Agradando a Deus na nossa adoração

Agradando a Deus na nossa adoração

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Agradando a Deus em Nossa Adoração © Editora os Puritanos

1ª Edição em Português – 2012 – Edição eletrônica Esta publicação eletrônica pertence ao Projeto Os Puritanos e poderá ser baixada no site issuu para uso exclusivamente pessoal. Sua reprodução para fins comerciais é proibida.

EDIÇÃO EM PORTUGUÊS Manoel S. Canuto TRADUÇÃO Felipe Sabino EDIÇÃO GRÁFICA DIGITAL Heraldo Almeida

Godfrey, Robert. 2012 Agradando a Deus em Nossa Adoração/Dr. Robert Godfrey Recife, PE: Ed. Os Puritanos, 2012 38 p.: 14 x 21 cm

1. Adoração. 2. Culto. 3. Serviço. 4. Louvor

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1º — Guerras da Adoração5
2º — A Necessidade da Verdadeira Adoração7
3º — O Caráter da Adoração1
4º — A Adoração e a Palavra19
5º — Liderança na Adoração24
6º — Música e Adoração28
7º — Entretenimento, Evangelismo e Adoração32

Sumário 8º — Adorando com o Coração ...........................................34

Você pode já ter ouvido a história de dois homens debatendo assuntos de adoração. Eles tinham idéias totalmente diferentes sobre o assunto e eram incapazes de persuadir um ao outro. No final da discussão frustrante, um dos homens disse ao outro: “Bem, você adora a Deus do seu jeito, e eu O adorarei do jeito DELE”.

Você pode rir deste comentário, mas precisamos lembrar de quão variadas são as formas de adoração que as igrejas têm praticado e quão veementes debates sobre adoração têm existido. O debate sobre o uso de imagens no século XVIII e XIX levou à violência na igreja Oriental. Diferenças sobre adoração no século XVI faziam parte do que dividia o Cristianismo Protestante do Católico Romano, uma divisão que continua em nossos dias.

Entre os protestantes contemporâneos encontramos diferenças significativas na adoração. Algumas formas de adoração são cheias de cerimônias e rituais formais, enquanto outras são muito casuais e informais. Algumas são barulhentas e turbulentas, enquanto outras são quietas e contemplativas. Algumas acontecem em belas catedrais, enquanto outras em armazéns ou campos. No meio de tal diversidade, os cristãos, algumas vezes, perguntam se a adoração é simplesmente uma questão de gosto. Todas as formas de adoração agradam igualmente a Deus, desde que os adoradores sejam sinceros? Ou algumas formas de adoração são aceitáveis e outras não?

1º Guerras da Adoração

Dr. Robert Godfrey

A questão do que agrada a Deus na adoração chega com urgência especial em nossos dias, visto que nas últimas poucas décadas os protestantes americanos têm visto muitas mudanças nas formas de adoração, do que em qualquer período similar desde o século XVI. O resultado é que algumas congregações e denominações têm experimentado sérios conflitos sobre adoração. Igrejas têm se dividido e indivíduos têm se mudado de congregação para congregação, tudo por causa de visões diferentes de adoração.

Algumas das diferenças sobre adoração parecem mais superficiais, embora elas possam gerar debates esquentados.

• Devemos usar um livro de cânticos ou um projetor no alto? • Devemos nos sentar em bancos ou em cadeiras dobráveis?

• Diferenças mais sérias têm levado ao que alguns têm chamado de “guerras da adoração” dos nossos dias. • Que estilo de música devemos usar?

• Que tipo de instrumentos devemos tocar?

• Como devemos orar?

• Que tipo de pregação é apropriada?

Frequentemente estas diferenças residem na questão de que se os cultos devem ser orientados para o visitante não-membro da igreja ou para o membro fiel da igreja.

As diferenças sobre adoração podem também refletir teologias e metodologias totalmente diferentes na comunidade cristã. Por esta razão, a Aliança de Evangélicos Confessionais referiu-se ao assunto de adoração em sua Declaração de Cambridge. A Declaração declarou como sua preocupação básica o seguinte: “As igrejas evangélicas de hoje estão cada vez mais dominadas pelo espírito deste século em vez de pelo Espírito de Cristo. Como evangélicos, nós nos convocamos a nos arrepender desse pecado e a recuperar a fé cristã histórica”.

A Declaração então expandiu sobre esta preocupação em relação aos grandes temas do Protestantismo.

Todos cristãos precisam cultivar uma vida com Deus que está em crescimento e desenvolvimento. Se não estivermos crescendo, estagnaremos ou morreremos. A adorarão coorporativa, oficial, do povo de Deus é um meio crucial e essencial que Deus deu para nos ajudar a crescer. Pense sobre as palavras de Hebreus 10:19-2:

Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos inaugurou, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa.

Esta passagem chama os cristãos para se achegarem a Deus através de Cristo, visto que, mesmo como cristãos, experimentamos uma distância entre nós mesmos e Deus, que somente a obra de Cristo pode superar. Precisamos nos achegar a Ele pessoalmente e individualmente em devoção, meditação e oração; mas nós também precisamos nos achegar a Ele, encontrando- -O na comunhão do Seu povo, onde Deus promete estar especialmente presente (Mateus 18:20). Encontramos-nos com Deus quando o povo de Deus se reúne junto, ora junto, canta junto, e ouve a Sua palavra junto.

2º A Necessi�ade �a Ver�a�eira Adoração

Dr. Robert Godfrey

O Cristianismo é uma religião na qual indivíduos se tornam uma parte integral do corpo de Cristo. Não somos simplesmente uma associação de indivíduos, mas estamos organicamente unidos uns aos outros (1 Coríntios 12:12-27; Efésios 1:2-23). Expressamos que somos o corpo de Cristo, especialmente quando juntos encontramos a Deus em adoração pública.

Adorando Falsos Deuses João Calvino chamou, de maneira apropriada, o coração humano de “uma fábrica de idolatria”, querendo dizer que a adoração fiel não acontece naturalmente nos seres humanos caídos. Pecadores se tornam idólatras porque Deus plantou tão profundamente a necessidade dEle mesmo nos corações humanos, que quando não conhecemos ao Deus verdadeiro, inventamos falsos deuses, falsas religiões e falsa adoração. Deus adverte contra tal adoração idólatra no primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim”. A adoração idólatra de falsos deuses é condenada por toda a Bíblia.

Adorando o Deus Verdadeiro de Forma Falsa Precisamos ouvir o convite da Escritura para promover a adoração santa e fugir da idolatria. Mas a adoração a falsos deuses não é somente o único tipo de idolatria condenada na Bíblia. O segundo mandamento nos ensina que a idolatria não é somente uma questão de adorar falsos deuses, que é proibido no primeiro mandamento. É também uma questão de adorar o verdadeiro Deus falsamente. O segundo mandamento diz, “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Êxodo 20:4-6).

Este mandamento claramente proíbe o uso de imagens de Deus na adoração, mas também implicitamente proíbe toda invenção

Agradando a Deus em Nossa Adoração humana na adoração. A proibição contra imagens significa que devemos adorar o verdadeiro Deus somente na forma que Lhe agrada. O povo de Israel reivindicou que eles estavam adorando o Senhor como o verdadeiro Deus quando eles fabricaram o bezerro de ouro. Eles consideravam a imagem como Jeová (Êxodo 32:5-6). Mas tal falsa adoração ofendeu a Deus e trouxe julgamento sobre o povo.

A história do bezerro de ouro nos lembra que o próprio povo de Deus pode cair em idolatria em sua adoração a Ele. Podemos desejar ser criativos e originais na adoração, mas essa criatividade pode conduzir à idolatria. Repetidamente no Antigo Testamento, Deus julgou Seu povo por causa de falsa adoração. Os filhos de Aarão, Nadabe e Abiú, foram fulminados e caíram mortos, por causa de oferecer “fogo não autorizado perante o SENHOR, contrário ao seu mandamento” (Levítico 10:1). Jeroboão, o primeiro rei do reino norte de Israel, e seus herdeiros foram consistentemente criticados como idólatras por causa das imagens e dos falsos templos e cultos dedicados ao Senhor. O povo de Deus foi censurado nestas ocasiões, não porque adoraram falsos deuses, mas porque adoraram o verdadeiro Deus falsamente.

O Novo Testamento também adverte contra agradar a nós mesmos com a falsa adoração. Paulo escreveu ao Colossenses condenando suas novidades e experiências como “adoração auto- -imposta” (Colossenses 2:23). Jesus advertiu contra permitir que tradições dominem e subvertam a Palavra de Deus: “E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus” (Mateus 15:6). Jesus não estava falando sobre adoração quando ele fez esta declaração, mas então ele usou Isaías 29:13, que é sobre adoração, para confirmar suas palavras:

Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem. (v. 8-9).

Dr. Robert Godfrey

Ele estava dizendo que o nosso culto a Deus, seja na vida em geral ou na adoração coorporativa, não deve ser determinada pela tradição, mas deve seguir o ensinamento de Deus na Bíblia.

Paulo especificamente advertiu os Coríntios contra a falsa adoração na forma que eles estava administrando a Ceia do Senhor. Os pecados e os erros que infectavam sua adoração levaram Paulo a acusá-los de destruir este sacramento: “De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor” (1 Coríntios 1:20). De fato, Deus se preocupa tanto sobre a adoração que Paulo registra que Deus visitou os Coríntios com julgamento por causa dos seus abusos na adoração, relacionados a este sacramento: “Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem”.

A Bíblia nos lembra que nem nossos instintos, nem nossas tradições e nem nossas experiências são guias confiáveis para a adoração. A própria Bíblia é nosso único guia confiável. Uma das ironias do nosso tempo é que muitos cristãos que afirmam a inerrância da Bíblia não a estudam realmente para descobrir o que ela diz sobre adoração. Nós devemos examinar as Escrituras para encontrar a vontade de Deus para nos guiar em nossa adoração. A Declaração de Cambridge faz a seguinte declaração: “Somente a Bíblia ensina o que é necessário para nossa salvação do pecado e qual é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser medido”.

Para aprender como adorar a Deus duma forma que agradará a Deus, ao invés de ofendê-Lo e ser julgado por Ele, devemos começar entendendo a definição da Bíblia do que é adoração. A Bíblia usa a palavra adoração em pelo menos três formas importantes.

Adoração Pessoal e Corporativa Primeiro, adoração pode se referir a toda vida do cristão. Nós devemos viver nossas vidas para Deus e sob Deus. Devemos procurar que tudo o que façamos seja um serviço de amor para com Ele. Paulo tinha este senso de adoração em mente quando escreveu no começo da seção de aplicação do livro de Romanos, “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12:1-2). Nestes versos toda a vida é considerada como adoração.

Segundo, a adoração pode se referir àqueles tempos pessoais de oração, louvor, reflexão ou leitura da Bíblia, quando nos focamos em Deus. Davi adorava a Deus enquanto ele orava e cantava sozinho de noite:

No meu leito me lembro de ti; medito em ti nas vigílias da noite. Pois tu tens sido o meu auxílio; de júbilo canto à sombra das tuas asas. (Salmos 63:6-7).

3º O Caráter da Adoração

Dr. Robert Godfrey

Em terceiro, a adoração pode se referir ao tempo quando os cristãos se reúnem oficialmente, como uma congregação, para louvar a Deus. Esta forma de adoração é recomendada e ordenada nas Escrituras. “Não deixemos de reunir-nos, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia” (Hebreus 10:25). O Salmista celebra este privilégio da adoração corporativa:

Louvai ao SENHOR. Louvarei ao SENHOR de todo o meu coração, na assembléia dos justos e na congregação. (Salmos 1:1)

Claramente Deus quer que Seu povo se reúna como congregação, expressando que este povo é o corpo de Cristo, adorando-O conjuntamente.

Este terceiro uso da adoração, a adoração corporativa, merece atenção especial por duas razões. Primeiro, a arena da adoração corporativa é onde a maior parte da guerra da adoração está sendo travada. Mudanças na adoração corporativa precisam de exame cuidadoso em nosso tempo.

Segundo, muitos cristãos parecem ter uma medida de preconceito contra a adoração corporativa como uma prioridade na vida dos crentes. Eles parecem crer que a adoração oficial da igreja não é muito importante. Eles acham-na muito formal e impessoal. Eles sentem que os momentos individuais de oração e leitura da Bíblia, ou as experiências de pequenos grupos, são muito mais importantes no cultivo de uma proximidade com Deus do que a adoração corporativa. Algumas das recentes mudanças na adoração corporativa refletem um esforço para fazê-la mais parecida com a atividade de um pequeno grupo. Contudo, à medida que examinarmos o ensinamento da Bíblia sobre a adoração e o seu conteúdo, vemos que a adoração corporativa é vitalmente importante para todo cristão obediente e em crescimento.

Agradando a Deus em Nossa Adoração

Um Texto Crítico: Hebreus 12:28-29 O livro de Hebreus é particularmente importante aqui, pois ele mostra a relação entre a adoração do Antigo Testamento e a adoração do Novo Testamento, e também porque ele chama atenção à unidade da nossa adoração como povo neo-testamentário de Deus. Hebreus 12:28-29 declara:

Pelo que, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e temor; pois o nosso Deus é um fogo consumidor.

Esta passagem nos direciona a dois elementos chaves para o nosso pensamento sobre adoração: primeiro, o caráter de Deus como o objeto de nossa adoração, e segundo, nossa resposta a Deus na adoração.

1. O Caráter de Deus. A primeira verdade sobre a natureza de Deus que precisamos sempre lembrar na adoração é que o nosso Deus é uma Trindade. O único Deus existe eternamente em três pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo. Este aspecto da natureza de Deus não está explícito em Hebreus 12:28-29, mas está assinalado no contexto imediato. Assim, Hebreus 12:23-24 nos lembra que na adoração, nos chegamos pela fé ao Deus vivo e a Jesus, que é “o mediador dum novo concerto”. Aqui, duas das pessoas da Trindade são distinguidas.

Como nosso Deus é triuno, assim, nossa adoração deve ser trinitariana. Deus em Sua unidade é um objeto apropriado de adoração, mas assim são também cada uma das pessoas da Deidade. Nós adoramos a Deus, e também adoramos o Pai, o Filho, e o Espírito Santo. Ao adorar qualquer uma das pessoas divinas, estamos adorando toda a Deidade, pois Deus é um.

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