33313032 - ISSUU - Acos - Ligas - Especiais - Isbn8521203829

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(Parte 1 de 5)

Aços e ligas especiais

2ª Edição Revista e ampliada

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1.1O elemento ferro1
1.2Soluções sólidas de ferro5
1.3Diagrama ferro-grafita8
1.4Diagrama ferro-cementita9
1.5Pontos relevantes do diagrama ferro-cementita1
1.6Efeito do resfriamento e aquecimento nas linhas de transformação12
1.7Reações invariantes13
1.8Observações da microestrutura16
1.9Determinação da fração volumétrica das fases16
1.10Efeito da velocidade do resfriamento na fração volumétrica da ferrita e perlita21
Exercícios2
Referências bibliográficas23

Capítulo 1O sistema ferro-carbono 1

2.1Ferrita e cementita26
2.2Perlita34
2.3Curvas ITT49
2.4Bainita e ferrita acicular51
2.5Martensita57
2.6Construção das curvas T67
2.6.1Curvas ITT68
2.6.2Curvas CCT ou TRC75
Exercícios79
Referências bibliográficas81

Capítulo 2Decomposição da austenita e curvas T 25

3.1Introdução83
3.2Recozimento84
3.2.1Recozimento pleno ou simplesmente recozimento84
3.2.2Recozimento subcrítico8
3.2.3Esferoidização89
3.2.4Recozimento para usinabilidade90
3.3Proteção da superfície90
3.4Normalização92

Capítulo 3Tratamentos térmicos 83 Sumário

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3.5.1Meios de têmpera97
3.5.2Tensões na têmpera100
3.6Temperabilidade (Hardenability)106
3.6.1Taxa de resfriamento crítico106
3.6.2Ensaio Grossmann107
3.6.3Ensaio Jominy107
3.6.4Fatores que afetam a temperabilidade109
3.6.5Técnicas para se revelar o contorno do grão austenítico110
3.6.6Crescimento do grão austenítico118
3.7Revenimento121
3.7.1Efeito nas propriedades122
3.7.2Transformações no revenimento de aços carbono124
3.7.3Revenimento múltiplo126
3.7.4Fragilidade do revenido126
3.8Martêmpera127
3.9Austêmpera130
3.10Austenita retida132
3.11Têmpera superficial132
3.1.1Aquecimento indutivo132
3.1.2Aquecimento por chama136
3.12Exemplos de microestruturas obtidas com tratamentos térmicos138
Referências bibliográficas145
4.1Introdução147
4.2Difusão e solubilidade dos elementos químicos148
4.3Perfil de distribuição do soluto149
4.4Cementação152
4.4.1Cementação sólida153
4.4.2Cementação gasosa155
4.4.3Cementação líquida160
4.4.4Cementação a vácuo165
4.4.5Cementação iônica ou a plasma166
4.5Nitretação171
4.5.1Nitretação a gás172
4.5.2Nitretação líquida175
4.5.3Nitretação iônica ou a plasma177
4.6Cianetação (carbonitretação líquida ou cianetação líquida)183
4.7Carbonitretação186
4.8Nitrocarbonetação188
4.8.1Nitrocarbonetação ferrítica188

Capítulo 4Tratamentos termoquímicos 147 00_abertura.p65 19/10/2006, 14:4212

4.8.3Nitrocarbonetação austenítica193
4.9Boretação196
4.10Tratamentos termorreativos206
4.11Resumo dos tratamentos termoquímicos210
4.12Microestruturas obtidas nos tratamentos termoquímicos212
Exercícios213
Referências bibliográficas214
5.1Elementos estabilizadores da austenita e da ferrita215
5.2Influência dos elementos de liga nos aços não endurecidos220
5.3Efeito dos elementos de liga na formação da ferrita221
5.3.1Nucleação221
5.3.2Crescimento2
5.3.3Propriedades da ferrita226
5.4Efeito dos elementos de liga na formação da perlita229
5.5Efeito dos elementos de liga nos carbonetos236
5.5.1Distribuição236
5.5.2Solubilidade237
5.5.3Formas de precipitação239
5.5.4Composição dos carbonetos240
5.5.5Cinética da precipitação e coalescimento dos carbonetos242
5.5.6Efeito da precipitação dos carbonetos finos nos aços245
5.5.7Efeito dos carbonitretos na laminação252
5.6Efeito das inclusões não-metálicas275
5.7Efeito dos elementos de liga nos compostos intermetálicos275
5.8Efeito de partículas metálicas dispersas278
5.9Efeito dos elementos de liga na formação da austenita278
5.10Efeito dos elementos de liga na têmpera282
5.10.1Temperaturas MI e MF283
5.10.2Dureza da martensita283
5.10.3Temperabilidade284
5.11Efeito dos elementos de liga no revenimento286
5.1.1Formação dos carbonetos de ferro286
5.1.2Endurecimento secundário288
5.1.3Aços com V, Cr, Mo e W291
5.1.4Propriedades mecânicas292
5.1.5Aços maraging294
5.12Efeitos dos elementos de liga na formação da bainita295
5.12.1Temperatura de início da formação bainítica (BI)295
5.12.2Aços bainíticos de alta resistência295

Capítulo 5Influência dos elementos de liga nos aços 215 00_abertura.p65 19/10/2006, 14:4213

5.14Impurezas dos aços303
5.15Produção e preço dos elementos utilizados na fabricação dos aços305
Referências bibliográficas312
6.1Classificação e especificação de materiais315
6.2Seleção de materiais317
6.3Seleção de aços317
6.4Aços baixo carbono para conformação mecânica318
6.5Aços estruturais, para caldeiras, vasos de pressão e tubulações325
6.5.1Tenacidade e prevenção de fratura rápida326
6.5.2Emprego de aço estrutural à temperatura elevada327
6.6Vergalhões para concreto329
6.7Chapas e perfis estruturais329
6.8Aços de alta resistência e baixa liga (ARBL)329
6.9Aços para a construção mecânica3
6.9.1O sistema de classificação ABNT para aços construção mecânica3
6.9.2Seleção baseada na temperabilidade335
6.10Aços de ultra-alta resistência354
6.11Aços para cementação355
6.12Aços para molas356
Referências bibliográficas361

Capítulo 6Classificação e seleção de aços 315

7.1Aços para ferramentas363
7.1.1Introdução363
7.1.2Classificação363
7.1.3Aplicações de aços em ferramentas-características dos aços365
7.1.4Aços para trabalho a frio366
7.1.5Aços para trabalho a quente383
7.1.6Aços para fins especiais388
7.1.7P – Aços para moldes389
7.1.8Aços rápidos391
7.1.9A escolha do aço ferramenta398
7.1.10Revestimentos407
7.2Aços inoxidáveis407
7.2.1Introdução407
7.2.2Relações entre composição química e estrutura409
7.2.3Inoxidáveis martensíticos412
7.2.4Inoxidáveis ferríticos415
7.2.5Inoxidáveis austeníticos417

Capítulo 7Aços ferramenta, inoxidáveis e ligas especiais 363 00_abertura.p65 19/10/2006, 14:4214

7.2.7Aços inoxidáveis endurecíveis por precipitação429
7.2.8Resistência à corrosão431
7.3Aços maraging443
7.3.1Introdução443
7.3.2Metalurgia dos aços maraging – sumário4
7.4Níquel e suas ligas446
7.5Superligas450
7.5.1Introdução450
7.5.2Metalurgia das superligas – sumário451
7.6Titânio e suas ligas459
7.6.1Introdução459
7.6.2Metalurgia do titânio e suas ligas – sumário460
7.6.3Obtenção do titânio463
7.7Zircônio e suas ligas463
7.8Metais refratários e suas ligas466
7.8.1Nióbio e tântalo466
7.8.2Molibdênio469
7.8.3Tungstênio470
Referências bibliográficas470
8.1Introdução475
8.2A produção de ferro-gusa – o alto-forno476
8.2.1O ferro-gusa476
8.2.2O alto-forno477
8.3Processos de redução direta484
8.4Aciaria486
8.4.1Processos pneumáticos de aciaria (conversores)487
8.4.2O forno elétrico491
8.5Lingotamento e lingotes503
8.5.1Lingotamento convencional503
8.5.2Lingotamento contínuo506
8.5.3Transmissão de calor na solidificação507
8.5.4Estrutura de lingotes e produtos de lingotamento contínuo521
Referências bibliográficas530

Capítulo 8Processos de elaboração de aços 475

9.1Introdução533
9.2Metalurgia de panela534
9.2.1Tratamento sob vácuo – desgaseificação534
9.2.2Operações de metalurgia de panela – forno-panela540
9.2.3Processos de produção de aços inoxidáveis545

Capítulo 9Processos especiais de refino e obtenção de aços e ligas especiais 533 00_abertura.p65 19/10/2006, 14:4215

9.4Processos de refusão549
9.4.1Refusão sob escória eletrocondutora (ESR)551
9.4.2Refusão a arco sob vácuo (VAR)552
9.4.3Forno de refusão por feixe eletrônico553
9.5Metalurgia do pó para aços ferramenta554
9.6Conformação por spray (spray forming)558
Referências bibliográficas559
10.1Introdução561
10.2Efeito da temperatura – trabalho a quente e trabalho a frio562
10.3Trabalho a quente563
10.3.1Conformação a quente – tratamentos termomecânicos569
10.3.2Aquecimento570
10.3.3Temperatura571
10.3.4 Seqüência de deformação572
10.3.5Resfriamento574
10.4 Inclusões não-metálicas e anisotropia575
10.5Trabalho a frio581
10.6Forjamento582
10.7Laminação583
10.8Extrusão583
Referências bibliográficas584

Capítulo 10Conformação mecânica 561

1.1Introdução585
1.2Tipos de testes e ensaios no controle da qualidade587
1.3Ensaios empregados na produção de aços e ligas especiais588
1.3.1Inspeção por ultra-som589
1.3.2 Testes de trincas superficiais593
1.3.3Radiações ionizantes (Raios-X e Raios gama)595
1.3.4Ensaios mecânicos597
Referências bibliográficas613

Capítulo 11Controle da qualidade 585

Apêndice I – Curvas Jominy de alguns aços para construção mecânica 615 Apêndice I – Tabelas de dureza 621 Apêndice I – Sistema Internacional de unidades (SI) 629 Índice remissivo 637

00_abertura.p65 19/10/2006, 14:4216

O sistema ferro-carbono

Capítulo 1

Figura 1.1Mudanças de fase do ferro puro [1].

Temperatura (ºC)

Vapor Líquido

Ferro δ (C) Ferro γ (CFC)

Ferro α (C)

Não-ferromagnético (Ferro β)

Ferromagnético

01_Capitulo 01_Aços e Ligas.p6519/10/2006, 12:191

O SISTEMA FERRO-CARBONO5 em que: n=número de átomos inteiros dentro da célula

Calculando-se o fator de empacotamento para estruturas cúbicas, encontra-se:

FE = 0,68CCC FE = 0,74CFC ou seja, na estrutura cúbica de corpo centrado, 68% do volume é ocupado por átomos, já na estrutura cúbica de face centrada, 74% do volume é ocupado por átomos, sendo vazio o restante.

1.2SOLUÇÕES SÓLIDAS DE FERRO

Quando dois metais se misturam para formar uma solução sólida, os átomos do soluto podem substituir uma fração dos átomos da matriz (solução sólida substitucional) – Figura 1.5 – ou se alojar nos espaços vazios da matriz (solução sólida intersticial) – Figura 1.6. Para que uma solução sólida substitucional seja formada, além de compatibilidade eletroquímica, é necessário que o tamanho dos átomos do soluto seja próximo do tamanho dos átomos da matriz (mais ou menos 15% de variação no raio ou diâmetro atômico) [8].

O ferro apresenta vãos octaédricos e tetraédricos em suas estruturas C e CFC [9] (Figuras 1.7 e 1.8).

Para elementos de estrutura cúbica, como o ferro, as relações entre o raio (r) do átomo, que se alojaria em um vão tetraédrico ou octaédrico, e o raio (R) da matriz são apresentadas na Tabela 1.1:

Na Tabela 1.1, observa-se que, além de a estrutura CFC ser mais compacta que a C, ela apresenta vãos maiores, embora, obviamente, em menor número.

Tabela 1.1Relações entre o raio do átomo intersticial (r) e o raio do átomo de matrizes (R) com estrutura cúbica [10].

EstruturaEstruturaEstruturaEstruturaEstrutura

RelaçãoRelaçãoRelaçãoRelaçãoRelação FEFEFEFEFE

OctaédricoOctaédricoOctaédricoOctaédricoOctaédrico T T T T Tetraédricoetraédricoetraédricoetraédricoetraédrico r R

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O SISTEMA FERRO-CARBONO11

1.5PONTOS RELEVANTES DO DIAGRAMA FERRO-CEMENTIT A

Existem várias temperaturas e linhas de importância prática no diagrama de fase ferrocementita.

Linha A1

Indica a reação eutetóide γ → α + Fe3C a 727 °C. A utilização da letra “A” para designar estas linhas foi feita primeiro pelo francês Le Chatelier e indica a ocorrência de uma parada (Arrêt) durante a transformação.

Assim, ao se resfriar um aço com 0,7% C, observa-se uma “parada” na temperatura de

727 °C, ou seja, enquanto a transformação γ → α + Fe3C não se completar, a temperatura permanecerá invariante (Figura 1.1).

Linha A2

Transformação magnética do ferro C, ocorrendo a 770 °C (também chamada de

Temperatura Curie da ferrita) [1]. Nesta temperatura, o ferro muda de paramagnético para ferromagnético [16].

Figura 1.11Cinética de formação da perlita (reação eutetóide).

Temperatura (°C)

Tempo α + FeC γ → α + FeC

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O SISTEMA FERRO-CARBONO13

Reações invariantes são as que ocorrem com temperatura e pressão constantes (Figura 1.1). Algumas das mais comuns são indicadas na Figura 1.13.

Uma reação invariante importante no estudo dos aços é a eutetóide, que ocorre a 727 °C.

Para um aço com 0,7% C, o produto formado é a perlita, que não é uma fase, mas uma mistura de duas fases, ferrita e cementita, com uma estrutura lamelar característica.

Um aço com 0,7% C (na prática, diz-se aço 0,8% C) é chamado de eutetóide. Aços com menos de 0,7% C são hipoeutetóides e, com mais de 0,7% C, são hipereutetóides.

Embora a perlita não seja uma fase, e sim um constituinte, é possível interpretar o diagrama de fase Ferro-Cementita de modo a prever sua ocorrência e quantidade relativa na microestrutura. Assim, aços com menos de 0,7% C possuem ferrita e perlita em sua microestrutura; com 0,7% C, só perlita; e acima de 0,7% C, perlita e cementita (Figura 1.14). Isto, obviamente, se for obtidos por meio de um resfriamento lento (dentro do forno, por exemplo). Se o resfriamento for mais rápido (em óleo ou água), aparecerão outras fases, metaestáveis, e que não são previstas pelo diagrama Ferro-Cementita. Essas outras fases serão estudadas no próximo capítulo.

Figura 1.12Influência do aquecimento e resfriamento nas linhas de transformação do diagrama Fe-C [17].

Temperatura (°C)

AC A ou Ae

Carbono (% em peso)

AC A ou Ae Ar

Ar Ae ou A

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Aços e ligas especiais16

Para se observar as fases presentes em um aço, faz-se o polimento da amostra até que ela fique “como espelho”, seguindo-se um ataque com um reagente químico apropriado.

Um dos reagentes químicos mais empregados para aços carbono é o nital, que consiste em uma mistura de 0,5 a 2% de ácido nítrico em álcool etílico.

A amostra apenas polida e não atacada pode revelar descontinuidades, como trincas, poros, inclusões etc. Na amostra atacada quimicamente, consegue-se observar tanto as fases como sua distribuição, o que permite avaliar aspectos estruturais de fabricação (regiões afetadas pelo calor da soldagem, linhas de deformação ocorridas no forjamento) e características, como segregações etc. Na Figura 1.15, observa-se uma amostra de aço 1020 antes e depois do ataque químico. Nota-se que a peça possui inclusões; foi conformada por deformação (e não fundida); apresenta bandas de segregação de carbono; possui ferrita e perlita na estrutura; sua granulação é fina (grãos pequenos); e ainda que o teor de carbono do aço deve ser de 0,2% (o que será explicado no próximo item). Estas observações indicam a importância do exame metalográfico, pois um ensaio simples como este pode fornecer uma série de informações importantes sobre a estrutura e o processamento de uma determinada peça.

Ainda na Figura 1.15, observa-se que o ataque químico revela o contorno de grão da ferrita, e diferencia, por coloração, a ferrita da perlita. Com o nital, a ferrita aparece “branca” e a perlita “preta”, o que não significa que este ataque químico tenha colorido de maneira distinta as duas fases, ou o contorno de grão da ferrita, mas sim que o reagente químico corroeu mais uma fase do que outra, produzindo diferenças de altura em relação à superfície, refletindo, com isto, mais ou menos luz para a ocular do microscópio. No contorno de grão, o processo é semelhante: como os contornos de grão são regiões mais desordenadas que as suas regiões centrais, é mais fácil para o ácido remover os átomos do contorno, e essa corrosão química mais profunda no contorno de grão formará uma região mais escura durante a observação no microscópio (Figura 1.16).

Na Figura 1.17, observam-se aços hipoeutetóides e hipereutetóides. Em algumas regiões, a perlita apresenta-se como uma massa escura homogênea e em outras conseguimos notar que ela é formada por lamelas alternadas de ferrita e cementita. Isto se deve à inclinação das lamelas em relação à superfície de observação e à ampliação empregada, que será discutido no Capítulo 2.

1.9DETERMINAÇÃO DA FRAÇÃO VOLUMÉTRICA DAS FASES

Quando um lingote de aço solidifica, observa-se pelo diagrama de fases que este sofre uma série de transformações, desde o estado líquido até a temperatura ambiente.

Analisemos, como exemplo, o resfriamento de uma liga Fe-0,25% C a partir do seu estado líquido (1600 °C), até a temperatura ambiente (Figura 1.18). A análise desta figura indica que, em duas ocasiões, a liga é monofásica, ou seja, apresenta uma única fase (no estado líquido e no campo austenítico). Neste caso, é óbvio que a amostra tem 100% líquido ou 100% γ (austenita). Existem situações, entretanto, em que a amostra se apresenta bifásica (δ + L, L + γ, γ + α, α + “P”). Podemos, entretanto, calcular a fração volumétrica de cada fase utilizando a “regra da alavanca” (Figura 1.19), considerando que as densidades das fases

01_Capitulo 01_Aços e Ligas.p6519/10/2006, 12:1916

O SISTEMA FERRO-CARBONO21 Por exemplo:

% P =100.C0 0,7

C0 =0,7.(%P) 100 (1-i)

Assim, se microscopicamente observamos que o aço tem 40% de perlita e 60% de ferrita, pela equação (1-i) estimamos a seu teor de carbono em:

≅ 0,3%

C0 ≅ 0,3% C

1.10EFEITO DA VELOCIDADE DE RESFRIAMENTO NA FRAÇÃO VOLUMÉTRICA DA FERRITA E PERLITA

O teor de carbono do aço carbono só pode ser avaliado em função de suas áreas de ferrita e perlita se o resfriamento for muito lento (no forno, por exemplo). Se o resfriamento for mais rápido, mesmo que a microestrutura seja ainda de ferrita e perlita, a quantidade de ferrita será menor que a prevista pelo diagrama de fase, pois a perlita começa a se formar antes de finalizar a formação da ferrita, interrompendo o seu processo de crescimento (Figuras 1.20 e 1.21).

Figura 1.20Redução da fração volumétrica da ferrita com o aumento da taxa de resfriamento (°C/min) α = Ferrita γ = Austenita P = Perlita

Resfriamento lento

Resfriamento rápido

01_Capitulo 01_Aços e Ligas.p6519/10/2006, 12:1921

Decomposição da austenita e curvas T

Capítulo 2

Um aço resfriado muito lentamente a partir do campo austenítico apresentará, à temperatura ambiente, uma ou mais das fases: ferrita, perlita e cementita, dependendo de seu teor de carbono. Porém, se o resfriamento do aço a partir da região austenítica for muito rápido (por exemplo, resfriando-se diretamente em água), aparecerão outros constituintes metaestáveis, como a bainita e a martensita, que não são previstos no diagrama de fases ferro-cementita.

Para se acompanhar a formação desses constituintes, utilizam-se curvas

T (temperatura, tempo e transformação), as quais serão estudadas posteriormente. Antes de se passar à utilização dos diagramas T, entretanto, é necessário caracterizar melhor as fases que neles aparecem.

A transformação da austenita em outro constituinte pode ocorrer por difusão, cisalhamento ou uma mistura dos dois mecanismos [1], conforme pode ser observado na Figura 2.1.

Figura 2.1Mecanismos operantes na decomposição da austenita.

Austenita

Ferrita, Cementita, Perlita

Ferrita acicular Bainita

Martensita Cisalhamento

Difusão

02_Capitulo 02_Aços e Ligas.p656/10/2006, 10:1125

Aços e ligas especiais34

Se uma peça de composição Fe-0,7 C (eutetóide) for levada a uma temperatura maior que 727 ºC, a estrutura austenítica (CFC) será estável, com os átomos de carbono nos interstícios octaédricos da estrutura, conforme observado no Capítulo 1. Se esta peça for resfriada lentamente e mantida a temperaturas inferiores a 727 ºC, a estrutura austenítica não será mais estável, ocorrendo a reação eutetóide descrita no Capítulo 1. A reação eutetóide, em aços, produz uma microestrutura característica chamada “perlita”. A perlita não é uma fase, e sim uma mistura de duas fases, ferrita e cementita, que ocorrem sob a forma de lamelas paralelas. A ferrita tem estrutura C e, em comparação com a austenita, é menos compacta, apresentando interstícios tetraédricos menores e, conseqüentemente, tendo menor capacidade de dissolver carbono. O carbono, que é rejeitado pela formação da ferrita, dá origem à cementita. A cementita é uma fase rica em carbono, de composição Fe3C.

Segundo Mehl [10], a perlita nucleia preferencialmente nos contornos de grão de austenita homogênea (composição uniforme). Porém, quando a austenita apresenta gradientes de concentração de carbono ou partículas dispersas, a nucleação da perlita ocorre também no interior do grão austenítico. Mehl [10] propôs um mecanismo para explicar o crescimento da perlita, baseado na nucleação de cementita a partir do contorno de grão austenítico (Figura 2.1).

À medida que essa partícula de cementita crescesse, ela diminuiria o teor de carbono das regiões vizinhas até ocorrer a formação de ferrita. Com o crescimento da ferrita, haveria segregação de carbono para a austenita, até ser atingido o nível de carbono da cementita, quando esta então nuclearia, e assim sucessivamente, com crescimento para frente (edgeway growth) e para os lados (sideway growth). Este processo de nucleação de uma fase no contorno de grão de uma matriz é conhecido como nucleação “simpatética” (sympathetic nucleation) [1].

Uma outra hipótese para explicar o crescimento da perlita foi proposta por Hillert [12].

No mecanismo proposto, o crescimento seria por ramificações da perlita (Figura 2.12). Hillert também observou que a perlita era nucleada tanto a partir da ferrita como da cementita, dependendo do teor de carbono do aço.

Posteriormente, Honeycombe [1] observou que o crescimento da perlita ocorria tanto por ramificações como por crescimento lateral, e que os nódulos perlíticos eram nucleados a partir da ferrita ou da cementita.

Em 1973, Dippenaar e Honeycombe [13] fizeram uma revisão sobre a nucleação da perlita e suas principais conclusões foram:

a)Existiriam dois tipos distintos de relações de orientação entre a ferrita e a cementita nos nódulos de perlita:

–Relações de Pitsch-Petch [14-16]

[100]c 2,6º a partir de [131]α [010]c 2,6º a partir de [113]α

(100)c // (011)α (010)c // (1)α (001)c // (211)α

02_Capitulo 02_Aços e Ligas.p656/10/2006, 10:1134

DECOMPOSIÇÃO DA AUSTENITA E CURVAS TTT49

A formação da ferrita e da perlita são processos difusionais, nos quais ocorrem nucleação e crescimento. Se resfriarmos bruscamente uma amostra de um aço eutetóide desde 1000 ºC (região austenítica) até uma temperatura T1 abaixo de 727 ºC, haverá a formação da perlita. Obviamente, essa transformação não será instantânea, pois, como o processo é difusional, haverá um tempo de incubação para os átomos se rearranjarem e formarem os primeiros núcleos de perlita (região “a” da Figura 2.26). Após o aparecimento dos núcleos, estes começarão a crescer e a austenita vai se transformando em perlita rapidamente (região “b” da Figura 2.26). Finalmente, os nódulos de perlita tocam-se e esse impedimento físico faz que a transformação ocorra mais lentamente em sua forma final (região “c” da Figura 2.26).

Figura 2.25Variação do espaçamento interlamelar com a velocidade de crescimento da perlita obtido a partir de dados experimentais (l—l) e das leis teóricas de Zener (difusão volumétrica) e Turnbull (difusão interfacial) [27].

Velocidade (cm/s)

Espaçamento interlamelar S (µm) 0,1 1,0

Difusão por volume

Difusão por interface

(Parte 1 de 5)

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