Os Ventos de Northen

Os Ventos de Northen

Os

Ventos

De

Northen

Capitulo I: Primeiro Dia de Aula

Capitulo II: A Dura Realidade

Capitulo III: Viagem a um Mundo Desconhecido

Capitulo IV: Sob o Céu Estrelado

Capitulo V: Hora de Revidar

Capitulo VI: Lembranças de um Passado Perdido

Capitulo VII: O Mais Duro Treinamento

“Quando o homem deixar de sonhar e fantasiar, ai sim a humanidade estará em um grande risco”. (Jhoy Silence)

Em um tempo a muito esquecido pela humanidade, existiu um livro que falava sobre um mundo entre as estrelas onde poucos puderam chegar.

Era um tempo onde às pessoas não aprisionavam suas mentes com coisas que as destruíam e as impediam de sonhar e explorar suas ideias. Mas a esperança pode alcançar qualquer distância em tempo. E por isto estamos aqui, para mostrar que reinos se formaram tão rápido quanto caíram, mas a capacidade de viajar em histórias que nos fazem refletir ainda permanece em nós.

“Eu me recuso a deixar minhas ideias aprisionadas como um pássaro numa gaiola por causa de um mundo que não aceita nem respeita os pensamentos alheios”. (Jhoy Silence)

Capitulo I

Primeiro Dia de Aula

Neidan sempre foi um garoto calmo e desde pequeno nunca teve muitas amizade. Ele nasceu à muito tempo atrás, porém continua nascendo cada vez que este livro é aberto.

Em meio as nossas histórias, nos perguntamos se vale realmente apena acreditar na vida e se existe razão para que os dias continuem passando um após o outro. E Neidan, com 16 anos quando começa de fato a sua história, é apenas um desses expectadores que observam o raiar do dia e o cair da noite sem dar muita importância para acontecimentos como estes. Em breve, ele irá conhecer os dias maus como ninguém jamais conheceu, irá provar do amor e da dor. Fará amigos... Mas também despertará o ódio dos inimigos mais poderosos que existem. E no fim saberemos se todos os dias em que ele abriu os olhos para lutar por um mundo melhor valeram apena para ele.

A parte importante dessa história começa agora, num colégio frio e barulhento. Não existem razões para contar sobre uma infância comum e sem muita emoção como a dele. Afinal o fato dele não ter muitos amigos já nos explica algumas coisas importantes.

Mas chega de conversa...

... Vamos começar a jornada.

- Eu reconheço que sou um sortudo...

... Tenho uma casa, uma mãe, um pai e paz. Estudo em um bom colégio, apesar dos valentões, e de gente que acha que só porque tem grana pode humilhar os outros. E Deus mais que ninguém sabe que eu agradeço a Ele todos os dias pelo que tenho.

Mas às vezes... Às vezes eu fico pensando se existe realmente um sentido nisso tudo. Às vezes eu não tenho vontade de sair nem da cama. Lá parece muito mais real. Fico pensando nas pessoas que magoei sem intenção e se as pessoas que me magoaram fazem o mesmo. Não há razão, não há sentido em apenas... Sobreviver.

As pessoas não param para dar valor às coisas que deveriam ser importantes. Perderam a moral, se é que um dia tiveram. Não se importam umas com as outras como deveriam. Não param para observar o céu, as estrelas ou o mar, as ondas. Não se encantam com uma boa história, um bom livro. E os que nascem com esse dom, os que se preocupam com tudo isso são chamados de “idiotas”.

É...

... Então sou um “idiota”.

Meu melhor amigo, Will, é também o único. Tornei-me meio fechado para o mundo e aprendi a ignorar muitas coisas ao meu redor. É, eu sei, só tenho 16 anos e não deveria ser assim, mas quando as pessoas tratam você mal é difícil sorrir pra elas.

O inicio das aulas no colégio que estudo é hoje e se não fosse o Will eu estaria perdido aqui nesse inferno. Estaria totalmente só e talvez, ao invés de ser apenas ignorado eu seria humilhado. É claro que existiam algumas pessoas como eu, tipo os que eram feras nas aulas, os “sabe tudo”, mas eu ficava no meio sabe, nem era popular e nem era muito inteligente. Nem era espancado e nem era abraçado por alguém.

Foi o Will que me ajudou quando tive minha primeira e frustrante paixão. Foi quando eu o conheci, dois anos atrás. Ele é apenas um ano mais velho que eu, mas às vezes penso que é um longo ano de diferença. O cara é um dos motivos pra eu ainda ter um sorriso no canto da boca às vezes. Deu-me bons conselhos quando eu estava pra baixo.

Pensei que seria ela... Pensei que seria a Ana Bell.

Ele me fez perceber que em um relacionamento os dois tem que ter o mesmo desejo, o desejo de se manter juntos. Não adianta apenas uma pessoa dar tudo de si e fazer sozinho o que cabe aos dois.

Infelizmente, essa pessoa era... Eu.

Neidan e Will chegaram juntos ao colégio, mas como tem aulas em diferentes salas eles se separaram. Foi tempo o bastante pra Neidan pensar um pouco.

Chegando a sala, como todos os anos anteriores, ele se vê totalmente deslocado. Acaba sentando numa cadeira que seria sua por um longo ano, no centro ao lado esquerdo da sala, perto da janela e com uma ótima visão para uma menina de cabelos negros como o céu noturno, cuja pele combina com seus olhos castanhos claros. Mas ele prometeu a si mesmo que não se deixaria enganar novamente, ele seria duro e firme como uma rocha.

Isso até ela vir falar com ele.

É engraçado como são os humanos, eles mudam de um segundo para o outro.

- Meu nome é July – Disse ela – Percebi que você não está muito a vontade aqui.

- Sou Neidan – Meio tímido ele respondeu.

- Você parece ser um cara legal. Não se preocupe, posso fazer você perder essa timidez e ser um pouco mais confiante, assim como eu.

Com um sorriso na boca ele viu seu professor entrar na sala e assim começaram as aulas, aulas essas que Neidan usaria mais como uma desculpa pra ver July do que pra aprender.

Os dois foram se conhecendo ao longo da semana e na sexta-feira July perguntou se ele queria sair para caminhar em um bosque que ficava perto de onde moravam.

- Caminhar, você e eu? – Ele disse.

- Sim. O que me diz? Nós podemos nos conhecer melhor e eu vejo que você não tem muitos amigos, vai ser bom pra você se enturmar um pouco.

- Tudo bem, pode ser. Mais isso não vai ser um encontro ouviu!

- Eu não disse que seria, seu idiota.

Ahh, jovens, jovens...

... Escondem o que querem fingindo que odeiam o que na verdade amam.

Quando chegou a sua casa, ele foi procurar Will, que morava no fim da rua, a penúltima casa.

Contou sobre July e que não queria se envolver, mas ela dava atenção a ele, de um jeito que ele nunca teve e que sempre esperou. Sem levar em conta que ainda por cima, ela era linda.

- Cara. Eu sei que você passou por algo desagradável com sua ultima relação, mas você é jovem. Você não pode deixar de acreditar em todas as pessoas porque uma cometeu um erro com você. Ou será que você nunca errou com alguém?

- Claro que cometi erros, você sabe muito bem. Mas não estou falando disso. Eu quero ter certeza de que ela gosta de mim e quer ficar mesmo ao meu lado.

- Eu te conheço Neidan, você não precisa tentar me explicar isso. Você precisa explicar a você mesmo o porquê você não se da uma chance. O porquê você não se permite.

- Eu sei, mas é tão difícil... É tão difícil.

- Você é único cara. Ela é uma tola se não der o valor que você merece. Saia com ela e se divirta, se rolar... Rolou. Não esquente a cabeça com isso. E acima de tudo, se permita, mas seja você mesmo. Tudo no seu tempo.

Ele acabou indo tomar aquele sorvete. Aquele e mais alguns.

Era uma relação estranha. No mínimo diferente. Eles não estavam namorando, mas havia uma cumplicidade meio que embutida, não precisavam falar um para o outro que se gostavam porque já sabiam. Eram fieis a esse sentimento e um ao outro.

Ele esperava para ver se July gostava mesmo dele ou se quando aparecesse algum cara bonitão ela montaria em seu cavalo e iria ser feliz.

Ela pensava o mesmo dele.

Até aqui tudo estava “normal”...

... Mas o mundo, pelo menos o de Neidan, mudaria de uma maneira que jamais ele havia sonhado.

Um mês antes das férias do primeiro semestre...

- Começou a chover, quando eu estava voltando para a sala. Quando estava quase saindo do pátio da escola um impulso me fez olhar para cima e por um momento imaginei ter visto alguém no terraço a três andares do chão. Ele estava em pé. E olhava pra mim.

Não foi minha imaginação.

Eu corri lá para cima e a cada passo que eu dava a chuva ficava mais forte. E após cinco intermináveis minutos, quando finalmente cheguei...

... Inicia-se um dialogo...

... Decisivo para o futuro não só dos dois personagens, que se encontravam pela primeira vez, mas para o futuro dos mundos de cada um deles.

- Olá Neidan. Eu sou Tyrel, e estou aqui por sua causa – Um ser estranho falou com uma voz de desepero.

- Oi... Mas como sabe meu nome?

- Eu sei de algumas coisas por aqui, mas isso é irrelevante agora. Eu quero que leve com você essa esfera de cristal de Northen. Se seu coração e seu desejo forem fortes, nós nos veremos novamente, mas se não, você não precisará se preocupar com nada disso.

- Como assim? Que papo é esse? Cristal de onde?

- São muitas perguntas, eu sei. Porém todas elas serão respondidas em breve. Gostei de você Neidan, e sinceramente espero que nos encontremos de novo.

A chuva parou...

... Neidan nem havia percebido que o céu estava limpo como nunca vira antes.

Ficou um bom tempo ainda sentado numa caixa de madeira que estava no terraço. Coberto de água ele se toca que não foi um sonho. Definitivamente não foi um sonho.

Quando chega a sua casa ele se tranca no quarto e tem uma experiência única. Ele pega o orbe de cristal e fica o admirando e pensando sobre o que tinha acontecido, quando de repente centenas de imagens mostram em sua mente três homens, e um deles se parecia com aquele que lhe dera a esfera de cristal no terraço.

Eles estavam em um campo cheio de arvores que eram afastadas umas das outras, estavam de costas um para o outro. Vestiam roupas estranhas, com capas longas, como se fossem soldados de algum império antigo. Logo apareceram muitos outros e os cercaram e do meio deles saiu um homem alto de aparência maléfica, seu rosto trazia agonia para quem o olhasse nos olhos negros como ébano.

Logo após esse homem parecer dizer algo começou uma guerra terrível. Parecia uma cena de ficção. Com fogo saindo das mãos de alguns e os três que lutavam bravamente usavam algum de tipo de magia de vento que permitia controlar o ar a sua volta.

Logo um dos homens caiu. Parecia ser o mais novo dos três, e o que parecia com Tyrel foi ao encontro dele, mas quando se abaixou para ajuda-lo o homem que trazia trevas consigo lançou uma mistura de fogo e escuridão na direção dos dois. Vendo aquilo, o terceiro, o de aparência mais velha dos três, se colocou na frente daquele fogo negro e após dizer algumas palavras irreconhecíveis para Neidan foi coberto por uma aura constituída do que parecia ser um circulo de ar e com a qual protegeu Tyrel a custo de sua própria vida.

Aquilo causou uma explosão que afastou os inimigos, mas não atingiu Tyrel. Após tudo acabado, um resto de vida ainda restava e aquele homem que protegeu seu amigo pediu para que ele encontrasse um livro de capa marrom e letras douradas e entregou-lhe uma esfera de cristal.

Não foi como um vídeo...

... Foram apenas imagens entrando na mente dele, como se fosse memorias.

O orbe rolou das mãos de Neidan com leveza e suavidade e parou no meio do quarto.

Foi um choque.

Mas ele se recuperou rápido, se pôs de pé e foi buscar a esfera que tinha entrado em sua mente, em sua alma e mostrado a ele uma cena que não conseguiu entender completamente. Quando a tocou novamente ele sentiu seu corpo em chamas e de repente ele se viu novamente frente a frente com o homem que o dera aquele presente magnifico.

Com o homem que faria dele um homem de verdade.

Um homem de valor.

Capitulo II

A Dura Realidade

As pessoas mentem por beneficio próprio. Elas erram todos os dias e magoam aqueles que amam.

O mundo é cruel e injusto...

... Mas ele é feito de pessoas. Se elas mudam o mundo muda também.

Neidan foi levado instantaneamente a um lago cinza e calmo, com arvores de folhas amarelas ao seu redor. E diante dele estava Tyrel. Um desconhecido de olhos preocupados.

- Oh Neidan... Fico feliz em saber que você conseguiu chegar.

- Eu não estou gostando dessa brincadeira. Quero saber o que está acontecendo, quero saber o que são todas essas lembranças na minha cabeça, o que é você e porque você está nelas.

- Calma meu jovem. Agora eu posso te explicar tudo.

Sentados na grama...

... À beira de um lago cinza, a voz do mestre ecoa.

- Existe um lugar. Um mundo que chamo de lar. O qual se chama...

NORTHEN

Lá, magia e ciência são a mesma coisa. É um mundo igual ao seu, só que mais desenvolvido.

Trinta e quatro anos atrás eu nasci. Quando fiz quinze anos conheci meu mestre em magia do céu e meus melhores amigos, Aggelos e Mavakh.

Alguns de nós levam uma vida normal, sem magia.

Outros como eu e meus companheiros assim que somos gerados nos envolvemos nesse poder... Ou melhor... Somos envolvidos por ele.

Existem quatro tipos básicos de magia.

  • Magia do céu, que é a minha. Que permite controlar o vento.

  • Magia da terra. Que dá poderes sobre a mesma

  • Magia da água. Que dá poderes para controlar os mais temíveis oceanos.

  • E magia das chamas. Que permite controlar o fogo.

Mas é muito mais complicado que isso. Existem variações de mago para mago. E dependendo da força da magia que reside em cada um, eles podem superar suas magias em um nível muito mais alto do que se imagina.

Por gerações as tradições foram passadas pelos mais velhos, que ensinavam a controlar e fortalecer nossos corpos e mentes. E para que essas tradições fossem passadas durante os séculos foram criadas guildas para esses magos.

A nossa guilda de magos do céu, uma das maiores do reino de Northen, foi atacada e só ficamos vivos eu e meus dois amigos, Aggelos e Mavakh.

Infelizmente, um louco por poder, chamado Malach, descobriu uma maneira de ampliar seus poderes. Sua magia das chamas se tornou tão forte que suas chamas ficaram negras como seus olhos.

Este louco declarou guerra a todos que fossem contra a autoridade dele e dominou uma grande parte de Northen. Ele quer fazer de sua guilda o seu reino e assim fazer com que todos se submetam a ele.

Como você viu no orbe, eles nos encurralaram nas montanhas e mataram meus dois amigos. Mas existem detalhes que você não sabe.

A magia de um guerreiro nasce junto com ele, ainda não sabemos como controlar isso nem de onde vem. Apenas que flui através de todo o mundo.

Assim que nosso mestre morreu ele deixou para trás pistas do livro de nossa guilda, que conta a historia de nossa magia dos céus e como devemos usa-la. Só que isso é apenas um terço do conteúdo.

Quando a explosão acabou, eu pude ver pela primeira vez a magia fluindo de dentro deles e deixando seus corpos. O que você está segurando em suas mãos, esse orbe cristalizado, foi isso que ela se tornou.

- Neidan - Entendo. Tenho que admitir que seja surpreendente toda essa historia, mas o que eu tenho haver com tudo isso Tyrel?

- Não me entenda mal Neidan. Acho que você não é nenhum tipo de escolhido ou coisa parecida. Mas também acho que não vim parar aqui por acaso, e não foi por acaso que você me viu e subiu até aquele telhado. Foi porque ambos acreditamos em algo que não sabemos explicar ainda.

Você se mostrou forte e fiel aos seus princípios. Você é um guerreiro, posso ver em você. Posso te treinar. Posso te ensinar a controlar sua mente e então com isso controlar seu corpo, isso é o que aqui vocês chamam de artes marciais eu acho. O que me diz?

- Eu quero ajudar você, mas não sei nem por onde começar.

- Um mestre guia seu discípulo. Não se preocupe meu rapaz. Eu vou descobrir uma maneira de voltar e quando nós voltarmos você estará preparado. Por enquanto estude o orbe como fez da ultima vez e treine comigo, será o suficiente.

- Farei o que for preciso para ajudar você e seu mundo a serem livres novamente. Eu prometo.

- Não faça promessas que não poderá cumprir meu garoto. Agora vá e todas as manhãs você me encontrará aqui bem cedo.

Neidan começa seu treinamento.

Na sexta-feira, ultimo dia de aula antes das férias, Neidan faz aniversário. E faz também um mês de um treinamento duro e puxado. Seu corpo já começa a sentir as pequenas mudanças.

Depois de mais uma aula com Tyrel, ele vai para casa, toma um banho e passa na casa de Will para irem ao colégio. Não houve aula, apenas comemorações de adolescentes que se viam livre delas.

Ele não viu July nesse dia...

- O que teria acontecido - ficou pensando. Será que ela está bem...

Will ficou dando voltas com ele, conversando sobre bobagens, como se quisesse engana-lo. Então enfim chegaram à casa de Neidan.

- Boa noite Will – Disse ele com um olhar triste e pensativo.

- Sabe de uma coisa Neidan... Irei dormir na sua casa hoje, posso?

- Claro. Mas é claro que pode, seria ótimo. Eu quero te mostrar uma coisa que...

Will abre a porta sem o deixar terminar a frase...

Começam as palmas para o aniversariante.

Foi tudo ideia de July... Ela gostava mesmo dele.

A noite toda ele só conseguia pensar em sua missão, em Tyrel. Como poderia estar comemorando quando o mundo de seu mestre estava sendo dominado pela força de um imperador doente por poder e sangue que com certeza descobriria uma maneira de seguir Tyrel até a terra.

Saiu e sentou-se na varanda, em quanto seus colegas e familiares que mal o conheciam, com exceção de dois grandes amigos, festejavam.

- Neidan... Porque está ai sentado? A festa é sua, vamos lá pra dentro e vamos nos divertir – Disse July imaginando se ele teria gostado da surpresa.

- July, não me leve a mal. Eu sou um chato. Nem conheço a grande maioria das pessoas que estão lá comendo e bebendo.

- E dançando também – Sorriu ela – você não os conhece, porque está ai sentado.

Ele se levantou e entrou, e ela o seguiu.

Neidan pegou um pedaço de bolo e um copo de refrigerante e saiu pela porta novamente. Quando o dia amanheceu ele estava sentado perto do lago onde não havia ninguém esperando pelo seu mentor com presentes de seu aniversário. Um bolo e uma bebida.

- Porque não me disse que era seu aniversário garoto? Eu teria dado um jeito de ir.

- Achei que você saberia, assim como soube o meu nome quando me viu.

- Pelo amor de Deus, eu não sou vidente. Eu vi o pingente com um nome na sua maleta de estudos e imaginei que fosse o seu. Que imaginação a sua.

- Mas agora já não importa, você deveria estar muito ocupado.

- Vamos fazer assim, nada de treino hoje. Volte pra casa, para os seus amigos que devem estar preocupados com você e amanhã retornaremos o nosso treinamento. Ah... E Neidan. Parabéns e obrigado, o bolo está delicioso.

Quando chegou a sua casa ele viu que ainda tinha gente lá, alguns colegas mais próximos ficaram preocupados com o sumiço dele.

- Pelo amor de Deus Neidan onde você estava? – Disse a mãe do garoto.

Ele permaneceu em silencio.

Todos saíram e foram para suas casas.

- Cara, nunca mais me dê um susto desses.

- Não se preocupe Will. Eu só fui visitar um amigo que precisava de mim. Desculpa, não foi minha intenção.

- Não é para nós que você deve desculpa. July esta lá no seu quarto chorando feito uma louca, ela pensou que tinha acontecido alguma coisa com você.

Ele sobe as escadas correndo...

... Abre a porta do quarto.

- Ei, me perdoe. Eu não queria fazer você chor...

Ela pulou no pescoço dele como se nunca mais fosse vê-lo novamente. Essa foi a primeira vez que ela fez isso, a segunda seria ainda mais dramática.

- July... Desculpe-me... Eu fui levar um pedaço de bolo a um amigo.

Ela em silencio simplesmente o afastou ate que pudesse ver seu rosto por completo. O beijou como se sua vida dependesse disso.

- Nunca mais faça isso de novo. Nunca mais me deixe sozinha Neidan. Nunca mais ouviu...

Ele gostou daquilo. Estava sendo amado com total sinceridade. Mas em sua mente preocupada ele não pôde deixar de lembrar que viajaria até o desconhecido, em meio às estrelas mais distantes, onde perigos inimagináveis o esperavam e nunca poderia saber se voltaria para ela. Somente voltou a consola-la com um abraço, como faz um bom amigo.

Ela entendeu o recado. Despediu-se e foi embora. Mas antes de se virar ela o viu com lagrimas nos olhos.

- Porque ele não pode me amar? – Se perguntou ela – seria mais fácil se ele não tivesse medo.

- Que droga... Eu procurei tanto. Procurei no mais fundo do meu coração alguém que pudesse me fazer feliz como ela faz e agora que encontro eu a deixo ir. Mas não posso deixar que ela sofresse por minha causa e não quero sofrer mais. É para o bem dela. E para o meu.

No dia seguinte.

- Neidan, você só pode estar maluco cara... July me contou o que houve. O que deu em você meu amigo?

- Will... É complicado de explicar. Existem coisas. Existem motivos para que eu fique em silencio e é assim que quero ficar agora.

- Então pode começar a contar.

- Eu não posso ficar com ela, nem com ninguém Will.

- Você está me obrigando a te dizer a verdade sobre você. Pois bem. Você é um medroso Neidan. Não tem amor próprio então como pode amar alguém... Fica se lamentando porque que coisas ruins acontecem com você e deixa que elas o controlem.

“Seja mais forte que a sua melhor desculpa.”

- Abrace quem te ama e aconteça o que acontecer, não deixe quem você quer proteger se ferir. Eu não quero saber o porquê desse silencio todo que você faz. Se você mudar sua atitude será o suficiente para mim. O suficiente para ela.

Com lagrimas nos olhos ele olha para o seu melhor amigo. E depois de uma longa conversa...

- Você está certo. Eu fui um egoísta, um covarde. Mas não vou mais fugir. De agora em diante eu vou me permitir ser quem sou.

Obrigado meu amigo

Eu fui um fraco e um tolo

Eu fui

Capitulo III

Viagem a um mundo desconhecido

Durante o mês de férias, Neidan ajeitou sua vida. Entendeu-se com July e treinou como um grande guerreiro para uma guerra que, primeiramente começara em sua mente.

Quando as aulas recomeçaram eles eram um casal, um belo casal.

Mas o que estava por vir abalaria toda e qualquer estrutura que ele tivesse formado. E nos próximos quatro anos ele estaria pronto para cumprir seu dever.

Ele passou a se dedicar no seu treinamento com uma vontade de aço, ou melhor, de ar.

Após lembrar-se de uma conversa que teve com seu falecido avo quando ainda era um garoto, ele encontra seu caminho e decide buscar a fundo o seu espirito de guerreiro.

Seu avo antes de morrer entregou um livro a ele, parecia muito velho, com uma aparência até milenar. Porém ele fez o garoto prometer que nunca leria. Então Neidan trocou a capa do livro e o fez parecer uma leitura infantil sem nem mesmo saber o conteúdo. Depois deu de presente a July com a esperança de proteger o livro de qualquer outra pessoa.

Quatro longos anos se passaram...

... Tyrel não acha uma resposta para voltar ao seu mundo...

... Mas Neidan o faz com perfeição.

Ele estava no quarto quando de repente a imagem do orbe veio em sua mente. Fazia muito tempo que ele não via aquela coisa e desde que Tyrel deixou o cristal com ele nunca havia passado em sua cabeça a ideia de admirar o que estava ali dentro.

Pegou o orbe, deitou na cama e o segurou acima da sua cabeça. Ele olhou e olhou e não conseguiu entender como uma coisa tão pequena poderia servir pra alguma coisa. Colocou a esfera de volta no lugar e antes de sair do quarto ele ouviu um sopro em seus ouvidos que fez com que cada pelo do seu corpo se arrepiasse. Na mesma hora ele se virou e se sentiu conectado de alguma maneira estranha com aquela magia.

- Tyrel disse que eu não sou um escolhido ou coisa do tipo, como se vê nos livros. Mas porque eu estava lá? Porque não outra pessoa? Porque tinha que ser eu?

E se eu tivesse desistido como geralmente faço?

O mundo de Tyrel estaria perdido se ninguém tivesse coragem pra subir aquelas escadas como ele teve.

Neidan segurou o orbe com firmeza e então ele se partiu em varias partículas, tão pequenas como grãos de areia. Elas se espalharam por todo o quarto mostrando um mapa e um símbolo que na língua antiga de Northen significava Ar.

Depois que isso aconteceu, todo o pó criado a partir da destruição do cristal cobriu o corpo de Neidan completamente como se estivesse penetrando em cada célula do seu corpo.

Ele acordou ao lado de um saco de dormir num lago cinza com arvores que agora estavam secas, sem folha alguma.

- Como está dorminhoco? Perguntou Tyrel.

- Estou um pouco tonto e com muita fome.

Do canto da sua boca dava pra sentir um sorriso querendo sair para encontrar com um grande amigo.

- Está na hora Neidan. Você finalmente está pronto, é chegada a hora de cumprir sua missão, missão a qual não foi designada a você, mas mesmo assim você a aceitou de coração sincero.

- Eu esperei tanto por isso que nem imaginava que pudesse mais acontecer. Vamos mestre, vamos salvar seu mundo.

- Você tem que se despedir dos seus entes queridos. Talvez nunca descubra uma maneira de voltar.

- Não Tyrel. Eu não preciso. Só se despede aquele que pensa que não verá mais a pessoa que ama. E eu a verei novamente.

Agora é hora de ver o quanto um guerreiro pode suportar.

A hora da provação.

De longe, Neidan viu July, sentada em um banco lendo o livro que ele deu de presente a ela. Um livro velho dado pelo seu avo.

“SEDE DE BATALHAS”

Onde conta a história da criação de um povo e de um guerreiro que buscava confrontos, buscava lutas e queria estar sempre acima de si mesmo.

Mas essa é outra história, que será contada outro dia.

E com um sorriso e uma lagrima que caia apenas no olho direito ele se despediu a sua maneira. O mesmo ele fez com todos os quais criou um grande laço de amizade ao longo do seu tempo na terra, mas a lagrima solitária foi mais dolorosa que qualquer outra.

E agora era hora de dar mais um passo.

Um passo tão grande que jamais foi alcançado por ser humano algum em todo o planeta.

Ultimas instruções no lago cinza

Neidan e Tyrel, mestre e discípulo. Prontos pra sua conquista ou morte, o que vier primeiro. A partida seria fria e cinza como aquele lago que refletia imagens escuras e confiantes.

- Neidan, escute com atenção.

- Estou ouvindo mestre.

- Eu nunca ouvi falar de alguém que conseguiu passar para esse lado ou algum humano que passou para o outro.

- Eu sei disso Tyrel, não se preocupe comigo, eu sei me virar. Confie em mim.

- Estou falando como seu mestre, me escute.

- Me desculpe, pode falar. O que você teme?

- A viagem até aqui foi dura Neidan, até pra mim, então quero te ensinar uma coisa bem simples. Você tem que usar a sua magia para se proteger, como uma blindagem para o corpo completo.

- Isso eu consigo fácil. Já tinha pensado nessa possibilidade.

- Você sempre com essas conversas. Não mudou muito por dentro. Mas tome cuidado, pois não sei onde iremos ser lançados. O meu medo é que você não consiga manter a trajetória e acabe se separando de mim.

- Pode deixar. E não se preocupe. Seu mundo será salvo e todos serão felizes como nunca foram. Livres finalmente.

Neidan então ergueu a mão e a esfera de cristal tornou a se formar, fechou os olhos, se concentrou e voltou a abri-los. E quando olhava fixamente para o orbe, ele começou a brilhar.

Não era como um brilho que cega, não. Era como se uma fumaça branca e bela estivesse saindo, fluindo da esfera para ele. Isso encheu o coração de quem até alguns anos não imaginaria que se tornaria a esperança de um povo. Tudo pelo simples fato e ato de coragem de querer ajudar uma causa nobre.

Nesse momento Tyrel soube que na terra podia haver pessoas ruins, cheias de magoa no coração que causam dor e que não se importam com outras causas se não as suas. Mas existiam apesar de tudo alguns poucos que não se dobraram ao terror, que foram fies a si mesmos e aos seus conceitos, independente de seguir o resto do mundo ou não. O justo é justo mesmo que o mundo inteiro opte pela injustiça.

Não fez Barulho. Não foi doloroso e muito melhor do que se esperava. Exceto por uma coisa, pelo que Tyrel mais temia.

Às vezes parece que nossos medos nos perseguem. É interessante como algo de que temos medo sempre acontece. Parece que o fato de termos medo de alguma coisa faz com que essa coisa possa se aproximar de nós.

Segurando a parte de baixo do orbe enquanto Tyrel segurava por cima, Neidan teve uma experiência única. Ele sentiu o ar tremer de leve e em um piscar de olhos ele estava no mundo onde a essência da vida podia ser sentida e controlada.

Era fácil para eles fazer com que o cristal os levasse para onde eles queriam. Mas quando olhou para as mãos Neidan não viu mais o orbe, pois ele tinha sido desfeito e toda a magia se fundido com ele novamente. Porem, no mesmo instante ele olhou pra baixo e viu o chão. Esse foi seu erro.

Ao pensar em um lugar, Tyrel faria com que os dois fossem até onde ele pensou. Lá havia aliados que ajudariam a traçar um plano de guerra. Mas ao olhar para um ponto no chão, Neidan fez com que sua mente gravasse uma imagem fazendo assim com que a magia do orbe o levasse até o lugar que estava em sua mente.

Separados por mais de duzentos quilômetros de distancia

Em um mundo dominado pelo terror de um ditador

Neidan não era mais uma criança. Sabia que isso poderia acontecer e se preparou internamente. Para ele era apenas um detalhe.

Ele cresceu num lar sem amor, sem abraços ou demonstrações de afeto. Viveu nas sombras de suas sombras. Ele com certeza estava certo do que queria fazer ali. Não era por ele, não era por glória ou por fama. Era por justiça.

Tyrel vestiu um manto velho que achou em meio aos escombros de sua cidade de onde parecia não ter restado sequer uma alma viva.

Quatro anos foi muito tempo

Windland foi praticamente destruída

Pelo exercito de Malach

Ele não derramou uma gota de lágrima ao ver um monte de entulho onde antes era uma bela cidade. A cidade onde cresceu e a qual prometeu proteger.

Ele simplesmente sumiu na sombra da poeira que ainda levantava a cada passo que dava e seguiu seu caminho para encontrar Neidan. Na esperança de que ainda restasse algum mago dos céus vivo. Era a melhor escolha a se fazer.

Uma nova jornada finalmente se inicia

Onde não haverá lugar para os fracos. Onde não haverá nenhum buraco que possa esconder os que cometeram tamanha injustiça.

Onde ambos terão que provar o seu valor

Capitulo IV

Sob o Céu Estrelado

Enquanto Tyrel continua seu caminho pelas sombras para que não seja notada a sua presença, Neidan pensa em como seu mestre enfrentaria essa situação e decide manter-se em alerta por um tempo. Apesar de não ter dado ouvidos ao que Tyrel tinha a lhe dizer no momento da partida ele toma a decisão certa de manter-se escondido, mas não por muito tempo.

Neidan está deslizando os pés em um tapete de grama verde e baixa...

Depois de um dia de viagem ele resolve descansar em uma cabana abandonada para a caminhada do dia seguinte. Ele sabia que não teria tempo pra isso, mas tinha que ter paciência e esperar por um sinal de seu mestre.

É quando, em meio à noite ele ouve um barulho estranho do lado de fora da cabana. Os passos estavam cada vez mais próximos da porta e ele ficou em guarda esperando que o inimigo entrasse para ataca-lo em surpresa. Mas quando a maçaneta girou e a porta se abriu foi ele quem ficou surpreso... Surpreso e triste...

... Ao ver que se tratava de uma menina de aproximadamente uns 13 anos que estava do outro lado da porta. A menina ao vê-lo, desmaia.

Ela estava com o corpo coberto em sangue e parecia ofegante, como se fugisse de algo ou alguém, presumiu Neidan. A noite estava como nunca ele havia visto antes, pois o céu daquele lugar era simplesmente maravilhoso. Cheio de estrelas por onde os olhos pudessem acompanhar e às vezes até tinha a impressão de que se conseguia enxergar a si mesmo lá do alto, como se pudesse ver o que elas, as estrelas podiam ver. E ele teve que cuidar da garota durante a noite inteira, tendo aquelas estrelas como testemunhas do seu amor por aquela terra. Pela manhã, a garota recobrou a consciência e contou o que havia se passado em sua vila.

- Onde estou, e quem é você? Disse a garota de olhos brilhantes, porém ainda muito cansada... Seu nome era Nirithy.

- Com olhar triste ele respondeu - Se eu soubesse onde estamos eu te diria minha pequena.

- Você não é daqui né? Meu nome é Nirithy.

- O meu é Neidan, é um prazer conhece-la princesa.

Ela tentou sorrir e olhou pela janela para ver o sol que estava nascendo. Sem saber que dos seus lábios saia uma verdade que ele só conheceria tempo depois.

- Você pode me contar o que houve ontem à noite Nirithy?

- Na verdade começou há um tempo. Alguns soldados do império dominaram a vila em que moro e estão maltratando todos nós. Ontem eu consegui escapar enquanto minha família foi torturada em minha casa, e não sei como, mas consegui chegar até aqui.

- Eu sinto muito, nem sei o que dizer. Mas acho que posso ajudar você. Não se preocupe com sua vila, seu povo e seu mundo, eles serão salvos nem que eu tenha que dar a minha vida por isso.

- Você é um anjo Neidan? Veio nos salvar?

- Não... Você que é um anjo, e uma criança como você não deveria conhecer a guerra. Mas isso acabará em breve e tudo vai ficar bem.

- Quando os soldados entraram em minha casa foi isso que o papai me disse... “minha filha, tudo vai ficar bem”. E eu não acho que tudo ficou bem.

- O que você acha de me mostrar onde fica sua casa e nós podemos nos esconder em algum lugar da vila por um tempo até meu mestre nos encontrar?

- Seu mestre?

Neidan então contou toda a sua história, desde quando estava em seu mundo até o momento em que abriu a porta daquela cabana abandonada.

Ele sentiu como se tivesse vivendo tudo novamente. Lembrou-se do tempo em que andava por ai como um fantasma, vagando por ruas e lugares onde nunca sentiu seu coração se encaixar. Era um tempo de desesperança, de medo e tristeza, em um lugar onde ele não pertencia.

E olhando para os olhos de nuvens daquela menina teve vontade de superar tudo aquilo, de ir além até dele mesmo. Ele conheceu um lar onde nunca tinha imaginado que poderia existir. Em si mesmo e em outras pessoas.

De volta à vila de SELFWICH,

Eles foram onde jamais a garota achou que voltaria.

Na escuridão da noite eles conseguiram entrar e se misturar a população sem ser notados pelos soldados, mas uma senhora já muito velha e cansada reconheceu a menina.

- Ni... Nirithy é você.

- Senhora Stens, por favor, fale mais baixo. Ele é um amigo e está aqui para nos ajudar.

- Não se preocupe minha menina. Eu tenho um lugar que vocês podem se esconder. Lembra-se da casa da colina que meu falecido marido construiu? Vocês podem ficar lá por um tempo, os soldados só estão cobrindo a área urbana da vila.

- Muito abrigado senhora, eu agradeço pela sua ajuda – Neidan sussurrou.

- Você não precisa agradecer meu rapaz, eu é que agradeço pela sua presença aqui neste mundo sujo e cheio de maldade. Eu posso ser velha, mas sei reconhecer um forasteiro, apesar de só ter ouvido falar de vocês. Um dia nos encontraremos quando tudo acabar.

Eles foram para o esconderijo a quase dois quilômetros de onde estavam.

Eles ficaram pouco mais de uma semana se escondendo na velha casa que já estava repleta de boas lembranças dos momentos que passaram juntos.

Mas um dia quando Neidan ainda dormia, Nirithy resolveu sair sozinha para colher frutas para quando ele acordasse. Foi ai que mais uma vez, a maldade nos corações dos homens feriu mais um inocente.

Os soldados encontraram a garota a meio quilômetro de onde Neidan dormia como há muito tempo não o fazia. Eles a levaram de volta a cidade e prenderam-na no meio da praça onde colocavam os que tentavam fugir, amarrados e humilhados para servirem de exemplo pra quem tentasse o mesmo.

Quando acordou, Neidan percebeu que algo estava estranho e saiu à procura da menina a quem tanto se apegou. Quando não conseguiu encontrara-la nos arredores da colina ele imediatamente foi à cidade para resgata-la e acabar com os soldados que ali estavam, livrando aquela gente do sofrimento de serem prisioneiros.

Mas era tarde demais...

Quando ele chegou, a garota já não estava mais viva. Ela estava amarrada a um tronco junto com outros quatros homens e duas mulheres no meio da praça pra servir de exemplo para quem tentasse fugir.

Os soldados chicotearam a menina com chicotes de fogo que dançavam em suas mãos e queimavam até mesmo o brilho dos olhos daquela pequena estrela que agora perdia seu brilho para sempre.

E Neidan envolvido pela raiva de ver uma cena como essa, deixou sua emoção falar e matou impiedosamente todos os soldados que estavam na cidade, deixando apenas um para que espalhasse a noticia de que alguém veio dar fim a uma guerra e acabar de uma vez com quem cometesse um crime contra a vida novamente.

Ele acabou ficando conhecido por ser o ultimo mago dos céus que ainda estava vivo e ter derrotado sozinho os quarenta e cinco soldados que eram magos das chamas e soldados do exercito sombrio.

Felizmente, enquanto estava em um bar de mercenário e ladrões, Tyrel ouviu de um deles essa história e logo se apressou em saber a localização do ocorrido para encontrar seu aprendiz. Mas infelizmente soldados do império de Malach suspeitaram da atitude do homem que estava de capuz preto e parecia vestir uma armadura de guerra por baixo dos trapos.

Quando estava saindo pela porta, Tyrel teve seu braço puxado por um soldado que viu a marca dos magos do céu estampada em seu pulso e em sua espada. Ele simplesmente recolheu o braço e partiu.

Dali em diante sabia que teria de tomar cuidado para não ser seguido durante sua jornada.

Como esperado, a noticia chega aos ouvidos do habilidoso mestre, porém também chega aos ouvidos do impiedoso imperador Malach. Ao receber a noticia ele assassinou sem nem pestanejar o mensageiro que lhe dera a mensagem. Pois o mesmo não matou Tyrel, mas por medo deixou que ele fosse.

Malach temeu saber que Tyrel estava de volta, mas na verdade ele não contava com a presença de Neidan.

Havia em livros antigos, histórias que contavam sobre outro mundo, e outros seres e como viajar entre os dois mundos. Havia até uma história sobre um guerreiro poderoso que foi a base para o futuro de Northen, porém na história esse guerreiro desaparece misteriosamente e restam apenas lendas e contos sobre suas façanhas. Porém Malach ao assumir o poder do reino mandou que queimassem todos os livros antigos e apenas deixasse uma copia de cada um em sua biblioteca particular que ficava em seu castelo. Onde ninguém sonharia em chegar, pois flutuava no ar a metros do chão sob um vulcão.

Capitulo V

Hora de Revidar

Após o ocorrido, Neidan partiu sem rumo em busca de algum lugar seguro para se abrigar. Porém, antes de partir encontrou com a mesma senhora que o descobriu assim que chegou pela primeira vez.

- Meu jovem – chorando a perda da criança senhora Stens falou – Levante-se e siga seu caminho.

- Como posso continuar a tentar salvar um mundo inteiro se não consegui proteger a vida de uma criança?

- A nossa força não nos liberta, pois somos fracos e somente pelo que há dentro de nós que é a força de Deus, podemos vencer.

- Deus? Surpreso ele perguntou. Vocês aqui acreditam em Deus?

- Claro meu rapaz! Não importa se no seu mundo ou no meu, Deus está sempre presente nos observando.

- Como a senhora pode ter tanta certeza do que está falando?

- Me responda uma só pergunta e não falarei mais sobre isso caso consiga.

- Tudo bem, pode perguntar!

- Quem criou o chão o qual está pisando? Foi você e sua força?

- Entendo aonde quer chegar. Não precisa falar mais nada.

- Preciso falar apenas mais uma coisa se me permite. Tudo vai acabar bem.

Logo então Neidan pensou no que Nirithy falou quando ele disse que ia ficar tudo bem e a voz dela ecoou em sua memória.

“Meu pai disse que iria ficar tudo bem, mas eu não acho que tudo ficou bem”

Após um longo tempo de caminhada, cerca de 3 dias, vemos um jovem cansado e desacreditado. Ele esperou tanto tempo para que acabasse sozinho num lugar desconhecido, contando cada segundo e confiando na astucia do seu mestre.

Então, em fim passou o vale de grama verde e aveludada para agora seus pés pisarem em terra seca e firme.

O vale de NUNDOOR

Um lugar seco e rochoso, onde faz calor pelo dia e frio pela noite. Já cansado de andar ele se senta em uma rocha e adormece. Assim que acorda percebe que está em volto por cordas num lugar escuro e úmido. Logo chega um velho de estatura baixa e olhos brancos como os de Nirithy. Ele não quis se identificar, apenas afirmou que ali não havia perigo, pois lutavam pelo mesmo objetivo, a paz para o mundo.

Antes que Neidan perguntasse onde estavam o senhor disse...

- Aqui é nosso lar. Estamos dentro das rochas que você pôde ver lá fora.

- Mas como? Indagou o jovem

- Existe uma camada em baixo das rochas que faz com que o calor não penetre, e ai está nosso segredo mais precioso até agora.

Então, ele explicou que havia uma camada fina de um minério chamado Doormin. Esse minério era vermelho como sangue e frio como gelo, como na camada externa fazia muito calor o clima dentro da caverna se estabilizava de uma maneira que não ficava nem frio e nem quente.

- Esse minério é a base de nossa cultura, com ele nós fazemos nossas armas, nossas casas, além de joias. Realmente uma dadiva dos céus para nosso povo.

Neidan ficou surpreso ao ver que algo assim poderia existir num lugar como aquele. Então foi convidado a passar a noite ali, mas recusou porque queria seguir caminho para cumprir sua missão sozinho. Então foi revelado que seu mestre deixou uma mensagem para todos da resistência que se encontrassem seu jovem aprendiz cuidasse dele até que pudessem se encontrar novamente.

Assim o jovem pôde descansar sua mente, seu corpo e sua alma, na esperança de que seu mestre estava a caminho para juntos dar um fim ao terror imposto e vingar a morte de uma criança inocente.

Depois de dois dias de espera, Neidan se vê impaciente. Então o sábio velho leva ele pra dar uma volta em sua cidade subterrânea. É de se maravilhar como uma cidade pode ter sido construída em baixo de rochas e ser tão linda e clara. Lá havia todas aas coisas que na superfície, lagos e gramados, vales e montanhas baixas, menos o sol que era representado por luzes.

O senhor sem nome prometeu levar o jovem impaciente para um lugar onde poderia relaxar e treinar ao mesmo tempo, Neidan é claro achou que isso fosse algo impossível. Então já impaciente de tanto dar voltas pela cidade, pois o velho foi pelo caminho mais longo como forma de fazer o jovem ter mais paciência, Neidan perguntou...

- Quando vamos chegar?

- E abrindo as portas do salão das águas o velho sorriu e disse... “ aqui está seu lugar de descanso”.

Era um vale com uma cachoeira central, de onde a água saia de uma rocha com forma de olhos gigantes. No meio havia uma rocha redonda sob um lago, um espaço para uma única pessoa.

Ali a mente perturbada por agonias sentou, e sentiu a água correr a sua volta como o sangue os suas veias. Mau se passou cinco minutos para ele e já tinha amanhecido dois dias seguidos. Então olhos de um homem se abriram, deixando de lado todo o medo e fraqueza e em fim, olhando pra si mesmo, Neidan agora pôde ver que sua força não está em seus músculos, mas vem daquele que deu a missão de proteger e salvar um povo. A força veio do Deus que governa todas as coisas, mas homens tem que lutar as batalhas que podem vencer, e as que não podem, serão vencidas por quem os enviou.

Tyrel estava voltando ao acampamento onde estava passando a noite quando soube que seu discípulo estava em Nundoor. Depressa montou em seu cavalo e foi ao encontro do seu amigo temendo as coisas ruins que ele tivesse vivenciado. De repente surge no meio da estrada um menino jogado ao chão, vestindo trapos e coberto por sujeira da estrada. Tyrel o levou consigo para seu acampamento e cuidou dele. No dia seguinte partiu ele, seu cavalo e segurando em sua cintura um menino desconhecido, mais uma vitima do imperador das sombras.

O mestre retorna e eles tem um reencontro inesperado. Pois Neidan, ao ver que o menino tinha os mesmos olhos que Nirithy tomou um susto, e percebeu que o velho sem nome também ficou paralisado.

Um reencontro duplo e uma incrível surpresa foi saber que o menino é irmão gêmeo de Nirithy e ambos eram filhos do velho cujo nome era RHAZAR, rei por direito do trono de Northen. Mas esse segredo foi contado somente a Neidan pelo seu mestre, que se sentiu no direito de explicar e não esconder nada pra o seu aprendiz.

Próximo a uma lareira, mestre e aprendiz finalmente podem se preparar para uma guerra inevitável. A fé que fez com que ambos viessem a este mundo agora retornou com mais força e a coragem fez vibrar seus corações contagiando todos em volta dos dois guerreiros.

Capitulo VI

Lembranças de um Passado Perdido

Grupo 80

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