Anais do II Simpósio Interdisciplinar de C. Sociais e Humanas

Anais do II Simpósio Interdisciplinar de C. Sociais e Humanas

(Parte 1 de 9)

Anais do I Simpósio Interdisciplinar de Pós-Graduação em Ciências

Sociais e Humanas Sujeito, Saberes e Práticas Sociais: abordagens interdisciplinares

ANAIS do I Simpósio

Interdisciplinar de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas

Anais do I Simpósio Interdisciplinar de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas

© Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas Sujeito, Saberes e Práticas Sociais: abordagens interdisciplinares

ISBN 978-85-7621-108-2 | E-book Edição e diagramação: Geilson Fernandes de Oliveira | Maria Cristina da Rocha Barreto

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE | UERN Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas | PPGCISH

Coordenação Geral Marcos de Camargo Von Zuben (PPGCISH/UERN)

Comissão Organizadora

Maria Cristina Rocha Barreto (PPGCISH/UERN) Marcília Luzia Gomes da Costa (PPGCISH/UERN) Geilson Fernandes de Oliveira (Mestrando PPGCISH/UERN) Aline Gama de Almeida (PPGCISH/UERN) Ailton Siqueira de Souza Fonseca (PPGCISH/UERN) Rosalvo Nobre Carneiro (PPGCISH/UERN)

Comissão Científica

Alípio de Souza Filho (UFRN) Edmilson Lopes Júnior (UFRN) Guilherme Paiva de Carvalho Martins (UERN) Ivan Maia de Mello (Unilab/CE) Jean Henrique Costa (UERN) Mauro Guilherme Pinheiro Koury (UFPB) Rosalvo Nobre Carneiro (UERN) Selvino José Assmann (UFSC)

Apoio

S621a Simpósio Interdisciplinar de Pós-Graduação em Ciências Sociais e

Humanas (2.: Mossoro, RN, 26 a 28 de novembro de 2014) Anais do I Simpósio Interdisciplinar de Pós-Graduação em Ciências

Sociais e Humanas / Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas. - Mossoró, RN: UERN, 2014.

956p

Tema: Sujeito, Saberes e Práticas Sociais: abordagens interdisciplinares.

1. Interdisciplinaridade – Ciências sociais e humanas – Simpósio. 2.

Pesquisas Pós-graduação e iniciação científica – Simpósio. 3. Divulgação científica - Ciências sociais e humanas – Simpósio. I. Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. I.Título.

UERN/BCCDD 300.7

Catalogação da Publicação na Fonte.

Bibliotecário: Jocelania Marinho Maia de Oliveira CRB 15 / 319

O “I Simpósio Interdisciplinar de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas” é uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Tem o propósito de reunir pesquisadores, estudantes de pós-graduação e de graduação, além de profissionais da educação básica interessados nos estudos e pesquisas interdisciplinares nas ciências sociais e humanas.

O evento tem como objetivos divulgar pesquisas em nível de pós-graduação e iniciação científica na área interdisciplinar; fomentar o debate sobre a interdisciplinaridade no âmbito das ciências sociais e humanas; estimular a criação de redes de pesquisa na área interdisciplinar; contribuir com a produção de novos conhecimentos na área de ciências sociais e humanas; e aproximar os alunos da graduação dos estudos e das pesquisas realizadas em nível de pós-graduação. Além disto, almeja estabelecer o intercâmbio entre pesquisadores da região visando o estabelecimento ou consolidação de redes de pesquisa na área interdisciplinar.

Comissão Organizadora

GRUPOS DE TRABALHO8
GT O1 - Música, Cultura e Subjetividades1
GT 02 - Espaço, saber e subjetividades49
GT O3 – Sujeito e Cotidiano223
GT O4 – Antropologia e Sociologia das Emoções383
GT 05 - Informação, Cultura e Práticas Sociais515
GT O6 – Memória, Oralidade e História Política631
GT O7 – Estado, Direitos Sociais e Políticas Públicas710

TRABALHOS COMPLETOS GT O8 – Para além das barreiras disciplinares ............................................................................................... 836

Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais e Humanas

GT O1 - Música, Cultura e Subjetividades.

Coordenadores: Guilherme Paiva de Carvalho Martins (PPGCISH/UERN); Jean Henrique Costa (PPGCISH/UERN)

Este Grupo de Trabalho (GT) objetiva discutir a relação entre música, cultura e subjetividades. Nesta perspectiva, pretende-se abordar a constituição de subjetividades e identidades a partir da música, as novas configurações dos mercados musicais populares (também denominados mercados abertos, open markets ou nova produção independente) na chamada cibercultura, bem como, suas múltiplas e plurais formas de circulação e recepção. Por conseguinte, o GT busca discutir trabalhos que apontem as distintas formas de produção, circulação, comercialização e consumo presentes nos mais variados mercados musicais.

GT 02 - Espaço, saber e subjetividades.

Coordenadores: Rosalvo Nobre Carneiro (PPGCISH/UERN); Marcos de Camargo Von Zuben (PPGCISH/UERN)

Discussões sobre o papel do espaço nas ciências sociais e humanas. Saber e subjetividades humanas. Discussões sobre saber, subjetividade e suas relações com a dimensão espacial/territorial. O homem urbano ou rural e seus saberes empiricos. Construção das subjetividades e sua relação com o lugar. Espaço, tempo e subjetividades. Transformações espaço-temporais dos saberes humanos e sociais.

GT 03 - Sujeito e Cotidiano.

Coordenadores: Ailton Siqueira de Sousa Fonseca (PPGCISH/UERN); Karlla Christine Araújo Souza (PPGCISH/UERN)

Neste espaço de diálogo, visamos abordar aspectos do cotidiano como estratégias para pensar a construção de subjetividades, os diferentes interesses de sociabilidade no cotidiano e as várias instâncias de constituição do sujeito: o sujeito feminino, o sujeito infantil, o sujeito nos espaços de vida pública e privada, o sujeito no cotidiano escolar, etc. Ainda nos propomos pensar as tessituras da corporeidade, as relações espaço-temporais, as relações afetivas, a construção de saberes e identidades, tendo como referência reflexões ilustradas em pesquisas empíricas, narrativas de vida e/ou ficcionais, enfoques teórico, epistemológico ou transdisciplinar, considerando a Filosofia, a Antropologia, a Sociologia, a História, a Psicanálise e a Literatura como base para discussão do que é ser sujeito contemporâneo, sujeito como centro do seu mundo, sujeito que se faz durante a vida, sujeito que estimula aos outros tornarem-se sujeitos. Todas essas questões têm como preocupação dedicar-se ao entendimento da condição humana.

GT 04 - Antropologia e Sociologia das Emoções. Coordenadores:

I Simpósio Interdisciplinar de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas

Debatedor:

Mauro Guilherme Pinheiro Koury (GREM/PPGA/UFPB); Maria Cristina Rocha Barreto (GREM/UFPB e PPGCISH/UERN) Raoni Borges Barbosa (GREM/PPGA/UFPB)

Este GT busca discutir como as emoções são vistas na contemporaneidade nas diversas esferas da vida social. O objetivo é contemplar estudos que tenham a Antropologia e a Sociologia das Emoções como tema principal e/ou como recorte transversal, na discussão de sensibilidades cotidianas. Interessam ainda estudos sobre emoções em uma visão antropológica e interdisciplinar.

GT 05 - Informação, Cultura e Práticas Sociais.

Coordenadora: Marcília Luzia Gomes da Costa Mendes (PPGCISH/UERN)

Este GT tem o objetivo de discutir as experiências e práticas sociais cotidianas que envolvem construções de coletividades, elaborações culturais e simbólicas e a enunciação de processos identitários de grupos e de indivíduos, além de formas de organização e circulação de sentidos nos discursos midiáticos, ressaltando também como o uso das tecnologias engendram novas formas de socialização.

GT 06 - Memória, Oralidade e História Política.

Coordenador: Lemuel Rodrigues da Silva (PPGCISH/UERN)

Este GT tem como finalidade ser um espaço para o debate em torno da relação entre memória, oralidade e a história política, uma vez que as críticas e transformações pelas quais a história política passou, desde a primeira metade do século X, contribuíram para sua renovação teóricometodológica, fato que nos leva a indagar sobre a importância da memória e da oralidade para os estudos voltados à história política. Nesse sentido, busca-se refletir sobre as instituições, intelectuais, trabalhadores, partidos políticos, líderes políticos, discursos, eleições e revoluções que propiciem o crescimento e divulgação dos estudos sobre o passado.

GT 07 - Estado, direitos sociais e políticas públicas.

Coordenadoras: Fernanda Marques (PPGSSD/UERN); Aione Souza (PPGSSD/UERN); Gilcélia Góis (PPGSSD/UERN)

Congrega estudos e pesquisas, concluídas ou em andamento, que tematizem sobre avaliação e monitoramento das políticas públicas e das forças sociais que compõem o seu cenário. Bem como, das relações sociais de gênero e das diversas expressões das desigualdades sociais entre homens e mulheres na sociedade, a questão das violências praticadas contra as mulheres e a intervenção do Estado frente a estas expressões da questão social.

GT 08 - Para além das barreiras disciplinares. Coordenadores:

Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais e Humanas

Ailton Siqueira de Sousa Fonseca (PPGCISH/UERN); Ramon Rebouças Nolasco de Oliveira (UFERSA)

Este GT se propõe como espaço de discussão sobre produções, projetos e pesquisas que pretendem superar as barreiras disciplinares, tradicionalmente estabelecidas pelas formações acadêmicas, contemplando o que a metodologia da ciência contemporânea vem denominando de interdisciplinaridade, transdisciplinaridade e complexidade. Esse desafio requer um raciocínio que preze por tecer juntamente saberes diversos, um modo de pensar que considere a complexidade da condição humana e dos fenômenos que o humano se põe a investigar. Isso porque pesquisas dessa natureza visam compreender conexões e implementar diálogos entre métodos, conceitos e objetos tipicamente dominados por disciplinas que seguiam, e ainda seguem, em larga medida, uma visão clássica ou moderna da ciência, bem como por assimilar que estudos dessa ordem exigem uma reflexão sobre o próprio estatuto epistemológico dos saberes forjados na academia. Esse agir conduz à necessária tessitura entre saberes hegemônicos (científicos) com o senso comum, (re)ligando real e imaginário, razão e emoção, ficção e cotidiano, local e cósmico, sagrado e profano, teoria e prática, subjetividades e objetividade, natural e cultural, exatidão e incerteza.

I Simpósio Interdisciplinar de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas

GT O1 - Música, Cultura e Subjetividades.

Coordenadores: Guilherme Paiva de Carvalho Martins (PPGCISH/UERN); Jean Henrique Costa (PPGCISH/UERN)

Lázaro Fabrício de França SOUZA1 Guilherme Paiva de Carvalho MARTINS2

RESUMO: A pretensão desse trabalho e seu problema cerne é investigar como os headbangers constroem suas identidades e subjetivam-se, por meio de práticas e signos peculiares e, tangencialmente, perceber como constroem suas relações, seus laços, sua sociabilidade, através da experiência do heavy metal. O trabalho em pauta é fruto de pesquisa (projeto de dissertação) em andamento, não sendo possível ainda, portanto, apresentar resultados definitivos ou cabais. São, assim, se não postulações incipientes, mas certamente introdutórias. De todo modo, pretendemos jogar alguma luz sobre a problemática suscitada e disponibilizar uma perspectiva preliminar relativa às questões arroladas.

Palavras-chave: Heavy Metal; Identidade; Sociabilidade; Cultural Musical

Um Intróito de Contextualização

Pouco mais de 22h. Os presentes, cerca de 150 pessoas, denotam claramente ansiedade e expectativa. Os olhos parecem reverberar, da mesma forma que “brilha a chama do Metal em nossos corações”, alguém disse. Estrutura pronta. Luzes apagam-se. Headbangers3, vestidos de preto ou não, erguem os braços para uma vez mais empunhar, simbolicamente, a bandeira do Metal. Inicia-se mais uma noite de louvor ao heavy metal, um estilo de música singular, nascido no efervescente decênio de 1960, nos seus últimos anos, mais especificamente, como um movimento de contracultura. Musicalmente, em sua gênese, com bastante influência do rock, do blues e até mesmo da música clássica e erudita. Quando as luzes são acesas novamente os primeiros acordes de guitarra são entoados para deleite dos metalheads4. O pub torna-se pequeno para a euforia dos entusiastas do “Metal”. Exímios batedores de cabeça, fazendo jus ao termo “headbanger”, sacodem seus pescoços,

1 Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN. Mestrando no

Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais e Humanas – PPGCISH pela mesma Instituição.

2 Doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília – UnB. Docente permanente no Programa de Pós- graduação em Ciências Sociais e Humanas – PPGCISH, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte –

3 Termo usado para designar um fã do estilo musical heavy metal ou ainda qualquer uma de suas variantes, cuja tradução pode ser entendida como “batedor de cabeça”. Uma alusão ao modo como os headbangers costumam manifestar sua performance corporal. Evitamos usar o termo “metaleiro”, em virtude de sua conotação um tanto quanto pejorativa.

4 Termo análogo a headbanger.

Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais e Humanas fecham os olhos, e de pêlos arrepiados e coração em ritmo célere, absorvem toda aquela atmosfera, de puro êxtase e significado. Os “stage diving” 5, movidos a um thrash6 metal pujante, também passam a fazer parte do cenário7. Cultura, expressão, sentimentos são disseminados por meio daquela música pesada, por corpos pulsantes e mentes ativas.

Essa é apenas uma sintética e genérica descrição de um show de heavy metal, onde os indivíduos, como grupo, tornam-se uno, unidade, um amálgama, onde corpo e alma misturam-se numa complexa teia de significados, e embriagam-se, absortos, com a energia do ambiente. Em meio a esse fenômeno envolto em simbologias e ritos, nosso desafio é exercer o olhar treinado sobre esse fenômeno tão curioso e singular.

Por que estudar o heavy metal Enquanto Produção Social e Simbólica?

Assentamos nossa justificativa para o presente empreendimento – além do que será explicitado mais adiante – na ausência de estudos comprometidos, sobretudo na região Nordeste do país, com um fenômeno cultural carregado de críticas sociais e simbologias e que, como disse Zagni (2009):

[...] circunscrito a segmentos sociais específicos, com dinâmicas e códigos de conduta muito próprios e que se organizam parcialmente ao arrepio do Estado, parte sob controle deste e manifestando significativas condutas de contra-controle, construindo zonas de contato e resistência, negociação e incorporação.

Ademais, ainda em conformidade com Zagni, não é possível compreender a sociedade em sua totalidade se não entendermos suas segmentações sociais. No heavy metal encontramos segmentos marginalizados não somente pela ordem cultural e social vigente, nem pela mídia condutora de comportamentos e atitudes, “mas também pelo próprio pensamento acadêmico, fruto em larga medida desses mecanismos de controle.” (Zagni, 2009).

Empreender a tentativa de adentrar no mundo heavy metal, como cientista social, já fazendo parte dele como entusiasta e apreciador do estilo, surge como um duplo desafio, ao passo em que é preciso livrar-se de alguns preconceitos, das noções antecipadas e do apego subjetivo ao universo heavy metal, conquanto acreditemos que não seja mister prescindir da

5 Sinteticamente, pode ser definido como o ato de mergulhar do palco sobre a platéia dos shows.

6 O thrash metal é uma subdivisão do heavy metal conhecida por uma maior velocidade e maior peso do que seus antecessores. Suas origens remontam ao fim da década de 1970 e começo da década de 1980, quando um grande número de bandas começou a incorporar elementos da NWOBHM com a nova música hardcore/punk que surgia, criando assim um novo estilo. Este gênero é muito mais agressivo do que o speed metal, considerado seu predecessor. As "quatro grandes" bandas do thrash metal são Anthrax, Megadeth, Metallica e

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