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A primeira geração

Os primeiros sites na Web previlegiavam apenas o conteúdo e não a forma. Foram criados por cientistas que desejavam compartilhar suas idéias com outros cientistas. Eles eram estritamente lineares e tinham um mínimo de funcionalidade.

Na primeira geração, nota-se claramente a limitação imposta por modems lentos e monitores monocromáticos. Os gráficos e textos eram apresentados sempre de cima para baixo e da esquerda para a direita. Era muito comum o uso de saltos de linhas, marcadores e linhas horizontais como recursos para separar parágrafos.

A segunda geração

No início de 1995, foram lançadas diversas extensões à linguagem HTML no browser Netscape Navigator (que então dominava sozinho a web). A evolução nos sites surgiu na forma de ícones, imagens de fundo, botões com bordas, tabelas e gráficos mapeados. A estrutura deixa de ser linear para ser apresentada de forma hierárquica, quase sempre através de menus com vários níveis.

A maior diferença da segunda geração para a primeira foi a substituição de palavras por elementos gráficos. As funções passam a ser representadas por ícones, surgem imagens de fundo ao invés dos antigos fundos cinzas, os gráficos coloridos e animados substituem as antigas figuras. Cria-se o conceito de "home-page": uma página cheia de desenhos 3D, janelas e botões, que serve de menu para acessar o restante de um site.

Nesta época, a legibilidade deixou de ser importante. Para ter um bom site, era necessário mostrar uma grande quantidade de truques técnicos.

Sites de terceira geração

O que diferencia a terceira geração das demais não são os recursos tecnológicos. A grande diferença está no design. A idéia é dar aos usuários uma boa sensação. As pessoas mais habilidosas conseguiram criar sites de terceira geração usando qualquer browser gráfico.

Na terceira geração, o conteúdo volta ao seu lugar de destaque. Entretanto, a forma não é mais deixada de lado. Há uma preocupação simultânea com funcionalidade e beleza estética. Há grande preocupação no layout preciso, na harmonia entre as cores, na escolha do tipo de letra adequado, no uso correto dos gráficos e no tempo para carregar cada página. Acima de tudo, há um compromisso de ser agradável (em todos os sentidos) ao usuário.

Os projetistas destes novos sites utilizam metáforas e modelos psicológicos dos consumidores. Assim como os arquitetos que fazem os shopping centers, eles passam horas e até dias pensando em como tornar suas páginas mais atraentes aos seus usuários.

Criar sites de terceira geração é um trabalho árduo, que exige dedicação e uma grande sentimento daquilo que agrada o seu público-alvo. Em geral envolve o trabalho de uma equipe que precisa trabalhar unida para fazer cada página ser bonita e o site como um todo funcionar como uma boa experiência para o usuário.

O Restaurante

É interessante a comparação de um site web com um restaurante.

Você descobre um restaurante através de um amigo, de um anúncio ou passando por acaso por ele. Você lê cartazes ou faixas com ofertas do lado de fora, pára na entrada e sente o clima e o cheirinho da comida.

Estando na porta, você decide se vai ou não entrar. Em um restaurante popular, você até pode esperar em uma fila para conseguir uma mesa. Se você ficar, será levado a uma mesa e lá lhe mostrarão um cardápio. Você faz a sua escolha.

Quando a comida chega, você aprecia o prato. Tanto a comida como a sua arrumação no prato são obra do chef. Você prova um ou outro item, mistura alguns para experimentar o sabor.

No final, você escolhe uma sobremesa, pede a conta e paga. Você deixa uma gorjeta e pode até conversar um pouco com o maitre ou o dono. Depois, quando sentir fome novamente, poderá voltar ou não, de acordo com a qualidade da sua primeira experiência.

Pense na Web como uma cidadezinha aconchegante com meio milhão de restaurantes.

Quarta geração?

Muitas pessoas acreditam que os sites de hoje são de quarta geração, pelo simples fato de terem sido projetados para visualização com a versão 4 dos browsers. Outros acreditam que a quarta geração são os sites com páginas dinâmicas e acesso a banco de dados.

Nada disto é verdade. O que define a geração de um site não é a tecnologia usada para construí-lo, mas o seu design. Um bom projetista pode criar um site de terceira geração que possa ser visualizado com o Netscape 1.1. Um site que explora recursos do Internet Explorer 4.0 pode ser de segunda geração.

Páginas de Entrada

Uma característica típica de um site de terceira geração é a página de entrada. Ao invés de mostrar diretamente ao usuário o seu menu de opções, você o convida a ver uma página inicial, uma porta de entrada ou uma "Splash Screen". Em alguns sites, existe uma seqüência de páginas de entrada, formando um túnel ou corredor.

A idéia é simples: fazer com que o usuário sinta o que encontrará dentro do site. O usuário deve sentir-se atraído a continuar, seja por estímulos positivos ou por um certo grau de suspense.

Algumas páginas usam túneis (várias páginas de entrada), mas neste caso o risco é grande. Se não for muito bem elaborado e atraente, um túnel poderá afastar usuários ao invés de atraí-los. Nunca use mais de quatro páginas. Tenha um link direto para a página principal para o caso do usuário não desejar passar pelo túnel.

Um defeito básico a evitar nas páginas de entrada é um tempo grande para carregá-las. Se a sua página de entrada demorar mais de 15 segundos para aparecer (levando em conta a velocidade mais comum dos modems), o seu usuário poderá nunca chegar ao seu menu de opções. Pelo contrário, ele acabará procurando uma página mais interessante no C@dê.

Outro defeito é tentar fazer o usuário se registrar logo na entrada. Frases do tipo "registre-se aqui de graça" não funcionam mais. Se você deseja realmente que as pessoas se registrem, você deve dar algo a elas, antes. Um registro na sua página ou túnel de entrada significa uma barreira que vai apenas espantar a maioria dos seus usuários.

Página Principal

Ao contrário da geração anterior, os sites de terceira geração podem ter uma ou várias páginas básicas (home-pages), como uma forma de organizar ou apresentar o seu conteúdo. Alguns sites simplesmente não possuem uma página principal.

Na terceira geração, as páginas principais devem ter conteúdo, além de servirem como ligação com as demais páginas. Não tenha medo de orientar o seu visitante. Inclua vários links para outras páginas do site em cada página. Tenha sempre algo interessante em cada página.

Se o seu site vende produtos, deve haver um link para o catálogo em quase todas as páginas do site. Se você tem um formulário online para venda do seu software, tenha um link para ele em todas as páginas que falarem deste software. Se você deseja que o usuário preencha uma pesquisa, faça com que o link apareça em cada página. A maioria das pessoas não vai clicar nestes links na primeira vez, mas eles acabarão clicando quando estiverem prontos.

Iscas

Utilize iscas para atrair os visitantes ao seu site. Fofocas, notícias, promoções de vendas, software grátis, arquivos com sons, fotos da loura do tchan e receitas culinárias são coisas que atraem usuários para sites de terceira geração. Se você quer atrair donos de cachorros, crie uma seção "anatomia de uma pulga" ou "catálogo de raças de cães". Se você quer atrair amantes de cinema, tenha uma lista dos filmes mais alugados na semana.

Na web, estas iscas costumam ser chamadas de "coisas grátis" (free stuff). Se você der coisas grátis, mais usuários passearão pelo seu site. Use a imaginação! Pense em alguma coisa que o seu público alvo goste de ver, ouvir ou falar. Quando os usuários começarem a dar o endereço do seu site para os amigos, a coisa estará dando certo. Porém, cuidado! Quanto mais coisas grátis você der, mas os usuários vão querer. Prepara-se, então, para continuar dando sempre mais coisas grátis.

Páginas de saída

Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, um link para a saída do seu site não fará os usuários irem embora. Mostrar uma página (ou túnel) de saída faz com que os usuários sintam que estão saindo e reflitam: "será que eu já visitei tudo o que queria neste site?".

Anunciar a saída também cria uma certa expectativa. Vale a pena perder um pouco de tempo para criar um saída realmente interessante. Não é bom, entretanto, fazer muito alarde. Deve haver um link sutil, sem destaque a mais ou a menos. Sem encorajar o usuário a sair, mas ao mesmo tempo mostrando que existe esta opção.

A página de saída é também um bom lugar para perguntar algo ao seu usuário. Você pode pedir para que ele preencha um formulário, ligue para o seu número 0800, participe no sorteio de um prêmio, assine uma lista de discussão ou coisas do gênero. Neste ponto, o usuário deve estar satisfeito com a experiência e pode estar disposto a lhe dar algo em retorno.

O "grande final" pode ainda incluir um último comentário sobre o tema, uma lista de sites relacionados na Internet ou similares.

Mudanças

Se você tem um site, com certeza deseja entrar para o "bookmark" ou a "lista de favoritos" do seu usuário. Se a sua página principal for muito boa, isto pode acontecer. Se as iscas o levaram até lá, ele voltará para checar as novidades. Seu site, então, pode ser beneficiado por mudanças.

Se você planeja mudar seu site uma vez por mês, é melhor nem se dar a esse trabalho. É como se ele fosse estático. Um site que muda semanalmente e tem informações interessantes pode atrair alguns usuários. Páginas que possuem conteúdo novo e atraente diariamente são uma certeza de um grande número de acessos.

O ideal é colocar as novidades em destaque logo na página principal e não criar um link para uma página "novidades". Se as novidades são realmente interessantes, elas merecem um lugar de destaque no seu site.

Metáforas

Um dos elementos típicos de um site de terceira geração são as metáforas. Criando um site que lembra algo do mundo real, você torna a navegação mais fácil e ajuda a dar uma coerência ao seu site.

Metáforas devem ser conhecidas, consistentes e apropriadas para a velocidade de acesso do seu usuário. Elas fazem o usuário se sentir à vontade, dão a ele um sentimento de que já sabe navegar pelo site. Uma boa metáfora pode também levar o usuário a explorá-lo por inteiro, para descobrir até onde ela pode chegar...

As metáforas mais comuns são galerias, museus, revistas em quadrinhos, lojas, canais de televisão, shopping centers, livros, jornais, estantes, parques de diversão, pessoas, computadores, animais, fazendas, prédios, cidades e todo tipo de construção, ser ou objeto do mundo real.

Metáforas são um meio de exploração. Devem ser simples, consistentes e fáceis de usar. Boas metáforas são óbvias e são construídas de forma a serem intuitivas. Uma metáfora ruim força você a aprender novos conceitos e comandos. Se a metáfora for boa, você não consegue se perder no site.

Algumas metáforas exageram no uso de gráficos tridimensionais. Elas possuem um grande realismo e permitem que o usuário abra portas, desça escadas e passeie por corredores. Embora isto fique ótimo em CD-ROMs e redes locais, este tipo de metáfora acaba sendo uma frustração para o usuário da Internet que acessa via modem. Suas metáforas devem ser leves e eficientes.

As metáforas também devem ser familiares para o seu público-alvo. Um site que se baseia na estrutura de um motor de carro é ótimo para amantes de mecânica, mas pode ser péssimo para outras pessoas.

Se decidir usar uma metáfora, você deve usá-la no site inteiro e não somente numa parte dele. E, uma vez escolhida uma metáfora, mantenha sua linha e seja consistente. Pode parecer fácil, mas você será tentado a relaxar em alguns setores do site ou a estender sua metáfora para outros temas. Resista à tentação e mantenha as coisas simples e coerentes.

Projetistas gráficos são pouco explorados na construção de sites web. Eles possuem grande habilidade para criar metáforas em cartões de visita e comerciais de TV. É melhor interagir com este profissional do que tentar tornar-se um.

Temas

Você não precisa de uma metáfora para ter um site de terceira geração. Um tema consistente é suficiente. Um tema pode ser visual ou conceitual. Os exemplos mais comuns são: primitivo, fotográfico, infantil, tipográfico, futurista, náutico, entre muitos outros. Assim como uma metáfora, um tema pode ajudar ou atrapalhar.

Quase qualquer coisa pode servir como um tema. Pense nas vitrines das lojas, que normalmente possuem um tema. A maioria usa um conjunto consistente de cores, texturas, iluminação e gráficos. Decoradores sabem muito sobre temas. Eles criam espaços funcionais e interessantes que não são repetitivos. Um decorador sabe fazer ambientes agradarem os sentidos ao mesmo tempo que servem a um propósito.

Sites temáticos são mais difíceis de criar do que parece. Existe uma grande tentação de usar todos os tipos de recursos: som, animação, fontes e gráficos, criando uma grande confusão. O uso de fotografias de qualidade, por exemplo, pode fazer uma grande diferença em um site.

Usar o número reduzido de cores disponíveis no browser já é difícil. Usar somente um subconjunto destas cores para criar um tema é um desafio e tanto. Um bom site temático requer um grande esforço para unir um projeto atraente à consistência de estilo.

Sites de Informação

Muitos sites não são voltados para consumidores. Sites que possuem um grande volume de informação devem satisfazer a usuários impacientes que querem ir direto ao assunto. Estes sites não podem se dar ao luxo de colocar muitos adornos em torno da informação. Entretanto, eles podem ser agradáveis sem utilizar muitos gráficos.

A maioria destes sites contém longas páginas de texto e listas com marcadores. Seu menu principal é conhecido: Novidades | Nossa Empresa | Índice | Perguntas Comuns | Ajuda. Muitos possuem ferramentas de busca que permitem pesquisar as páginas e ajudar aqueles que não sabem exatamente o que procuram.

A apresentação de informação vinda de um banco de dados é uma tarefa complicada. Sites como o Alta Vista precisam harmonizar em suas páginas os resultados da busca, anúncios, controles de navegação, diferentes níveis de usuários e ofertas tentadoras.

Os projetistas destas páginas devem trabalhar com modelos que são preenchidos no momento de cada pesquisa. O resultado deve ser atraente e funcional, sem confundir o usuário. Quadros (frames) podem ajudar, mas tenha cuidado com a simplicidade.

Os servidores estão fornecendo cada vez mais recursos de personalização. Para sites de informação, isto significa a possibilidade de mostrar ao usuário somente o que lhe interessa. A criação de menus personalizados é um recurso apreciado por todos os usuários. Ofereça a possibilidade de enviar e-mails informando quando uma informação de interesse for adicionada ao site.

Formulários

Projeto de formulários é outra especialidade. Alguns formulários são bem melhores que outros, como acontece com muitas coisas na web. Alguns deixam o usuário confuso, desorientado e sem saber como pedir o produto. A melhor forma de criar um formulário é procurar bons exemplos na própria web e imitá-los. Não cometa o erro de pensar que formulários são simples de fazer.

Prefira os formulários sem bordas ao redor dos campos. Em geral é uma boa idéia alinhar os títulos à direita e colocar os campos a preencher alinhados pela esquerda. Também não é recomendável criar uma longa página com dezenas de campos. Prefira criar várias páginas com um botão "Próxima Página" fazendo a ligação. Numerar os passos e separar as informações usando cores são boas idéias.

Muitas vezes o seu usuário está impaciente ou simplesmente não deseja fornecer muita informação ao seu site. Peça o mínimo possível de informação e mantenha o formulário simples.

Conclusão

Se as pessoas começarem a falar do seu site, se elas voltam com freqüência, se a sua metáfora for mencionada por alguém ou se a sua página de entrada estiver realmente boa, então você conseguiu criar um site de terceira geração.

As pessoas começarão a ter uma certa identificação com o site. Elas se sentirão realmente atraídas a fazer do site um lugar para visitar regularmente. Você terá uma verdadeira comunidade em torno do seu site.

Se você conseguir tudo isso, terá realmente conseguido criar um excelente site.

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Copyright (c) 1998 - Alexandre Barreto

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