Criando os filhos no caminho de Deus

Criando os filhos no caminho de Deus

(Parte 4 de 11)

Ouvir é uma das partes mais importantes da comunicação, ainda que pouco praticada. Podemos melhorar nossa maneira de ouvir, prestando cuidadosa atenção na outra pessoa, em silêncio e sem pressa. Se ouvimos nossos filhos sem interrompê-los, sem pensar no que vamos responder a seguir, e sem nos precipitarmos em oferecer conselhos ou julgá-los, estamos realmente dizendo-lhes, através de nossos atos, que eles são importantes.

É difícil ser bons ouvintes! Sei que esta foi uma habilidade que precisei me esforçar para desenvolvê-la, já que não j era um atributo natural de minha personalidade. Porém, valeu a pena o esforço. Se nossos filhos percebem que estamos realmente os ouvindo e tentando compreendê-los, ao invés de tirarmos conclusões precipitadas, eles se sentirão à vontade para compartilhar suas preocupações mais profundas conosco, tornando-nos parte de suas vidas — que é todo o nosso desejo, certo?

Além de ouvir as palavras de seu filho, observe a linguagem do seu corpo. Ele se sente confortável compartilhando seus assuntos com você, ou precisa de um encorajamento extra? Ele aparenta mais ansiedade e temor do que declara? Seu filho, naturalmente, estará observando a sua linguagem corporal para certificar-se de seu interesse no que ele ou ela tem a dizer. Se você ficar olhando para o relógio ou batendo o pé demonstrará desinteresse, e seu filho provavelmente não desejará compartilhar seus sentimentos da próxima vez.

Ao responder-lhe, deixe que realmente perceba seu interesse por ele. Escolha suas palavras cuidadosamente para que soem mais ponderadas que falaciosas. Você pode preferir iniciar uma frase como: "Estou muito-preocupada com..." ou "Eu entendo que algumas vezes seja difícil..." ao invés de "Você deveria..." Se você não estiver certo do que seu filho está tentando dizer, faça perguntas ou repita o que entendeu e peça confirmações.

Algumas vezes seu filho não está pedindo conselhos, mas apenas atenção.

Observando a sua reação ao responder, você pode saber se este é um destes momentos. Talvez, precise ü penas de um abraço e saber que você se importa com ele.

Finalmente, quando seu filho diz alguma coisa que você não deseja ouvir, a tendência é ignorá-lo. Mas, ele pode estar alertando-o para um problema em potencial; assim, é importante que haja maiores discussões.

Compartilhar suas próprias experiências — mesmo as que você prefere esquecer — pode encorajar seus filhos, poupando-os de muita dor de cabeça. Deuteronômio 4.9 diz:

Tão somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos dos teus filhos.

A Bíblia instrui os pais a compartilhar abertamente o que aprenderam através de suas experiências, para que os filhos se beneficiem de suas lições de vida. Não tenha medo de demonstrar que você é humano e que pecou. Todos nós pecamos. Precisamos permitir que nossos filhos se beneficiem desses erros, contando-lhes nossas experiências quanto ao aprendizado e o preço de tais pecados. Podemos compartilhar com eles tanto os bons momentos quanto os difíceis e conversar sobre o que aprendemos do Senhor através destas experiências.

É muito importante que, como pais, compartilhemos com; nossos filhos o trabalho do Senhor em nossas vidas. Deus torna-se mais real quando as crianças constroem sua própria fé através do conhecimento e do testemunho da operação divina.

Conheço uma família cristã maravilhosa que possui 12 filhos, oito deles adotivos. Um dos filhos legítimos compartilhava comigo as experiências que tivera ao ver Deus responder de maneira viva e eficaz uma oração. Seus pais cristãos envolveram os filhos em uma súplica, a fim de obterem a direção de Deus. Eles oraram ao Senhor por duas crianças que pudessem adotar a fim de manterem juntos os irmãos e por uma casa maior para acomodarem a família.

Como a menina estava envolvida na oração familiar em prol da direção de Deus nestas áreas, viu claramente as respostas de suas orações. Esta adolescente reconheceu o poder e a realidade divinos. Ela está vivendo sua vida completamente para Deus graças ao modelo cristão apresentado por seus pais que compartilharam abertamente o trabalho de Deus em família.

Sermos conformes à imagem de Cristo (Rm 8.29) e transformados pela renovação de nossas mentes faz parte constante de nossa caminhada de fé (Rm 12.2). Este processo desenvolve nossa santidade quando removemos as impurezas de nossas vidas e nos tornamos íntegros. A santidade refere-se à separação do pecado; à ausência do mal. Penso que isto deveria acontecer em nossos lares! O que devemos enfocar para o desenvolvimento da santidade em nossas famílias, a fim de tornarem-se o modelo planejado por Deus?

Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra. (Cl 3.2)

Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportandovos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição. (Cl 3.12-14)

Imagine que lares felizes teríamos, se todos os membros de nossa família vivessem de acordo com as instruções citadas acima. Deus não diz que isto seja feito "se você quiser ser feliz" ou "se você assim desejar". Ele não exige qualquer qualificação: apenas faça isto! Somos instruídos a ensinar nossos filhos a serem santos e termos uma atitude de amor para com eles. Como seria diferente a sintonia de nossos lares, se tão somente seguíssemos esta instrução!

O desejo de Cristo é que sigamos seu exemplo e coloquemos o amor acima de todas as coisas. Precisamos amar nossos filhos como o Pai os ama e da maneira como Ele nos ama — incondicionalmente. O amor incondicional facilmente perdoa e esquece. Precisamos amar nossos filhos por serem os filhos que Deus nos deu, e não pelo que fazem. O "capítulo do amor" — 1 Coríntios 13 — merece uma análise especial. Este é o modelo de amor para Deus — o tipo que Ele sente por nós e que deveríamos ter pelas pessoas, incluindo nossos cônjuges e filhos. Haverão (e, provavelmente, já existem) muitos momentos em que nossos filhos não agirão de acordo com este versículo. Suas atitudes podem ser causadas pela falta de treinamento, pelo exemplo que vêem em nós como pais ou pela natureza carnal e rebelde que está sendo aflorada. Isto pode ser frustrante, mas precisamos reconhecer que a vide cristã é um processo de crescimento gradativo, e que Deus ainda não terminou sua obra na vida deles. Podemos nos alegrar quando eles seguirem o exemplo de Cristo e los durante o processo de crescimento.

Trazendo-a para Casa Aplicando os princípios de Deus: favor consultar o capítulo 2, para idéias e atividades sobre a elaboração da Noite Familiar.

Abertura: Como você descreveria a família perfeita e o! ambiente do lar ideal?

Caso fosse possível, que í mudanças você faria em sua família?

Escrituras: Colossenses 3.12-14. Discussão: Identifique e defina cada qualidade contida nesta passagem. Na escala de 1 a 10 (1 sendo totalmente ausente e 10 completamente presente), como você classificaria sua família em cada uma destas qualidades? Se Jesus visitasse nossa família, o que mais o agradaria em relação aos nossos comportamentos e atitudes? O que poderia entristecê-lo? (Na verdade, Jesus está sempre presente em nossos lares. Leia 1 Coríntios 2.16.)

Aplicação: 1. Cada pessoa descreve como pode contribuir individualmente, para melhorar seus comportamentos e atitudes que entristecem a Jesus. 2. Cada pessoa identifica a qualidade mais difícil de seguir, listada na passagem bíblica e, então, discute maneiras práticas de como pode trabalhar para desenvolver tal qualidade naquela semana (incluindo os pais).

4. Nossa Identidade em Cristo

Antes de iniciar o processo de treinamento ou estabelecer nossos objetivos, precisamos determinar nossa condição atual. Como observamos anteriormente, uma família bem-sucedida possui uma vida de sucesso — positiva, fiel n Deus e correta. Cada cristão cresce progressivamente e torna-se mais parecido com Cristo à medida em que continua a aprender da Palavra, aplicando-a em sua vida. Nosso estilo de vida e o fruto que produzimos mostram ao mundo que somos cristãos.

Como pais, nossa própria identidade em Cristo é de vital importância. Se quisermos educar nossos filhos com sucesso, fiéis ao Senhor, precisamos modelar tal comportamento em nós mesmos.

O justo anda na sua sinceridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele. (Pv 20.7)

Podemos começar a influenciar nossos filhos para Cristo, antes mesmo que eles tenham nascido — através do nosso próprio desenvolvimento, de acordo com os padrões d santidade. Quem sou fala mais alto que minhas palavras Minha vida e meu estilo de vida serão a mensagem recebida por meus filhos. Assim, preciso decidir que mensagem desejo ser. Pessoalmente, quero comprometer minha vida totalmente com o Senhor e obedecer suas instruções, vivendo em sua vontade.

Nunca farei isto perfeitamente. Não importa o quanto tente, posso apenas tornarme mais parecido com Cristo amoldar-me à sua imagem de perfeição; entretanto, nunca serei exatamente como Cristo nesta vida, pois somente EL é perfeito. Porém, tentarei continuar desenvolvendo a santidade, cultivando as qualidades citadas neste livro que caracterizam as famílias felizes.

Enquanto trabalhamos para o nosso próprio desenvolvimento, podemos também auxiliar nossos filhos a desenvolver sua imagem em Cristo. Sem esta fundamental compreensão de quem somos, não podemos ser uma família cristã de sucesso, pois é Cristo quem nos habilita a servi-lo com êxito, e -realização de nosso relacionamento com Deus nos motiva obedecer.

Perceber quem é Deus e o que fez por nós, oferecendo Jesus Cristo como sacrifício por nossos pecados, a fim d que pudéssemos ter a vida eterna; dá-nos fé para obedece e desejar sermos imagem de Cristo. Quando queremos sei um exemplo cristão para nossos filhos e desejamos que eles desenvolvam este caráter, estamos no caminho certo para sermos moldados pelo Espírito Santo.

Como podemos permitir que o Espírito Santo trabalhe em nossas vidas? Como sabemos que está trabalhando?

Somos todos seres humanos pecadores. Romanos 3.23 diz? "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Não há como chegarmos ao Céu através de nossos próprios atos. Por causa do grande amor de Deus por nós Rm 5.8; Jo 3.16) e sua imensurável graça (favor não merecido), Ele enviou seu único filho, Jesus cristo, para morrer na cruz por nossos pecados e ressuscitar após três dias.

Agora, porém, Deus nos mostrou um caminho diferente para o céu - não pelo fato de sermos "bonzinhos" e procurarmos guardar suas leis, mas um novo caminho (ainda que não seja tão novo realmente, pois as Escrituras falaram dEle há muito tempo). Agora Deus diz que nos declarará "sem culpa" — se confiarmos que Jesus Cristo pode remir nossos pecados. E todos nós podemos ser salvos deste mesmo modo, vindo a Cristo, não importa o que somos ou temos sido. Sim, todos pecaram; todos fracassaram e não puderam alcançar o glorioso ideal de Deus; no entanto, Deus nos declara agora "sem culpa" das ofensas que Lhe fizemos, se confiarmos em Jesus Cristo, aquele que em sua bondade tira os nossos pecados gratuitamente. (Rm 3.2-24, A Bíblia Viva)

Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. (Rm 10.13) A conseqüência natural do pecado é a morte (Rm 6.23), mas através da graça de

Deus somos salvos, confessando nossos pecados ao Senhor e nos arrependendo deles (determinados a não repeti-los mais). Se cremos e confessamos que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou para dar-nos vida, então seremos salvos.

Se, com tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. (Rm 10.9,10)

Quando somos salvos, o Espírito Santo trabalha em nossas vidas, nos ajudando a moldarmo-nos à imagem de Cristo ao invés de à imagem do mundo. 1 João 2.3-6, A Bíblia Viva diz:

E como podemos ter certeza de que pertencemos a Ele? Olhando para dentro de nós mesmos: estamos realmente procurando fazer o que Ele quer que façamos? Alguém poderá dizer: "Eu sou cristão ou estou no caminho do céu, eu pertenço a Cristo". Mas se não fizer o que Cristo lhes manda, é um mentiroso. Mas aqueles que fazem o que Cristo lhes manda, aprenderão a amar a Deus cada vez mais Esta é a maneira de saber se você é ou não é um cristão. Qualquer um que diga que é cristão deve viver como Cristo viveu.

É sempre possível conhecer o caráter de alguém pelo seu bom comportamento, até mesmo uma criança. (Pv 20.1, A Bíblia Viva)

Seu modo de viver demonstrará se você é ou não um cristão. Seus filhos observarão suas atitudes e comportamentos, identificando seu caráter em Cristo; eles formarão uma noção certa ou errada, baseados em seu exemplo. Esta é uma grande responsabilidade. Como podemos ter certeza de que continuaremos a crescer e viver nEle?

A vós também, que noutro tempo éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora, contudo, vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, para, perante ele, vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro. (Cl 1.21-23)

Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, arraigados e edificados nele e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, crescendo em ação de graças. Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo principado e potestade; no qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo. (Cl 2.6-10)

Precisamos manter fortalecida a nossa fé e não sermos Iludidos por falsas filosofias do mundo. Nós cristãos precisamos basear nosso saber e comportamento na Palavra de Deus, estar enraizados, fortalecidos em Jesus Cristo e conhecer que, através de sua morte, fez-nos santos para Deus.

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento. (Rm 12.1,2)

Quando salvos, já não pertencemos mais ao mundo; somos transformados pelo

Espírito Santo, e então, ao andarmos na caminhada de fé, nosso caráter está continuamente sendo refinado por Ele. Quando temos a convicção de que Deus nos ensina, podemos avaliar o que diz o mundo, e o Espírito Santo nos ajudará a discernir o certo do errado.

(Parte 4 de 11)

Comentários