tribunal de cristo

tribunal de cristo

(Parte 3 de 3)

Jesus contrastou “o juiz injusto” com a esperança do crente de que um juiz justo ouça o seu caso antes do Tribunal do Senhor. “Também através dos teus juízos, Senhor, te esperamos”, declara Isaías 26.8

(Versão Almeida Revista e Atualizada). Andrew Murray escreve em “O Juiz de Graça”, de Mensagens

Diárias para um Mês:

O julgamento prepara o caminho, e escapa em maravilhosa misericórdia.

Está escrito: “Tu serás redimido com julgamento”. Espere em Deus, na fé de que sua delicada misericórdia está pondo em ação sua redenção em meio ao julgamento. Espere nEle, Ele agirá com graça por você.

A Palavra mais Forte para Medo

Note a afirmação conclusiva do apóstolo em 2 Coríntios 5.1:

“Assim que, sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens”.

Aqui está a palavra grega mais forte usada para “medo”: phobia.

Certo escritor comentou: “Este é o medo causado pelo pensamento de estar diante do tribunal de Cristo e ter toda a vida exposta e avaliada”.

O Tribunal de C risto

Lembre-se das palavras de João: “Filhinhos, agora, pois, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda” (1 Jo 2.28, ARA). Alguns tradutores sugerem que em lugar de “nos afastemos envergonhados na sua vinda”, uma frase mais forte, “encolhidos em pavor dele na sua vinda”, deveria ser usada.

O Tribunal de Cristo não será um chazinho ou um piquenique da Escola Dominical; ao invés disso, será um momento conhecido por seu temor. Conhecendo este vindouro temor, cada mestre sincero tenta convencer seus irmãos disto, assim como Paulo convenceu a Igreja Primitiva e como Ed me convenceu.

“Algum dia temerei meu Salvador?”, você pergunta. “O amor perfeito não lança fora o medo? Jesus é meu amoroso Amigo, e Deus é meu Pai. Não posso me imaginar diante dEles em uma atitude de temor”.

Estou convencido de que a resposta para esta confiança cristã genuinamente sentida encontra-se nos papéis que concedemos a Cristo. Escolhemos conhecer nosso Cristo apenas como Intercessor, Redentor e Amigo dos pecadores. Mas Ele é também Senhor e Mestre, Soberano sobre toda a natureza e vindouro Rei e Juiz!

Conhecendo apenas um Lado do Pai

Imagine um jovem crescendo em uma bela casa de classe média alta, onde seu pai não apenas provê adequadamente tudo o que ele precisa, mas é seu amigo. Eles jogam golfe e velejam juntos, acampam e freqüentemente mantêm conversas longas, íntimas e pessoais. E o relacionamento mais feliz possível entre pai e filho.

Em um triste dia, este filho, tendo sido influenciado por más companhias, junta-se a eles ao cometerem um crime. Eles são presos pela polícia, e logo encontram-se diante do tribunal de justiça.

Um funcionário anuncia o número da corte e o nome do juiz.

Todos na sala de audiência se colocam de pé em respeito enquanto a figura vestida de preto entra no ambiente.

Os três jovens acusados ficam diante da banca tomados de medo e apreensão. O jovem filho conhece a figura física do homem muito bem, mas nunca o tinha visto daquela forma antes; nunca o tinha

O Local e a Questão conhecido nesta função. É na verdade seu pai, mas agora também é um juiz!

Outro Retrato de Cristo

Apocalipse 1.13-16 (Versão Almeida Revista e Atualizada) nos mostra um retrato de Cristo que muitos cristãos nunca consideraram:

[...] com vestes talares e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva e lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas.

Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força.

Dificilmente esta é uma imagem de Jesus típica de Escola Dominical!

A propósito, “vestes talares” é a palavra grega poderes, mais freqüentemente usada para a toga do juiz ou juiz-sacerdote.

Não é de se surpreender que a reação do apóstolo João a esta visão foi cair a seus pés como morto! Jesus Cristo é Senhor. É com Ele que nos veremos. AquEle que nos redimiu e nos amou também nos examina e cada mudança em sua vida, mantenha o fim em vista; lembre-se que você haverá de estar diante de um severo Juiz, que conhece todas as coisas, que não pode ser comprado com presente ou convencido por desculpas, que lhe dará o que merece. Que tipo de defesa você fará diante d’aquEle que conhece as piores coisas que podem ser ditas contra você — pobre, tolo pecador, tão freqüentemente aterrorizado quando se encontra com a desaprovação humana! E estranho que você esteja tão pouco ansioso pelo Dia do

Juízo, quando não haverá conselho para defendê-lo, pois a todos será difícil manter-se! Agora é tempo de trabalhar, enquanto há colheita para ser ceifada, agora é a hora quando lágrimas e suspiros e lamentações suas serão levadas em conta, e ouvidas, e quando você pode satisfazer àquilo que deve.

A Visão

/u vi os redimidos de todas as eras, e eram como o ondear das espigas num campo de trigo do Kansas. Minha formação espiritual sempre se deu em pequenos grupos cristãos. O cristianismo sempre foi para mim uma experiência de minorias. Eu não tinha preparação para as infindáveis multidões de crentes vestidos de branco. Lembrei-me de um momento em que estava no convés de um velho navio de cruzeiro, o Queen Mary, no meio do Atlântico. A imensidão do oceano à minha volta era como a infinidade da Igreja reunida que eu via nesse momento. Todos os cristãos de todas as eras estavam lá.

Sons de Soluço e Regozijo

O que veio em seguida não foi uma cena, mas um som. Eu ouvi dois ruídos contrastantes e em conflito. Um parecia ser o som de choro. Era o soluço gutural pela perda da vida que eu havia mentalmente guardado há muito tempo como um som típico dos condenados. Porém eu sabia instintivamente que não havia condenados ali. Estes eram os redimidos reunidos, e ninguém seria condenado daquele momento em diante.

O Tribunal de C risto

Em contraste, havia o som de regozijo, como se diversas igrejas festejantes fossem reunidas em uma, ou o encontro de uma multidão de corais cantando o grande “Coro Aleluia”. Que libertação! Que louvor!

E por infinita comparação, que contraste: o som mais profundo de choro incontrolável e a irrestrita alegria do louvor livre.

Os sons conflitavam entre si como grandes címbalos opostos:

choro e alegria — louvor e dor — sucesso e fracasso — perda e recompensa.

Por alguma razão, meus olhos foram direcionados a um grupo de cristãos à minha direita. Havia alguém entre eles que eu sabia ser Cristo. Estando distante, somente senti sua identidade, pois a visão não era clara.

A Tocha Está em sua Mão

Pude ver, entretanto, que Ele carregava uma tocha de fogo em sua mão. Não era uma tocha diferente daquela carregada por atletas nas Olimpíadas. Ele parecia estar falando brevemente com cada cristão.

Depois da conversa, com a tocha Ele ateou fogo em montes de palha e grama junto aos pés de cada crente. Havia um incêndio e depois uma reação.

Palha? Meus olhos imediatamente voltaram-se para meus próprios pés. Eu conhecia o significado daquele símbolo: aquilo que era dissolúvel — o que podia ser queimado — o que fora contado em falta.

Meus maiores medos se tornaram reais. A meus pés estava uma pilha de lenha, grama e feno, como a que se junta após se podar e varrer um gramado.

Eu senti suor nas palmas de minhas mãos, e lembro-me de clamar, mais para mim mesmo do que para alguém por perto: “Oh Deus, isto é tudo o que eu tenho a apresentar depois de sete anos de ministério? Minhas motivações e obras têm sido tão impuras?”

Imediatamente, no espírito, ouvi estas palavras: “Filho, olhe em volta de você”.

Rapidamente me apercebi de que cada crente que eu podia ver tinha uma pilha parecida a seus pés. Na verdade, algumas eram menores ou outras maiores do que a que eu tinha a meus pés, mas não vi ninguém sem tal pilha.

Claramente ouvi o Espírito dizer: “Somente, filho, quando todo o lixo for queimado será revelado o que resta. Espere pelo fogo”.

A Visão

A partir daquele momento, me senti livre para libertar meus pensamentos daquela pilha medonha de obras inúteis a meus pés. Eu estava em um pequeno e familiar grupo de pessoas que eu conhecia. Meu pai, um ministro do Evangelho até a sua morte por volta dos oitenta anos, estava entre elas.

Minha Mentora Espiritual

Minha atenção no círculo primeiramente foi atraída por uma fisionomia muito conhecida por mim. Era a pequena mulher inglesa que, com seu marido, dera tanto apoio à pequena congregação evangélica em Sharon, Pensilvânia, onde fui criado.

Ela e seu marido haviam sempre sentado na primeira fileira em cada culto. Por muitos anos ela havia conduzido a congregação em um culto missionário realizado mensalmente, que influenciou grandemente minha vida. Ademais, ela havia sido minha professora de Escola Dominical quando era pequeno.

Meu nascimento ocorrera tarde na vida de meus pais, assim meus avós naturais eram todos falecidos. Então a Sra. Shipton havia sempre sido a “vovó Shipton” para mim. Existia um vínculo emocional fora do comum entre nossas vidas.

Quando me tornei um adolescente difícil e rebelde, e me desviava das prioridades espirituais, ela se achegava a mim, colocando sua pequena mão sobre meu ombro, dizendo: “Ricky, meu filho, estou orando por você. Deus tem um grande propósito para a sua vida”. Eu polidamente tirava sua mão de meu ombro e distraidamente dizia: “Não ore por mim, vovó Shipton!” Naquele momento, eu não queria mais dizer aquilo. Sabia que Deus ouvira suas orações, e isso era a última coisa que eu queria!

Aquela devota senhora, cujo objetivo era o céu, e cujo amor por Jesus era transparente como sua própria vida, era consistentemente fiel à intercessão e ao propósito.

Minha Rebelião Acaba

Em certa noite de domingo, durante meus anos de rebelião, estava sentado em meu lugar costumeiro na igreja, o banco de trás, com alguns outros adolescentes. Havíamos trocado bilhetes e figuras durante o sermão de meu pai. Quando fiquei de pé ao apelo feito pelo pastor, de cabeça curvada e olhos fechados, minhas mãos agarradas à parte de trás do banco à minha frente, eu instintivamente soube que vovó Shipton estava vindo à minha busca.

Não ouvi passos, pois ela era bem leve. E nunca tinha visto ela aproximar-se de alguém daquela forma antes ou depois do que ocorreu. Mas eu sabia que ela estava vindo, e logo senti sua mão sobre meu ombro. Depois não houve um pedido, e sim uma ordem — uma ordem apoiada pór quatorze anos de oração.

“Filho”, ela disse, “é a hora”. Chorei como uma criancinha enquanto ela me guiava ao altar e a um lugar de arrependimento e completa entrega ao senhorio de Jesus Cristo.

"Muito Bem, Servo Bom e Fiel"

“Lily Shipton!” A voz, como a voz de muitas águas, sobressaltou-me em minha compenetração.

Jesus estava diante de minha mentora. Não me lembro de ter ouvido alguma vez seu primeiro nome; certamente não que eu me lembrasse. Ela era sempre “vovó Shipton” para mim.

Vi-o pondo fogo à pilha de grama e palha aos pés dela, que queimou instantaneamente, como um lampejo de luz. Porém, meus olhos podiam ver somente uma divina pilha de peças de ouro e prata, tão preciosas como jóias espalhadas a seus pés.

Vi-a recurvar-se para ajuntar as preciosidades. Tomando-as em suas mãos, ela as derramou aos pés de Jesus, e então a ouvi começar a louvar ao Senhor. Como eu me lembro daquele espírito de louvor: “Eu te amo, Jesus! Eu te amo, Jesus!”, ela clamava.

Enquanto a ouvia rejubilando-se, fui lembrado pelo Senhor da última vez que a tinha visto na terra.

Uma Palavra da Eternidade

Havia retornado para a casa dos meus pais, para as férias de Natal.

Meu ministério me havia feito morar em uma região distante da Pensilvânia, e mal havia mantido contato com a velha igreja-mãe.

O Tribunal de C risto

A Visão

Vovó Shipton estava agora com cerca de noventa anos, e estava parcialmente cega. No último ano, ela já dava sinais de estar senil, meu pai me informara, e freqüentemente acontecia de não conseguir lembrar- se dele ou reconhecê-lo quando ele a visitava, apesar de ter sido seu pastor por quase trinta anos.

Durante minhas férias, papai havia dito: “Filho, acho que você deveria vir comigo hoje para visitar vovó Shipton. Provavelmente será a última vez que você a verá viva”.

Eu relutantemente havia o acompanhado. Não via propósitos em vê-la naquele estado, mas qualquer chance de ficar um tempo com meu pai era sempre um privilégio.

Chegamos ao simples sobrado. A filha de vovó, Ione, nos recepcionou à porta. A cada manhã ela vestia sua mãe, sentava-a em sua escura sala de estar sobre sua cadeira de balanço preferida, com seu xale sobre seus ombros, e a velha e gasta Bíblia em seu colo.

Ione me lembrou de que agora Vovó raramente reconhecia até mesmo os membros mais próximos da família, mas me agradecia por ter vindo.

Enquanto meu pai e Ione conversavam na entrada, comecei a entrar na sala de estar. Subitamente ouvi sua voz. Vovó Shipton estava falando! Por causa da sua condição, seu falar soava como palavras da eternidade. “Ricky, meu filho, é você? Ricky, eu oro por você todos os dias.

Deus tem uma grande obra para você realizar”.

Estava sobressaltado. Estava ouvindo coisas? Não, meu pai e Ione estavam atrás de mim, com choque estampado em suas faces. Eles também a tinham ouvido! Ela não falou outra palavra na hora que se seguiu. Sua conversa era frágil e fragmentada, intrincada e desconexa. Deus havia permitido a seu espírito um momento fmal de lucidez. Ela era irrevogavelmente ligada àquele pequeno garoto por visão e através da oração. Que palavras foram aquelas para mim naquele momento e até o presente dia!

“Ricky, meu filho, eu oro por você todos os dias. Deus tem uma grande obra para você realizar”.

ossa dificuldade no tribunal de Cristo não serão os passaportes, mas a bagagem. É assim que geralmente acontece quando se viaja.

O que Está B aos nossos Pés? sTjuando meu amigo Ed me alertou sobre o Tribunal de Cristo, fui dirigido pela consciência para meu apartamento para iniciar quatro dias de leitura e pesquisa.

Uma passagem da Bíblia em particular se tornou dominante em meu pensamento. Suponho que tenha lido 1 Coríntios 3 pelo menos quatro vezes entre segunda e quinta-feira! Esta passagem, creio eu, confere poder e dramaticidade ao ensinamento bíblico sobre o Tribunal de Cristo. O seu contexto é indubitavelmente coletivo, isto é, refere-se à Igreja em Corinto, e é especificamente direcionado aos cooperadores cristãos que ajudaram a lançar o fundamento e a construir a comunidade cristã em Corinto.

A Responsabilidade Individual

Mas também se pode encontrar em todos os lugares na passagem a responsabilidade do indivíduo. Pode dizer-se que Paulo está se dirigindo aos ministros cristãos — seus cooperadores — no tema geral da apresentação de cada crente ao Tribunal de Cristo. ,

A carnalidade e imaturidade dos crentes coríntios provê um plano de fundo para este ensinamento. O sinal de sua imaturidade era sua divisão acerca de diferentes ensinamentos sobre a dieta.

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