tribunal de cristo

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(Parte 2 de 3)

Havia estado no ministério por sete anos, e nele havia tido muitas bênçãos e libertação. Mas nunca tinha ouvido sequer uma mensagem sobre o Tribunal de Cristo, tampouco havia estudado o tema por conta própria.

O que Ed partilhou comigo poderia ser verdade? Eu sabia que a salvação não era adquirida ou afetada por boas obras, mas nossa recompensa e posição no céu seriam. Obviamente, todos os cristãos não teriam a mesma posição no céu.

Enquanto dirigia e chorava, subitamente me lembrei de uma experiência terrível no primeiro ano na universidade. Eu havia alcançado uma média de notas alta o suficiente, depois de meu primeiro semestre, para me permitir o privilégio de faltar o quanto quisesse no segundo semestre.

Sem este privilégio, uma redução de notas automática iria ser iniciada após três ausências não justificadas em qualquer disciplina. Em

O Tribunal de C rjsto minha imaturidade, abusei deste privilégio; particularmente em uma classe bíblica que parecia elementar e básica para mim.

O Horror de Estar Despreparado

Um dia caminhava tranqüilamente para a sala de aula depois de cerca de duas semanas de ausências. Estava pelo menos dez minutos adiantado, mas cada estudante estava em sua cadeira com seu caderno aberto na sua frente. Meu coração quase parou! Fui para meu assento ao lado de um amigo satírico. — O que está acontecendo, Jim? — perguntei desesperadamente.

Ele me olhou com admiração. — Ah, nada especial, Howad. Só a prova final do meio de semestre — só isso.

Meu espanto deveria estar estampado na minha face. — Você só pode estar brincando! — exclamei.

— Ah, não — Jim me provocou. — Fazemos diversas coisas empolgantes por aqui. Você deveria vir mais vezes!

Eu me sentia tolo, despreparado e imaturo. O exame havia sido propriamente anunciado; eu havia simplesmente sido descuidado com minhas responsabilidades.

Desculpas não São Aceitas

Quando me aproximei do professor e implorei por um adiamento pessoal, ele respondeu com severidade:

— Sr. Howard, eu não aprovo a forma como gerencia suas presenças.

Não posso puni-lo por perder as aulas, mas você é, apesar disto, responsável por tudo o que ocorre aqui. Você deve fazer o exame esta manhã com seus colegas ou receber uma reprovação automática neste teste.

Preferi não ver o papel em branco. O enjôo que senti em meu estômago então estava presente agora, muitos anos depois. Ao dirigir-me ao meu apartamento, percebi que uma avaliação muito mais séria estava diante de mim, e eu nada sabia sobre ela também! Estava totalmente despreparado para ela também! Como poderia não ter dado importância? O que eu havia perdido em minha falta de cuidado?

O Juízo não É um Exame Imprevisto

Terror na Presença do Senhorí

Entrei em meu apartamento e iniciei quase quatro dias e noites de estudo sobre o Tribunal de Cristo. E isto levou à noite que eu descrevi no começo deste livro — uma noite de terror na presença do Senhor — mas que mudou minha vida! reio ser necessário recordá-los da intenção por trás da doutrina [do juízo], a saber, que nós deveríamos estar diariamente apreensivos sobre a

vinda do Juiz. Devemos formar nosso comportamento sobre a compreensão de que haveremos de prestar contas ao Juiz que está por vir. Isto é o que o profeta queria dizer quando falou acerca do homem abençoado: Pois tanto quando ele ordena suas palavras com julgamento.

£E3Preparemos o Cenário

Ui vüo há dúvida — a Bíblia é clara — o filho de Deus, vivendo sob a graça, nunca verá a condenação ou julgamento pelo pecado.

O crente permanece diante de Deus no firme alicerce de que a penalidade por todo pecado — passado, presente e futuro — foi levado por Cristo como perfeito Sacrifício e Substituto. Quão maravilhosas são as palavras de Paulo para os crentes colossensses:

E quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircunsição da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz (Cl 2.13,14).

A maioria dos eruditos concorda que este “escrito” era uma declaração publicamente exibida de endividamentos ou obrigação legal. Tal lista de leis quebradas era freqüentemente pregada à porta da cela do prisioneiro como justificação pela sua sentença.

Cristo removeu as nossas acusações e as pregou em sua própria cruz! Ele também pregou a lei mosaica, com todos os seus decretos, em sua cruz, pagando em sua morte pela falha e pecaminosidade do homem.

O Tribunal de C rjsto

A Segurança do Crente

O verdadeiro crente em Jesus Cristo não é só posto além de condenação; ele é colocado “em Cristo”, e aceito na perfeição de Cristo! Ele é amado por Deus assim como Jesus o é.

Salvação e justificação são completas na fé pura. A linguagem original de Colossenses 2.14, no grego diz: “tirou-o [o pecado] do caminho”. Esta é na verdade uma expressão forte que significa colocar algo completamente fora de vista.

O próprio Jesus não deixou nenhuma outra interpretação possível quando disse: “Quem crê nele [o Filho de Deus] não é condenado...” (Jo 3.18). O crente é seguro em Cristo Jesus! Louve a Deus por amor e graça tão abundantes! “Bem”, você diz, “assunto encerrado. Por que então esse discurso sobre terror?”

Jesus como Senhor

Bem simples, na verdade — e perigosamente negligenciado. O fàto é que Jesus Cristo não é somente nosso Salvador — o perfeito e completo Substituto e Sacrifício pelo pecado — Ele é também nosso

Senhor. O credo original da fé cristã é: Jesus Cristo é Senhor! A “fórmula” mais simples e clara para se tornar um cristão é dada desta forma na Bíblia: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”

(Rm 10.9, ARA). A palavra “Senhor” — kyrios no grego original — é em última instância mais uma posição que um nome. “Senhor” é aquele a quem se cede completo controle. Kyrios é relacionado, em português, a “déspota” ou “ditador”.

O Redentor Aguarda Resultados

A clara concepção de salvação, particularmente em sua explicação da redenção, é que nós somos trazidos de volta, ou libertos, de forma a sermos usados. Somos levados de volta a um estado de valor e frutificação. O Redentor aguarda resultados, pois Ele não é só nosso Salvador; Ele é o nosso Senhor.

Preparemos o Cenário

O Dr. C. S. Lovett escreve: “Ele dá a cada cristão um trabalho. Aqueles que ignoram suas ordens se sentirão horríveis quando Ele aparecer”.

O apóstolo João alertou: “E agora, filhinhos, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele na sua vinda” (1 Jo 2.28).

Servos Infiéis e sem Frutos

Esta é uma clara referência à segunda vinda de Cristo. A língua original fala de um escravo que tem uma consciência aberta e boa diante de seu senhor, em comparação com a humilhação, terror e vergonha experimentados pelo servo infiel.

No Evangelho de João, Jesus nos diz: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto...” (Jo 15.5 ARA). Quando Cristo aparecer como Senhor, muitos servos “se afastarão dele em vergonha”, pois têm sido servos infiéis. Eles são, em outras palavras, infrutíferos.

O Aviso de Paulo aos Servos

Paulo dirige os tópicos gerais da submissão e relacionamentos cristãos em duas passagens paralelas: Colossenses 3 e Efésios 6. Ele fala acerca das famílias, do governo e do emprego. E dirige estas palavras especificamente aos servos em Efésios 6:

Vós, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade como ao Senhor e não como aos homens, sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre. E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e o vosso está no céu e que para■ com ele não há acepção de pessoas (Ef 6.5-9).

E aos colossenses Paulo escreve estas palavras, adicionando uma importante frase ao que ele escreveu aos efésios.

Vós, servos, obedecei em tudo a vosso senhor segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em

O Tribunal de C risto simplicidade de coração, temendo a Deus. E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens, sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o

Senhor, servis. Mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer, pois não há acepção de pessoas. Vós, senhores, fazei o que for de justiça e equidade a vossos servos, sabendo que também tendes um Senhor nos céus (Cl 3.2—4.1).

Boas e Más Notícias

Note particularmente que os assuntos tratados nestas passagens são motivo, recompensa, serviço a Cristo e compensação. Eles são expressos na idéia de que “recebereis o que tivéreis feito”. São boas e más notícias para qualquer servo ou crente.

Quando os crentes estiverem diante do Tribunal de Cristo em sua vinda, eles serão julgados de acordo com suas obras; de acordo com a frutificação de suas vidas. Este juízo não será de forma alguma sobre se eles são salvos ou perdidos.

O Tribunal de Cristo determina a recompensa ou perda de recompensa para o serviço de cada crente. Aqueles diante do Tribunal de Cristo não serão apenas salvos e seguros; eles já estarão no céu!

Graça e Obras

Eles certamente não estarão lá em razão de seus méritos ou obras, porém sobre o mais seguro fundamento da graça divina, que se fez possível através do sacrifício de Jesus Cristo.

A graça é gratuita, mas as obras não são — e a graça gratuita não custa pouco. Nós somos renascidos para termos um propósito e para sermos úteis. Deus espera certas coisas de você depois que se torna um cristão. Em outras palavras, sua vida cristã toma um rumo! Somos “criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10).

O Tribunal

“Tribunal” na expressão “o Tribunal de Cristo” é a palavra grega bema, ou bematos, que se refere a uma plataforma elevada de arbitragem e recompensa. Este termo é usado dez vezes no Novo Testamento.

Preparemos o Cenário

O bema nunca é uma banca prejudicial; ao invés disso, é um local de inspeção, discurso e performance. Como a plataforma de um concurso de beleza, é um local onde a vida e as obras do crente são examinadas.

Entendendo a Justiça de Deus

Aqui, os vencedores são recompensados, e os servos infiéis perderão a recompensa. Entender o Tribunal de Cristo é entender a justiça de Deus. Um jovem estudante me escreveu:

Quando comecei a pesquisar sobre o Tribunal, compreendi uma realidade da justiça de Deus. Eu nunca tinha visto aquilo antes. Havia horas em que eu sentia a seriedade e o peso do meu espírito ao entender o que estava preparado para o cristão. Havia horas em que eu sentia isso com tal força que eu perdia o fôlego, pois estava com frio na barriga — como quando se está tão tenso e nervoso que é difícil respirar!

Não é de se espantar que Paulo escreveu acerca do julgamento:

“Assim que, sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens...” (2 Co 5.1).

foi dito por Coleridge que nossa maior missão é resgatar verdades admitidas pela negligência causada por sua admissão universal.

W O Local Hea Questão

“cr/» aça o exame”, meu instrutor havia firmemente admoestado, “ou aceite uma reprovação automática”. Aquelas palavras me lembram palavras surpreendentemente similares encontradas na Bíblia:

Mas tu, por qúe julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo. Porque está escrito: Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a Deus. De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus (Rm 14.10-12).

Esta é uma das dez passagens do Novo Testamento onde a palavra bema é usada; é um dos dois locais específicos nas Escrituras onde o termo “Tribunal de Cristo” é usado.

Exclusão e Inclusão

Observe que o apóstolo Paulo usa o pronome pessoal de linguagem familiar: “nós”. Somente cristãos são mencionados desta forma. Isto significa duas coisas: uma exclusão (de pecadores) e uma importante inclusão (de crentes).

havia dito: "somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos

O verbo “dará”, no futuro, denota certeza divina. Antes, Paulo condenados com o mundo” (1 Co 1.32).

O Tribunal de C risto

Vale a pena também destacar a palavra “todos”. Não há exceções!

Cada crente — incluindo o apóstolo, os cristãos romanos a quem ele escreveu, e todos os da família da fé, incluindo a mim e a você — estarão lá: “todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo”. Como o Dr. L. Sale-Harrison escreveu muitos anos atrás em um livro sobre este assunto: “O que quer que este tribunal seja, todos haveremos de estar diante dele. A Bíblia não admite questionamentos sobre este ponto”.

Nossa Esperança Futura

A outra referência específica a este juízo está em 2 Coríntios 5.

Este é um capítulo fenomenal sobre esperança futura e propósito do crente, especialmente em relação à ressurreição do seu corpo.

um novo corpo, “casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (v. 1).

Neste contexto, o apóstolo compara a realidade dos sofrimentos presentes ao vindouro “peso da glória”. Ele fàla de um momento em que receberemos

E pela fé que caminhamos, ele diz, confiantes de que estar ausente do corpo é estar presente com o Senhor (v. 8).

"Conhecendo o Temor"

Pelo que muito desejamos também ser-lhe agradáveis, quer presentes, quer ausentes. Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal. Assim que, sabendo o temor que seve ao Senhor, persuadimos os homens àfé, mas somos manifestos a Deus; e espero que, na vossa consciência, sejamos também manifestos (2 Co 5.9-1).

Nesta passagem, vemos que Paulo novamente usa a palavra “nós”, dirigindo-a aos cristãos. E interessante que tais pronomes pessoais ocorram mais de trinta vezes neste capítulo relativamente curto.

Note também as palavras “importa que” e “todos” nesta passagem.

No versículo 10, Paulo escreve: “Porque todos devemos comparecer”, e em Romanos 14.10 ele diz: “todos havemos de comparecer”.

Revelado pelo Fogo

“Comparecer” é uma tradução da palavra grega phonero, que significa “ser claramente visto, ser explicitamente manifesto ou discernido”. Esta

O Local e a Questão mesma palavra é usada em 1 Coríntios 3.13, uma passagem importante que examinaremos em detalhes adiante. A passagem adverte que “a obra de cada um se manifestará; na verdade, o Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta...” Pode-se ver, assim, que ambos, o crente e suas obras, obviamente, serão revelados no Tribunal de Cristo.

Note também o contraste entre 2 Coríntios 5.10 (“cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”) e Romanos 14.2 (“cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus”). Embora estas frases sejam similares, elas revelam diferentes atividades que ocorrerão neste momento de revisão antes do Tribunal.

Privilégio e Mandato

Pode ser dito que o uso do verbo “receber” no subjuntivo (receba), na passagem de 2 Coríntios, sugere que este juízo é tanto um privilégio quanto um mandato. O Tribunal de Cristo será uma hora de clarificação e explicação.

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