças a bordo!” Para demonstrar isso, as mulheres levantaram as crianças, que berravam.

Os castristas acharam que elas seriam bons alvos para seus canhões de água. O jato entrou violentamente no rebocador, varreu o deque e derrubou os fugitivos, jogando alguns contra as anteparas e outros para fora do deque, direto nas ondas.

“Mi hijo! Mi hijo!”, Maria gritava enquanto o jato de água batia nela, arrancando-lhe metade das roupas e tirando de seu alcance o braço de Juan. “Juanito! Juanito!” Ela se movia freneticamente, ainda cega pela torrente. Juan havia rodopiado pelo deque e agora se agarrava em desespero ao corrimão do barco, três metros atrás de Maria, enquanto ondas gigantes molhavam suas pernas. “Dios mío!”

Essas pessoas cresceram em Cuba. Então, diferentemente do New York Times, do

The Nation, da CNN, da CBS, da NBC, da ABC e de boa parte de Hollywood, nunca confundiram Fidel Castro com São Francisco de Assis. Mas, ainda assim, poderia ser verdade que mulheres e seus filhos estivessem sendo deliberadamente usados como alvos?

Os fugitivos se prendiam a mastros, trilhos, braços, pernas, qualquer coisa para evitar cair. Maria e um tripulante conseguiram agarrar Juan e puxaram a criança soluçante para dentro. O canhão ainda varria o deque, enquanto homens jogavam mulheres e crianças na cabine do rebocador. Logo, os dois outros barcos da patrulha estavam lado a lado.

Um dos barcos de aço se virou bruscamente e bateu no rebocador pelo lado. O outro se chocou pela frente. O de trás bateu de novo. O rebocador estava cercado. Os choques não eram acidentais. Os barcos de Fidel estavam obedecendo ordens.

“O que estão fazendo?”, o homem raivoso gritou do barco destruído. “Cobardes!

Temos mulheres e crianças a bordo! Nós vamos voltar, certo?”

Os castristas responderam ao apelo com novas batidas. Dessa vez, o golpe da proa de aço foi seguido pelo som de algo se partindo no rebocador de madeira. Em um segundo, ele começou a se desfazer e a afundar. Gritos abafados vinham de baixo. As mulheres e as crianças que tinham corrido para a cabine em busca de segurança estavam em uma tumba inundada. Com o barco se desfazendo, a água invadia seu entorno. Alguns conseguiram agarrar os filhos e nadar para fora. Mas nem todos.

Logo, a água encheu por inteiro a cabine. “Eu fiquei completamente cega!”, lembra-se Maria. “Estava totalmente embaixo da água, agitada, tentando agarrar qualquer coisa perto de mim, tentando achar Juan. Estava submersa, então meus gritos pareciam os de um pesadelo, como quando você grita de terror, mas não sai nenhum som. Logo, agarrei um braço e senti outros braços e pernas se enrolarem em meu pescoço e em meu peito. Nesse momento, subimos à superfície. Era o pequeno Juan que agarrava meu corpo por trás!”

“Segure firme, mi hijo! Segure firme!”, Maria gritou enquanto tossia água do mar para fora. “Não solte!” Juan estava tossindo e vomitando, mas ainda assim segurava a mãe com força, quase sufocando-a.

Maria encontrava-se no meio de um turbilhão. O marido estava ali também, em algum lugar. Ela abria caminho pela água freneticamente, com suas últimas reservas de força, quando sentiu uma mão forte agarrá-la. Concentrou o olhar através da água e viu mais ou menos dez pessoas se segurando em uma caixa de gelo. Um homem se afastou do grupo e puxou-os exatamente quando uma explosão do canhão de água os acertava. Os três barcos haviam ligado os canhões.

Os barcos de Fidel começaram a circundar o rebocador que afundava – mais rápido, mais rápido, levando os motores a um horrendo rugido e criando um imenso redemoinho no processo. “As pessoas gritavam por todo lugar a minha volta”, relembra Maria. “Uma mulher na caixa de gelo, que teve a filha ainda bebê arrancada dos braços pela explosão, estava chorando, chorando, chorando!”

A mulher histérica largou a caixa de gelo e mergulhou em busca da filha.

Nenhuma das duas retornou das águas turbulentas.

O rugido dos canhões de água, o ruído dos motores criando o redemoinho mortal, todo esse barulho infernal abafava a maior parte dos gritos. Logo, Maria foi arrancada da caixa de gelo por outro golpe de água. “Juanito já não estava segurando com muita força nessa hora”, ela soluçou, “ele estava tossindo muito, tossindo água do mar. Finalmente, senti que ele amoleceu. Então, o jato nos atingiu. Fiquei submersa de novo e voltei gritando: ‘Agarrem Juan! Agarrem meu menino! Por favor!’ Mas estavam todos atrapalhados diante do estouro da arma. Meu filho! Meu filho!”

Mas Juan nunca voltou à superfície. Maria Garcia perdeu o filho, o marido, o irmão, a irmã, dois tios e três primos no massacre marítimo.

Ao final, 43 pessoas se afogaram, 1 delas crianças. Carlos Anaya tinha 3 anos quando se afogou; Yisel Alvarez, 4; Helen Martinez, 6 meses. Felizmente, um cargueiro grego que ia para Havana se deparou com a chacina e correu para ajudar. Apenas nesse momento, um dos barcos de Fidel jogou alguns salva-vidas e cordas e começou a puxar pessoas para bordo.

Trinta e um sobreviventes foram finalmente retirados do mar e levados de volta para Cuba, onde foram todos presos ou colocados em prisão domiciliar. Mas alguns escaparam mais tarde de Cuba em jangadas e chegaram a Miami, por isso temos o testemunho revoltante de Maria Garcia. Ele foi apresentado às Nações Unidas, à Organização dos Estados Americanos e à Anistia Internacional, que expediram “queixas”, “relatórios”, “protestos”, tanto faz.

Nenhum governo poderia perdoar, muito menos ordenar diretamente, uma coisa dessas, certo? Não. Um dos bravos operadores dos canhões de água foi até mesmo condecorado por Fidel em pessoa. Nada era feito pela Guarda Costeira de Fidel sem ordens superiores. Como sempre, havia um método na loucura assassina do Líder Máximo. O time de Clinton – particularmente o conselheiro de segurança nacional Sandy Berger – entrou no gabinete determinado a “melhorar as relações” com Cuba. Fidel sabia dessa posição. Ele também sabia que refugiados cubanos eram um assunto sensível a tratar com Clinton. Em 1980, os criminosos libertados do Porto Mariel (apenas alguns dentre todos os fugitivos) foram despachados para

Fort Chafee, no Arkansas, sob o olhar do governador daquele estado, Bill Clinton. 1

Após terem sido informados de que seriam enviados de volta para a Castrolândia, os marielitos ficaram loucos, revoltaram-se e queimaram metade do acampamento.

Os eleitores do Arkansas ficaram chocados. Quando tentou a reeleição, o governador Clinton, o homem que aceitou os marielitos, foi trucidado.

Alguns dizem que a atrocidade com o rebocador foi a forma de Fidel dizer a

Clinton que não permitiria o êxodo em massa de cubanos enquanto este fosse presidente. “Bill Clinton morre de medo de Fidel”, disse o comentarista político Dick Morris. “Ele olha por cima do ombro esperando jangadas da mesma forma como Fidel está sempre olhando por cima do ombro esperando uma invasão da

Marinha.” 2

De fato, dois meses depois do massacre do rebocador, Fidel fechou um acordo de imigração com a benevolente administração Clinton. O que hoje chamamos de política do “pé molhado/pé seco” entrou em vigor. Se chegar até a costa, você fica, mas não se qualifica automaticamente para asilo político. Nós o interceptamos no mar, e você volta para a Castrolândia.

Em sua defesa, o Serviço de Imigração e Naturalização dos Estados Unidos condenou fortemente o massacre do rebocador. Mas não consigo deixar de pensar que, se Ronald Reagan fosse presidente, teria feito mais do que apontar o dedo para assassinos comunistas.

Qual foi o resultado líquido de todos os protestos contra o massacre feitos pela

Organização das Nações Unidas (ONU) e por outras organizações “multilaterais”? Bem, pouco mais de um ano e meio depois, Fidel recebeu um convite para se dirigir às Nações Unidas como convidado de honra.

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