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Criação de Web Sites I e Internet

Parte 1 – Web e Internet Conteúdo

1. Introdução3
1.1. Breve história da Internet3
A rede acadêmica3
O surgimento da Web4
O poder da Web como meio de comunicação5
1.2. Como funciona a Web e a Internet5
Protocolos5
Endereços Internet7
Serviço de Nomes (DNS – Domain Name Service)7
Portas e serviços da Internet8
A Web entre os serviços da Internet8
1.3. A plataforma Web9
Hipertexto9
HTML9
Servidor HTTP10
URIs (URLs)1
Browser12
Tipos MIME12
1.4. Tecnologias de Apresentação13
HTML13
Histórico do HTML14
HTML 4 e CSS15
XML e XSL15
1.5. Exercícios16
2. Criação de Web Sites19
2.1. Quais ferramentas existem para criar e manter sites?19
Editores gráficos (WYSIWYG)19
Editores de texto20
Editores de HTML20
2.2. Por que se preocupar com o perfil dos visitantes?21
2.3. Por que aprender HTML?21

Parte 1 – Web e Internet 1. Introdução

O objetivo deste capítulo é definir os termos e definições essenciais relacionadas com a Web e a Internet. As informações deste capítulo não são essenciais para a criação de páginas, mas conhecê-las é uma vantagem que dará maior poder ao Web designer, pois entendendo como funciona o meio no qual irá publicar seus sites, terá melhores condições de detectar e solucionar os problemas que surgirem na publicação e manutenção deles.

1.1. Breve história da Internet

A Internet é uma rede antiga. Tem mais de 30 anos de idade. Uma das pessoas que teve um papel decisivo na sua criação, embora nunca seja lembrado por isto, foi o presidente cubano Fidel Castro. Os Estados Unidos tinham passado por uma possibilidade real de ataque nuclear depois da instalação de mísseis russos em Cuba e a interligação das bases militares em rede foi uma estratégia militar para proteger a comunicação em caso de ataque. Ela ligava máquinas diferentes entre si através de linhas redundantes de maneira que, mesmo que uma ou várias bases fossem reduzidas a pó, as outras estações ainda conseguiriam se comunicar entre si. Então, com medo que Fidel e seus charutos nucleares paralisassem o sistema de defesa do país foi criada a rede ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network). A rede interligou vários computadores em algumas universidades e centros de pesquisa envolvidos com projetos militares. Na época, computador ainda era coisa rara. Computador em rede, mais raro ainda.

A rede acadêmica

Os primeiros usuários (cientistas) usavam a rede para trocar mensagens de correio eletrônico e ligarem-se remotamente a computadores distantes. O serviço tornou-se tão útil que as universidades envolvidas começaram a ligar seus departamentos, mesmo os que não tinham nada a ver com o projeto. Na década de 80, foi a vez da NSFNET, a rede nacional de pesquisa dos Estados Unidos, que conectou os cinco grandes centros regionais de supercomputação e passou também a fazer parte da ARPANET. A NSFNET se tornou espinha dorsal das duas redes, depois chamada de Internet.

A NSFNET levou consigo uma legião de pequenas redes que a ela estavam conectadas.

E assim a Internet foi crescendo e crescendo, sem nenhuma organização central. Qualquer centro que achasse seus serviços convenientes podia se amarrar ao nó mais próximo simples-

Parte 1 – Web e Internet mente pagando as despesas de uma linha dedicada de dados. Em pouco tempo, a Internet já interligava os maiores centros de pesquisa do mundo.

A expansão foi trazendo novos serviços e outras redes de pesquisa, como a Usenet, a

Bitnet, EARN e redes de BBSs. O crescimento já era impressionante, mas a popularidade ainda era limitada. Grande parte do tráfego era acadêmico. Operar um sistema de correio eletrônico em geral significava saber operar um jurássico terminal IBM ou máquina Unix, e ter alguma familiaridade com suas interfaces hostis. Para transferir um arquivo era necessário saber usar um programa especial (FTP), mandar comandos para ele e entender os códigos que ele retornava.

O maior problema na época, maior talvez que a complexidade, já que os usuários eram todos acadêmicos, era a desorganização generalizada da Internet. A Internet era um tremendo caos. Sabíamos que era possível transferir um arquivo de informações de qualquer lugar do mundo. O problema era como saber se ele existia e onde estava!

O surgimento da Web

A Internet começou a crescer de forma explosiva em 1992, com o surgimento da World

Wide Web – a evolução de um projeto desenvolvido por Tim Berners-Lee no laboratório CERN em Genebra. A CERN – Laboratório Europeu para Física de Partículas – é uma das maiores instituições científicas do mundo e seus laboratórios estão distribuídos por várias cidades localizadas em 19 países da Europa. Berners-Lee demonstrou como a informação se perdia diariamente no CERN, um ambiente que ele classificou como “um modelo em miniatura do resto do mundo em alguns anos”. O sistema proposto, inicialmente chamado de “Mesh” foi implantado no CERN no ano seguinte já com o nome de “World Wide Web”.

Berners-Lee estava certo. O CERN era uma miniatura do mundo. Hoje, 10 anos depois, a Internet não é mais a mesma. Todos os serviços da Internet se renderam ao poder da Web e à linguagem HTML, que a sustenta. Até o serviço de correio eletrônico, campeão de tráfego na Internet por muitos anos, que por muito tempo exigia aplicações específicas, separadas do browser, hoje é lido dentro de um browser, através de páginas HTML.

A Web conseguiu finalmente organizar um pouco as informações da Internet através do hipertexto mas foi só no ano seguinte que começou a tomar conta da Internet com a chegada do primeiro navegador gráfico: o X-Mosaic – programa desenvolvido por um grupo de estagiários do NCSA - Centro Nacional de Supercomputação da Universidade de Illinois. Pouco depois surgiram versões para Windows e Macintosh que, oferecendo pela primeira vez uma interface gráfica para a Web, acessível através de um PC ou Mac, trouxe a grande massa de usuários domésticos para dentro da rede. Os provedores de acesso e informação comerciais se multiplicaram, oferecendo às pessoas comuns o mesmo acesso que antes só tinham as grandes organizações e o meio acadêmico, e a NSFNET finalmente se entregou á iniciativa privada.

Os criadores do Mosaic, entre eles Marc Andreesen, pouco depois de deixar a universidade criaram uma empresa: a Netscape, que foi provavelmente a empresa que teve a maior influência nos rumos seguidos pela Web na sua evolução até os dias de hoje.

Parte 1 – Web e Internet

O poder da Web como meio de comunicação

Apesar de ter surgido inicialmente como um serviço disponível em uma rede de computadores, a Web tem hoje um papel muito mais importante. Ela é confundida com a própria Internet, da qual faz parte. Para explorá-la, nem é mais necessário ter um PC. Para publicar informações através dela, não é preciso saber nada sobre programação ou redes. Tecnologias recentes como o Network Computer (NC) – é um terminal inteligente para a Web, telefones celulares com navegadores embutidos e a rede WebTV mostram que a World Wide Web está destinada a preencher todos os espaços da mídia de difusão, não se limitando àqueles que possuem um computador.

A Web, dessa forma, possui um potencial inigualável na história das telecomunicações. É capaz de servir de porta de entrada não só a todos os serviços da Internet mas também invadir a praia dos tradicionais serviços de voz (telefone), televisão, rádio e mídias impressas, sem falar do impacto que está tendo diretamente nos hábitos da sociedade, mudando as regras do comércio e das relações humanas.

Diferente dos meios tradicionais de comunicação de massa, a World Wide Web é uma mídia democrática (isto é demonstrado pelo fracasso das tentativas de controle da informação por governos totalitários.) O participante da comunidade virtual não precisa possuir uma estação difusora, uma concessão, uma gráfica e nem sequer um computador para poder publicar sua informação e influenciar sua audiência, já que existem provedores de acesso e hospedeiros de informações que nada cobram. Todos podem receber as informações de todos. Qualquer um pode prover informação. O poder da informação está nas mãos de todos os que puderem ter um espaço na Teia, e não mais apenas com aqueles que controlam os meios de difusão tradicionais.

1.2. Como funciona a Web e a Internet

Como deve ter ficado claro se você leu a história da Internet, os termos Web e Internet não são sinônimos. A World Wide Web é o nome do serviço mais popular da Internet. Por esse motivo, é freqüentemente confundida com a própria Internet. Internet, por sua vez, é o nome dado ao conjunto de computadores, provedores de acesso, satélites, cabos e serviços que formam uma rede mundial baseada em uma coleção de protocolos de comunicação conhecidos como TCP/IP. Essa distinção pode fazer pouca diferença para quem apenas navega pela Web mas é essencial para quem pretende desenvolver e colocar no ar páginas e aplicações.

Protocolos

É através de protocolos de comunicação que um computador pode se comunicar com outro através de uma linha telefônica ou placa de rede sem que o usuário precise se preocupar em saber qual o meio físico que está sendo utilizado. O sistema Windows possui protocolos que permitem facilmente interligar computadores rodando Windows entre si. Os mesmos protocolos podem não servir para fazer com que uma máquina Windows se comunique com uma

Parte 1 – Web e Internet máquina Unix ou Macintosh, pois essas máquinas possuem arquiteturas diferentes. TCP/IP é uma suite de protocolos padrão que foi adotado como “língua oficial” da Internet. Para fazer parte da Internet, um computador precisa saber se comunicar em TCP/IP. Todas as operações de rede são traduzidas para TCP/IP antes que possam funcionar na Internet.

Protocolos TCP/IP atuam em vários níveis ou camadas dentro de uma rede ou computador. Um grupo de protocolos lida com os detalhes da rede física, como a conversão dos dados para que possam ser enviados pela linha telefônica ou cabos de rede. São chamados de protocolos da camada física. Uma segunda classe de protocolos serve para organizar geograficamente a rede, atribuindo a cada pedaço de informação que circula por ela um endereço de origem e destino. Esses são os protocolos de nível de rede. Garantir que as informações chegam ao seu destino inteiras e na ordem correta é uma tarefa realizada por uma classe de protocolos chamados de protocolos de transporte. Finalmente, há protocolos que se preocupam apenas com a comunicação entre aplicações rodando em máquinas diferentes. Esses são os protocolos de nível de aplicação.

Para que qualquer informação na Internet saia de um computador e chegue até outro, precisará ser transformada por esses quatro tipos de protocolos em seqüência. Cada camada fragmenta ou transforma os dados mais e mais até que estejam em um formato que possa ser usado pelo protocolo seguinte ou adequado à transmissão pela rede. Ao chegar do outro lado, os dados são decodificados na ordem inversa. A relação abaixo apresenta um resumo desses quatro tipos de protocolos (com as siglas de alguns deles entre parênteses):

• Camada 4 (mais alta): protocolos de aplicação - oferecem serviços como acesso remoto (Telnet), e-mail (SMTP, POP3), transferência de arquivos (FTP), serviço de nomes (DNS), serviço Web (HTTP) entre outros. Lidam com a comunicação aparente entre duas aplicações rodando em computadores diferentes.

• Camada 3: protocolos de transporte - realizam a transferência dos dados organizados em “pacotes” de uma máquina para outra. A transferência pode ser confiável (TCP) ou não-confiável (UDP). Transferências não confiáveis são mais rápidas e por isso são usadas para transmitir áudio e vídeo eficientemente.

• Camada 2: protocolos de nível de rede - identificam as máquinas e pacotes de informação através de endereços (IP) de origem e destino, formados por códigos distintos como 200.231.19.1

SLIP,), placas e cabos de rede, transmissores e receptores de rádio e infraverme-

• Camada 1: protocolos da camada física - realizam a interface entre as camadas anteriores e o meio de transmissão que pode ser formado por linhas telefônicas (P, lho, links de satélite, etc.

Parte 1 – Web e Internet

A figura abaixo ilustra a transferência de informações entre computadores, passando pelas 4 camadas interligadas pelos protocolos TCP/IP:

Cliente Servidor

Linha telefônica

Internet Linha telefônica

Comunicação Aparente

Endereços Internet

Um dos protocolos mais importantes da suite TCP/IP é o protocolo de nível de rede IP

- Internet Protocol. Ele define a forma de endereçamento que permite a localização de um computador na Internet, através de um conjunto de dígitos chamado de endereço IP. Qualquer máquina acessível através da Internet tem um endereço IP exclusivo. Esse endereço pode ser temporário ou permanente. Quando você se conecta a um provedor via linha telefônica, ele atribui um número IP temporário à sua máquina que permitirá que ela faça parte da Internet enquanto durar a sua sessão no provedor. Só assim é possível receber informações em um browser ou enviar e-mail. Computadores que hospedam páginas Web e que oferecem outros serviços pela Internet precisam de um endereço IP fixo, para que você possa localizá-los a qualquer hora. Por exemplo, 200.231.191.10 é o endereço IP da máquina onde está localizado o servidor Web do IBPINET em São Paulo. Você pode localizá-lo digitando http://200.231.191.10/ no campo de endereços do seu navegador.

Serviço de Nomes (DNS – Domain Name Service)

Embora cada computador seja identificado de forma exclusiva através de um endereço

IP, não é dessa forma que costumamos localizá-los na Internet. Um dos serviços fundamentais ao funcionamento da Internet é o serviço de nomes de domínio. Esse serviço é oferecido por várias máquinas espalhadas pela Internet e que guardam tabelas que associam o nome de uma máquina ou de uma rede a um endereço IP. Quando você digita o nome de uma máquina no seu browser (por exemplo, w.ibpinet.net), o browser primeiro tenta localizá-la consultando uma outra máquina (cujo endereço IP o browser já conhece) que oferece o serviço de nomes. Essa máquina consulta outros serviços de nomes espalhados pela Internet e em pouco tempo devolve o endereço IP correspondente ao nome solicitado (w.ibpinet.net devolverá 200.231.191.10).

Se o sistema de nomes falhar, o browser não conseguirá o número IP que precisa e assim não localizará a máquina correspondente (mesmo que ela não esteja fora do ar).

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Portas e serviços da Internet

A Internet existe há mais de três décadas. Na maior parte desse período ela era restrita aos meios acadêmicos e militares e oferecia poucos serviços. Os principais serviços utilizados na rede eram a transferência de arquivos entre computadores (usando aplicações que se comunicavam através do protocolo FTP - File Transfer Protocol), o correio eletrônico e a emulação de terminal, que permitia o acesso a computadores remotos. Esses serviços eram oferecidos em algumas máquinas onde rodavam programas servidores, permanentemente no ar aguardando a conexão de um cliente em uma de suas portas de comunicação.

Uma mesma máquina pode oferecer vários serviços, desde que em portas diferentes. I- magine que o endereço IP de uma máquina seja como o endereço de um prédio de escritórios. Localizando o prédio, você procura por um determinado serviço que é prestado por uma empresa. Pode haver várias empresas no prédio. Cada uma tem uma sala identificada por um número. O número da sala é análogo à porta de serviços de uma máquina. Para facilitar a vida dos clientes, várias portas, identificadas por um número, foram padronizadas, ou seja, em computadores diferentes, você geralmente encontra os mesmos serviços localizados em portas com os mesmos números.

Para ter acesso a um serviço é preciso ter uma aplicação cliente apropriada que saiba conversar na língua (protocolo de nível de aplicação) de uma aplicação servidora (programa que oferece o serviço na porta buscada pelo cliente). Como as portas são padronizadas, um cliente muitas vezes só precisa saber o nome ou endereço IP da máquina que tem determinado serviço, pois o número da porta ele supõe que seja o número padrão.

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