Saúde da criança e a saúde da família doenças prevalentes na infância

Saúde da criança e a saúde da família doenças prevalentes na infância

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1SAÚDE DA CRIANÇA E SAÚDE DA FAMÍLIA DOENÇAS PREVALENTES NA INFÂNCIA módulo 6 • uNIdAdE 3 módulo 6 • uNIdAdE 3

Reitor – Natalino Salgado Filho Vice-Reitor – Antonio José Silva Oliveira

Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação – Fernando de Carvalho Silva

CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE - UFMA Diretora – Nair Portela Silva Coutinho

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NORMALIzAçÃO

Bibliotecária Eudes Garcez de Souza Silva (CRB 13ª Região nº de Registro – 453)

Aracy Santos

Claudio Vanucci Silva de Freitas

Edison José Corrêa

Estela Aparecida Oliveira Vieira Judith Rafaelle Oliveira Pinho

Karoline Corrêa Trindade Paola Trindade Garcia

REVISÃO ORTOGRÁFICA Fábio Alex Matos Santos João Carlos Raposo Moreira

REVISÃO DIDÁTICO-PEDAGÓGICA Deborah de Castro e Lima Baesse Paola Trindade Garcia

Universidade Federal do Maranhão. UNA-SUS/UFMA

A Saúde da criança e a Saúde da Família: doenças prevalentes na infância/Ednei Costa Maia; Fabrício Silva Pessoa; Walquíria Lemos Soares (Org.). - São Luís, 2014.

71f. : il.

1. Saúde da criança. 2. Doenças prevalentes. 3. Atenção primária à saúde. 4. UNA-SUS/UFMA. I. Santos, Aracy. I. Freitas, Claudio Vanucci Silva de. I. Corrêa, Edison José. IV. Vieira, Estela Aparecida Oliveira. V. Pinho, Judith Rafaelle Oliveira. VI. Trindade, Karoline Corrêa. VII. Garcia, Paola Trindade. VIII. Título.

CDU 613.9-053.2

O objetivo desta unidade é identificar sinais, sintomas, manejo clínico de doenças respiratórias, infecções do trato urinário (ITU) e convulsões, além de analisar o contexto da febre como indicador de patologias infantis e as condutas de Enfermagem.

Nesta unidade, você irá encontrar abordagens sobre o diagnóstico e tratamento de doenças respiratórias infantis como resfriado comum, rinossinusite aguda, otite média aguda, faringoamigdalite aguda, pneumonia, influenza e asma. A febre, por ser um sinal de alerta para várias doenças, terá uma abordagem em relação a condutas de Enfermagem para diversas situações. Além disso, apresentam-se as principais indicações de manejo clínico para situações de infecção do trato urinário e convulsões em crianças.

Bons estudos!

UNIDADE 37
1 INFECçÕES RESPIRATÓRIAS AGUDAS (IRA)7
1.1 Resfriado comum9
1.2 Rinossinusite aguda (RSA)12
1.2.1 Sinais sugestivos de rinossinusite bacteriana14
1.3 Faringoamigdalite aguda17
1.4 Otite média aguda (OMA)2
1.5 Adenoidite28
1.6 Pneumonia29
1.7 Influenza34
1.8 Asma40
1.9 Febre49
1.10 Infecção do trato urinário5
1.1 Convulsões59

7SAÚDE DA CRIANÇA E SAÚDE DA FAMÍLIA DOENÇAS PREVALENTES NA INFÂNCIA

UNIDADE 3 1 INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS AGUDAS (IRA)

A incidência de IRA em crianças é semelhante em países ricos e pobres, com média de quatro a seis episódios por ano por criança. Destes, apenas de 2% a 3% evoluem para pneumonia (FONSECA, 2012).

As queixas respiratórias são bastante frequentes no ambulatório de saúde da criança nas UBS. Dessa forma, as equipes de saúde devem estar capacitadas para prestar uma atenção qualificada e evitar possíveis complicações desse quadro.

As IRA são classificadas em infecções das vias aéreas superiores (Ivas) e infecções das vias aéreas inferiores (Ivai). Acompanhe abaixo a classificação:

Figura 1 - Classificação Ivas (infecções das vias aéreas superiores).

Fonte: FONSECA, Eliane Maria Garcez Oliveira da. Medicina ambulatorial: pediatria. São Paulo: Guanabara Koogan, 2012. (Série SOPERJ).

Ivas

Resfriado comum Sinusite aguda Amigdalite Laringites Traqueite

8SAÚDE DA CRIANÇA E SAÚDE DA FAMÍLIA DOENÇAS PREVALENTES NA INFÂNCIA

Figura 2 - Vias aéreas superiores.

Fonte: DEMATHÉ, Thiago. Infecções de vias aéreas superiores. 2014. Disponível em: http://www.tiothiago.com/2014/01/infeccoes-de-vias-aereas-superiores.html

Figura 3 - Classificação Ivai (infecções das vias aéreas inferiores).

Fonte: FONSECA, Eliane Maria Garcez Oliveira da. Medicina ambulatorial: pediatria. São Paulo: Guanabara Koogan, 2012. (Série SOPERJ).

Seio frontal

Fossas nasais

Faringe Amígdala

Laringe

Vias aérias superiores

IVAI Bronquites Bronquiolites Pneumonia Influenza

9SAÚDE DA CRIANÇA E SAÚDE DA FAMÍLIA DOENÇAS PREVALENTES NA INFÂNCIA

Figura 4 - Vias aéreas inferiores.

Fonte: SISTEMA respiratório: como funciona. 2013. Disponível em: < http://goo.gl/I7bNTZ>.

Certamente é uma das queixas principais das mães no ambulatório de saúde da criança. As crianças costumam apresentar entre seis e oito resfriados por ano nos primeiros cinco anos de vida, e até 15% das crianças têm cerca de 12 episódios anuais (FONSECA, 2012).

Definição • Infecção viral autolimitada da mucosa do trato respiratório que se manifesta com rinorreia e obstrução nasal.

Etiologia • Vários vírus podem estar envolvidos na etiologia do resfriado. O principal é o rinovírus.

Traqueia Pulmão direito

Brônquio direito

Pulmão esquerdo Brônquio esquerdo

Brônquilos

Bronquíolos terminais

Alvéolos

10SAÚDE DA CRIANÇA E SAÚDE DA FAMÍLIA DOENÇAS PREVALENTES NA INFÂNCIA

Manifestação clínica • Os resfriados são quadros caracterizados por início com manifestações de Ivas, como coriza, espirros e congestão nasal, que costumam evoluir com tosse pouco produtiva, febre em geral baixa ou moderada, dores musculares, astenia e anorexia.

Tratamento • Ingestão de líquidos;

• Soro fisiológico nasal;

• Antitérmicos e analgésicos: ü Paracetamol: até os 12 anos, 10 a 15 mg/kg a cada seis horas;

Acima de 12 anos, 325 a 500 mg a cada seis horas; ü Ibuprofeno: 40 mg/kg, três vezes por dia.

Atenção especial deve ser dada em relação à possibilidade de aparecimento de sinais de gravidade (dispneia, tiragem subcostal, prostração ou recusa à ingestão de líquidos em lactentes com menos de 2 meses).

11SAÚDE DA CRIANÇA E SAÚDE DA FAMÍLIA DOENÇAS PREVALENTES NA INFÂNCIA

Cuidados de Enfermagem Durante a consulta de Enfermagem, o enfermeiro deve estar atento para os sinais e sintomas de perigo, como mostra o fluxograma abaixo:

Figura 5 – Atendimento da criança com doença respiratória.

Fonte: RIO DE JANEIRO (RJ). Conselho Regional de Enfermagem. Protocolos de Enfermagem na

Atenção Primária à Saúde. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, 2012. 119 p. Disponível em: <http://goo.gl/xgYy6X>.

Para melhorar a permeabilidade das vias aéreas, a remoção das secreções é importante porque, quando retidas, interferem nas trocas gasosas. O enfermeiro deve atuar removendo essas secreções retidas no trato respirató-

Não Sim Tosse e/ou di culdade para respirar

Consulta com enfermeiro Consulta com médico

Avaliar sinais e sintomas de perigo 1. Febre > 38ºC; 2. História pregressa de asma ou “bronquite”; 3. Frequência respiratória elevada*.

1. Informe à mãe sobre quando retornar imediatamente: qualquer sinal geral de perigo, piora do estado geral, aparecimento ou piora da febre ou di culdade para respirar e respiração rápida; 2. Se estiver tossindo há mais de três semanas, encaminhe para avaliação; 3. Em menores de 6 meses: aumentar a oferta de leite materno; 4. Em maiores de 6 meses: aumentar a oferta de líquidos; 5. Seguimento em cinco dias se não melhorar.

1. Informe a mãe sobre quando retornar imediatamente: Qualquer sinal de perigo, piora do estado geral, aparecimento ou piora da febre ou dificuldade para respirar e respiração rápida; 2. Se estiver tossindo há mais de três semanas, encaminhe para avaliação médica; 3. Em crianças menores de 6 meses: aumentar a oferta de leite materno; 4. Em crianças maiores de 6 meses: aumentar a oferta de liquidos; 5. Prescrever fitoterápico disponível nas unidades de atenção primária conforme opção de tratamento; 6. Seguimento em cinco dias se não melhorar.

IdadeDe nição de respiração rápida

2 a < 12 meses 50 ou mais por minuto.

1 a < 5 anos 40 ou mais por minuto.

> 5 anos 30 ou mais por minuto.

12SAÚDE DA CRIANÇA E SAÚDE DA FAMÍLIA DOENÇAS PREVALENTES NA INFÂNCIA rio da criança, sob seus cuidados, acometida por algum problema de obstrução aérea, no sentido de tornar mais fácil a passagem de ar e promover a troca gasosa (SMELTZER; BARE, 2002).

Por outro lado, o posicionamento adequado da criança melhora a expansibilidade pulmonar. A criança exibirá a função respiratória normal quando for posicionada de modo a permitir uma expansão pulmonar máxima, elevando a cabeceira em 30 graus.

É essencial informar que a criança deve manter uma ingestão adequada de líquidos, para prevenir desidratação. Embora o apetite da criança geralmente diminua, é importante oferecer os líquidos favoritos para prevenir a desidratação.

O apoio e a confiança são importantes elementos de cuidado para a família. Como as Ivas são frequentes em crianças, os familiares podem achar que estão em uma infindável montanha-russa de doenças (MARTINS, 2004; HOCKENBERRY; WILSON, 2011).

Definição • Inflamação das cavidades paranasais, que pode ser causada por infecções ou processo alérgico. É comum na infância em consequência de resfriados, daí o termo rinossinusite aguda (FONSECA, 2012).

Etiologia • Os agentes etiológicos mais comuns são o Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Os micro-organismos Moraxella catarrhalis, Staphylococcus aureus e Streptococcus beta hemolítico do grupo A ocorrem em menor incidência (BRASIL, 2013).

13SAÚDE DA CRIANÇA E SAÚDE DA FAMÍLIA DOENÇAS PREVALENTES NA INFÂNCIA

Características • A rinossinusite aguda (RSA) caracteriza-se por início repentino de dois sintomas: congestão ou descarga nasal, pressão ou dor facial e comprometimento do olfato (hiposmia ou anosmia).

• Os sintomas em crianças, em especial lactentes e pré-escolares, são menos específicos. Em crianças pequenas, os seios paranasais mais acometidos são os maxilares e os etmoidais. Esses seios estão presentes ao nascimento. Os seios esfenoidais se formam por volta dos 5 anos e os frontais por volta de 7 a 8 anos. A sinusite de seios frontais é incomum em menores de 10 anos.

Manifestação clínica • O início é súbito, com rinorreia hialina ou mucoide, obstrução nasal, espirros e irritação na garganta. Tosse e febre podem ocorrer. Embora a febre não seja sintoma predominante em crianças nem em adultos, quando ocorre costuma ser baixa, mas eventualmente pode ser alta, mesmo quando não há infecção bacteriana secundária. O nariz, a orofaringe e as membranas timpânicas podem ficar hiperemiados. Depois dos primeiros dias, é comum a secreção nasal ficar mais espessa e esverdeada, em decorrência da destruição de células epiteliais e de neutrófilos.

Diagnóstico • É fundamental que haja diferenciação entre quadros virais de bacterianos, para isso é importante analisar o tempo de evolução e a gravidade do quadro. O diagnóstico habitualmente é clínico, sem necessidade de exames complementares. Nas RSA, a radiografia de seios da face e a tomografia computadorizada (TC) devem ser solicitadas quando se suspeita de complicações. • A interpretação da radiografia de seios da face é difícil em crian-

14SAÚDE DA CRIANÇA E SAÚDE DA FAMÍLIA DOENÇAS PREVALENTES NA INFÂNCIA ças, pois os seios paranasais ainda podem não estar pneumatizados. Na sinusite crônica podem ser valorizados espessamento da mucosa ≥ 4 m, presença de nível hidroaéreo ou opacificação completa (FONSECA, 2012).

Caso haja necessidade de exames complementares para um diagnóstico, verifique inicialmente na rede de atenção à saúde local o serviço de referência para realização de exames específicos.

1.2.1 Sinais sugestivos de rinossinusite bacteriana

• A infecção bacteriana deve ser suspeitada quando os sintomas persistem após dez a 14 dias, momento em que já se esperaria regressão da clínica em um quadro viral, ou quando os sintomas pioram após o quinto dia de evolução. Tanto em adultos quanto em crianças, os agentes etiológicos mais comuns são o Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Os micro-organismos Moraxella catarrhalis, Staphylococcus aureus e Streptococcus beta hemolítico do grupo A ocorrem em menor incidência (BRASIL, 2013).

Gravidade dos sinais e sintomas Quanto à gravidade dos sinais e sintomas, a sinusite bacteriana aguda pode ser classificada em leve, moderada e grave.

• Leve a moderada: ü Rinorreia (em qualquer quantidade); ü Congestão nasal; ü Tosse; ü Cefaleia, dor facial e irritabilidade (variável); ü Febre baixa ou ausência de febre.

15SAÚDE DA CRIANÇA E SAÚDE DA FAMÍLIA DOENÇAS PREVALENTES NA INFÂNCIA

• Grave: ü Rinorreia purulenta; ü Congestão nasal; ü Dor facial ou cefaleia; ü Edema periorbitário (variável); ü Febre alta (temperatura axilar ≥ 39ºC).

Tratamento • Segundo as Diretrizes Brasileiras de Rinossinusite (2008), existem sete antibióticos para o tratamento da rinossinusite aguda, divididos entre uso adulto e infantil. Os de uso infantil são: ü Amoxicilina (45 – 90 mg/kg/dia); ü Amoxicilina + inibidor de betalactamase (45 - 90 mg / 6,4 mg/kg/dia); ü Cefalosporinas de 2ª geração (15 - 30 mg/kg/dia); ü Macrolídeos; ü Azitromicina (10 - 15 mg/kg/dia, 1 ou 2 x/dia); ü Sulfametaxazol + trimetoprima (30 mg/kg + 6 mg/kg/dia); ü Ceftriaxone (50 mg/kg/dia, cinco dias).

ü Condutas de Enfermagem

As condutas de Enfermagem são direcionadas para a facilitação da drenagem. O enfermeiro deve instruir o paciente sobre os métodos para promover a drenagem, como a inalação, aumento da ingesta de líquidos e aplicação de compressas úmidas quentes.

Além de realizar a prescrição médica, o enfermeiro deve ensinar o paciente a utilizar os medicamentos prescritos pelo médico.

O profissional de Enfermagem deve explicar ao paciente que febre, cefaleia e rigidez na nuca são sinais potenciais de complicações, e ele deve procurar cuidado adicional.

16SAÚDE DA CRIANÇA E SAÚDE DA FAMÍLIA DOENÇAS PREVALENTES NA INFÂNCIA

Sempre deve haver orientação ao paciente e à família sobre a importância do tratamento medicamentoso, que é de fundamental importância.

Complicações • As complicações das rinossinusites se classificam em: o Orbitárias (celulite orbitária difusa, abcesso subperósteo e abcesso orbitário); o Intracranianas (meningite, abcesso sub e extradural, abcesso cerebral e tromboflebite do seio cavernoso); o Ósseas (osteomielite dos ossos do crânio).

Crianças, em especial lactentes e pré-escolares, têm sintomas menos específicos. Em crianças pequenas, os seios paranasais mais acometidos são os maxilares e os etmoidais. Esses seios estão presentes ao nascimento. Os seios esfenoidais se formam por volta dos 5 anos e os frontais por volta de 7 a 8 anos. A sinusite de seios frontais é incomum em menores de 10 anos.

Quando encaminhar • Os pacientes com complicações graves devem ser prontamente encaminhados a serviços de urgência ou de referência. Aqueles com complicações leves, com rinossinusite crônica recidivante ou falha clínica terapêutica, devem ser encaminhados ao especialista.

O encaminhamento ao especialista deve ser feito de forma consciente. Verifique na rede assistencial de saúde local em qual serviço de saúde consta esse atendimento e como é feito o agendamento. É sua responsabilidade orientar o usuário do serviço.

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1.3 Faringoamigdalite aguda

É uma infecção aguda da orofaringe. Manifesta-se após os 3 três anos de idade, no fim do outono, inverno e primavera, tendo como período de incubação de dois a cinco dias.

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