Inteligencia Multifocal - Augusto Cury

Inteligencia Multifocal - Augusto Cury

(Parte 1 de 7)

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Dr. Augusto Jorge Cury

Análise da Construção dos Pensamentos e da Formação de Pensadores (8a edição, revista e ampliada)

São Paulo

Copyright © 1998 Dr. Augusto Jorge Cury.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação

(CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Cury, Augusto Jorge, 1958-. Inteligência multifocal: análise da construção dos pensamentos e da formação de pensadores/

Augusto Jorge Cury. — 8. ed. rev. — São Paulo : Cultrix, 2006.

Bibliografia.

1. Conhecimento — Teoria 2. Inteligência 3. Memória 4. Pensamento I. Titulo.

Índices para catálogo sistemático: 1. Inteligência multifocal: Psicologia

Direitos reservados

E-mail: pensamento@cultrix.com.br http://vww.pensamento-cultrix.com.br O livro impresso tem 335 páginas.

"Espero que este livro possa tanto expandir o mundo das idéias na Ciência como estimular a formação de pensadores, de engenheiros de idéias, de poetas da existência, de pessoas que consideram a procura da maturidade da inteligência e a conquista da sabedoria como tesouros de inestimável valor."

Há livros que nos inspiram, que nos emocionam, mas que não modificam a nossa história pessoal. Mas há alguns que revolucionam a ciência, estilhaçam os paradigmas intelectuais e modificam para sempre a nossa maneira de pensar o mundo a nós mesmos.

Inteligência Multifocal enquadra-se nesta última categoria. Seu autor, o dr. Augusto Jorge Cury, é um cientista teórico, pensador humanista da Psicologia e da Filosofia, psiquiatra, psicoterapeuta e consultor de universidades para o desenvolvimento da inteligência multifocal. Suasx idéias são originais, profundas, eloqüentes e críticas. Unindo a Psicologia com a Filosofia, ele abre as janelas da nossa inteligência, estimula-nos a desenvolver a arte de pensar e desvenda-nos o complexo funcionamento da mente humana.

Atualmente, as teorias de maior impacto que enfatizam a área do desenvolvimento da inteligência são a de Daniel Goleman, com a Inteligência Emocional, e a teoria das

Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner.

Levando em conta o fato de que todos os processos de construção da inteligência são multifocais, a teoria proposta pelo dr. Cury tem sobre essas duas teorias e sobre todas as outras a vantagem de ser muito mais abrangente, pois envolve toda produção intelectual, histórica, cultural, emocional e social criada na trajetória da existência humana. Inteligência Multifocal traz uma nova, original e revolucionária teoria que, além de ampliar os horizontes da Psicologia, da Filosofia, da Psiquiatria e da Educação, muda nossos paradigmas e estimula a formação do homem como pensador e engenheiro de idéias.

Algumas particularidades que fazem de Inteligência Multifocal um livro instigante:

- O livro traz a primeira teoria ampla sobre o funcionamento da mente humana criada por um cientista brasileiro e uma das poucas produzidas em termos mundiais.

- A primeira teoria científica a afirmar que não apenas o eu faz a leitura da mémoria, mas que há três outros fenômenos nos bastidores inconscientes da mente humana que também lêem a memória e constroem cadeias de pensamentos sem a autorização do eu.

- A primeira teoria a estudar o fluxo vital da energia psíquica, que é o princípio dos princípios que regem o processo de formação da personalidade. Esse princípio incorpora o princípio do prazer, de Freud, do self criador, de Jung, da busca de proteção e segurança, de Erich Fromm, da busca de sentido existencial, de Viktor Frankl, etc.

- A primeira teoria a estudar e defender a tese de que pensar é mais do que uma opção do homo sapiens. Pensar é o seu destino inevitável, evidenciando que é impossível interromper o processo de construção de pensamentos.

- Uma das poucas teorias que não apenas produzem conhecimento psicológico, mas também descrevem os procedimentos utilizados no seu processo de construção, tais como a arte da observação, a análise multifocal, a arte da pergunta, a arte da dúvida, a arte da crítica, a busca do processo de descontaminação itnerpretativa, etc.

- A primeira teoria a descrever duas graves doenças psicossociais da modernidade: a síndrome da exteriorização existencial, caracterizada pela incapacidade interiorizar, repensar, reorganizar, etc., e o mal do logos estéril, caracterizado pela incorporação do conhecimento sem deleite, sem desafio, sem crítica, sem conhecer seu processo de construção, sem compromisso social, etc.

Ao se ler o livro Inteligência Multifocal compreenderemos que, para explicar certas aberrações do comportamento humano, como a violação dos direitos humanos, bem como tantas outras formas de autoritarismo que ocorrem em ambientes que estão acima da auspeição de qualquer tipo de violência — tais como nas universidades, no sistema político, nos consultórios de psicoterapia, nos sistemas de discipulado científico —, é necessário conhecer as origens da inteligência humana, o nascedouro das idéias, os limites e alcance dos pensamentos. Este livro ampliará os horizontes da Psicologia, da Filosofia, da Neurociência e da Educação e faz críticas sérias ao processo educacional, que tem gerado uma crise de formação de pensadores que estenderá por todoo século XXI. Seu autor, o dr. Augusto Jorge Cury, escreveu pacientemente, durante 17 anos, milhares de páginas para delas extrair o texto deste livro. Ele provoca a nossa inteligência e leva-nos a fazer uma das mais ricas viagens intelectuais que alguém possa empreeender: uma viagem para dentro de nós mesmos, para os complexos bastidores da mente humana.

Revela-nos que uma pessoa multifocamente inteligente desenvolve a arte de ouvir, a arte da dúvida, a arte da crítica, a arte de pensar antes de reagir, a arte de expor, e não de impor as idéias, e, além disso, trabalha com maturidade suas dores e perdas, transformando seus problemas em desafios, destilando sabedoria dos seus erros, aprendendo a se colocar no lugar do outro e a perceber suas dores e necessidades psicossociais, além de valorizar a cidadania, o humanismo e a democracia das idéias.

(final da aba)

Ofereço esta obra a todos aqueles que desejam ser caminhantes na trajetória do seu próprio ser, àqueles que, mais do que usar o pensamento, desejam investigar a construção do pensamento e se tornar pensadores humanistas.

Prefácio10

Minha Trajetória de Pesquisa: Princípios da Formação de Pensadores 13

Inteligência Multifocal47
A Memória e os Três Tipos de Pensamentos93

A Metodologia e os Procedimentos Usados na Construção da Teoria da

"Eu"132
O Fenômeno da Autochecagem: O Gatilho da Memória142

Os Três Mordomos da Mente Educando e Formando Silenciosamente o

A Âncora da Memória178
O Gerenciamento do Eu e a Práxis dos Pensamentos189

O Fenômeno do Autofluxo da Energia Psíquica e a Ansiedade Vital 151

Interpretação e o Fenômeno da Psicoadaptação219
A Crise da Psicologia e da Psiquiatria247
Há um Mundo a Ser Descoberto nos Bastidores da Mente275
O Processo de Interpretação e a Evolução Psicossocial309
O Conceito de Cidadania, Humanismo e Democracia das Idéias343
A Reorganização do Caos da Energia Psíquica365

A Comunicação Social Mediada, as Etapas do Processo de

A Inteligência Multifocal: Academia de Formação de Pensadores426
Glossário445
Notas Bibliográficas453

Algumas Aplicações da Teoria da Inteligência Multifocal .................. 399

Há um mundo a ser descoberto nos bastidores da mente humana; um mundo rico, sofisticado e interessante; um mundo além da massificação da cultura, do consumismo, da cotação do dólar, da tecnologia, da moda, do estereótipo da estética. Procurar conhecer este mundo é uma aventura indescritível.

A jornada mais interessante que um homem pode fazer não é a que ele faz quando viaja pelo espaço ou quando navega pela Internet. Não! A viagem mais interessante é a que ele empreende quando se interioriza, caminha pelas avenidas do seu próprio ser e procura as origens da sua inteligência e os fenômenos que realizam o espetáculo da construção de pensamentos e da "usina das emoções". A espécie humana está no topo da inteligência de milhões de espécies na natureza. Imagine como deve ser complexa a atuação dos fenômenos psíquicos responsáveis pela nossa capacidade de amar, de chorar, de sentir medo, de ter esperança, de antecipar situações do futuro, de resgatar experiências passadas. Investigar as origens e os limites da inteligência não é um dever, mas um direito fundamental do homem.

Este livro objetiva conduzir o leitor a caminhar para dentro de si mesmo e expandir o mundo das idéias sobre a mente humana, a construção de pensamentos e a formação de pensadores. Quando realizamos essa jornada intelectual, nunca mais somos os mesmos, pois começamos a repensar e reciclar nossas posturas intelectuais, nossas verdades, nossos paradigmas socioculturais, nossos preconceitos existenciais. Passamos a compreender o homem numa perspectiva humanística: psicológica, filosófica e sociológica. Nossa visão sobre os direitos humanos sofre uma revolução intelectual, pois começamos a compreender e a apreciar a teoria da igualdade a partir da construção da inteligência. Começamos a enxergar que todos os seres humanos possuem a mesma dignidade intelectual, pois mesmo um africano, vivendo em dramática miséria, possui a mesma complexidade nos processos de construção da inteligência que os intelectuais mais brilhantes das universidades.

Somos diferentes? Sim, o material genético apresenta diferenças em cada ser humano; o ambiente social, econômico e cultural também apresenta inúmeras variáveis na história de cada um. Porém, todas essas diferenças estão na ponta do grande iceberg da inteligência. Na imensa base desse iceberg somos mais iguais do que imaginamos. Todos penetramos com indescritível habilidade na memória e resgatamos com extremo acerto, em frações de segundos e em meio a bilhões de opções, as informações que constituirão as cadeias dos pensamentos.

Construir idéias, pensamentos, inferências, sínteses, resgates experiências passadas, são atividades sofisticadíssimas da inteligência. Se não fôssemos seres pensantes não teríamos a "consciência existencial": a consciência de que existimos e de que o mundo existe. Não poderíamos amar, desconfiar, nos alegrar, conferir, ter medo, sonhar, pois tudo o que fizéssemos seria apenas reações instintivas e não frutos da vontade consciente. Ter uma consciência nos faz, embora fisicamente pequenos, distintos de todo o universo. Sem a consciência, que é o fruto mais espetacular da construção de pensamentos, nós e o universo inteiro seríamos a mesma coisa.

Demorei muitos anos para redigir estes textos. Isso ocorreu porque eles não abordam um assunto científico comum, mas desenvolvem uma nova e original teoria sobre o funcionamento da mente humana e o processo de construção da inteligência. Uma teoria é uma fonte de pesquisas. Uma teoria bem elaborada abre as janelas da mente daqueles que a utilizam, expandindo, assim, os horizontes da ciência.

Estamos, agora, numa nova edição. Os textos da primeira edição foram reorganizados e novas idéias foram acrescentadas. Alguns capítulos centrais do livro foram mudados de posição, passando para o início, para que os leitores tomem, logo nos primeiros capítulos, contato com os fenômenos que constituem o cerne da teoria. Encorajo os leitores a utilizarem constantemente o glossário para se familiarizarem com os termos.

Vivemos num mundo onde o pensamento está massificado, o consumismo se tornou uma droga coletiva, a paranóia da estética controla o comportamento, as cotações do dólar e das ações nas bolsas de valores ocupam excessivamente o palco de nossa mente. Um mundo onde as pessoas buscam o prazer imediato, têm pouco interesse em repensar sua maneira de ver a vida e reagir ao mundo e principalmente em investigar os mistérios que norteiam a sua capacidade de pensar.

Espero que este livro provoque uma pausa na vida dos leitores, que os estimule a se interiorizarem. Desejo que ele contribua não apenas para expandir o mundo das idéias na psicologia e na filosofia e se tornar fonte de pesquisa nas ciências, mas também possa funcionar como estimulador da formação de pensadores humanistas, de engenheiros de idéias, de poetas existenciais, de pessoas que consideram a procura da maturidade da inteligência e a conquista da sabedoria existencial tesouros intelectuais de inestimável valor.

CAPÍTULO 1

Uma das mais importantes explorações do homem, se não a maior delas, é a exploração de si mesmo, do seu próprio mundo intrapsíquico. Aprender a se interiorizar; a criar raízes mais profundas dentro de si mesmo; a explorar a história intrapsíquica arquivada na memória; a questionar os paradigmas socioculturais; a trabalhar com maturidade as dores, perdas e frustrações psicossociais; aprender a desenvolver consciência crítica, a conhecer os processos básicos que constroem os pensamentos e que constituem a consciência existencial são direitos fundamentais do homem. Porém, freqüentemente, esses direitos são exercidos com superficialidade na trajetória da vida humana. Um dos principais motivos do aborto desses direitos é que o homem moderno tem vivido uma dramática crise de interiorização. O ser humano, como complexo ser pensante, é um exímio explorador. Ele explora, ainda>que sem a consciência exploratória, até mesmo o meio ambiente intra-uterino, através dos malabarismos fetais e da deglutição do líquido amniótico. E, ao nascer, em toda a sua trajetória existencial, explora o mundo que o envolve, o rico pool de estímulos sensoriais e interpreta-os.

Pelo fato de experimentar, desde sua mais tenra história existencial, os estímulos sensoriais que esquadrinham a arquitetura do mundo extra-psíquico, o homem tem a tendência natural de desenvolver uma trajetória exploratória exteriorizante. Nessa trajetória, ele se torna cada vez mais íntimo do mundo em que está, o extrapsíquico, mas, ao mesmo tempo, torna-se um estranho para si mesmo.

O homem moderno, em detrimento dos avanços da ciência e da tecnicidade, vive a mais angustiante e paradoxal de todas as solidões psicossociais, expressa pelo abandono de si mesmo na trajetória existencial. A pior solidão é aquela em que nós mesmos nos abandonamos, e não aquela em que nos sentimos abandonados pelo mundo. É possível nos abandonarmos na trajetória existencial? Veremos que sim. Quando o homem não se repensa, não se questiona, não se recicla, não se reorganiza, ele abandona a si mesmo, pois não se interioriza, ainda que tenha cultura e múltiplas atividades sociais.

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