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Membros fortes, afastados, aprumados (direitos), bem musculados acima das articulações, de comprimento médio, os posteriores mais altos. Os jovens são muito mais pernudos. Ossatura forte e densa, sem ser grosseira. Quartelas curtas e fortes, quase direitas e cascos fortes e juntos, qualidades que se salientam nesta raça. Devem locomover-se com facilidade e graciosamente.

Esta raça foi criada para a produção de banha e toicinho, sendo notável sua predisposição à engorda, mormente quando alimentada com esta finalidade. Então adquire rapidamente uma espessa camada de toucinho, que entretanto não tem bastante firmeza nem distribuição uniforme. Existiam entretanto, ha muito tempo, linhagens selecionadas para a produção de carne e, muitas vezes, o tipo comum era empregado para este fim, mediante uma alimentação e regime adequados e abate aos 6 meses.

Aptidões e qualidades

Acompanhando a mesma tendência dos criadores de Duroc, passou-se a dar maior atenção à qualidade da carcaça, que acusava excesso de gordura em vários cortes. Assim o "Polland-China" foi se transformando num porco mais enxuto, mais pernudo, de corpo mais comprido e fino e pernis menos desenvolvidos. A manta de toucinho foi reduzida.

É uma raça bastante precoce e das que melhor aproveita o alimento (Ótima conversão).

Comparativamente à Duroc os animais são muito mais mansos, Como pastadores não são nem bons, nem maus, porque não são muito ativos, por cuja razão não é recomendado para criações puramente extensivas, como o é o Duroc.

A prolificidade é inferior à de outras raças americanas, sendo em média de 7,5 leitões por parição, número esse um pouco mais elevado em certas famílias.

Entre nós a raça se mostrou muito sensível à criação em consangüinidade, a qual provoca uma rápida diminuição no número de leitões e mesmo esterilidade. Tem sido esta provavelmente a única causa pela qual não tenha tido maior expansão, pois é popular em toda a América, Só quando numa região houver muitos criadores que possam trocar seus reprodutores para operar um refrescamento de sangue, a raça poderá prosperar.

Nos cruzamentos com as porcas comuns dá mestiços muito bons, sob qualquer ponto de vista que se considere, pois transmite a eles suas excelentes qualidades e não os defeitos.

A variedade "Spotted Polland China", cuja pelagem é branca com malhas pretas, semelhantes às do nosso Piau, vem adquirindo uma reputação crescente. Em sua formação entrou a "Gloucester Old Spot", outro porco pintado inglês. Sua pelagem é considerada preta malhada de branco devendo ter 50% de branco, ou 20% pelo menos. Embora se assemelhe bastante ao Polland- China na conformação e aptidões, é considerada com menor tendência para banha e, portanto mais para carne, é mais prolífica e mais ativa.

A Polland China é uma das raças que podem ser recomendadas para os cruzamentos tríplices, alternativo

Hampshire

Esta raça, antigamente chamada "Thin Rind" (até 1904), diverge hoje bastante de sua fonte original. Formou-se no Kentucky e no Sul de Indiana, derivada de porcos ingleses do Hampshire, introduzidos em 1825.

O iniciador da raça foi o Major Joel Garnett, tornando-se conhecida a partir de 1893, quando se estabeleceu seu registro. Seu melhoramento e expansão são bem mais recentes. Atualmente, existem, na Inglaterra, outras raças muito semelhantes pela pelagem e alguns outros atributos: a "Wessex Saddleback" e a "Essex", além da "Sussex" um pouco menos conhecida. Porcos dessas raças, introduzidos no Brasil, eram freqüentemente chamados "Hampshires ingleses".Nos Estados Unidos é uma das raças mais populares, criada principalmente para produção de carne fresca.

Descrição:

Peso considerado de tamanho médio, 200-300 Kg nos adultos, 60 Kg aos 6 meses, 135 Kg aos 12 e aos 18. O macho pesa 160 e a fêmea 145 Kg. Pelagem preta com uma faixa (cinta branca de 4 a 12 polegadas) abrangendo os membros anteriores. Essa cinta, sendo incompleta, ou ocupando mais de um quarto do comprimento do corpo, é considerada defeito, porém os defeitos maiores que a desqualificam são: pés, ou membros posteriores brancos, branco na barriga, pequenas manchas pretas na cinta branca, pelagem inteiramente preta ou de cor vermelha. O couro é fino e macio. As cerdas são de comprimento médio, finas, lisas, regularmente distribuídas.

A cabeça deveria ser de comprimento médio, porém é freqüentemente um pouco comprida, de largura média, às vezes um pouco estreita. O perfil da fronte e focinho é quase direito (subcôncavo), as bochechas e ganachas leves, secas e finas, sem papada. As orelhas são de comprimento médio, ligeiramente inclinadas para fora e pra a frente, direitas, não devendo ser quebradas ou caídas. Orelhas muito grandes e cabanas constituem defeito grave. Os olhos devem ser vivos, sem pregas em volta.

Pescoço curto e leve, ligando bem a cabeça à paleta.

Corpo bastante comprido, regularmente musculado, não muito espesso, sendo intermediário, como porco de carne. As espáduas são das melhores que existem em porcos, médias em tamanho, bem unidas às regiões subjacentes, em linha com o dorso. O costado é longo e cheio, não muito alto. O dorso e rins são bem musculados, lisos, firmes, de largura média uniforme em todo o seu comprimento e levemente arcados. Um defeito comum nesta raça é um estreitamento das espáduas para a garupa. Os lados constituem dois planos paralelos, (livres de rugas e depressões. Os flancos são bem descidos e o ventre cheio, firme, paralelo ao solo, nas porcas, com mamas bem desenvolvidas. A garupa deve ser longa, da mesma largura do corpo e levemente arredondada, porém é freqüentemente deficiente nestas qualidades.Os pernis devem ser compridos, profundos, firmes, sem gordura excessiva, porém lhes faltam, às vezes, espessura e profundidade.

Cauda média, ligeiramente enrolada.

Membros de médio comprimento, ossatura regular, articulações e cascos fortes, quartelas quase direitas, dispostos em quadrilátero no solo, separados e aprumados.

Aptidões e qualidades

O Hampshire é um porco ativo, vigoroso, vivo, rústico, gracioso, de aspecto atraente, um pouco esbelto. Alguns indivíduos são nervosos. Sua aptidão dominante é a produção de carne fresca (Wiltshireside). Suas carcaças são especiais, devido à grande quantidade de carne limpa, com uma produção mínima de carnes de corte de 2ª categoria. A carne é magra, de grão fino e o revestimento de gordura um pouco mole e um presunto um pouco deficiente, não tão adequado para conserva ("bacon"). Dá, entretanto, poucos desperdícios nos cortes para tal fim.

A prolificidade regula ser de 9 leitões por parição, criando 7,5, pois as porcas são muito cuidadosas e excelentes criadeiras. A precocidade é muito boa, embora não possa competir com outras raças maiores.

Aproveitam bem os alimentos, levando neste ponto vantagem sobre muitas raças. Pastam bem, crescem rapidamente, engordam lentamente. o que constitui uma vantagem para a produção de carne.

Transmite em grande parte suas qualidades aos mestiços. Introduzido no Brasil bem mais recentemente que o Duroc e o Polland, tem prosperado regularmente, o que diz bem de sua adaptação às condições criatórias brasileiras. Pode ser uma das raças escolhidas para cruzamento industriais.

Raças de menor interesse

As raças seguintes são ainda criadas em nosso país em pequena escala. Conquanto possuam boas qualidades, não se espera que venham a desempenhar em futuro próximo algum papel importante em nossa Suinocultura. Por isso sua descrição será bastante reduzida. 7.3.8

Tamvtorth

É uma antiga raça inglesa, grande, de pelagem vermelho dourada, semelhante a do Duroc, contudo difere facilmente deste por causa de suas orelhas grandes, eretas e seu focinho comprido, quase direito. Sua conformação é típica para carne: corpo comprido, profundo, cilíndrico, sobre membros altos e fortes.

Cria-se facilmente, pasta bem e sua criação já foi tentada pelo menos em meia dúzia de Estados.

Large Black

É outra raça antiqüíssima da Inglaterra, originária do tipo Celta. Desde há muitos anos vem sendo esporadicamente introduzida no país, à semelhança do Tamworth. É um porco grande (300 Kg) do tipo de carne, comprido e de membros aparentemente mais curtos que Tamworth. Sua pelagem é preta, uniforme.

A cabeça é larga, de focinho comprido e grosso, com orelhas grandes, grossas e cabanas, caindo sobre os olhos. A conformação do corpo para carne é boa: comprido e igualmente espesso e largo das espáduas à garupa, com bons presuntos. Foi lembrado para melhorar o Canastrão.

Middle-White

Antiga variedade de porte médio da raça Yorkshire, pertencendo tipo bacon, foi introduzida, e ainda é criada em pequena escala no Brasil. Parece um Berkshire branco, nas suas características de conformação.

Sua pelagem é branca, com cerdas finas, abundantes e pele rosada, sem manchas. Cabeça característica, forte, curta e larga, com perfil ultra-côncavo, focinho arrebitado, cabeça larga, orelhas curtas, eretas, com o bordo provido de cerdas finas.

O corpo é largo, profundo e compacto, cilindrocónico, com a linha dorso-lombar quase direita e horizontal. Os membros são curtos, bem separados e aprumados.

Suas qualidades são semelhantes às do Berk na produção de carne, mais gorda do que nos tipos modernos. As qualidades criadeiras, precocidade, adaptação, etc. em nosso país são apenas regulares. Como porco branco, nunca foi muito estimado.

Pietrain

Raça belga, de formação recente, foi introduzida com certo alarde no país. Parece possuir boas qualidades de adaptação, criação e produção, porém não supera as três raças mais importantes (Landrace, Duroc e Wessex) nos cruzamentos para a produção de carne magra.

É um porco grande, comprido, compacto, bem musculado, como trem posterior mais desenvolvido que o anterior (característica do Landrace que deve ter entrado em sua formação), o qual entretanto é bem mais cheio que nas raças de carne, sugerindo aos seus criadores o cognome de "porco de dois presuntos".

Sua pelagem é de fundo claro, malhado de preto (tipo Piau). A cabeça é larga, côncava, com orelhas médias, grossas, dirigidas para a frente, horizontalmente. No conjunto lembra um mestiço Berk x Landrace.

Sua carcaça é inferior à do Landrace e seus mestiços em comprimento, cobertura de toucinho, etc., mas apresenta maior olho do lombo. Tem boa precocidade, eficiência transformadora, prolificidade e qualidades criadeiras.

Raças Brasileiras

No Brasil não existia porco doméstico por ocasião de sua descoberta. Foram os colonizadores, principalmente portugueses e espanhóis, que trouxeram exemplares de suas raças naturais e primitivos, cujos descendentes ainda sobrevivem, segregados, mas sem maior importância, por todo o interior. Pertenciam essas raças aos 3 troncos originais e fundamentais de todas as raças atuais de sumos: Céltico - porco grande e tardio, descendente do javali europeu, Asiático - porcos pequenos, de orelhas curtas e grande propensão à engorda, descendente do indiano e finalmente o Ibérico, intermediário, de hibridação remota dos dois troncos.

O estudo das chamadas "raças" suinas nacionais tem hoje objetivo exclusivamente científico, de interesse no campo da genética e etnografia, principalmente.

Porcos pequenos, por exemplo, como o "Tatuzinho", podem ser interessantes como "animal de laboratório", para estudos de fisiologia, nutrição, veterinária;.etc., porque podem ser criados em pequem espaço e com pouco gasto em alimentação e manejo.

Os representantes mais típicos e puros do tronco Céltico são: o canastrão, o do Ibérico, o

Canastra e o Nilo-Canastra, e o do Asiático, o Tatu e o Caruncho. Todas são raças sóbrias, pouco exigentes, pouco prolificas, tardias, mal conformadas, pouco musculadas, criadas com o objetivo de produzir banha. Como atualmente este tipo deixou de ser econômico e devido à maior procura da carne, alimentos mais escassos, perderam o interesse por parte dos criadores e vão desaparecendo à medida que a civilização penetra para o interior. Não merecem mais que uma descrição sumária.

Algumas raças brasileiras sofreram infusão de sangue das raças aperfeiçoadas estrangeiras, mas diversas 07 não conseguiram sobreviver por muito tempo e as restantes não o conseguirão. É que o porco degenera facilmente quando criado em consangüinidade e, es raças obtidas, mantidas em "rebanho fechado" por limitado número de criadores, não conseguiram contornar o problema.

Aliás fracassos semelhantes ocorrem em outros países da Europa e da América do Norte, de maneira que não há pêlo em confessarmos nossos insucessos. Em trabalhos desta natureza, não se sabe de antemão, quais serão os resultados finais, por melhores que sejam nossos conhecimentos de genética.

Faremos pois uma descrição bastante sumária das raças brasileiras.

Canastrão

Raça natural melhorada, derivada da Bizarra, portuguesa, filia-se ao tipo Céltico, de corpo grande (machos com 220 Kg e fêmeas 200 Kg quando adultos), cabeça grossa, perfil côncavo, fronte deprimida, pregueada, focinho grosso, orelhas grandes e cabanas; pescoço longo, com papada; linha dorso-lombar sinuosa e estreita; membros compridos e fortes.

Pelagem preta ou vermelha, segundo a variedade regional. Pele grossa e pregueada, cerdas fortes e ralas.

O Canastrão é ainda disseminado no sertão mais distante, mas raríssimo na região mais populosa. Muito tardio, é engordado no segundo ano. As fêmeas são prolíficas e boas mães.

Canastra

Raça natural melhorada (?) do tipo Ibérico, supostamente derivada das raças portuguesas

Alentejana e Transtagana. Já foi muito disseminada no Brasil com diversas denominações, principalmente Meia-Perna.

Considerada de porte médio (os adultos pesavam 150 a 160 Kg, mas supomos que este peso se refere a animais gordos). Tem a cabeça pequena e leve, com perfil sub-côncavo, focinho antes curto, bochechas largas e pendentes, às vezes com brincos, orelhas médias e horizontais, oblíquas para frente. Pescoço curto e largo, corpo de proporções médias, um pouco roliço, com a linha superior geralmente um pouco enseada, membros curtos separados, de ossatura fina. Utilizado na produção de banha.

Canastrinho

O Canastrinho é um grupo de animais menores, de tipo Asiático, introduzido do Oriente pelos colonizadores portugueses, do qual resultaram algumas variedades regionais com os nomes de Nilo, Macau, Tatu, Baé, Perna-curta, Carunchinho, etc., cuja conformação é semelhante, porém podem apresentar diferenças de pelagens, orelhas, etc. Derivam de porcos Chineses, Siameses, Conchinchinos, de Macau, etc.

O corpo é pequeno, baixo e compacto, com ventre desenvolvido, membros finos e curtos. Tem pouca musculatura e ossatura.

São bastante sóbrios, mansos, caseiros, podem ser prolíficos ou não, conforme o rebanho.

Especializado na produção de banha, criado, sobretudo por pequenos sitiantes para consumo doméstico.

A pelagem pode ser preta, vermelha, malhada, de pelos abundantes, ralos ou ausentes (pelado), conforme a variedade.

Piau

A palavra Piau, de origem indígena, significa "malhado", "pintado". Para o leigo, todo o porco de fundo brancacento e malhas pretas (ou escuras), redondas ou irregulares, é um Piau. Existem Piaus grandes, médios e pequenos. Alguns ganharam alguma reputação como raça e foram justamente os que resultaram de cruzamentos com raças aperfeiçoadas estrangeiras, como o Goiano, Francano, do Triângulo Mineiro, o Junqueira (só de raças estrangeiras), o de Canchim (São Carlos- SP), o de Piracicaba-SP, o de São José-SP, etc. Chegou-se a estabelecer um padrão para a raça, de autoria de A. Teixeira Viana, para esses grupos mais valiosos e maiores, porém não nos parece que a raça se fixe.

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