curso de oratória e retórica - mario ferreira dos santos

curso de oratória e retórica - mario ferreira dos santos

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Curso de Oratória e Retórica

9.a Edição

Rua 15 de Novembro, 137 - 8.0 andar - Telefone: 35-6080 SAO PAULO — BRASIL cr N ti

9.a edição, em julho de 1962

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Este livro foi composto e impresso para a Livraria e Editora LOGOS Ltda., na Gráfica e Editora MINOX Ltda., à av. Conceição, 645 —• SAO PAULO

Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais de Mário Ferreira dos Santos

1) Filosofia e Cosmovisão 2) Lógica e Dialéctica 3) Psicologia 4) Teoria do Conhecimento 5) Ontologia e Cosmologia 6) Tratado de Simbólica

7) Filosofia da Crise (Temática) 8) O Homem perante o Infinito (Teologia) 9.S Noologia Geral 10) Filosofia Concreta I vol. 1) Filosofia Concreta I vol. 12) Filosofia Concreta IH vol.

13) Filosofia Concreta dos Valores 14) Sociologia Fundamental e Ética Fundamental 15) Pitágoras e o Tema do Número (Temática) 16i Aristóteles e as Mutações (Temática)

17) O Um e o Múltiplo em Platão (Temática) 18) Métodos Lógicos e Dialécticos I vol. 19) Métodos Lógicos e Dialécticos I vol. 20) Métodos Lógicos e Dialécticos IH vol. 21) Filosofias da Afirmação e da Negação (Temática Dialéctica) 2) Tratado de Economia I vol. 23) Tratado de Economia I vol 24) Filosofia e História da Cultura I vol. 25) Filosofia e História da Cultura I vol.

26) Filosofia e História da Cultura I vol. 27) Análise de Temas Sociais I vol. 28) Análise de Temas Sociais I vol. 29) Análise de Temas Sociais I vol.

30) O Problema Social

31) Tratado de Esquematologia 32) As Três Críticas de Kant 3) Problemática da Filosofia Concreta

34) Temática e Problemática da Cosmologia Especulativa 35) Teoria Geral das Tensões I vol. 36) Teoria Geral das Tensões I vol. 37) Temática e Problemática da Criteriologia 38) Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais I vol. 39) Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais I vol. 40) Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais ITI vol. 41) Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais IV vol. 42) Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais V vol.

• Os volumes subsequentes serão oportunamente anunciados.

— «O Homem que Foi um Campo de Batalha> — Prólogo de «Vontade de Potência», de Nietzsche, ed. Globo — Esgotada — «Curso de Oratória e Retórica» — 8* ed.

— «O Homem que Nasceu Póstumo» — (Temas nietzscheanos) —

— «Assim Falava Zaratustra» — Texto de Nietzsche, com analise simbólica — 3» ed. — «Técnica do Discurso Moderno» — 4* ed.

— «Se a esfinge falasse...» — Com o pseudónimo de Dan Andersen — Esgotada

— «Realidade do Homem» — Com o pseudónimo de Dan Andersen

■— Esgotada — «Análise Dialéctica do Marxismo» — Esgotada

— «Curso de Integração Pessoal» — (Estudos caracterológicos) — 3» ed.

■— «Práticas de Oratória» — 2» ed. — «Assim Deus falou aos Homens» — 2» ed.

— «Vida não é Argumento»

— «A Casa das Paredes Geladas» -— «Escutai em Silêncio»

— «A Verdade e o Símbolo»

— «A Arte e a Vida»

— «A Luta dos Contrários» •— 2» ed. ■— «Certas Subtilezas Humanas» — 2» ed. — «Convite à Estética»

— «Convite à Psicologia Prática»

— «Convite à Filosofia»

— «Hegel e a Dialéctica» — «Dicionário de Símbolos e Sinais» ■— «Discursos e Conferências»

— «Obras Completas de Platão» — comentadas — 12

— «Obras Completas de Aristóteles» — comentadas -

— «Vontade de Potência», de Nietzsche — «Além do Bem e do Mal», de Nietzsche

— «Aurora», de Nietzsche

— «Diário Intimo», de Amiel •— «Saudação ao Mundo», de Walt Whitman vols. - 10 vols.

Ao Leitor 13

RETÓRICA 15

Retórica e Eloquência 17 Da Beleza 23 Do Estilo 26 Regras Práticas Sobre o Estilo 30 Da Harmonia — A Metáfora 36 Figuras da Retórica 42 Figuras mais convenientes à prova 4 Figuras de Ornamento 46 Figuras próprias para as paixões 48 Figuras de Palavras 51

Figuras de Gramática ou de Construção 53 Figuras de Dicção 54

A ARTE DE REDIGIR 57 O Problema das Inibições 68

A ARTE DE DIZER 71

Ritmo da Palavra falada — A dicção 76 Leitura de versos 79 Os gestos 82

Conselhos de Oratória 86

A DIALÉCTICA COMO ARTE DE ARGUMENTAR E DE PERSUADIR 93

O desdobramento do pensamento em suas oposições100

O Raciocínio Dialéctico 95 Como argumentar pró e contra 105 A Arte de Persuadir 110

PARTE PRATICA 113

Locuções Latinas Usuais 115 Regras sobre o emprego do infinito pessoal 118 Regras práticas acerca do emprego dos Pronomes oblí quos 120

Da colocação dos pronomes 124 Conselhos práticos de português 129 Algumas normas de acentuação das palavras 133 Exercícios práticos 137 Exercícios analíticos 145 Analíticos, «os animais saúdam o Sol» 154 A Coragem 1G0 A Paixão da Verdade 1C1

VOCABULÁRIO PARA O DOMÍNIO DAS PALAVRAS K DAS IDEIAS 1G3

RECOMENDAÇÕES FINAIS 21.»

AO LEITOR (Prefácio da 5.a edição)

A grande aceitação, que obteve este livro por parte dos leitores e da crítica espontânea, permiUu-lhe cinco edições cm menos de três anos, facto auspicioso, que não podaria o autor deixar de considerar com satisfação e agradecimento.

Ao lançamento de "Curso de Oratória e Retórica", que é o primeiro degrau do estudo da nobre arte de falar, seguiu-se o de "Técnica do Discurso Moderno", que já se acha em 2." edição, dado também o grande entusiasmo com que foi recebida esta obra. A seguir saíram "Práticas de Oratória" e ''Antologia de Famosos Discursos Brasileiros" I e 1 séries.

A dedicação, que vem dando o leitor brasileiro ao estudo da arte de falar, é um bom augúrio para o nosso povo, pois nós, brasileiros, precisamos saber usar nobremente a arma do homem moderno, que é a palavra.

Complementam esse curso de oratória, as seguintes obras, já apresentadas ao público: "Psicologia", "Lógica e Dialéctica", estas para o conhecimento geral dos factos psíquicos e da, arte de raciocinar e argumentar, e ademais, "Curso de Integração Pessoal", no qual são estudadas as melhores contribuições ao estudo da Caracterologia, expondo um meio accessível de conheaer-se cada um a si mesmo e aos seus semelhantes. Para o desenvolvimento cultural do estudioso da oratória, recomenda o autor o seu Uvro "Filosofia e Cosmovisão", por oferecer um amplo panorama da filosofia e familiarizar o leitor com os grandes temasrque desafiaram a inteligência humana através dos milénios.

Serve, ainda, este prólogo para trazer o agradecimento âo autor ao apoio que teve, apoio ineonteste do leitor bra-

14 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS sileiro, que mais uma vez provou, contradizendo as opiniões pessimistas de tantos, que é um leitor independente, ávido de cultura.

E essa afirmativa está corroborada pelo apoio recebido sobretudo pelos livros de filosofia, que compõem a "Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais" do autor, que já tiveram, no espaço de dois anos, diversos títulos reeditados, facto raro em nosso país sobretudo em face da tiragem elevada que tiveram e das constantes afirmativas de que o nosso leitor é alheio ao estudo da filosofia.

Por outro lado quer o autor agradecer as inúmeras cartas que tem recebido de todos os pontos do país, de pessoas de todas as condições sociais, desde as mais humildes até às mais elevadas, cartas de aplauso e estímulo à obra que vem empreendendo, e que tem sido amparada pelo leitor que a recomenda e a apoia, espontaneamente, com. inequívocas demonstrações.

São tais factos que enchem de satisfação e de agradecimento, e o estimulam a prossegui no caminho troçado Se o autor não tem aproveitado as palavras de aplauso de altas pefsonalidades das nossas letras, da rwssa cultura v do nosso magistério, publicando-as, como está autorizado a fazê-lo, assim procede por desejar ainda demonstrar, dv maneira categórica, que não procediam as críticas caluniosas ao nosso leitor, leitor independente, o mais indcpcndetdv do mundo, que tem sabido, espontaneamente, auxiliar <• plano editorial da Livraria e Editora Logo», a qiml prosseguirá no rumo traçado, oferecendo livros dv uni i/fuero pouco editado em nosso país, como é o de filosofia, já qiw estabeleceu a publicação das obras de famosos autores, que se colocam na primeira plana do pensamento mundial.

Da parte do autor, o agradecimento a todos que lhe escreveram estende-se também aos milhares de leitores que lhe têm dado o amparo que uma tarefa de. tal ordem pie cisava ter.

Mário Ferreira don HuntoN

Uma das mais justas e nobres aspirações de todos ('; ter o pleno domínio das ideias e dos meios de expresswo. A maioria sente dificuldade em escrever, falar e ar gumentar. E não são poucos aqueles que, em face de outras pessoas, sentem-se inibidos, faltam-lhe as palavras no instante preciso, que, momentos depois, surgem abun dantes e nítidas.

Factos como esses provocam insatisfações e servem apenas para aumentar o poder inibidor, pela falta de con fiança em si mesmo que se apodera de quem passa por tais experiências.

Entretanto, são elas tão frequentes, tão comuns, em todas as épocas e ocasiões, que há necessidade de evitarem-se tais malogros, e permitir e auxiliar que as ideias surjam vivas e eficientes, revestidas de pleno brilho pelo emprego justo de palavras correspondentes.

Impõe-se, por isso, sempre o estudo da Retórica e da Eloquência.

Muitos professores julgam suficientes os métodos práticos, em contraposição ao excesso de teoria que se ministrava antigamente.

Depois de percorrermos, por uma análise cuidadosa, muitos cursos, nacionais e estrangeiros, e considerando as nossas típicas condições psicológicas, organizamos um programa que não dispensa nem a parte teórica nem a prática, embora considere da primeira apenas o essencial, e inclua, na segunda, tudo quanto de melhor tem revelado a experiênica de famosos oradores.

Não se pode excluir o estudo teórico e apresentar apenas o prático, porque aquele fundamenta a aplicação do segundo e dá ao estudioso meios de novas investiga ções.

1* MÁRIO PMtlItrciltA DOM HANTOM l>: a |MIUvi I um melo umriivlllui.su <l<' iipeiiclçoumeiv lo do espirito: todas us palavras suo sliml.s de ideias, e «■orno partimos das Ideias, para revesti lus com palavras, também podemos partir das palavras pura construir noviis Ideias

O manejo simples e o domínio pleno das palavras abre um campo imenso ao progresso individual, pois em todas as eras ela foi, como ainda é, o meio mais eficaz de comunicação entre os homens.

O primeiro cuidado de quem deseja ser estimado co mo escritor, atrair a atenção como orador, consiste em enriquecer o vocabulário e as ideias. E todas as oca siões devem ser aproveitadas para esa atividade tão fru tuosa. Além disso, para comunicar suas ideias, desde que tenha alguma coisa a dizer, a linguagem deve ser cla ra, agradável, compreensível e interessante.

Ora, tais qualidades podem ser obtidas, apesar de exigirem esforço, trabalho e muita prática. Não se pode construir uma boa retórica sem uma base lógica e uma sólida dialéctica.

Esta é a razão por que desde o início queremos cha mar a atenção para os exercícios práticos que são ofere cidos neste livro. Eles devem ser seguidos à risca e re petidos constantemente, até quando julgados fáceis.

Um dos graves defeitos de todos os que estudam qualquer matéria é não dar maior atenção aos exercí cios. Referem-se estes à parte somática, cuja constante repetição cria o hábito. Compreender cabe ao espírito. É muito; porém não é tudo. É preciso realizar o prático. Quem fala bem, não é acaso aquele de quem dizemos ter "o hábito de falar em público?"

Além disso, o raciocínio deve ser claro, sem ideias confusas, revestido depois por palavras correspondentes. Como pode convencer a outrem quem não sabe expres sar o que pensa? Quem não é senhor do que pensa, co mo pode ser senhor do que diz?

Pensar claro e expressar claro. Dar nitidez às ideias em primeiro lugar, depois procurar formas que as revis tam sem empanar essa diafaneidade.

E como se consegue este domínio? Em primeiro lu gar, não falar nunca do que se desconhece. Nada há mais aborrecido que ouvir um orador falar do que não sabe.

<) domínio do tema c um ponto de partida importante. Depois, outros viruo

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Comecemos, pois, nosso caminho, para percorrê-lo. * * *

Pode o gosto ser definido como "a faculdade de re ceber uma agradável impressão das belezas da natureza v du arte". Todos os homens são dotados de gosto, pois todos avaliamos, estimamos, valoramos.

Há um sentimento de beleza, que é comum a todos, embora em graus diferentes. Uns têm mais aptidão, mais capacidade de apreciar, mais requinte no gosto, outros menos. Uns sentem a beleza na harmonia, nas belas pro porções, para as quais outros são quase cegos.

Mas sempre, até no mais estúpido dos seres huma nos, há um ponto em que a admiração é despertada, em que é capaz de sentir e gozar da beleza das coisas. Não basta para bem apreciar ter sentidos agudos, boa percep ção. Impõe-se a educação requintada do gosto que é mental, como nos mostra a psicologia. Um semi-surdo pode ser um grande apreciador de música, e entendê-la e criá-la (como Beethoven). A educação é mental e não meramente dos sentidos, que apenas servem de meios para nos transmitirem os estímulos exteriores.

Não há dúvida que a sensibilidade pessoal é decisiva em muitos pontos. Quem nasce com predisposição ar tística tem naturalmente possibilidades maiores. Mas a educação pode preparar-nos ("educar o gosto", como se diz) para aumentar o grau de apreciação e de prazer que oferece a contemplação da beleza.

O gosto sofre modificações não só de indivíduo para indivíduo, como de época para época. Na Idade Média, o gótico suplantou no gosto dos povos europeus a arte grega, que ressurgiu, depois, no Renascimento. Quando Milton escreveu o "Paraíso Perdido", a simplicidade ma jestosa de sua obra passou despercebida, enquanto auto res, hoje esquecidos, como Cowley, Wallaer, Suckling e Etheridge, conseguiram interessar mais aos leitores de então. É o que se dá ainda em nossos dias. Vemos meteoros surgirem deslumbrantes no céu, mas passarem com a velocidade dos meteoros. Obscurecem, por mo mentos, o brilho pálido das estrelas, mas este é eterno.

20 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS

Como o gosto depende da subjectividade, costuma-se dizer que "de gostos não se discute". Realmente, o gos to, apenas por seu aspecto subjectivo, não é passível de discussões sérias. Mas a obra de arte, a beleza que esta na obra de arte, é discutível. O que o gosto procura e a beleza. Encontrá-la é a missão do verdadeiro artista. Numa época como a nossa, uma época de transição, era que todos os valores estão colocados na mesa para serem analisados, em que uma torrente de opiniões mal dirigi das perturba a humanidade, em que ideias das mais di versas procedências disputam entre si uma prioridade duvidosa, é natural que a confusão em questões de gosto seja premente e impeça um critério firme que nos oriente através do acúmulo de pontos de vista dos mais contra ditórios. Tal, no entanto, não impede que estudemos, calma e serenamente, a beleza que sempre tem sido a meta desejada pelos homens, fugindo quanto possível a sugestão das formas da moda.

A maneira mais simples, sob a qual podemos avaliar a grandeza nos objectos, é a de uma extensão imensa, por exemplo, a de um grande campo onde a vista se per de na distância. As coisas vastas fazem nascer a impres são do sublime, É essa a impressão que dá o cimo de uma montanha, um abismo profundo, um grande rio, cujas margens desaparecem na distância, o firmamento, o oceano, o universo estrelado. Foram sempre esses os temas mais sublim.es que a literatura empregou. Assim como a proporção exacta das partes constitui quase sem pre a beleza, o sublime desdenha essa proporção. O su blime aceita o desproporcionado, o imenso, o ilimitado. Uma catedral gótica, com suas torres esguias, penetrando pelo céu, dá-nos sempre uma impressão do sublime.

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