Tempestade À Vista - Billy Graham

Tempestade À Vista - Billy Graham

(Parte 1 de 11)

Categoria: Profecias

Título do original em inglês: Storm Warning

© 1992 por Billy Graham © 1993 por Editora Vida

Traduzido por Oswaldo Ramos

Todos os direitos reservados na língua portuguesa por Editora Vida, Deerfield, Florida 33442-8134 — E. U. A.

As citações bíblicas foram extraídas da Edição Contemporânea da Tradução de João Ferreira de Almeida, publicada pela Editora Vida, salvo onde outra fonte for indicada.

Capa: Gustavo A. Camacho Fotografia do autor: Russ Busby

Índice

Prólogo

Primeira parte: NUVENS NEGRAS NO HORIZONTE 1. Ventos de mudanças 2. Sinais dos tempos 3. Cenário que muda

Segunda parte: UM RAIO SOBRE PATMOS 4. Dentro do Apocalipse 5. Nossa única esperança 6. Ao que vencer 7. Diante de Deus

Terceira parte: NO MEIO DA TEMPESTADE 8. Fuga do paraíso 9. Fraude espiritual 10. O mundo material

Quarta parte: NO OLHO DO FURACÃO 1. Portador da guerra 12. Fome na terra 13. Sombra da morte 14. Esperança para o mundo

Quinta parte: NA DIREÇÃO DO SOL QUE VAI RAIAR 15. Uma voz na tempestade 16. A promessa de paz 17. Pós-escrito: nova aurora Bibliografia

Prólogo

A Bíblia é um livro para nossos dias. Quanto mais o mundo se torna incerto e complexo, mais precisamos da verdade de Deus para nossa orientação moral. Os antigos credos da igreja cristã, alguns dos quais datam de quase mil e setecentos anos, estipulam que a Bíblia é "a infalível regra de fé e prática", sendo tão prática hoje, para implantar harmonia e paz na terra, como sempre o foi. Seria trágico destronar as Escrituras, arrancando-a do lugar que ocupa em nossa vida, ou permitir que os princípios do propósito de Deus para os seres humanos deste planeta caíssem em desuso. Precisamos da Palavra de Deus, hoje, mais do que nunca na história.

Não é por mero acaso que a Bíblia hoje se tornou o livro mais popular, o mais valioso, na Rússia, Roménia, Hungria, Tcheco-Es-lováquia, Bulgária, Albânia e Alemanha. O povo privado da sabedoria e da visão proporcionadas pela Bíblia se abate. Assim falou Deus pelo profeta Oséias: "O meu povo é destruído porque lhe falta o conhecimento" (4:6). Sempre que a Palavra de Deus é escondida ou desprezada, é certa a ocorrência de agum tipo de destruição.

Há grandes motivos para otimismo, agora que testemunhamos os acontecimentos que se desenrolam no leste da Europa, na comunidade europeia, na federação russa e no oriente médio. Parece, segundo muitos pontos de vista, que o mundo está experimentando um período de paz e tranquilidade. Entretanto, ninguém deve, por enquanto, agitar a bandeira que anuncia "tudo bem". Ainda há motivos para alarme; tempestades formam-se no horizonte. Estamos sendo assolados por males como o débito crescente, a onda de crimes que se agiganta, as novas formas de ódio racial e étnico, a desintegração dos valores morais, as moléstias sexualmente transmissíveis, a epidemia de AIDS, a destruição da unidade familiar, o abuso desmesurado de drogas e álcool, e os ataques hostis, incessantes, contra a igreja cristã. Seria tudo isso mera coincidência, ou teríamos aí, talvez, os sintomas de algo significativo?

Vivemos hoje o período mais complexo e sofisticado, segundo o registro da história. A ciência, a tecnologia, e novas ideias literalmente têm dado novo formato e novas dimensões ao nosso mundo; um pequenino punhado de nações modernas concentra hoje o poder de determinar o futuro todo de nosso planeta.

Então, que é que aconteceria se tal poder caísse nas mãos de líderes inescrupulosos, destituídos de princípios? Já fomos apanhados por um furacão de incerteza económica, com novos alinhamentos de poder e de mercantilização despontando no horizonte. Os Estados Unidos e alguns organismos internacionais parecem quase impotentes para assegurar uma paz duradoura.

Neste exato momento, a Ásia, a Europa e as Américas forjam fortes alianças económicas regionais. Que novas ameaças poderão surgir, de súbito, se a concorrência, o protecionismo ou o nacionalismo extremado empurrarem o mundo de novo para o campo de batalha? Diante das explosões de violência na Alemanha, Iugoslávia, Rússia, França, Grã- Bretanha e Estados Unidos, pode alguém ter dúvidas quanto ao que deve seguir-se? A morte do comunismo europeu e a derrota de Saddam Hussein deram ao mundo um descanso bastante necessário, mas não podemos per-mitir-nos um sono fácil e tranquilo. Há fortes razões para crermos que as surpresas não cessaram de vez, e que o furacão, na verdade, ainda está por vir.

Este é um livro de advertências, a respeito do Apocalipse, sobre o último jogo, o do fim.

Incluímos um relato dos escritos espantosos e minuciosos de João, o apóstolo, que se encontra no livro de Apocalipse. Trata-se de um registro que nos foi transmitido pelo discípulo sobrevivente de Jesus Cristo, o último dos apóstolos, que trata dos acontecimentos que irrecorrivelmente sobrevirão no fim da presente era. Parte desse material eu o incluí, de forma um tanto diferente, num livro anterior, Aproxima-se o Tropel dos Cavalos, em 1983. Nesta obra atual acrescento uma discussão de Mateus 24:3-37, em que Jesus descreve para seus discípulos os sinais do fim dos tempos. Estas narrativas eu as apresento aqui no contexto de meu próprio ministério, em seis continentes, ministério que já se estende por quase cinquenta anos.

A partir da grande cruzada de Los Angeles, em 1949, quando pela primeira vez nosso ministério ficou sob foco nacional, e passou a estender-se, tenho tido o privilégio de pregar para mais de cem milhões de pessoas, em oitenta e quatro países. Ao longo desses anos, tenho pregado em púlpitos históricos em Moscou, Cracóvia, Praga, Budapeste, Wittemburgo, Berlim, Dresden, Paris, Londres, Bruxelas, Amsterdã e muitos outros lugares que hoje são notícia.

Desde 1954, fui oito vezes à Alemanha, tanto à ocidental como à oriental, em ambos os lados do muro de Berlim, e recebi a honra de pregar no portão de Brandenburgo enquanto o muro estava sendo derrubado. Tenho visitado os lugares onde se fez a História. Tenho visto com meus próprios olhos o papel desempenhado por aquele grupo de homens e mulheres de fé, no desenrolar dos acontecimentos que sacudiram a terra, e tenho ouvido com meus próprios ouvidos seus clamores de liberdade.

Toda e qualquer história sobre os eventos políticos de nossa época é incompleta e sem valor se não incluir uma discussão sobre a Bíblia, o impacto do cristianismo, e o papel da fé na mudança dos corações e mentes das pessoas por todo o mundo. Encontrei-me com esses homens e mulheres — as pessoas que estão mudando o mundo, ao nosso redor — em lugares como a Igreja do Getsêmani, em Berlim, onde se reuniu o Novo Fórum; em Timi-soara, na Roménia, onde se iniciou a dissensão; em Moscou, Kiev, Budapeste, Varsóvia e Leipzig.

São esses os lugares onde as verdadeiras revoluções estão ocorrendo. É que o que acontece no mundo de hoje não é apenas um protesto, mas uma revolução no coração humano — uma grande mudança proposta pelo próprio Deus para uma época como a nossa. É exatamente disso que trata este livro.

De modo algum é fácil pesquisar, indicar referências e redigir um livro com este escopo. Exigem-se as contribuições de muitas pessoas diligentes, e muitas e longas horas de trabalho. Agradeço a todos que constituem parte desta obra, mediante sua participação em nosso ministério, em nossos esforços ao longo desses anos todos. Desejo, ainda, agradecer ao Dr. Jim Black seu grande trabalho de pesquisar e coordenar o manuscrito; a Kip Jordon, a Joey Paul e à equipe da Word; a meus associados, o Dr. John Akers; a Fred e Millie Dienert; a minha secretária, Stephanie Wills; e de modo especial a minha esposa, Ruth — todas essas pessoas envol-veram-se no processo editorial. Acima de tudo, desejo agradecer a você, meu leitor, que partilha minhas experiências. Você detém o futuro em suas mãos. Oro ao meu Deus para que lhe dê sabedoria a fim de que você viva esse futuro de modo sábio.

Billy Graham

Montreat, Carolina do Norte, EUA Julho de 1992

Primeira Parte

1 Ventos de mudanças

Nem a soma de todas as minhas experiências sobre desastres, ao redor do mundo, tanto naturais como os provocados pelo homem, me havia preparado para o que eu vi no sul da Flórida, em setembro de 1992. O furacão Andrew provocou uma devastação cuja faixa media quase quarenta quilómetros de largura, formando um quadro de caos absoluto por toda a extensão que o olho fosse capaz de captar. Nem uma só casa ou edificação havia sido poupada.

O governador da Flórida, Lawton Chiles, me havia pedido que descesse, e me encontrasse com as pessoas nas áreas em que a devastação havia sido pior, de modo especial Homestead, e outras comunidades em que Andrew provocara tanto estrago. No sábado, 5 de setembro, tivemos o privilégio de dirigir um culto com a presença das pessoas que precisavam desesperadamente de consolo e ânimo. Poucos dias antes, essas mesmas pessoas estiveram cuidando de suas atividades rotineiras, sem a menor preocupação quanto ao torvelinho de nuvenzinhas negras que os satélites haviam detetado algures, ao largo da costa da Africa.

De início, era apenas uma depressão tropical típica. Entretanto, começou a crescer em tamanho e força e, devagarinho, deslocou-se para a direção do ocidente, atravessando o oceano. Especialistas em previsão de tempo, no mundo inteiro, notaram o primeiro furacão da temporada, mas bem depressa acrescentaram que ele estava longe demais de tudo, e por isso não devia causar preocupações.

Essa avaliação alterou-se de modo radical após três dias, quando a tempestade aproximou-se das Caraíbas. A cada dia, os técnicos em previsão do tempo lançavam advertências mais aguçadas: advertências às pequenas embarcações, advertências quanto a um temporal, advertências sobre uma tempestade tropical e, finalmente, quando os ventos ultrapassaram a velocidade de quarenta e oito nós, advertências quanto a um furacão.

A primeira aterrissagem de Andrew ocorreu às 23 horas do dia 23 de agosto, um domingo, nas Bahamas. Quatro pessoas morreram na ilha de Eleutéria; os danos materiais foram os mais graves da história dessa ilha. Quatro horas mais tarde, as palmeiras do sul da Flórida começaram a dançar sob a ação das primeiras lufadas de Andrew.

Minha filha Gigi, e seu marido, Stephan, chamaram-nos naquela noite, pelo telefone, da casa onde moram, perto de Fort Lauderdale.

— Estamos alertas em casa, à espera de Andrew — disse-me ela. — Não sabemos com certeza que área ele vai atingir, mas deverá estar por aqui dentro das próximas quatro horas.

Tomaram todas as precauções possíveis, dispostos a enfrentar as vicissitudes em casa.

As palavras de Gigi nos deram, a mim e a Ruth, um novo sentido sobre o drama e premência desse furacão.

Bem mais longe, ao sul, perto da cidade de Flórida, Herman Lucerne preparava-se para enfrentar a tempestade. Era o velho ex-prefeito da cidade de Flórida, agora personagem de renome, adepto da vida ao ar livre e guia de pescaria. A idade de setenta e oito anos, era conhecido por muitas pessoas como o "senhor Pântano", porque sua maior paixão eram aqueles pantanais imensos. Havia morado ali a vida toda. Ao ouvir as advertências quanto ao furacão, pôs-se a tomar as precauções usuais, da mesma forma como fizera incontáveis vezes quando outros furacões atacaram. Havia enfrentado tantos, no passado, que se convencera de que enfrentaria mais um.

Andrew caiu sobre o sul da Flórida por volta das 4 horas da madrugada. Durante aquelas horas intermináveis, mortíferas, o furacão Andrew despejou sua fúria de proporções devastadoras. Pela primeira vez uma tempestade despencou diretamente sobre a sede do Serviço Nacional de Advertência sobre Furacões, de Coral Gables, arrancando a aparelhagem de radar do topo do prédio de seis andares. O anemómetro da sede ficou destruído logo depois de haver registrado ventos de 260 quilómetros por hora, com lufadas que ultrapassavam as escalas. Os ventos que vergastaram o topo da Flórida deixaram trinta e três cadáveres, destruíram mais de sessenta e três mil casas, cortaram a água e a força elétrica de um milhão e trezentas mil pessoas, e geraram danos da ordem de trinta bilhões de dólares. Todavia, o furacão não parou por aí.

Dezenove horas mais tarde, o furacão havia atravessado o golfo do México e atacado a costa da Louisiana, onde voltou a matar, deixando cinquenta mil pessoas desabrigadas e centenas de milhares sem água e sem eletricidade.

Disseram os jornais que esse fora o maior desastre natural que jamais atingira os

Estados Unidos.

Tão cedo Ruth e eu pudemos completar a ligação, estávamos conversando pelo telefone com Gigi e Stephan. Eles nos disseram que ventos de 160 quilómetros horários haviam devastado a vizinhança, derrubando árvores e postes de força elétrica da área. Haviam sobrevivido incólumes, mas asseguraram-nos que nunca mais tentariam enfrentar outro furacão. Haviam aprendido uma boa lição, e davam graças pelo fato de terem outra oportunidade.

A tragédia foi que na cidade da Flórida, Herman Lucerne não teria outra oportunidade.

Ele não conseguiu sobreviver ao furacão Andrew. Lucerne confiou em sua experiência, mas dessa vez suas precauções usuais não foram suficientes.

Vinte e três anos antes, em Pass Christian, no Mississippi, um grupo de pessoas preparava-se para celebrar "a festa do furacão", à face da tempestade a que se deu o nome de Camille. Seriam pessoas que ignoravam os perigos? Teriam tido excesso de confiança? Será que seus egos e seu orgulho influenciaram sua decisão? Jamais saberemos.

O que se sabe com certeza é que o vento soprava com força sobre o luxuoso conjunto de apartamentos Richelieu, quando o chefe de polícia Jerry Peralta apareceu por ali, logo após o escurecer. O conjunto residencial ficava à beira-mar, a menos de 60 metros da praia e, por isso, bem na linha de perigo. Surgiu um cidadão empunhando um copo no balcão do segundo andar, e acenou. Peralta gritou:

— Vocês todos precisam dar o fora daqui o quanto antes! A tempestade está piorando mais e mais! Mas quando outras pessoas chegaram ao balcão, ao lado daquele homem, riram-se da ordem de Peralta para que saíssem dali.

— Esta terra é minha — berrou alguém. — Se você quiser que eu saia, vai ter que prender-me.

Peralta não prendeu ninguém, e tampouco foi capaz de persuadir aquelas pessoas a sair dali. Limitou-se a anotar os nomes dos parentes mais próximos das vinte e tantas pessoas que se haviam reunido naquele apartamento para festejar a tempestade. Todos riam enquanto o policial lhes anotava os nomes. Haviam sido advertidos, mas não manifestaram a intenção de sair.

As 2:15hs a cabeça da tempestade atingiu a praia. Os cientistas mediram a velocidade de Camille, que teria sido superior a 328 quilómetros por hora, a maior já verificada. As gotas de chuva batiam com a força de balas; as ondas longe da costa do Golfo atingiam entre sete e nove metros de altura.

As notícias de jornais mais tarde mostraram que os piores danos ocorreram na área de motéis, bares para encontros amorosos e cassinos de jogatina, conhecida como Pass Christian, no Mississippi, onde cerca de vinte pessoas morreram numa festa dedicada à tempestade, no conjunto residencial Richelieu. O único sobrevivente daquela estrutura de três andares, de que só restaram os alicerces, foi um menino de cinco anos, encontrado agarrado a um colchão, no dia seguinte.

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