ESTUFA FRIA - História, Flora, Ensino e Investigação

ESTUFA FRIA - História, Flora, Ensino e Investigação

I. UM POUCO DE HISTORIA A Estufa Fria é um dos poucos espaços verdes existente na cidade do Huambo (Fig. 1 a, b e c), criada inicialmente para experimentação agrícola e reeducação dos presos no inicio do século X. Localizada na parte alta, sendo limitada a Norte pela avenida da granja, Casa Ecológica e Bispado, a Sul pela rua José António de Almeida, Seminário Maior Cristo Rei e Centro de Ecologia Tropical e Alterações Climáticas, a Este pelo largo das quitandeiras e a Oeste pelo largo Deolinda Rodrigues e o Parque Infantil.

Figura 2 – Era colonial: a. Seminário Maior Cristo Rei (SMCR); b. Escola Industrial e Comercial Sarmento Rodrigues(actual Instituto Superior Politécnico do Huambo); parte da mata constitui actualmente a Estufa Fria. Fonte: Biblioteca (SMCR)

XIV. LAMIALES Bignoniaceae - Jacaranda mimosifolia (Jacaranda)

- Spathodea campanulata (Tulipeira) Verbenaceae - Lantana camara

Rubiaceae- Ixora chinensis (Alfinete Grande)

XV. GENTIANALES Apocynaceae - Thevetia peruviana

XVI. SOLANALES Convolvulaceae –Ipomoea cairica - Ipomea purpurea

tais, animais, fungos e outros seres vivos, por descobrir

Pesquisas continuam…além da historia do espaço, espécies vege-

Conhecer um espaço com reserva de vegetação (Estufa Fria) é uma viagem pela Botânica, pela História, pela arquitectura e pelo tempo… num percurso diferente e agradável, explora-se algumas plantas de distintas regiões do globo.

Tavares (2015) No início do século X, o local que hoje acolhe a Estufa Fria era proprieda- de da Igreja Católica (Fig. 2 a e b). Com previsões de construir no local a Missão, em troca o governo português cedeu outro espaço onde actualmente se encontra a Missão Católica do Cuando e instalou neste local uma Granja de Experimentação Agrícola.

Figura 1 - Estufa Fria a. Parte frontal ; b. Casa e vegetação ; c. Localização.

Como qualquer ópera, ou teatro, um jardim perde a sua razão de ser se não tiver utilizadores.

Actividades educativas na Estufa Fria do Huambo, teve inicio em 2012, e têm sido realizadas com estudantes do 1º ano do curso de Ensino de Biologia do ISCED-Huambo (Fig.3 a-d).

conceitos (Tavares, 2015)

O objectivo é consolidar e/ou complementar as temáticas apreendidas em sala de aula, com aplicação do conhecimento em contexto real, no jardim, ou mesmo concretizando aí a primeira abordagem e o entendimento de novos

Os conteúdos tratados neste espaço estão relacionados com a morfologia vegetal, biodiversidade e a educação ambiental. Temas como, diversidade de seres vivos, classificação dos vegetais, a flora Angolana, estrutura e funções de raízes, caules e folhas e ecossistemas, leccionados no I e I Ciclo do Ensino Secundário, também podem ser abordados no local.

Quanto a investigação, encontra-se divulgado um artigo na Revista Eletrónica do ISCED-Huambo (http://revista.isced-hbo.ed.ao/index.php/rop), com o tema: “Estufa- Fria: Um espaço não formal em potencial para a aprendizagem da botânica”.

Figuras 3 – Aulas práticas na Estufa Fia do Huambo. a. Observação de folhas por grupo. b e c. Grupo anotando os tipos de folhas colhida. 9. Apresentação dos trabalho em equipas na sala de aula.

a b c d a c b b a

Pedro Capitango capitango.isced.hbo@hotmail.com

A avaliação das actividades desenvolvidas neste espaço não foge a regra, pode ser feita da seguinte maneira:

- Antes da realização das actividades educativas, é importante efectuar uma visita ao local e análise prévia dos programas escolar (Avaliação Diagnóstica); - Pela observação no decorrer da acção é possível acompanhar as reacções, as motivações, as atitudes e os interesses dos participantes (Avaliação Formativa); - No final realiza-se a análise dos resultados, normalmente de carácter quantitativo, recorrendo a um questionário de satisfação e de conhecimento (Avaliação Sumativa). (Tavares, 2015)

V. Referencias Bibliográfica

Biblioteca do Seminário Maior Cristo Rei do Huambo. Arquivo de fotografias. 2014. Castelo, C. Colonização do Planalto de Angola. Disponível em: https:// atagraria.files.wordpress.com/2012/06/colonizao_planalto_angola.pdf Acesso: 30 de Dezembro de 2015 Nascimento, A. F. (1966). Terras de Angola: Nova Lisboa. Palestra da série “DEFESA NACIONAL”. Paiva, J. A importância da biodiversidade Disponível em: http://www.esfmp.pt/sites/ esfmp.pt/files/story/1813/paiva_news.pdf Acesso: 25 de Novembro de 2015 Tavares, A. C. P. (2015). Educação em jardins botânicos - 16 anos de experiência. 1ª Edição. Coimbra-Portugal. Venceslau, C. (Comunicação pessoal, 2014). Origem da Estufa Fria.

ORGÃO DE GESTÃO DA ESTUFA FRIA Ministério do Urbanismo e Ambiente do Huambo

Dos três Patrimónios (Material, Cultural e Biológico) o único essencial para a nossa sobrevivência é o Património Biológico (Biodiversidade), sendo, porém, aquele a que temos dado menos atenção e o que mais tardiamente tem merecido cuidados de preservação.

etc., ou seja, não existiríamos

Enfim, sem o Património Biológico (Biodiversidade) não comíamos, não nos vestíamos, não tínhamos medicamentos, luz eléctrica, energia, Paiva (2015)

I. Um Pouco de História I. Flora da Estufa Fria do Huambo I. Ensino e Investigação na Estufa Fria IV. Avaliação

V. Referências Bibliográfica

A Granja de Experimentação Agrícola, foi criada por Henrique Mitchell Paiva Couceiro. Tudo começou com a sua nomeação em 1907 (1907- 1909), como Governador Geral da Província de Angola, no mesmo ano, nomeia uma comissão, constituída pelo médico naturalista Pereira do Nascimento, pelo agrónomo Sacramento Monteiro e pelo tenente Ferreira do Amaral, para estudar as condições oferecidas pelas regiões planálticas de Angola (Planalto de Benguela (desde o rio Cuiva até ao forte do Huambo), Moçâmedes (Namibe) e Malanje) para a colonização europeia (Nascimento, 1966; Castelo, 2014).

Fruto dos resultados da comissão, em 1909 Paiva Couceiro, fixa a sua atenção no Huambo e, visionando as suas grandes possibilidades, determina em 1909 o estabelecimento de uma Granja Agrícola.

Em 2014, o historiador “Venceslau Casese”, informou que, a Granja Agrícola criada por Paiva Coucero é o espaço actualmente designado por “Estufa Fria (não se conhece ao certo quando passou a chamar-se assim)”. Na época servia de experimentação de plantas introduzidas para agricultura colonial, constituídas por espécies florestais (eucaliptus) e alimentares (fruteiras e hortícolas), era também um espaço de reeducação dos presos. Pode-se considerar como o embrião da Estação Experimental do Sacahala e do Instituto de Investigação Agronómica da Chianga, disse ele.

Em meados do século X, consolidou-se como espaço verde público da cidade do Huambo, com múltiplas funções: abrigo de plantas, estético, turismo, leitura e lazer. A existência de um aquário com peixes de água doce, animais de pequeno porte, aves e insectos eram outros atrativos na época.

de actividades educativas, ausência de pessoal qualificado e de estruturas específicas, inexistência de projectos ligados ao ensino e investigação, inexistência de normas de utilização.

A captação de financiamento, formação de pessoal, regulamentação e uma boa fiscalização nas obras de requalificação, são uma das medidas a adoptar para a recuperação e valorização do espaço.

“Apesar da falta de estruturas específicas, a finalidade educativa e investigativa já estavam previstas, mais atenção e valorização precisa este espaço”.

Por isso, acreditamos que as próximas intervenções devolverão a sua beleza e tornarão o espaço mais agradável, para ser valorizado e cumprir com a sua verdadeira missão: lazer, turismo, educação, investigação e divulgação da biodiversidade.

Todos são chamados a dar o nosso contributo, de forma a permitir que este espaço cumpra com o seu verdadeiro papel e que seja um dos meios indispensáveis no cumprimento dos compromissos assumidos por Angola diante da Convenção Sobre a Diversidade Biológica.

nas, ervas, arbustos e arvores, como veremos a seguir

A diversidade vegetal ainda é abundante, representada por lia- I. FLORA DA ESTUFA FRIA DO HUAMBO

Gimnospermas I. PINALES Araucariaceae - Araucaria columnaris (Arvore de natal)

- Araucaria angustifolia (Palmeira do Brasil)

Pinaceae - Pinus sp. (Pinheiro) - Cupressus lusitanica (Cedro-cipreste-português)

Angiospermas monocotiledóneas (APG)

Agavaceae- Agave americana (Sisal)

I. ASPARAGALES Hypoxidaceae - Curculigo capitulata (Capim Palmeira)

I. ZINGIBERALES Cannaceae - Canna indica (Cana) Musaceae - Musa sp. (Bananeira)

I. POALES Cyperaceae - Cyperus alternifolius (Palmeira-umbela)

Poaceae- Pennisetum purpureum (Capim elefante)

- Cyperus rotundus (Tiririca) - Saccharum officinarum (Cana-de-açúcar)

Angiospermas dicotiledóneas (APG I)

I. SAPINDALES Anacardiaceae - Manguifera indica (Manga)

I. APIALES Araliaceae - Hedera helex (Hera) Pittosporaceae - Pittosporum sp.

I. ASTERALES Asteraceae - Chrysanthemum sp. (Crisãntemo)

Polygonaceae- Homalocladium platycladum (Fita de moça)

IV. CARYOPHYLLALES Cactaceae - Opuntia ficus-indica (Coroa-de-Cristo) Nyctaginaceae - Bougainvillea glabra Plumbaginaceae - Plumbago sp.

V. BRASSICALES Caricaceae - Carica papaya (Mamão)

VI. FAGALES Casuarinaceae - Casuarina equisetifolia

VII. MALPIGHIALES Passifloraceae - Passiflora edulis (Maracujá) Euphorbiaceae - Acalypha wilkesiana - Euphorbia milii (Coroa-de-Cristo)

- Ricinus communis

-Euphorbia cotinifolia (Leiteiro-vermelho)

VIII. FABALES Fabaceae (Caesalpinoideae) - Bauhinia sp

IX. ROSALES Rosaceae - Rosa sp. Moraceae - Ficus elastica - Ficus carica /auriculata

X. MALVALES Malvaceae - Guazuma sp - Hibiscus rosa-sinensis

- Malvaviscus arboreus mexicanus

- Ceiba pentandra

XI. LAURALES Lauraceae - Persea americana (Abacateiro)

XII. MYRTALES Myrtaceae- Callistemon speciosus (Escova-de-Garrafa) - Eucaliptus sp (Eucalipto)

- Eugenia uniflora (Pitanga)

- Psidium guajava (goiaba)

XIII. COMMELINALES Commelinaceae - Trasdescantia zebrina

A Estufa Fria consiste num repositório de plantas, com possibilidades de estudar a botânica e os ecossistemas. Um património inestimável, de inegável interesse do ponto de vista histórico, cultural e científico. Um refugio natural a visitar, não só por manter a relação homem-planta mais próxima, fundamentalmente por nos proporcionar uma atmosfera única.

“É preciso conhecer, para poder usufruir e conservar”.

Com mais de 50 anos, a Estufa Fria encerra memórias vivas (biodiversidade) e não vivas (arquitetónicas) do seu passado histórico, cultural e científico que podem ser descobertas numa visita.

Situação actual da Estufa Fria

Desde o ano de 2012, que o espaço tem beneficiado de obras de requalificação (valas de drenagem, rede de esgotos de águas pluviais e domésticas, melhoria do leito do canal da fonte a lagoa e início da vedação).

Ainda assim, o seu estado higiénico não é dos melhores, falta de informação relacionada ao espaço, a catalogação das espécies, dificuldades na realização

Comentários