Resenha Critica O Abutri

Resenha Critica O Abutri

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO - UFRPE

UNIDADE ACADÊMICA DE SERRA TALHADA - UAST

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DISCIPLINA: Fundamentos de Estratégia Competitiva PERÍODO: 09º

PROFESSOR: Paulo Thiago Nunes Bezerra de Melo CURSO: Sistemas de Informação

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EQUIPE Patrick Camarena Nunes e Silva

Wandersson Ferreira Saraiva Nota

PERÍODO LETIVO: 2015.1

RESENHA CRÍTICA DO FILME

DATA: 15 /05 /2015

(4 pontos): no mínimo 3 e no máximo 4 páginas, analisando o filme O ABUTRE. Realização em dupla. Atenção para utilizar todos os textos discutidos na disciplina.

No transpassar da narrativa do filme O Abutre, Louis, o protagonista, de certa forma torna-se um empresário bem conceituado, se lançando num jogo de demanda e oferta, e excedendo a discussão ética da sede pela tragédia alheia. Louis elimina seus competidores intermediários, adota estratégias de marketing, e assim, com sua empresa em crescimento, valoriza sua marca, dando um nome a sua empresa. Ele tem em mente o valor do seu produto, e exige que suas imagens e nome sejam creditados repetidamente pelas emissoras de TV, consequentemente aprendendo a barganhar e aumentar seus lucros.

Lou Bloom era um homem sem honestidade, se sustentava com pequenos roubos, porém tinha uma vontade de ser alguém, destacando-se como um profissional de sucesso. Tentou buscar empregos em vários lugares, mas não obtendo sucesso. Certa noite, Louis se depara com um acidente de carro e decide parar por curiosidade, onde observa o trabalho de cinegrafistas que logo após negociam o seu material para uma emissora de TV local, então o jovem vê uma grande oportunidade de trabalho e de ganhar dinheiro em meio a um mercado dinâmico, onde quem tem os melhores recursos tem um melhor desempenho frente aos seus concorrentes e a todo o momento surgem novas empresas assim como a de Lou. O protagonista tem um plano: A criação de uma posição única e valiosa, envolvendo um conjunto de diferentes atividades, adotando uma estratégia como posição de baixo custo, se inserindo no mercado evitando os competidores, buscando sempre ser melhor que eles. Lou rapidamente no dia seguinte, resolve comprar uma filmadora amadora e um rádio da polícia, ambos fruto de um furto, e em seguida começa a ouvir e observar todas as tragédias ocorridas em Los Angeles, a fim de produzir seu primeiro trabalho. Dessa forma, ele enxerga uma maneira de contextualizar o seu ramo empresarial, inserindo-a em seu ambiente competitivo. Louis possui a visão e determinação de um grande empreendedor, e de acordo com seu crescimento e sua capacidade autodidata, finge ser um grande empresário com o objetivo de realizar suas filmagens com perfeição. Para isso, contrata o Rick como seu ajudante.

As cenas de entrevista de emprego e negociação de aumento de salário, ambas entre Louis e seu assistente Rick (Riz Ahmed), poderiam ter saído de um drama corporativo. A impressão crescente é de um famoso empresário com bastante prática no ramo, com sinistro e sombrio comentário sonho de sucesso financeiro e ascensão social.

Com passar do tempo essa estratégia é modificada, pois além de oferecer diferenciação do material exposto para negocio, o personagem começou a praticar a estratégia de foco, que consiste em selecionar um grupo comprador, um segmento da linha de produtos ou um mercado geográfico. Nesse caso foi selecionado um grupo comprador, assim a empresa atinge a diferenciação, melhor satisfação às necessidades de seu alvo particular, conseguindo em consequência, custos mais baixos ao desempenhar seu foco, ou ambos.

Com um alerta de incêndio, Louis e seu assistente saem em busca de trabalho, porém ao chegar ao local percebem que chegaram atrasados para a filmagem do acontecimento, notando que seus concorrentes chegaram antes. Torna-se evidente que seu concorrente possui vantagem competitiva frente ao protagonista e sua empresa, pois possuem informações privilegiadas e melhores equipamentos, fornecendo um produto com melhor qualidade, o que lhes concedem um melhor desempenho em comparação a empresa de Louis. Depois de algumas falhas e ao fazer negócio com Nina Romina, uma produtora que não se importa com códigos de ética do jornalismo, o protagonista e seu assistente não enxergam problemas em invadir a casa de uma família que acaba de passar por um tiroteio e manipular cenas de diversos crimes, com o objetivo de valorizar seu produto final. Louis passa a depender da parceria de Nina , procurando por meio da chantagem, crescer frente ao mercado. A produtora acaba coagida a aceitar suas propostas por culpa de sua obstinada busca pro números, proporcionando ao protagonista um crescimento naquilo que ele diz ser algo que ama e leva jeito de fazer, que é o telejornalismo.

Louis possui uma postura de buscar desenvolver uma vantagem competitiva com base no seu posicionamento frente aos seus concorrentes, e nesse momento investe tudo o que ganhou em recursos para aumentar seu desempenho. Assim, apesar de não possuir uma empresa bem estruturada como a de Joe Loder, passa a possuir uma vantagem competitiva no mercado, obtendo agora, equipamentos de última geração e utilizando seus meios "legais" para alterar cenas de crimes, além de encontrar os melhores ângulos para filmagem, adotando uma estratégia de posicionamento baseada na diferenciação e se sobressaindo em relação ao seu concorrente. Joe Loder, percebendo o crescimento de Louis, tenta o tornar-se seu sócio e o oferece a chance de monopolizar o mercado de filmagens, porém Louis recusa a proposta, pois trabalhar por própria está em conformidade com sua capacidade e objetivos profissionais.

Associado com a estratégia de diferenciação, observa-se a prática de uma estratégia de foco ou enfoque, pois possui como público alvo os telespectadores e clientes (no caso da produtora) que são atraídos pelo sangue no lugar de conteúdo, como se evidencia na fala da editora Nina que descreve: 'Imagine o nosso jornal com uma mulher aos gritos, com a garganta cortada, correndo pela rua'.

No filme, é possível observar vários recursos utilizados por Louis para realização de suas atividades, organizados de forma a serem estrategicamente superiores aos do seu concorrente. Como recursos tangíveis podemos, citar o seu meio de transporte, que o personagem levado pela necessidade de uma melhor mobilidade para chegar nos locais de trabalho, opta por adquirir um modelo mais rápido. Câmeras para filmagem, que passaram de amadoras para modelos de alta resolução e até equipamentos para localização como GPS e rádio sintonizado na frequência utilizada pela policia. Como recursos intangíveis (que não são físicos nem financeiros) podemos citar a sua marca, que como comentado na introdução, foi valorizada por meio de suas estratégias de marketing e também pela eliminação (no sentido literal da palavra) da concorrência, como também pelo seu poder de barganha, exigindo que suas imagens fossem creditadas e o nome da sua empresa repetido pelas âncoras, maximizando seus lucros. Como recursos humanos, podemos citar seu assistente que não possui nenhuma experiência, conhecimento e nem qualificação profissional para o ramo. No fim do filme, com uma empresa melhor estruturada, Louis agora dispõe de uma equipe distribuída em dois carros.

Por meio de seus recursos e competências únicas, a empresa do protagonista pode ser vista como superior aos seus concorrentes, onde suas capacidades e recursos que são desenvolvidos e controlados de forma dinâmica, tornam-se fonte básica para sua obtenção de vantagem competitiva. Com a visão baseada em recursos, pode-se identificar quais recursos uma determinada empresa possui e pode usar na realização das suas atividades. Alguns desses recursos podem ser observados no filme. Os recursos tangíveis são recursos físicos ou financeiros de uma organização. No filme, observa-se uma participação desses recursos na empresa, como por exemplo: O carro de trabalho do personagem e sua câmera. Esses recursos vão evoluindo juntamente com a empresa em questão. Os recursos intangíveis não são físicos ou financeiros. É possível perceber esse tipo de recurso na reputação que a empresa constrói ao longo do tempo, graças ao sucesso do produto comercializado.

Analisando os fatores que levam a uma vantagem competitiva sustentável, pode-se observar que a empresa de Louis se encaixa nas quatro questões defendidas pelo modelo VRIL que foi evoluído por Barney e Hesterly (2007). Sua empresa possuía toda a capacidade de explorar uma oportunidade e também de neutralizar uma ameaça, como utilizado por ele para modificar cenas de crimes e também dar fim a sua concorrência. Possuía capacidades que não eram controladas nem conhecidas pelas empresas concorrentes, fruto de sua mente sociopata, que dificilmente outra organização poderia obter ou imitar sem enfrentar problemas legais.

Louis desenvolve competências que são direcionadas a sua atividade principal, obtendo recursos que sejam direcionados ao oferecimento em relação á concorrência. O seu ramo de trabalho desde que comprou sua primeira filmadora é sempre o mesmo, sem levar em consideração as atividades ou produtos secundários.

As empresas podem ter mais de um tipo de competência essencial, no filme Abutre, o protagonista possui a função de operação, onde o próprio Lou com sua filmadora produz filmagens das cenas de crimes, acidentes entre outras, sendo um grande responsável pela sua própria logística e trabalhando bastante, fez e refez seus planejamentos e realizações de vários projetos, como também esteve sempre organizando e contabilizando todo seu trabalho em um armazenamento de todas as filmagens no seu computador pessoal. Quanto a prestação de serviços, o próprio Louis mantinha um carro para se deslocar até os ocorridos. O atendimento a qualquer comunicação na sua empresa era diretamente ligado a ele, além de toda a manutenção de equipamentos. Outra competência observada no filme é a função de desenvolvimento de produto. Lou demonstrava possuir muita criatividade em suas gravações. Os ângulos eram quase perfeitos, além de algumas vezes modificar cenas de crimes e acidentes para obter maior resultado no seu produto. Ele chegou a omitir um crime para articular uma de suas melhores filmagens, onde dois bandidos trocam tiros com a policia e entram em perseguição. Lou e seu assistente gravam tudo, pois ele é tão criativo e deseja ter melhores cenas, que chega ao ponto de “sacrificar” seu próprio empregado em nome do seu trabalho. O personagem aprende muito rápido, é muito autodidata, além de a internet como fonte de conhecimento. É dali que vem toda sua retórica corporativa. “Você pode encontrar tudo que quiser se procurar o suficiente”, ele diz.

Por fim, outra competência no filme é a função de comercialização. Lou se depara com seu primeiro trabalho e vai tentar vendê-lo em uma emissora de TV próxima. Após a venda de seu primeiro produto, ele volta sempre com mais de suas gravações para a mesma emissora ameaçando a editora Nina com algumas chantagens de poder vender seu trabalho para outra empresa de rádio, além de oferecer novas propostas. Ele sempre foi inovador e teve excelência de produção. Chegou ao ponto de quase obrigar que pusessem seu nome e o de sua empresa ao fim de cada gravação, para que sua organização como um todo ganhasse nome no mercado competitivo, obtendo um grande contato da sua empresa com o público consumidor. O foco em investimentos foi sempre de competência essencial da empresa de Louis.

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