A fé de Bergoglio por Bergoglio - Estudando o pensamento do Santo Padre - Gabriel Mota

A fé de Bergoglio por Bergoglio - Estudando o pensamento do Santo Padre -...

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A fé de Bergoglio por Bergoglio: o que pensa o Papa Francisco

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Apresentação

Salve Maria Santíssima!

Peço à Virgem Imaculada a benção sobre esse raso trabalho e dedico esse empenho ao coração da Mãe de Deus para maior glória de Cristo, Nosso Senhor. Aos católicos, fieis da Una e Santa Igreja de Cristo, recolho e transcrevo os ensinamentos do nosso Pastor, Vigário de Cristo e Servo dos servos, Papa Francisco, como uma forma de melhor resumir a sua fé e expô-la de forma acessível.

Uma laboriosa leitura foi necessária para compor este “livrinho”, que poderíamos chama-lo de “compêndio” ou “suma”, da fé de Francisco. Tendo como suporte o site do Vaticano conferi atentamente quase todas as homilias, cartas, audiências, Regina Coeli e Angelus; e muitas mensagens e discursos que estão disponíveis no acervo papal. Além disso, verifiquei a ‘Exortação Apostólica Evangelii Gaudium’, o livro ‘Sobre o Céu e a Terra’ – autoria de Bergoglio e Skorka, o seu livro “El Jesuita” e os “Ejercicios espirituales a los obispos españoles” também de sua autoria, bem como algumas entrevistas a sites e jornais, e uma grande quantidade de homilias dos anos de 1999-2013, época que era arcebispo de

Buenos Aires.

O leitor pode facilmente se situar sobre o assunto de cada frase, afastando o perigo da leitura “acontextual”, devido aos subtítulos que descrevem o tema dos textos e a escolha pessoal de não os colocar demasiadamente curtos. Em alguns assuntos acrescentei às frases citações externas, seja para complementá-las, fazer ressalvas, comparar ou fundamentar o que foi dito, etc. Dentre essas citações, dei destaque, com textos maiores e mais documentos – logo no início, também nas seções específicas, ao tema da Doutrina Social visto que é abordado muitas vezes.

Faz necessário, antes de tudo, avisar que algumas frases eu as traduzi, principalmente as provenientes de entrevistas e homilias do período que Bergoglio era arcebispo de Buenos Aires, portanto, caso apareça alguma dúvida verifique o texto original.

Adianto meu pedido de perdão por alguma possível e provável tradução malfeita, quiçá grosseiras; tentei ser o mais fiel possível. Qualquer frase pode ser encontrada na internet ou nos livros de Bergoglio a partir das citações devidamente colocadas ao fim de cada texto.

Observo ainda que algumas frases foram colocadas em dada seção por uma ou duas

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Por fim, agradecendo a Deus por todas as graças necessárias para este emprego, espero que a leitura possa ser proveitosa a todos, desejando que esse compêndio sirva de esclarecimento sobre a pessoa do Santo Padre, Jorge Mario Bergoglio. Ademais, gostaria de fazer dois pedidos a vós que estais a ler: repassais o material, pois é de total gratuidade e sem fins lucrativos; e principalmente que deixemos – me incluso também - de ser católicos apostólicos midiátisticos e voltemos a ser católicos apostólicos romanos. É passado o tempo em que só podíamos ter acesso às palavras do Papa via tevê, agora, pelo contrário, possuímos livre e total acesso a cada letra escrita e pronunciada pelo Santo Padre. Vivamos nossa fé católica dando atenção ao que o nosso Pastor, Sucessor de Pedro, nos têm a dizer.

À Mãe do Céu! Por Gabriel Luan. Aos 13 de julho de 2015

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Introdução9
- Observações preliminares sobre a Doutrina Social da Igreja:1
Artigo I. Sobre a crise na Argentina18
Artigo I. Sobre a ideologização da experiência cristã18
Artigo I. Sobre a ideologização do Evangelho19
Artigo IV. Sobre o egoísmo20
Artigo V. Sobre a família20
Artigo VI. Sobre a missão2
Artigo VII. Sobre a missionariedade ativista versus orante24
Artigo VIII. A única Igreja de Cristo25
Artigo IX. Sobre a função pontifícia27
Artigo X. Sobre o mundo e a vida sem Deus27
Artigo XI. Sobre a secularização29
Artigo XII. Sobre o estado laico29
Artigo XIII. Sobre o decálogo30
Artigo XIV. Dom e o preceito32
Artigo XV. Nadar contra a corrente32
Artigo XVI. Sobre a interpretação da Sagrada Escritura3
Artigo XVII. Sobre a credibilidade social da Igreja3
Artigo XVIII. Sobre a divindade e humanidade de Jesus34
Artigo XIX. Sobre a entrada de Deus na história35
Artigo X. Sobre o encontro com Jesus36
Artigo XXI. Confessar Cristo crucificado37
Artigo XI. Sobre a cruz37
Artigo XI. Cristocentrismo38
Artigo XXIV. Sobre o poder como serviço39
Artigo XXV. Sobre a educação religiosa40
Artigo XXVI. Sobre os limites ciência41
Artigo XXVII. Sobre a mídia41
Artigo XXVIII. Sobre a perseguição à Igreja42
Artigo XXIX. O homossexualismo e a vontade de Cristo42
Artigo X. Sobre a união homossexual43

Sumário Artigo XXXI. Sobre a adoção de crianças por homossexuais ........................................................ 46

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Artigo XI. Sobre o rigorismo e laxismo46
Artigo XI. Crise da dignidade humana47
Artigo XXXIV. Sobre a defesa da vida48
Artigo XXXV. Sobre a cultura do descarte49
Artigo XXXVI. Sobre o aborto50
Artigo XXXVII. Sobre a ordenação de mulheres51
Artigo XXXVIII. Sobre o papel da mulher no cristianismo53
Artigo XXXIX. Sobre o papel da mulher na Igreja54
Artigo XL. Sobre o papel da mulher na família56
Artigo XLI. Sobre o feminismo58
Artigo XLII. Sobre a Assunção de Maria59
Artigo XLIII. Sobre a Imaculada Conceição de Maria59
Artigo XLIV. Sobre a realeza de Maria60
Artigo XLV. Sobre a maternidade de Maria61
Artigo XLVI. Mãe da Igreja (“Mater Ecclesiæ”)63
Artigo XLVII. Sobre o sim de Maria63
Artigo XLVIII. Sobre o calvário da Virgem Maria64
Artigo XLIX. Mais algumas frases sobre Nossa Senhora65
Artigo L. Sobre a força da oração6
Artigo LI. Oração, diálogo e vivência com Deus67
Artigo LII. Sobre o Rosário68
Artigo LIII. Sobre o terço da Divina misericórdia69
Artigo LIV. Rezar em família70
Artigo LV. Sobre o testemunho de vida71
Artigo LVI. Sobre a verdadeira paz72
Artigo LVII. Sobre o demônio72
Artigo LVIII. Sobre a mundaneidade74
Artigo LIX. Sobre as fofocas e bisbilhotices75
Artigo LX. Sobre os sacramentos em geral76
Artigo LXI. Sobre o Sacramento do Batismo78
Artigo LXII. Sobre a importância do batismo79
Artigo LXIII. Sobre a data do batismo80
Artigo LXIV. Sobre o Sacramento do Matrimônio81
Artigo LXV. Sobre as discussões no casamento83

4 Artigo LXVI. Sobre a segunda união ........................................................................................... 83

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Artigo LXVII. Sobre a cultura do provisório84
Artigo LXVIII. Sobre a vocação85
Artigo LXIX. Sobre a seleção dos vocacionados86
Artigo LXX. Sobre o romance do seminarista Bergoglio86
Artigo LXXI. Sobre o sacerdócio86
Artigo LXXII. Sobre a vida consagrada8
Artigo LXXIII. Sobre o celibato8
Artigo LXXIV. Sobre o clericalismo89
Artigo LXXV. Sobre o carreirismo89
Artigo LXXVI. Sobre o bispo90
Artigo LXXVII. Sobre o Sacramento da Penitência91
Artigo LXXVIII. Sobre o Sacramento da Unção dos enfermos94
Artigo LXXIX. Sobre o Sacramento do Crisma94
Artigo LXXX. Sobre a Eucaristia95
Artigo LXXXI. Sobre a Santa Missa96
Artigo LXXXII. Sobre a liturgia9
Artigo LXXXIII. A mentira do luxo do Palácio Papal101
Artigo LXXXIV. A mentira das saídas do Papa à noite102
Artigo LXXXV. Sobre a santidade na Santa Sé102
Artigo LXXXVI. Sobre a os abusos sexuais102
Artigo LXXXVII. Sobre a herética colegialidade primus inter pares103
Artigo LXXXVIII. Sobre o Papa Bento XVI104
Artigo LXXXIX. Sobre a música105
Artigo XC. Sobre a salvação de Cristo105
Artigo XCI. Sobre o convite à santidade106
Artigo XCII. Sobre a Doutrina íntegra108
Artigo XCIII. Sobre as Universidades católicas108
Artigo XCIV. Sobre o amor de Deus109
Artigo XCV. Sobre o diálogo em geral109
Artigo XCVI. Sobre o diálogo inter-religioso e ecumênico110
Artigo XCVII. Sobre a esperança cristã112
Artigo XCVIII. Um resumo da fé Católica, Kerygma113
Artigo XCIX. A gratidão para com Deus114
Artigo C. Sobre a Santíssima Trindade114

5 Artigo CI. Sobre o martírio ...................................................................................................... 114

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Artigo CII. Sobre a renovação da Igreja115
Artigo CIII. Sobre a nova evangelização115
Artigo CIV. Sobre a modernidade116
Artigo CV. Sobre o relativismo117
Artigo CVI. Sobre a verdade118
Artigo CVII. Sobre a imutabilidade da Verdade revelada119
Artigo CVIII. Sobre a chacota do bem120
Artigo CIX. Sobre o nominalismo120
Artigo CX. Sobre a primazia de Deus no encontro120
Artigo CXI. Sobre a vida eterna121
Artigo CXII. Sobre a vida cristã122
Artigo CXIII. Sobre a renúncia124
Artigo CXIV. Sobre o pecado124
Artigo CXV. Sobre os falsos profetas125
Artigo CXVI. Sobre as calamidades naturais126
Artigo CXVII. Sobre os idosos126
Artigo CXVIII. Sobre a eutanásia127
Artigo CXIX. Sobre o trabalho128
Artigo CXX. Sobre a criação130
Artigo CXXI. Sobre a morte132
Artigo CXXII. Sobre a ressurreição de Jesus133
Artigo CXXIII. Sobre a ressurreição da carne (dos mortos)135
Artigo CXXIV. Sobre a Ascensão de Jesus137
Artigo CXXV. Sobre o Espírito Santo137
Artigo CXXVI. Sobre a utilidade dos carismas138
Artigo CXXVII. A diversidade de dons e carismas139
Artigo CXXVIII. Sobre a catolicidade da Igreja141
Artigo CXXIX. Sobre a apostolicidade da Igreja143
Artigo CXXX. Sobre a santidade da Igreja144
Artigo CXXXI. Sobre a sacralidade na Igreja147
Artigo CXXXII. Sobre a maternidade da Igreja148
Artigo CXXXIII. Sobre a missionariedade da Igreja150
Artigo CXXXIV. Igreja, desejada por Deus151
Artigo CXXXV. Sobre a pertença à Igreja151

6 Artigo CXXXVI. Crer com e na Igreja ......................................................................................... 152

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Artigo CXXXVII. Sobre o crescimento da Igreja154
Artigo CXXXVIII. Sobre a Comunhão dos santos154
Artigo CXXXIX. Orar por todos154
Artigo CXL. Jesus, nosso Advogado155
Artigo CXLI. Sobre a Fé155
Artigo CXLII. Sobre a piedade popular156
Artigo CXLIII. Sobre a inculturação158
Artigo CXLIV. Sobre a Sola Scriptura160
Artigo CXLV. Sobre os anjos161
Artigo CXLVI. Sobre as drogas161
Artigo CXLVII. Sobre o antissemitismo161
Artigo CXLVIII. Sobre a liberdade162
Artigo CXLIX. Sobre a idolatria do dinheiro162
Artigo CL. Sobre o Concílio Vaticano I163
Artigo CLI. Sobre a Teologia da libertação164
Artigo CLII. Sobre a libertação do pecado165
Artigo CLIII. Sobre a cultura da indiferença166
Artigo CLIV. Sobre a preferência aos pobres167
Artigo CLV. Sobre o abandono dos pobres168
Artigo CLVI. Sobre a pobreza espiritual169
Artigo CLVII. A pobreza como imitação de Cristo170
Artigo CLVIII. Sobre a pobreza ideológica170
Artigo CLIX. Sobre a política171
Artigo CLX. Sobre o marxismo172
Artigo CLXI. Sobre a riqueza do Vaticano172
Artigo CLXII. Sobre a globalização173
Artigo CLXIII. Sobre a economia173
Artigo CLXIV. Sobre o comunismo e capitalismo174
Artigo CLXV. Sobre o comunismo e liberalismo econômico175
Artigo CLXVI. Sobre a «primazia absoluta» do livre mercado176
Artigo CLXVII. Sobre o investimento de capital177
Artigo CLXVIII. Sobre o compromisso social178
Artigo CLXIX. A Igreja como ONG179
Artigo CLXX. Sobre o nazismo e o genocídio180

7 Artigo CLXXI. Sobre o deicídio judeu...................................................................................... 181

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Artigo CLXXII. Sobre a relação da Igreja com Perón182
Artigo CLXXIII. Sobre a guerra182
Artigo CLXXIV. Matar em nome de Deus182

8 Artigo CLXXV. Sobre o sensus fidei ......................................................................................... 183

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9 Introdução

Tamanha é a perturbação nos tempos atuais que mal posso definir o cenário atual.

A nossa Igreja, ou melhor dizendo a de Jesus Cristo, vive um momento perturbado, de tal maneira que o que se tinha por certo parece, hoje, ser dado por errado, e este por correto.

De que falo? Da doutrina da Igreja, do ensinamento constante daquela que nunca se deixou levar pelas ondas e ventos de vã doutrina, mesmo diante dos poderes seculares que a coagiam.

O ar de insegurança que respiramos nos deixou doentes a ponto de fitarmos os olhares sobre o que o Santo Padre diz, a fim de confirmar sua fé católica. Outros estão em estado pior, procurando não uma defesa do papado, mas qualquer palavra dúbia para critica-lo e espalhar o terror no meio do rebanho do Senhor. Quem nos deu a autoridade de jugar o vigário de Cristo?

A doença está chegando ao estado terminal. A muitos isso já chegou! Não digo que uma ou outra situação faça pôr-nos a alerta, mas parece que a paranoia é o mal em questão, tudo é motivo de perturbação da alma. O ambiente secularizado e pagão com sua mídia trapaceira agrava mais ainda. Quem nunca ouviu um escândalo de uma suposta declaração do papa? A inquietação bate à porta!

Decorridos quase três anos de pontificado de Francisco, há ainda pessoas que põem em xeque a fé do Papa. Assim, proponho sanar ao menos um pouco as dúvidas desses fieis, que suponho serem de boa-fé.

A solução proposta é deixar que o próprio Papa nos responda em que crê, por meio de seus escritos. Passando pelos mais singelos aos mais polêmicos e complexos assuntos, notamos a íntima e profunda ortodoxia da fé católica. A estupenda beleza da teologia proposta por Bergoglio é, para defini-la bem, emocionante, pois é viva, sem formalismos, com gosto de realidade.

É notável algumas características básicas do pensamento “bergogliano”. Em matéria social, é incontestável a total fundamentação na Doutrina Social da Igreja. Parece, aliás, absurdo alguém, conhecendo a DSI, chamar Jorge Bergoglio de comunista ou outro revolucionário dessa estirpe medíocre. As críticas a globalização fazem-me pensar que ele

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Doutrina Católica Apostólica Romana Créditos ContemplacoesCatolicas.blogspot.com seja um amante do distributismo de G.K. Chesterton, famoso filósofo e jornalista inglês, que centraliza a família e a sociedade familiar no centro da economia, em contraposição aos métodos econômicos liberais.

Não gostaria de me delongar nesta introdução para não fatigar o leito, por isto, vos deixo à vontade para ler este simples livrinho. Boa leitura!

Gabriel Luan

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1 Observações preliminares sobre a Doutrina Social da Igreja: - Observações preliminares sobre a Doutrina Social da Igreja:

Comunismo:

“Alguns existem que, frente à iniquidade do comunismo, que visa a destruir a fé naqueles mesmos a quem promete o bem-estar material, se mostram atemorizados e incertos; mas esta Sé Apostólica, em documentos recentes, indicou claramente qual o caminho a seguir e do qual ninguém se poderá afastar, se não quiser faltar ao próprio dever.” (Papa Pio XII, Exortação Apostólica Menti Nostrae, 114)

“Efetivamente, o comunismo por sua natureza opõe-se a qualquer religião, e a razão por que a considera como o “ópio do povo [...] Tal é, Veneráveis Irmãos, a doutrina da Igreja, a única que, como em qualquer outro campo, assim também no campo social, pode projetar verdadeira luz, a única doutrina de salvação em face da ideologia comunista.” (Papa Pio XI, Encíclica Divinis Redemptoris, 2, 39)

“Ao princípio, o comunismo mostrou-se tal qual era em toda a sua perversidade; mas bem depressa se capacitou de que desse modo afastava de si os povos; e por isso mudou de tática e procura atrair as multidões com vários enganos, ocultando os seus desígnios sob a máscara de ideais, em si bons e atraentes. Assim, vendo o desejo geral de paz, os chefes do comunismo fingem ser os mais zelosos fautores e propagandistas do movimento a favor da paz mundial; mas ao mesmo tempo excitam a uma luta de classes que faz correr rios de sangue [...] Assim, sob vários nomes que nem por sombras aludem ao comunismo, fundam associações e periódicos que servem depois unicamente para fazerem penetrar as suas ideias em meios, que doutra forma lhe não seriam facilmente acessíveis, procuram até com perfídia infiltrar-se em associações católicas e religiosas. Em outras partes levam a hipocrisia até fazer crer que o comunismo, em países de maior fé e de maior cultura, tomará outro aspecto mais brando, não impedirá o culto religioso e respeitará a liberdade das consciências. Procurai, Veneráveis Irmãos, que os fiéis não se deixem enganar! O comunismo é intrinsecamente perverso e não se pode admitir em campo nenhum a colaboração com ele, da parte de quem quer que deseje salvar a civilização cristã.” (Papa Pio XI, Encíclica Divinis Redemptoris, 57, 58)

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12 Observações preliminares sobre a Doutrina Social da Igreja:

Capitalismo:

“Outros, porém, se mostram tímidos e incertos quanto ao sistema econômico conhecido pelo nome de capitalismo, do qual a Igreja não tem cessado de denunciar as graves consequências. A Igreja, de fato, apontou não somente os abusos do capital e do próprio direito de propriedade que o mesmo sistema promove e defende, mas tem igualmente ensinado que o capital e a propriedade devem ser instrumentos da produção em proveito de toda a sociedade e meios de manutenção e de defesa da liberdade e da dignidade da pessoa humana. Os erros dos dois sistemas econômicos [comunismo e capitalismo] e as ruinosas consequências que deles derivam devem a todos convencer, e especialmente aos sacerdotes, a manter-se fiéis à doutrina social da Igreja e a difundir-lhe o conhecimento e a aplicação prática. Essa doutrina é, realmente, a única que pode remediar os males denunciados e tão dolorosamente difundidos: ela une e aperfeiçoa as exigências da justiça e os deveres da caridade, promove tal ordem social que não oprima os cidadãos e não os isole num egoísmo seco, mas a todos una na harmonia das relações e nos vínculos da solidariedade fraternal.” (Papa Pio XII, Exortação Apostólica Menti Nostrae, 115).

“Se por ‘capitalismo’ se indica um sistema econômico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada e da consequente responsabilidade pelos meios de produção, da livre criatividade humana no sector da economia, a resposta é certamente positiva, embora talvez fosse mais apropriado falar de ‘economia de empresa’, ou de ‘economia de mercado’, ou simplesmente de ‘economia livre’. Mas se por ‘capitalismo’ se entende um sistema onde a liberdade no setor da economia não está enquadrada num sólido contexto jurídico que a coloque ao serviço da liberdade humana integral e a considere como uma particular dimensão desta liberdade, cujo centro seja ético e religioso, então a resposta é sem dúvida negativa.” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 335; Encíclica Centesimus Annus, 42)

Propriedade Particular:

“Não se oponha também à legitimidade da propriedade particular o facto de que Deus concedeu a terra a todo o gênero humano para a gozar, porque Deus não a

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13 Observações preliminares sobre a Doutrina Social da Igreja:

concedeu aos homens para que a dominassem confusamente todos juntos. Tal não é o sentido dessa verdade. Ela significa, unicamente, que Deus não assinou uma parte a nenhum homem em particular, mas quis deixar a limitação das propriedades à indústria humana e às instituições dos povos. Aliás, posto que dividida em propriedades particulares, a terra não deixa de servir à utilidade comum de todos, atendendo a que não há ninguém entre os mortais que não se alimente do produto dos campos. Quem os não têm, supre-os pelo trabalho, de maneira que se pode afirmar, com toda a verdade, que o trabalho é o meio universal de prover às necessidades da vida, quer ele se exerça num terreno próprio, quer em alguma parte lucrativa cuja remuneração, sai apenas dos produtos múltiplos da terra, com os quais ela se comuta. De tudo isto resulta, mais uma vez, que a propriedade particular é plenamente conforme à natureza. A terra, sem dúvida, fornece ao homem com abundância as coisas necessárias para a conservação da sua vida e ainda para o seu aperfeiçoamento, mas não poderia fornecê-las sem a cultura e sem os cuidados do homem. Ora, que faz o homem, consumindo os recursos do seu espírito e as forças do seu corpo em procurar esses bens da natureza? Aplica, para assim dizer, a si mesmo a porção da natureza corpórea que cultiva e deixa nela como que um certo cunho da sua pessoa, a ponto que, com toda a justiça, esse bem será possuído de futuro como seu, e não será lícito a ninguém violar o seu direito de qualquer forma que seja.” (Papa Leão XIII, Encíclica Rerum Novarum, 5)

“Deve, portanto evitar-se cuidadosamente um duplo escolho em que se pode cair. Pois como o negar ou cercear o direito de propriedade social e pública precipita no chamado «individualismo» ou dele muito aproxima, assim também rejeitar ou atenuar o direito de propriedade privada ou individual leva rapidamente ao «coletivismo» ou pelo menos à necessidade de admitir-lhe os princípios.” (Papa

Pio XI, Encíclica Quadragesimo Anno, I, 1)

Socialismo:

“Por tudo o que Nós acabamos de dizer, se compreende que a teoria socialista da propriedade coletiva deve absolutamente repudiar-se como prejudicial àqueles membros a que se quer socorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos, como desnaturando as funções do Estado e perturbando a tranquilidade pública. Fique, pois, bem assente que o primeiro fundamento a estabelecer por todos aqueles que

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