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Uma - analise - das - cooperativas - de - transportes - locais - do - sertão -...

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Uma Analise das Cooperativas de Transportes Local do Sertão Serra-Talhadense: Um Estudo de Caso.

1 Wandersson Ferreira Saraiva 2 Hugo Novaes Medeiros de Novaes 3 Thiago Morais Severo

4. Roberto Cássio

O presente artigo tem por objetivo analisar o cooperativismo de um ponto de vista teórico para que se possa entender melhor suas atuais configurações e suas possíveis tendências no mercado, sendo a união voluntária de indivíduos que buscam meios econômicos e sociais com base em interesses e vontades em comum. Assegurar a capacidade de somar e dividir entre os demais, tendo as pessoas como chave principal do processo. A base do cooperativismo está na igualdade, solidariedade, democracia, ajuda mútua e responsabilidade. O foco do trabalho está na realização de entrevistas para descortinar o funcionamento da cooperativa de transporte COOPETRANS, localizada no sertão do Pajeú, além de discutir a importância que as redes de cooperação tem para o desenvolvimento econômico regional e também como fonte e geração de empregos na cidade de Serra Talhada – PE, além da sua importância para os cooperados. O difícil acesso em algumas localidades é enorme, e é indiscutível a vantagem competitiva que o modo rodoviário possui quando a questão é oferecer um serviço porta a porta, uma vez que os demais modos estão limitados a instalações fixas de trilhos, hidrovias, duto vias e aerovias. Aqui será demonstrado que se aplicados todos os seus princípios de forma correta, trará grandes benefícios a longo prazo á região e em especial aos membros da cooperativa.

PALAVRAS-CHAVE: Cooperativismo, Redes de Cooperação, Meios de Transporte Terrestres

1Wandersson Ferreira Saraiva- Estudante do curso de Bacharelado em Sistemas de Informações da Universidade Federal Rural de Pernambuco/Universidade Acadêmica de Serra Talhada. E-mail: wandersson66@hotmail.com

2Hugo Marcel Medeiros de Novaes - Estudante do curso de Bacharelado em Sistemas de Informações da Universidade Federal Rural de Pernambuco/Universidade Acadêmica de Serra Talhada. E-mail: hugomarcel2@gmail.com

3 Thiago de Moraes Severo - Estudante do curso de Bacharelado em Sistemas de Informações da Universidade Federal Rural de Pernambuco/Universidade Acadêmica de Serra Talhada. E-mail:thiagoms@gmail.com

4Roberto Cássio - Professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco/Universidade Acadêmica de Serra Talhada.

01 INTRODUÇÃO

No Brasil, a cultura da cooperação é observada desde a época da colonização portuguesa. Esse processo emergiu no Movimento Cooperativista Brasileiro como alternativa dos pequenos produtores competirem no mercado de trabalho que sempre está em constante mudança. São sociedades de pessoas com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, sem fins lucrativos, não sujeita à falência, constituída para prestar serviços a seus associados. Este trabalho tem por objetivo mostrar os benefícios e as vantagens que as cooperativas de transporte tem para o fortalecimento da economia e geração de empregos, em especial, dos associados da cooperativa de transportes alternativos LTDA - COOPETRANS no município de Serra Talhada/PE. Destacar a importância, no âmbito do fácil acesso a transporte terrestre urbano e suburbano de passageiros a localidades do sertão do Pajeú, da criação de associações e cooperativas como um canal importante de produção, organização da produção, agregação de valor. Mostra-se como as cooperativas de transporte podem contribuir para promover o desenvolvimento local sustentável e geração de renda. No sertão, produzir é apenas uma das etapas de uma negociação bem sucedida. Entregar os produtos e passageiros no prazo e em perfeitas condições é outro desafio que os associados da cooperativa de transporte enfrentam diariamente, para ajudar nesse processo. Serra Talhada conta com uma cooperativa voltada ao setor. Hoje o meio de transporte que é mais utilizado pelos homens é o terrestre, e encontram-se muitos tipos de mecanismos de transporte deste tipo, sendo eles de extrema importância no deslocamento das pessoas, tanto para distâncias pequenas, como também para distâncias maiores. No Brasil, os meios de transporte terrestres, além de serem os mais adotados, são observados de preferência como os tipos de transportes rodoviários, que são aqueles utilizados nas ruas e rodovias, como as vans, ônibus etc. O meio de transporte rodoviário realmente passou a ser uma parte da sociedade no século X, quando então o automóvel foi inventado. No início, estes mecanismos eram mais um tipo de arremate do transporte ferroviário, que transportava pessoas e suas mercadorias. Ao passar dos anos, diversos países obtiveram preferência em adotar o transporte rodoviário como um dos principais meio de locomoção, e o Brasil foi um desses países. São mais versáteis e rápidos, podendo chegar a lugares muito distantes e de difícil acesso com maior facilidade e maior rapidez, dado que há várias opções de caminhos a transitar. Além disso, ainda é possível entregar a mercadoria em qualquer local, diferente dos outros meios de transporte, pois o transporte aéreo só pode entregar suas cargas até o aeroporto, já os ferroviários, até as estações e assim por diante. Esse é o meio de transporte mais independente de todos, pois não necessita de nenhum outro para concluir o processo.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 COOPERATIVISMO E AS COOPERATIVAS

A partir do cooperativismo e seus princípios o principal meio para se conseguir ter sucesso dentro de uma cooperativa. Tendo como princípio, adesão voluntária e livre onde as cooperativas são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços. Segundo

(Cançado, 2009) as cooperativas devem ter como forma de gestão, decisões democráticas, controladas pelos seus associados, que participam ativamente na formulação das suas políticas e na tomada de decisões.

Outro princípio peculiar em uma cooperativa diz respeito a participação econômica dos membros, onde os associados contribuem para a formação do capital das suas cooperativas e controlam-no democraticamente. Parte desse capital é, normalmente, propriedade comum da cooperativa. As cooperativas também são organizações autônomas, de ajuda mútua, controladas pelos seus membros. Se firmarem acordos com outras organizações, incluindo instituições públicas.

As cooperativas promovem a educação cooperativa e a formação dos seus associados, dos representantes eleitos e dos seus empregados diretos, de forma que estes possam contribuir, eficazmente, para o desenvolvimento das suas cooperativas. A educação cooperativa e o treinamento de associados reforçam as atividades e princípios cooperativos, não desviando o foco das atividades e a forma de trabalho dentro da cooperativa(Cançado, 2009). Constituem uma forma mais eficaz os seus associados contribuindo e fortalecendo positivamente o movimento cooperativo. Há também o a participação e contribuição das cooperativas no âmbito social, onde as cooperativas trabalham e cooperam para o desenvolvimento sustentado das suas comunidades.

Amato Neto (2000) cita os benefícios apresentados a uma rede de cooperação podem ser vistos de maneira mais ampla quando comparado às mesmas atividades desenvolvidas, fossem feitas sem forma cooperativa. Visto que, as empresas que integram uma rede conseguem reduzir custos, dividir riscos, conquistar novos mercados, qualificar produtos e serviços e ter acesso a novas tecnologias. Processo que seria no mínimo dificultado para um pequeno empreendedor

Uma cooperativa pode ter grande influência na economia no aspecto social de um local ou região, por envolver nas suas atividades outras empresas, fornecedores e até outras cooperativas. Casarotto Filho e Pires (1999) sugerem a implementação dos consórcios para valorização do produto, a partir da experiência italiana adaptada para regiões brasileiras. Observa-se também que a criação de pequenas empresas e o incentivo à sua associação em arranjos cooperativos são formas de alcançar o desenvolvimento econômico de uma região. Por outro lado, o crescimento do número de empresas, em vez do crescimento das grandes empresas, propicia maior geração de empregos e uma melhor distribuição da renda, bem como o surgimento de novas oportunidades para o aproveitamento de recursos naturais e humanos de uma nação.

O cooperativismo acontece no momento em que um conjunto de pessoas se aliam com a finalidade de obter bens e serviços, deletando o papel do atravessador do procedimento de comercialização. Os trabalhos são feitos de maneira igualitária e seus ganhos divididos entre os associados. (SCHIMIDT; PERIUS, 2003 apud TESTONI, 2008, p. 19).

2.2 TRANSPORTE

Com a Revolução Industrial, a invenção da máquina a vapor e a substituição da madeira pelo aço, possibilitaram a construção de embarcações cada vez maiores, o que ocasionou o barateamento dos custos do transporte sobre as águas, o que revolucionou as primeiras empresas e deu início as redes de distribuição física. RODRIGUES (2002) detalha o transporte como o deslocamento de pessoas e pesos de um local para outro. Nos primórdios da humanidade, todos os pesos eram transportados pelo próprio homem, de acordo com a sua limitada capacidade física. O homem passou a transportar mercadorias também em via aérea, sempre que a imperiosidade de rapidez no transporte privilegiava a relação custo x benefício em especial no caso de produtos de alto valor agregado. Atualmente, o estudo do transporte de cargas tomou o cunho sistêmico de especialização científica, buscando-se entender e analisar todas as variáveis envolvidas para melhor atender às complexas necessidades decorrentes das transações comerciais locais, regionais e internacionais.

2.3 TRANSPORTE RODOVIÁRIO

CAIXETA FILHO e MARTINS (2001) afirmam que é indiscutível a vantagem competitiva que o modo rodoviário possui quando a questão é oferecer um serviço porta a porta, uma vez que os demais modos estão limitados a instalações fixas de trilhos, hidrovias, duto vias e aerovias. Até o início da década de 50, as rodovias existentes no Brasil eram precárias. O governo Juscelino criou o slogan 50 anos em 5. Construiu Brasília, trouxe a indústria automobilística para o país e rasgou estradas ao longo do território nacional, aumentando a demanda pelo transporte rodoviário. A partir de então, a rodovia passou a ser encarada como fator de modernidade, enquanto a ferrovia virou símbolo do passado.

Com a criação do Fundo Rodoviário Nacional, formado pela arrecadação do Imposto

Único sobre Combustíveis e Lubrificantes, o setor passou a dispor de um mecanismo de financiamento sustentado e de longo prazo, garantindo recursos a fundos perdidos para a construção, pavimentação e conservação de rodovias.

2.4 CARACTERIZAÇÃO DO MERCADO DE VEICULOS DE PEQUENO PORTE

Examinando-se pesquisas recentes publicas no Brasil (NTU e ANTP, 1997; NTU, 1999; NTU, 2000, por exemplo) é possível verificar que cerca de 85% das capitais brasileiras já tiveram, ou ainda possuem, a presença do transporte por VPP em sua forma legalizada ou não. Muitas delas já permitem que VPP operem serviços de transporte regular de forma regulamentada (Barboza, 2002). De fato, o surgimento destes serviços de transporte, sobretudo os realizados por kombis, vans e microônibus, se mostrou um dos principais, se não o principal, componente de mudança no contexto do sistema de transporte público de passageiros, modificando profundamente a divisão modal dos transportes urbanos brasileiros desde meados da década de 90.

O crescimento expressivo e a rapidez do fenômeno do transporte de passageiros podem ser constatados quando observado os dados de seu crescimento em algumas cidades. Em Jaboatão dos Guararapes, cidade localizada na região metropolitana do Recife, cerca de 2350 VPP transportam até 80% da demanda (Reck et al., 1998).

Diversos fatores tentam explicar porquê, em tão pouco tempo, os transportadores ilegais surgiram e cresceram. O caminho apontado para o surgimento pode ter sido o seguinte:

A abertura econômica dos anos 90 proporcionou a entrada de veículos importados com preços atraentes e facilidades de financiamento. Além disto a moeda valorizada frente ao dólar tornou estes artigos mais acessíveis;

Um nicho de mercado estava aberto devido à baixa qualidade do serviço regular de transporte e a pouca ou nenhuma fiscalização exercida por órgãos gestores frágeis e/ou omissos;

Os pequenos investidores apostaram neste mercado atraente e possível para novos entrantes.

Para o crescimento do transporte ilegal, Araújo (2000) aponta alguns fatores. São eles: o baixo investimento inicial, a alta rentabilidade nos primeiros anos, algumas características operacionais e tecnológicas presente no transporte ilegal que trouxeram a boa aceitação por parte dos usuários, a força política da categoria principalmente na esfera municipal e estadual e as relações obscuras com órgãos fiscalizadores que promovem “trocas de favores” entre ilegais e órgãos gestores e entre ilegais e a polícia.

2.5 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL - COOPERATIVA DE TRANSPORTE DE PESSOAS

A estrutura organizacional de uma cooperativa possui vários cargos - presidente, vice presidente, tesoureiro, diretor administrativo - e seus ocupantes são eleitos pelos associados para exercerem funções específicas (Araújo, 2000). As cooperativas adotam regulamentos internos, fruto de acordos e “consensos”, que orientam o comportamento de seus membros. Algumas regras enfocam eficiência e justiça como, por exemplo, assegurar serviço adequado nos períodos de entre pico fazendo rodízio entre os associados e proibir que, entre sócios, haja ultrapassagens e “roubos” de clientes. Em casos de infração das regras, o infrator é julgado e multas são aplicadas. Na cooperativa estudada por Araújo (2000), por exemplo, uma das normas de aceitação é que o motorista possua carteira profissional tipo D e que seu veículo tenha o seguro obrigatório contra acidentes para passageiros e seguro contra terceiros. Depois de admitido, a cooperativa exige realização de revisões mecânicas periódicas, garantindo a manutenção adequada dos veículos. Em alguns casos, as cooperativas fazem também serviços financeiros, agrupando seus associados na busca de descontos na compra de lubrificantes, combustível, equipamentos e aquisição de serviços especializados.

2.6 CARACTERISTÍCAS OPERACIONAIS

Uma das características que distingue o serviço aqui estudado do ônibus formal é que nele é possível ao usuário embarcar e desembarcar em qualquer parte ao longo do percurso. É a flexibilidade a sua marca registrada: rotas, horários e preços variáveis.

As cooperativas fazem uso de terminais (por terminal se entende um local preestabelecido onde os operadores se concentram a espera de usuários) em espaços públicos, como ruas, avenidas e praças. Alguns terminais servem apenas a uma única cooperativa, outros são freqüentados por cooperativas em comum acordo e outros são freqüentados por qualquer operador, sendo cooperado ou não, desde que pague alguma taxa.

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