Fisiologia gastrintestinal

Fisiologia gastrintestinal

(Parte 3 de 4)

Amilase Pancreática(pH entre 7,8 e 8,2).

Continua a digest o dos carboidratos que foi iniciada na boca. Sua a o semelhante ao da ptialina, transformando o amido (cana, frutas, leite, batata, arroz, trigo) em maltose e glicose. Essa etapa da digest o importantepoisesses carboidratos s o fonte de energia em nosso organismo.

OBS17: A digest o do amido completada no intestino porque, como o alimento permanece pouco tempo na boca, a ptialina n o capaz de quebra-lo totalmente.

Tripsina e Quimiotripsina(pH 7,8 e 8,2).

S o enzimas proteol ticas produzidas em forma inativa (tripsinog nio e quimiotripsinog nio) para n o atacaras prote nas do pr prio rg o produtor (p ncreas). A atua o do tripsinog nio ativada pelaenteroquinase, enzima produzida pelo pr prio duodeno, que por sua vez, j como tripsina, converte quimiotripsinog nio em quimiotripsina. Essas enzimas transformamas prote nas decompostas no est mago em subst ncias mais simples –os amino cidos. As fontes de prote nas s o: carne, queijo, leite, ervilha, etc.

Lipase Pancreática.

Atua na digest o dos lip dios, transformando triglicer dios em glicerol e cidos graxos. Dissociado dessa maneira, os enter citos podem absorver esses nutrientes.

Ribonucleases (RNAse) e Desoxirribonucleases (DNAse). Atuam na digest o inicial dos cidos nucl icos que s o adquiridosna alimenta o.

TripsinaEnteroquinaseTripsinog nio Quimiotripsinog nio Tripsina Quimiotripsina

Arlindo Ugulino Netto –FISIOLOGIA –MEDICINA P2 –2008.1

As c lulas acinares, assim como as parietais g stricas,s o estimuladas por tr s mediadoes: acetilcolina, secretinae CCK. Quando o quimo ainda est no est mago, h a secre o de gastrinapara a realiza o das fun es do est mago. Quando o quimo chega luz do duodeno, a secretina liberada, retardando a secre o da gastrina e estimulando a secre o de suco pancre tico. A CCK, al m de, juntamente a secretina, inibem a secre o de gastrina, estimula a secre o da ves cula biliar para que a bile seja secretada juntamente ao suco pancre tico, fazendo com que ambas atuem simultaneamente no quimo.

OBS18: por isso que dizem que “a digest o come a na vis o”, pois ao observar um alimento, por est mulo vagal, enzimas come am a ser secretadas, como ocorre com a saliva o (“ gua na boca”).

A ves cula biliar armazena(no m ximo 30 a 60ml),secreta e concentra (retira gua) da bile, secre o digestiva produzida pelo f gado(600 a 1000ml por dia).

A bile possui importantes fun es: ajuda a emulsificar grandes part culas de gorduras, bem como ajuda no processo de absor o dos produtos terminais dessa gordura digerida; serve como meio de excre o de v rios produtos importantes de degrada o de c lulas sangu neas: bilirrubina e excesso de colesterol.A primeira dessas fun es n o realizada por meio de enzimas, uma vez que s o inexistentes na bile, mas sim, pela a o dos ácidos biliares.

Icterícia: excesso de bilirrubina no sangue devido a defeitos metab licos. Os sintomas s o pele e escler tica amarelados.

Pode ser causada por dist rbios ainda no metabolismo da bilirrubina (nas fun es dos hepat citos) ou por obstru o nos ductos de excre o (icter cia obstrutiva) Icterícia neonatal: rec m-nascidos, geralmente, n o conseguem excretar a bile, elevando os n veis de bilirrubina no sangue. necess riaa fototerapia, respons vel por transformar a bilirrubina de uma forma pouco excret vel para uma forma mais facilmente excret vel. Se n o for tratado, a bilirrubina trar problemas neurol gicos, por ser t xica e capaz de atravessar a barreira hematoencef lica. Cálculos biliares:o colesterol, que tamb m excretado pela bile, em condi es anormais pode sofrer precipita o resultando na forma o de cálculos biliares de colesterol. A concentra o de colesterol presente na bile determinada, em parte, pela quantidade de gordura ingerida pelo indiv duo (uma vez que o colesterol um dos produtos do metabolismo das gorduras). Indiv duos que adotam dietas ricas em gorduras durante per odos de muitos anos, est o sujeitos forma o de c lculos biliares.

OBS19:c lculos biliares podem se desenvolver a partir da cristaliza o do excesso de qualquer um dos componentes da bile concentrada (sais biliares, lecitina, bilirrubina e colesterol). OBS20: A bilirrubina o produto da destrui o do grupamento heme de hem cias velhas, e excretada pelo f gado (onde conjugada, sendo transformada de bilirrubina indireta n o-excret vel e insol vel, em bilirrubina excret vel e sol vel) e transportada junto albumina (por ser t xica) para ser excretada pela urina ou feses (urobilina).

CEFÁLICA (pouco importante)

VagalPequeno volume Rico em enzimas

Gastrina(j sinaliza a secre o de secretina para estimular o p ncreas)

Volume m dio Rica em enzimas

FASE INTESTINAL (muito importante) cido no duodeno

Grande volume Rica em HCO3-

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Os hepatócitos captam a bilirrubina e a elimina pelos canalículos biliares até a luz intestinal. Até chegar à vesícula biliar, a bile sofre modificações. Até na vesícula, haverá alterações estruturais e bioquímicas na bile como a sua concentração (retirada de água,Na+ e Cl-tornando-a mais espessa e osmótica)pela mucosa da vesícula, restando na bile os seguintes componetes: Sais biliares

Lecitina (lisina, que forma micelas)

Colesterol

Bilirrubina

OBS21: Circulação Entero-hepática dos Sais biliares: Os sais biliares percorrem cerca de 18 vezes o circuito ênterohepático antes de serem reabsorvidos para o sangue, ou seja, ao serem liberados na luz do intestino, são novamente reabsorvidos pelo sangue, retornando ao fígado, onde são devolvidos às células hepáticas e secretados novamente na bile.

O aumento de qualquer um dos componentes acima pode causar cálculos na vesícula, inclusive o excesso de bilirrubina por meio de cálculos de bilirrunatos. Pacientes com anemia hemolítica,anemia falciforme, talassemia ou eristroblastose, por terem uma grande demanda de bilirrubina, passam a apresentar grandes concentrações de bilirrubina indireta gerando icterícia. Conclui-se, então, que indivíduos ictéricos estão propensos a desenvolver pedras na vesícula.

Indivíduos com problemas de tireóide, por terem problemas no metabolismo de cálcio, podem gerar cálculos.

A ausência de sais biliares, responsáveis pela digestão de gorduras, também causam distúrbios metabólicos ao organismo: o colesterol é necessário para formação de hormônios; e os ácidos graxos são indispensáveis na formação das membranas celulares.

Quando o alimento começa a ser digerido na porção superior do TGI, a vesicular biliar também começa a se esvaziar, sobretudo quando alimentos gordurosos chegam ao duodeno, cerca de 30 minutos depois da refeição. O esvaziamento acontece pelas contrações rítmicas da parede da vesícula e pelo relaxamento simultâneo do esfíncter de Oddi. Toda essa série de acontecimentos é estimulada pela CCK. Trata-se da mesma colecistocinina que induz a secreção de enzimas digestivas pelas células acinares do pâncreas, para que ambas secreções ajam juntas no alimento.

BileGordura emulsificada(Bile + Agitação)

Gordura emulsificada Lipase pancreáticaÁc. Graxos

2-monoglicerídios

A secretina, assim como é estimulante do pâncreas, também vai atuar estimulando a secreção de bile, para neutralizar o quimo ácido pela ação do bicarbonato.

A colecistocinina estimula o esvaziamento da vesícula biliar, cerca de 30minutos depois da refeição, ocorre concentrações da parede da vesícula e o relaxamento do esfíncter de Oddi (do colédoco para o duodeno). O pico de CCK é atingido com a chegada de gordura no estômago.

A vesícula é estimulada por fibrasnervosas do sistema nervoso autônomo parassimpático, através da liberação de acetilcolina, dos nervos vagos e do sistema nervoso entérico.

O fígado, pesando cerca de 1500 g, trata-se da maior glândula do corpo. Está situado no quadrante superior direito da cavidade abdominal, logo abaixo do diafragma. Esta glândula apresenta inúmeras funções relacionadas ao metabolismo.

Assim como o pâncreas, o fígado tem funções exócrinas e endócrinas; entretanto, ao contrário do pâncreas, a mesma célula (o hepatócito) do fígado é responsável pela sua secreção exócrina (a bile) e por seus diversos outros produtos endócrinos. Além disso, os hepatócitos convertem substâncias nocivas em materiais não tóxicos, que são secretados na bile, como a bilirrubina.

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OBS22: Do ponto de vista histol gico, esses hepat citos est o organizados em trab culas distribu das de forma radial, onde no centro do lobo hep tico est presente a veia hepática central, e nas regi es angulares t m-se as art ria e veia hep tica.Em certas patologias que acometam o f gado, incidem geralmente na regi o central ou na circula o portal.

FUNÇÕES RELACIONADAS AO METABOLIMSO INTERNO Metabolismo da bilirrubina: transformando-a em bilirrubina conjungada, que mais sol vel e excret vel.

Metabolismo dos carboidratos: armazenamento de energia em forma de glicog nio; transforma o desse glicog nio em glicose para ser usado pelo corpo.

Metabolismo dos lip dios: produ o de outros lip dios, fosfolip dios de membrana e colesterol para horm nios. Metabolismo das prote nas

Metabolismo da bile

As hem cias velhas v o passar por um sistema de hem lise (que pode ser no f gado, rins e ossos longos), sofrendo degrada o de seu grupo heme, tendo como subproduto a bilirrubina, que vai ser transportada pelo sangue juntamente a albumina, por ser uma subst ncia t xica.

Ao chegar aos hepat citos, essa bilirrubina vai sofrer a a o dos seguintes processos: processo de captura (feito por uma prote na espec fica, que houver defeitos, pode desenvolver icter cia), sistema metab lico (convertendo-se em ummetab lito conjugadoe de f cil elimina o) e libera o nos canal culos para ser excretadopara a ves cula, para depois ser enviado ao intestino pelo canal col doco.

Na dieta humana normal, ingerido na forma de polissacar deos (amido) e dissacar deos (sacarose, lactose).Esses a cares sofrer o a o enzim tica na luz do intestino transformando-se em monossacar deos (glicose, frutose e ribose) de f cil absor o. A partir da , atingiram os vasos mesent ricos, para que, por meio da veia porta, chegem at o f gado para serem metabolizados em energia.Nos hepat citos, ocorre a fosforila o (glicose sendo transformada em glicose-6-fosfato), sendo armazenada em forma de glicog nio.Com isso, dependendo das necessidades fisiol gicas, o f gado comandar a glicog nese ou a glicogen lise.

OBS23: Defeitos na mucosa do intestinocausar o d ficits de absor o de glicose. OBS24: Defeitos na enzima glicogênio-6-fosfatasecomprometemo metabolismo adequado dessa glicose.

Os triglicer dios ( steres do glicerol com cidos graxos) sofrem hidr lise parcial na luz intestinal pela a o das l pases, com transporte do glicerol, que hidrossol vel, ao f gado.

Os cidos graxos podem formar complexos hidrosol veis com sais biliares e penetrar na parede intestinal, podendo haver nova s ntese de TGs. Podem se ligar a lipoprote nas para ser transportado pelo sangue. no f gado que os lip dios s o destinados s suas fun es nas diversas vias metab licas do organismo, como a β-oxida o mitocondrial (via na qual a gordura convertida em energia) ou na produ o de colesterol (ester ides, cidos biliares, corpos cet nicos).

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COLESTEROL um esterol sintetizado em diferentes tecidos, inclusive no f gado, mucosa intestinal, supra-renal e parede arterial, sendo excretado na bile como esterol neutro.Pode ser convertido em cidos biliares prim rios; armazenado no f gado na forma estratificada.

OBS25: A aterosclerose pode ser desenvolvida pela ingest o excessiva de colesterol ou pela produ o exagerada desse esterol naparede dos vasos.

O f gado a sede principal do metabolismo dos amino cidos intermedi rios e de s ntese de prote nas. Os A existem na forma livre em diversos tecidos, a maioria dos A no f gado n o essencial(que s o produzidos pelo pr prio corpo: alanina, cido glut mico, glutamina, glicina).

Ap s a alimenta o ocorrempicos de amino cidos no sistema porta, que foram ingeridos na forma de prote nas, desintegradas pelo processo digestivo em amino cidos. Ao chegar ao f gado, esses amino cidos s o transformados em novas prote nas para realizarem novas fun es.

OBS26: A am nia (subst ncia t xica) produzida por bact rias intestinais absorvida pela mucosa do intestino, para ser excretado pelo trato digestivoou pela respira o. OBS27: A ur ia o produto do metabolismo do nitrog nio, sendo facilmente excret velpelo rin. Pode ser hidrolisada para am nia no TGI, sendo um meio eficaz de detoxifica o desta.Indiv duos podem ter intoxica o pelo aumento de am nia ou por ur ia, no caso de insufici nciarenal ou hep tica.

Pacientes com cirrosehepáticaem estadoavan adoapresentam dist rbios mentais (encefalopatia hepática), por n o conseguirmetabolizar e eliminar am nia, que atravessa a barreia hematoencef lica, deixando o indiv duo confuso mentalmente, podendo melhorar por uso de antibi ticos, que v o atacar as bact rias intestinais que transformam ur ia em am nia.

A maioria das prote nasplasm ticas sintetizada no f gado, como albumina, fibrionog nio,fatores (V, VII, IV, X; ligados a vitamina K), fator VIII (parcialmente), hepatoglobinas, transferrina (transporta o ferro no sague), ceruloplasmina (prote na que anula o efeito t xico do cobre e excreta esse metal pesado), globulinas α-1 e α-2 (sistema imunol gicos) e as lipoprote nas (HDL, LDL e VLDL)que transportam a gordura no sangue.

OBS28: Insufici ncia hep tica que traga falta de albumina, pode acarretar edemasdevido o extravio de l quidos para o tecido. Al m disso, a falta de fibrinog nio e os fatores ligados vitamina K trar malef cios coagula o sangu ena.

A maior parte do metabolismo das drogas e outros compostos ex genos ocorrem no f gado, atrav s da a o de enzimas localizadas nos microssomos do ret culo endoplasm tico liso e de co-fatores, como o NADPH, citocromo P450 (liga-se a subst ncia promovendo o seu metabolismo).

Toda droga ingerida tem seu endere o certo para ser metabolizada no f gado pelo sistema P450, para que se torne uma subst ncia n o t xica, apta para a elimina o. Esta desintoxica o est dividida em duas fases:

2 fase: conjunga ocom cido glicur nico ou A (glicina, glutamina), tornando a droga ou metab lito mais sol vel ou mais polar (mais facilmente eliminado), com diminui o da atividade biol gica do composto.

OBS29: Existem medicamentos que competem com o f gado, ou seja, o indiv duo pode estar fazendo uso de dois medicamento em que um bloqueie a a o das enzimas, impedindo a desintoxica o do outro. Com isso, o segundo medicamento, ser considerado t xico.

As grandes dimens es do f gado, rg o ricamente vascularizado e localizado entre as circula es porta e sist mica, conferem-lhe a propriedade de reservat rio de sangue e l quido extra-celular, podendo aumentar ou diminuir a sua capacidade em resposta a situa es patol gicas e fisiol gicas (Ex: insuficiência cardíaca congestiva, em que o cora o n o d conta de bombear o volume de sangue a ser bombeado, gerando uma hepatomegalia).

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