coleta de sangue venoso

coleta de sangue venoso

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Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica Medicina Laboratorial para

(2ª edição)

Copyright©Editora Manole Ltda.,2009,por meio de coedição com a Becton Dickinson Indústrias

Cirúrgicas Ltda. Minha Editora é um selo editorial Manole.

Logotipos: Copyright©Latin American Preanalytical Scientific Committee (LASC)

Copyright © BD Vacutainer Copyright©Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC)/Medicina Laboratorial Copyright©Associação Médica Brasileira (AMB)

Capa:Departamento Editorial da Editora Manole Projeto gráfico e editoração eletrônica:JLG Editoração Gráfica Ilustrações do miolo:Rodrigo Paiva de Moraes;Guilherme Bacellar Ferreira;New West Comunicação e Marketing Imagens do miolo:gentilmente cedidas pelos autores

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro,SP,Brasil)

Recomendações da Sociedade Brasileira de

Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de sangue venoso – 2.ed.Barueri, SP :Minha Editora,2010

Vários autores. ISBN 978-85-98416-94-6

1.Diagnóstico de laboratório 2.Laboratórios médicos 3.Patologia clínica 4.Sangue – Coleta e preservação

CDD-616.07 09-07523NLM-QZ 004

Índices para catálogo sistemático: 1.Coleta de sangue venoso :Patologia clínica : Medicina laboratorial 616.07

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, por qualquer processo,sem a permissão expressa dos editores. Éproibida a reprodução por xerox.

Edição – 2010

Editora Manole Ltda. Avenida Ceci,672 – Tamboré 06460-120 – Barueri – SP – Brasil Tel.:(1) 4196-6000 – Fax:(1) 4196-6021 w.manole.com.br info@manole.com.br

Impresso no Brasil Printedin Brazil

PRESIDENTE: Dr. Nairo Massakazu Sumita

VICE-PRESIDENTE: Dr. Ismar Venâncio Barbosa

Autores da 2ª edição:

Dr. Adagmar Andriolo Médico Patologista Clínico. Professor Adjunto Livre-docente do Departamento de Medicina da UNIFESP – Escola Paulista de Medicina.

Dr.Alvaro Rodrigues Martins Médico Patologista Clínico. Presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) – Biênio 2008/2009.

Dr. Carlos Alberto Franco Ballarati Médico Patologista Clínico. Doutor em Patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). MBA em Gestão de Saúde pelo IBMEC São Paulo – Hospital Israelita Albert Einstein. Diretor Operacional do Total Laboratórios. Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) –Biênio 2008/2009.

Dr. Ismar Venâncio Barbosa Médico Patologista Clínico. Vice-presidente da Sociedade de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) – Biênio 2008/2009.

Dra. Maria Elizabete Mendes Médica Patologista Clínica. Doutora em Patologia pela FMUSP. Chefe da Seção Técnica de Bioquímica de Sangue da Divisão de Laboratório Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) (LIM-03 da Patologia Clínica).

Dr. Murilo Rezende Melo Médico Patologista Clínico. Professor Adjunto do Departamento de Ciências Fisiológicas, Laboratório de Medicina Molecular, Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Diretor Médico-científico do Total Laboratórios. Diretor da América Latina da World Association of Societies of Pathology and Laboratory Medicine(WASPaLM). Diretor de Comunicações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) – Biênio 2008/2009.

Dr.Nairo Massakazu Sumita Médico Patologista Clínico. Professor-assistente Doutor da Disciplina de Patologia Clínica da FMUSP. Diretor do Serviço de Bioquímica Clínica da Divisão de Laboratório Central do HC-FMUSP (LIM-03 da Patologia Clínica). Assessor Médico em Bioquímica Clínica do FleuryMedicina e Saúde. Vice-diretor Científico da Sociedade Brasileira de

Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) – Biênio 2008/2009. Consultor Científico do Latin American Preanalytical Scientific Committee(LASC).

Dra. Patricia Romano Biomédica. Pós-graduada em Saúde Pública. Gerente de Marketing Clínico da BD Diagnostics – Preanalytical Systems.Consultora Científica do Latin American Preanalytical Scientific Committee (LASC).

Dra. Priscila de Arruda Trindade Farmacêutica-bioquímica. Doutora em Ciências – Área de Concentração: Doenças Infecciosas e Parasitárias pela FMUSP. Especialista em Aplicações da BD Diagnostics – Diagnostic Systems.

Autores da 1ª edição (outubro de 2005): Adagmar Andriolo

Áurea Lacerda Cançado Ismar Venâncio Barbosa Luisane Maria Falci Vieira Maria Elizabete Mendes Nairo Massakazu Sumita Patricia Romano Rita de Cássia Castro Ulysses Moraes Oliveira

PREFÁCIOI X
INTRODUÇÃOXI
Laboratorial para Coleta de Sangue Venoso1
Exames Laboratoriais1
1.1Variação Cronobiológica2
1.2Gênero3
1.3Idade3
1.4Posição3
1.5Atividade Física4
1.6Jejum4
1.7Dieta4
1.8Uso de Fármacos e Drogas de Abuso5
1.9Outras Causas de Variação5
2.Instalação e Infraestrutura Física do Local de Coleta6
2.1Recepção e Sala de Espera6
2.2Área Física da Sala de Coleta6
2.3Infraestrutura6
2.4Equipamentos e Acessórios7
2.5Conservação e Limpeza das Instalações7
2.6Armazenamento dos Resíduos Sólidos de Saúde7
3.Fase Pré-analítica para Exames de Sangue8
3.1Procedimentos Básicos para Minimizar Ocorrências de Erro10
3.1.1Para pacientes adultos e conscientes10
3.1.2Para pacientes internados10
dificuldade de comunicação10
3.2Definição de Estabilidade da Amostra13
3.3Transporte de Amostra como Fator de Interferência Pré-analítica15
4.Procedimentos de Coleta de Sangue Venoso16
4.1Generalidades sobreaVenopunção16
4.2Locais de Escolha para Venopunção18
4.3Uso Adequado de Torniquete20
de Sangue Venoso23
4.4.1Higienização das mãos24
4.4.2Colocando as luvas24
4.4.3Antissepsia do local da punção25
aVácuo ou por Seringa e Agulha26
4.5.1Considerações sobre coleta de sangue venoso a vácuo27
4.5.2Coleta de sangue a vácuo27

SUMÁRIO I.Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina 1.Causas Pré-analíticas de Variações dos Resultados de 3.1.3Para pacientes muito jovens ou com algum tipo de 4.4Procedimentos para Antissepsia e Higienização em Coleta 4.5Critérios para Escolha da Coleta de Sangue Venoso V

com seringa e agulha28
4.5.4Dificuldade para a coleta da amostra de sangue29
4.6Considerações Importantes sobre Hemólise30
4.6.1Boas práticas de pré-coleta para prevenção de hemólise31
4.6.2Boas práticas de pós-coleta para prevenção de hemólise31
4.7Recomendações para os Tempos de Retração do Coágulo32
4.8Centrifugação dos Tubos de Coleta3
de Sangue Venoso de Acordo com o CLSI37
4.9.1Sequência de coleta para tubos plásticos de coleta de sangue40
4.9.2Sequência de coleta para tubos de vidro de coleta de sangue40
4.9.3Homogeneização para tubos de coleta de sangue40
4.10Procedimentos de Coleta de Sangue a Vácuo40
4.11Procedimentos de Coleta de Sangue com Seringa e Agulha46
4.12Cuidados para uma Punção Bem-sucedida51
4.13Coletas em Condições Particulares54
4.13.1Coleta de sangue via cateter de infusão54
4.13.2Coleta de sangue via cateter de infusão comheparina57
4.13.3Fístula arteriovenosa58
4.13.4Fluidos intravenosos58
4.14Hemocultura59
4.15Coleta de Sangue para Provas Funcionais73
4.16Coleta de Sangue em Pediatria e Geriatria75
4.17Coleta de Sangue em Pacientes com Queimaduras75
4.18Gasometria75
4.19Testes de Coagulação78
4.20Coleta para Dosagem de Cálcio Ionizado81
4.21Coleta e Transporte de Amostras de Sangue para Testes Moleculares85
5. Garantia da Qualidade8 6
5.1Qualificação dos Fornecedores e Materiais87
5.2Especificação dos Materiais para Coleta de Sangue a Vácuo8
5.2.1Agulhas de coleta múltipla de sangue a vácuo8
5.2.2Adaptadores para coleta de sangue a vácuo8
5.2.3Escalpes para coleta múltipla de sangue a vácuo89
5.2.4Tubos para coleta de sangue a vácuo89
Human Venous Blood Specimen Collection90
no rótulo ou no tubo92
5.3.2Concentração e volume dos anticoagulantes92
5.4Requisição de Exames94
5.5Identificação e Rastreabilidade94
5.6Documentação95
5.7Transporte e Preservação das Amostras96
5.8Capacitação e Treinamento do Pessoal96
6.Aspectos de Segurança na Fase de Coleta96
6.1Segurança do Paciente96
6.2Riscos e Complicações da Coleta97

4.5.3Considerações sobre coleta de sangue venoso 4.9Recomendações da Sequência dos Tubos a Vácuo na Coleta 5.3Comentários sobreaISO 6710.1 – Single-use Containers for 5.3.1Informações que o tubo a vácuo deve apresentar RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO

6.4Punção Acidental de uma Artéria98
6.5Anemia Iatrogênica98
6.6Infecção98
6.7Lesão Nervosa9
6.8Dor9
6.9Segurança do Flebotomista9
6.10Boas Práticas Individuais100
6.11Equipamentos de Proteção Individual (EPI)100
6.12Cuidados na Sala de Coleta101
6.13Descarte Seguro de Resíduos101
6.13.1Classificação dos resíduos de saúde102
6.13.2Identificação dos resíduos103
6.13.3Manejo dos RSS103
6.13.4Transporte interno de RSS105
6.13.5Armazenamento dos resíduos sólidos de saúde105
Referências Normativas Brasileiras Consultadas106
CLSI/NCCLS108
Referências Bibliográficas Consultadas e Recomendadas109

6.3Formação de Hematoma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .97 Referências Normativas do Clinical and Laboratory Standards Institute SUMÁRIO

Em 2005, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) reuniu um grupo de especialistas da área laboratorial, para participar de um ousado projeto de revisão da literatura acerca da coleta de sangue venoso. Ao final, o esforço e a dedicação dos colaboradores resultaram no documento denominado “Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para Coleta de Sangue Venoso”.

Para satisfação da SBPC/ML, a publicação tornou-se referência na área da Medicina Laboratorial, sem que outras iniciativas similares surgissem.

Após quatro anos, percebeu-se a necessidade de uma revisão do documento, visando a incorporar novos conceitos e temas.

Nessa edição, o grupo de trabalho recebeu o apoio do Latin American Preanalytical Scientific Committee (LASC), composto por renomados especialistas internacionais em assuntos relacionados às questões referentes à fase pré-analítica do processo laboratorial.

ASBPC/MLorgulha-se de exercer o papel de facilitadora nesse processo, fato que resultou na publicação desta segunda edição revisada e ampliada.

Aexpectativa da SBPC/MLé que este documento de recomendações produza resultados ainda melhores na prática diária da atividade laboratorial, fomentando, continuamente, a melhoria da qualidade dos serviços laboratoriais.

Cabe-me, agora, renovar os votos de uma boa leitura.

Dr. Alvaro Rodrigues Martins Presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial – Biênio – 2008-2009

Quando a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial

(SBPC/ML) propôs a revisão do documento publicado em 2005, baseou-se em algumas premissas que norteiam, de maneira permanente, a sua atuação: •crença da renovação contínua do conhecimento;

•constatação de que a origem da maioria dos erros nos resultados dos exames laboratoriais está na fase pré-analítica; •inequívoca capacidade do laboratório clínico em gerar evidências consistentes para a tomada de decisões médicas.

ASBPC/ML, ciente do seu papel de difusora do conhecimento e da sua missão de congregar os profissionais de laboratório, bem como de aproximálos das boas práticas no laboratório clínico, apresenta a versão atualizada das “Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para Coleta de Sangue Venoso”, incluindo alterações não apenas de apresentação e formato mas também de conteúdo.

As melhorias incorporadas visam a facilitar a leitura e a compreensão. As imagens, em formato digitalizado, são um dos exemplos dessa evolução. As modificações no conteúdo tiveram, como principal propósito, a atualização do conhecimento. Algumas imperfeições da versão anterior foram devidamente corrigidas, sem a perda da qualidade do conteúdo.

Os autores entendem que os leitores que consultarão este novo documento são profissionais preocupados com a atualização das informações exigidas pelo mercado de trabalho. Por essa razão, procuraram, sempreque possível, incluir,nesta obra, as principais atualizações nessa área do conhecimento médico. Preocuparam-se, também, em citar informações práticas e aplicáveis na rotina laboratorial, para servir como fonte de consulta e como instrumento para o treinamento.

Os leitores que nos leem em outros idiomas talvez encontrem eventuais divergências, particularmente em relação às diferenças culturais, situação para a qual solicitamos a necessária compreensão.

Nesta nova versão, os autores, novamente, assumem o compromisso de revisar periodicamente o documento, com foco sempre voltado à melhoria contínua da atenção à saúde.

1.Causas Pré-analíticas de Variações dos Resultados de Exames Laboratoriais

Uma das principais finalidades dos resultados dos exames laboratoriais é reduzir as dúvidas que a história clínica e o exame físico fazem surgir no raciocínio médico. Para que o laboratório clínico possa atender, adequadamente, a este propósito, é indispensável que todas as fases do atendimento ao paciente sejam desenvolvidas seguindo os mais elevados princípios de correção técnica, considerando a existência e a importância de diversas variáveis biológicas que influenciam, significativamente, a qualidade final do trabalho.

Fase Pré-analítica

Atualmente, tem se tornado comum a declaração de que a fase pré-analítica é responsável por cerca de 70% do total de erros ocorridos nos laboratórios clínicos que possuem um sistema de controle da qualidade bem estabelecido. Adespeito de todas as dificuldades para a comprovação desta afirmativa, a implantação, cada vez mais frequente, de procedimentos automatizados e robotizados na fase analítica permite assumi-la como verdadeira. Adicionalmente, algumas características desta fase aumentam, em muito, o grau de complexidade e, por consequência, a oportunidade de ocorrência de erros e não conformidades.

Afase pré-analítica inclui a indicação do exame, redação da solicitação, transmissão de eventuais instruções de preparodo paciente, avaliação do atendimento às condições prévias, procedimentos de coleta, acondicionamento, preservação e transporte da amostra biológica até o momento em que o exame seja, efetivamente, realizado.

Dessa forma, a fase pré-analítica se desenvolve pela sequência de ações de um grande númerode pessoas, com diferentes formações profissionais, focos de interesse e grau de envolvimento. Ao médico solicitante do exame e seus auxiliares diretos, interessa a obtenção, às vezes em caráter de urgência, de um resultado laboratorial; ao paciente, toca a preocupação com o possível desconforto do preparo e da coleta da amostra; ao flebotomista, cabe a preocupação com o cumprimento dos requisitos técnicos da coleta e com os riscos biológicos potenciais; igualmente, às pessoas encarregadas do acondicionamento, preservação e transporte da amostra, restam os cuidados para com a segurança e integridade do material e delas próprias.

Acorreta indicação do exame dependerá, primariamente, da familiaridade domédico solicitante com os recursos laboratoriais disponíveis, bem como do seu conhecimento das condições ideais para a coleta de material. O médico solicitante – ou seus auxiliares diretos – deveria ser a primeira pessoa a instruir opaciente sobre as condições requeridas para a realização do exame, informando-o sobre a eventual necessidade de preparo, como jejum, interrupção do uso de alguma medicação, dieta específica ou prática de atividade física.

De uma forma ideal, o paciente deveria contatar o laboratório clínico, onde receberia informações adicionais e complementares, com alguns pormenores, como o melhor horário para a coleta e a necessidade da retirada de frascos próprios para a coleta domiciliar de algum material. O paciente, absolutamente, não éum agente neutroneste contexto, influenciando de forma significativa a qualidade do atendimento que lhe é prestado. Dessa forma, é preciso alguma atenção nosentido de se assegurar que ele compreendeu as instruções ministradas e que dispõe de meios para segui-las. Algumas vezes, não é tarefa fácil obter informações críticas, omitidas voluntariamente ou involuntariamente pelo paciente.

Para que os resultados de alguns exames laboratoriais tenham algum valor clínico, deve ser registrado o horário de coleta, referindo o uso de determinados medicamentos (incluindo tempo de uso e dosagem); outros exigem cuidados técnicos de procedimento, como o uso ou não do garrote, de tubos, anticoagulantes e conservantes específicos, a descrição exata do local da coleta, por exemplo, nos casos de amostras para exames microbiológicos etc.

Para a coleta de sangue para a realização de exames laboratoriais, é importante que se conheça, controle e, se possível, evite algumas variáveis que possam interferir na exatidão dos resultados. Classicamente, são referidas como condições pré-analíticas: variação cronobiológica, gênero, idade, posição, atividade física, jejum, dieta e uso de drogas para fins terapêuticos ou não. Em uma abordagem mais ampla, outras condições devem ser consideradas, como procedimentos terapêuticos ou diagnósticos, cirurgias, transfusões de sangue e infusão de soluções.

1.1 Variação Cronobiológica

Corresponde às alterações cíclicas na concentração de um determinado parâmetroem função do tempo. O ciclo de variação pode ser diário, mensal, sazonal, anual etc. Variação circadiana acontece, por exemplo, nas concentrações do ferro e do cortisol no soro. As coletas realizadas à tarde fornecem resultados até 50% mais baixos do que os obtidos nas amostras coletadas pela manhã. As alterações hormonais típicas do ciclo menstrual também podem ser acompanhadas de variações em outras substâncias. Por exemplo, a concentração de aldosterona é cerca de 100% mais elevada na fase pré-ovulatória do que na fase folicular. Além das variações circadianas propriamente ditas, há de se considerar variações nas concentrações de algumas substâncias em razão de alterações do meio ambiente. Em dias quentes, por exemplo, a concentração sérica das proteínas é, significativamente, mais elevada em amostras colhidas à tarde quando comparadas às obtidas pela manhã, em razão da hemoconcentração.

1.2 Gênero

Além das diferenças hormonais específicas e características de cada sexo, alguns outros parâmetros sanguíneos e urinários se apresentam em concentrações significativamente distintas entre homens e mulheres em decorrência das diferenças metabólicas e da massa muscular, entre outros fatores. Em geral, os intervalos de referência para estes parâmetros são específicos para cada gênero.

1.3 Idade

Alguns parâmetros bioquímicos possuem concentração sérica dependente da idade do indivíduo. Essa dependência é resultante de diversos fatores, como maturidade funcional dos órgãos e sistemas, conteúdo hídrico e massa corporal. Em situações específicas, até os intervalos de referência devem considerar essas diferenças. É importante lembrar que as mesmas causas de variações pré-analíticas que afetam os resultados laboratoriais em indivíduos jovens interferem nos resultados dos exames realizados em indivíduos idosos, mas a intensidade da variação tende a ser maior neste grupo etário. Doenças subclínicas também são mais comuns nos idosos e precisam ser consideradas na avaliação da variabilidade dos resultados, ainda que as próprias variações biológicas e ambientais não devam ser subestimadas.

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