Ponerologia- Psicopatas no Poder - Andrew Lobaczewski

Ponerologia- Psicopatas no Poder - Andrew Lobaczewski

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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível."

Tradução de Adelice Godoy Com prefácio de Olavo de Carvalho

Capa Folha de Rosto Prefácio Apresentação da edição brasileira Prefácio do autor Capítulo I - Introdução

Capítulo I - Alguns conceitos indispensáveis

Psicologia Linguagem Objetiva O Indivíduo Humano Sociedade

Capítulo I - O ciclo de histeria

Capítulo IV - Ponerologia

Fatores patológicos Anormalidades adquiridas Anormalidades herdadas Processos e fenômenos ponerogênicos Propagandistas Associações ponerogênicas Ideologias O Processo de Ponerização Os fenômenos macrossociais Estados de Histerização Social Ponerologia

Capítulo V - Patocracia

A gênese do fenômeno A Patocracia e sua ideologia A expansão da Patocracia A Patocracia imposta pela força Patocracia infectada artificialmente e Guerra Psicológica Considerações gerais

Capítulo VI - Pessoas normais sob o domínio patocrático

A partir da perspectiva do tempo Compreensão.

Capítulo VII - Psicologia e psiquiatria sob o domínio patocrático Capítulo VIII - Patocracia e religião

Capítulo IX - Terapia para o mundo A Verdade é um remédio

Perdão Ideologias Imunização

Capítulo X - Uma visão do futuro Posfácio: Os problemas da Ponerologia Créditos Sobre o Autor Sobre a Obra por Olavo de Carvalho

MUITAS VEZES O LEITOR JÁ DEVE TER-SE PERGUNTADO como é possível que tantas pessoas, aparentemente racionais, amem e aplaudam os governos mais perversos e genocidas do mundo e se recusem a enxergar a liberdade e o respeito de que elas próprias desfrutam nas democracias ocidentais, ao mesmo tempo que continuam acreditando, contra todas as evidências, que são moral e intelectualmente superiores aos que não seguem o seu exemplo.

Hoje em dia essas pessoas, no Brasil, são a parcela dominante no governo, no Parlamento, nas cátedras universitárias, no show business e na mídia. A presença delas nesses altos postos garante a este país setenta mil homicídios por ano, o crescimento recorde do consumo de drogas, o aumento da corrupção até a escala do indescritível, cinqüenta por cento de analfabetos funcionais entre os diplomados das universidades e, anualmente, os últimos lugares para os alunos dos nossos cursos secundários em todos os testes internacionais, abaixo dos estudantes de Uganda, do Paraguai e da Serra Leoa. Sem contar, é claro, indícios menos quantificáveis, mas nem por isso menos visíveis, da deterioração de todas as relações humanas, rebaixadas ao nível do oportunismo cínico e da obscenidade, quando não da animalidade pura e simples.

Isso torna a pergunta ainda mais crucial e urgente. A resposta, no entanto, vem de longe.

Sessenta e tantos anos atrás, alguns estudantes de medicina na Polônia, na Hungria e na

Checoslováquia começaram a notar que havia algo de muito estranho no ar. Eles haviam lutado na resistência antinazista junto com seus colegas, e isto havia consolidado laços de amizade e solidariedade que, esperavam, durariam para sempre. Aos poucos, após a instauração do regime comunista, novos professores e funcionários, enviados pelos governantes, estavam alterando profundamente o ambiente moral nas universidades daqueles países. Um jovem psiquiatra escreveu:

(…) sentíamos que algo estranho tinha invadido nossas mentes e algo valioso estava se esvaindo de forma irreparável.

O mundo da realidade psicológica e dos valores morais parecia suspenso em um nevoeiro gelado. Nosso sentimento humano e nossa solidariedade estudantil perderam seus significados, como também aconteceu com o patriotismo e nossos velhos critérios estabelecidos. Então, nos perguntamos uns aos outros, “isso está acontecendo com você também?”.

Impossibilitados de reagir, eles começaram a trocar idéias, perguntando como poderiam se defender da devastação psicológica geral. Aos poucos essas conversações evoluíram para o plano de um estudo psiquiátrico da elite dirigente comunista e da sua influência psíquica sobre a população.

O estudo prosseguiu em segredo, durante décadas, sem poder jamais ser publicado. Aos poucos os membros da equipe foram envelhecendo e morrendo (nem sempre de causas naturais), até que o último deles, o psiquiatra polonês Andrej (Andrew) Lobaczewski (1921- 2007), reuniu as notas de seus colegas e compôs o livro que veio a sair pela primeira vez no Canadá, em 2006, e que agora a Vide Editorial, de Campinas, está a publicar em tradução brasileira de Adelice Godoy: “Ponerologia: Psicopatas no Poder”, do qual extraí o parágrafo acima.

“Poneros”, em grego, significa “o mal”. O mal, porque o traço dominante no caráter dos novos dirigentes, que davam o modelo de conduta para o resto da sociedade, era inequivocamente a psicopatia. O psicopata não é um psicótico, um doente mental. Só lhe falta uma coisa: os sentimentos morais, especialmente a compaixão e a culpa. Não que ele desconheça esses sentimentos. Conhece-os perfeitamente, mas os vivencia de maneira puramente intelectual, como informações a ser usadas, sem participação pessoal e íntima. Quanto maior a sua frieza moral, maior a sua habilidade de manipular as emoções dos outros, usando-as para os seus próprios fins, que, nessas condições, só podem ser malignos e criminosos. Justamente porque não sentem compaixão nem culpa, os psicopatas sabem despertá-las nos outros como quem toca um piano e produz o acorde que lhe convém.

Não é preciso nenhum estudo especial para saber que, invariavelmente, o discurso comunista, pró-comunista ou esquerdista é cem por cento baseado na exploração da compaixão e da culpa. Isso é da experiência comum.

Mas o que o dr. Lobaczewski e seus colaboradores descobriram foi muito além desse ponto.

Eles descobriram, em primeiro lugar, que só uma classe de psicopatas tem a agressividade mental suficiente para se impor a toda uma sociedade por esses meios. Segundo: descobriram que, quando os psicopatas dominam, a insensitividade moral se espalha por toda a sociedade, roendo o tecido das relações humanas e fazendo da vida um inferno. Terceiro: descobriram que isso acontece não porque a psicopatia seja contagiosa, mas porque aquelas mentes menos ativas que, meio às tontas, vão se adaptando às novas regras e valores, se tornam presas de uma sintomatologia claramente histérica, ou histeriforme. O histérico não diz o que sente, mas passa a sentir aquilo que disse – e, na medida em que aquilo que disse é a cópia de fórmulas prontas espalhadas na atmosfera como gases onipresentes, qualquer empenho de chamá-lo de volta às suas percepções reais abala de tal modo a sua segurança psicológica emprestada, que acaba sendo recebido como uma ameaça, uma agressão, um insulto.

É assim que um grupo relativamente pequeno de líderes psicopáticos destrói a alma de uma nação.

por Flavio Quintela

TRAGÉDIAS, GENOCÍDIOS, MASSACRES. O homem, em sua breve história, tem sido capaz das mais terríveis atrocidades, deixando em sua história um rastro indelével de maldade e sofrimento. Mas de onde vem esse comportamento? O que permite a vazão do mal por dentro dos grupos humanos e das sociedades a ponto de fomentar as mais nefastas manifestações de maldade, que o homem comum tem sequer a capacidade de compreender?

Os cientistas sociais têm tentado responder a essas perguntas enquanto observam perplexos as manifestações do mal sobre a Terra. Diante de seus olhos, especialmente nos últimos cem anos, regimes cada vez mais assassinos têm se descortinado, numa sequência nefasta de psicopatas detentores de muito poder: Hitler, Stálin, Mao, Pol Pot, Castro. Homens que mataram mais do que as pragas, doenças, guerras e cataclismos do passado.

Existe algo que possamos fazer para nos prevenir destas pessoas, que muitas vezes nem conseguimos catalogar como humanas, de tão cruéis e sanguinárias que são? As sociedades modernas podem se utilizar da história recente para evitar a repetição das tragédias que assolaram o século X? Que conhecimento é esse e em que ramo da ciência ele se encontra?

A resposta é muito simples: precisamos estudar a Ponerologia.

Andrew Lobaczewski viveu no meio de um regime de psicopatas, na Polônia, durante os tempos de ditadura Soviética. Expert no estudo da psicopatia, ele fez parte de um grupo de cientistas que buscaram as respostas a todas as questões acima. Muitos foram mortos e tiveram suas anotações destruídas pelos governos totalitários à sua volta, que perceberam o perigo que esses estudos representavam ao seu modus operandi. O próprio Lobaczewski teve que fazer o mesmo trabalho três vezes – a primeira versão de sua obra foi queimada por ele mesmo para escapar de uma busca efetuada em sua casa pela polícia secreta, e a segunda versão se perdeu nas mãos de um turista que havia prometido levá-la para fora da Polônia. Graças à sua perseverança, calcada na certeza de que o mundo precisava de armas para lutar contra esse tipo de mal, temos hoje em nossas mãos essa obra de valor inestimável.

A Ponerologia é a nova ciência nascida do trabalho destes homens, e seu objeto de estudo são os mecanismos da gênese do mal. Este livro admirável, que agora está disponível em português, discorre sobre os diversos tipos de personalidades anômalas e suas origens – algumas hereditárias, outras aprendidas e outras ainda físicas, decorrentes de danos no tecido cerebral. É impossível ler o trabalho de Lobaczewski e não se surpreender com a precisão de suas descrições, e de como algo escrito há três décadas consegue se encaixar tão perfeitamente nos dias de hoje. Ele é quase profético ao descrever as etapas de “ponerização” das sociedades, o surgimento de líderes psicopatas, o funcionamento de grupos que nutrem e apoiam esses líderes, sua ascensão a um poder maior etc. É algo de arrepiar, principalmente quando levamos em conta o momento atual do Brasil.

Mas esta obra não seria completa se não oferecesse um remédio para o mundo. E é justamente isso que encontramos no terço final do livro, onde o autor descreve diversas possibilidades de prevenção à criação do mal que poderiam ser implementadas em qualquer sistema democrático. Medidas que, se postas em prática, evitariam a morte de outros milhões de pessoas, simplesmente por afastar os psicopatas e outras personalidades doentes da possibilidade de ocuparem posições e cargos onde teriam o poder de comandar a morte.

Ponerologia é um livro imprescindível para quem quer entender cientificamente a presença dos grandes males na história da humanidade. Sem apelar para moralismos ou dogmas religiosos, é uma obra ímpar, um marco no combate ao mal.

AO APRESENTAR A MEUS HONRADOS LEITORES ESTE VOLUME, no qual trabalhei geralmente durante as manhãs, antes de sair para ganhar o pão difícil de cada dia, eu gostaria primeiramente de pedir desculpas pelos defeitos resultantes de circunstâncias anômalas. Eu admito prontamente que essas lacunas deveriam ser preenchidas, não importa quanto tempo leve, pois os fatos nos quais este livro é baseado são de necessidade premente; ainda que não tenha sido por falha do autor, esses dados chegaram tarde demais.

O leitor tem direito a uma explicação sobre a longa história e as circunstâncias por trás da composição deste livro, e não somente sobre seu conteúdo em si. Este é, na verdade, o terceiro manuscrito que já criei sobre o mesmo assunto. Eu joguei o primeiro manuscrito na fornalha de meu aquecedor central, após ter sido avisado em cima da hora sobre uma busca oficial que seria conduzida apenas alguns minutos depois. Eu enviei um segundo rascunho a um dignitário da Igreja no Vaticano através de um turista norte-americano, e nunca consegui obter qualquer tipo de informação sobre o destino da encomenda depois que saiu de minhas mãos.

Esta longa história da elaboração deste assunto tornou a criação da terceira versão ainda mais trabalhosa. Parágrafos e frases de uma ou ambas as versões anteriores assombraram a mente do autor e tornaram mais difícil o planejamento apropriado do conteúdo.

Os primeiros dois rascunhos foram escritos numa linguagem muito modificada para o benefício dos especialistas com a bagagem necessária, particularmente no campo da psicopatologia. O desaparecimento da segunda versão também significou a perda da maioria acachapante dos dados e fatos estatísticos que teriam sido muito valiosos e conclusivos para especialistas da área. Diversas análises de casos individuais também foram perdidas.

A versão atual contém somente os dados estatísticos que haviam sido memorizados devido ao uso freqüente, ou que puderam ser reconstruídos com uma precisão satisfatória. Eu também adicionei os dados, particularmente os de mais fácil acesso do campo da psicopatologia, que considero essenciais na apresentação deste assunto a leitores com uma boa educação geral, e especialmente aos representantes das ciências política e social e aos políticos. Eu também nutro a esperança de que este trabalho possa atingir uma audiência mais ampla e disponibilizar alguns dados científicos úteis, que possam servir como uma base para a compreensão do mundo e história contemporâneos. Que ele possa também tornar mais fácil para os leitores a compreensão de si mesmos, de seus vizinhos e de outras nações do mundo.

Quem produziu o conhecimento e realizou o trabalho resumido nas páginas deste livro? Foi um empreendimento conjunto que não consistiu somente de meus esforços, mas que representou os resultados de muitos pesquisadores, alguns dos quais não conhecidos pelo autor. A gênese situacional deste livro torna virtualmente impossível separar as realizações e dar o crédito apropriado a cada indivíduo por seus esforços.

Eu trabalhei na Polônia, longe dos centros políticos e culturais, por muitos anos. Foi lá que eu me ocupei de diversos testes e observações detalhados que deveriam ser combinados com as generalizações resultantes de vários outros cientistas, com vistas a produzir uma introdução geral para o fenômeno macrossocial que nos rodeia. O nome da pessoa responsável pela produção da síntese final foi mantido em segredo, o que era compreensível e necessário para aquela dada época e situação. Eu recebia muito ocasionalmente resumos anônimos dos resultados de testes conduzidos por outros pesquisadores da Polônia e da Hungria; uma pequena quantidade de dados era publicada, para não levantar a suspeita de que um trabalho especializado estava sendo compilado, e esses dados poderiam ser localizados ainda hoje.

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