Sifilis - Manual Aula 9 Testes rápidos para sífilis

Sifilis - Manual Aula 9 Testes rápidos para sífilis

1Diagnóstico da Sífilis - Aula 9

Aula 9Testes rápidos para sífilis

Pela simplicidade de execução, facilidade e rapidez na leitura e desempenho equivalente aos testes laboratoriais, os testes rápidos para sífilis fazem parte das estratégias do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais para ampliar a cobertura diagnóstica desse agravo.

Testes rápidos (TR)

Testes rápidos são todos aqueles em que se faz a execução, leitura e interpretação do resultado em, no máximo, 30 minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial. A leitura dos resultados pode ser feita a olho nu.

Dependendo do fabricante, os testes rápidos para diagnóstico da sífilis podem ser feitos com amostras de sangue total, soro ou plasma.

Desde os anos 2000 os testes rápidos treponêmicos tornaram-se disponíveis no mercado brasileiro e passaram a apresentar valores de sensibilidade e de especificidade adequados ao diagnóstico laboratorial da sífilis.

A seguir estão listadas situações e locais em que se indica a utilização dos testes rápidos.

• Rede de serviços de saúde sem infraestrutura laboratorial ou localizados em regiões dedifícil acesso.

• Programas do Ministério da Saúde (MS), como o Rede Cegonha, o Programa de Saúde da Família, o Consultório na Rua e o Quero Fazer, dentre outros.

• Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) e Unidade de Testagem Móvel (UTM).

• Segmentos populacionais flutuantes.

• Laboratórios que realizam pequenas rotinas (rotinas com até cinco amostras diárias para diagnóstico.

• Prontos-socorros.

• Maternidades.

• Segmentos populacionais mais vulneráveis.

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• Parcerias sexuais.

• Gestantes que não tenham sido testadas durante o pré-natal ou cuja idade gestacional não assegure o recebimento do resultado do teste antes do parto.

• Parturientes e puérperas que não tenham sido testadas no pré-natal ou quando não é conhecido o resultado do teste no momento do parto.

• Abortamento espontâneo, independentemente da idade gestacional.

• Pessoas em situação de violência sexual.

Acesse o site do TELELAB para acompanhar a legislação vigente para a utilização dos testes rápidos: w.telelab.aids.gov.br.

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Princípios metodológicos dos testes rápidos para diagnóstico da sífilis

Os testes rápidos comercializados no Brasil, e registrados na ANVISA, utilizam os princípios metodológicos de imunocromatografia de fluxo lateral e de imunocromatografia em plataforma de duplo percurso – DPP (do inglês Dual Path Platform).

Dentro de um mesmo princípio metodológico pode haver variações, com os resultados sendo visualizados na forma de um ponto ou de uma linha.

Imunocromatografia de fluxo lateral

Como exemplo, veja na Figura 1 como funciona um teste rápido de fluxo lateral, com o resultado em linha.

Figura 1 - Funcionamento de um teste rápido de fluxo lateral

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1. A fase sólida é uma tira de nitrocelulose que contém:

• um local para colocar a amostra e a solução tampão, denominado poço;

• uma área intermediária contendo conjugado composto de antígenos recombinantes de Treponema pallidum ligados ao corante selenium coloidal;

• outra área que contém antígenos de treponema imobilizados, para leitura do resultado, denominada área T;

• uma quarta área que contém um conjugado de anti-imunoglobulina (IgG) e ouro coloidal – ou de antiproteína A recombinante e ouro coloidal – para controle da reação e para validação do teste, denominada área C.

3.A amostra é colocada no poço e, em seguida, é adicionada a solução tampão.

4.Os anticorpos da amostra fluem lateralmente pela fita de teste e ligam-se ao conjugado. Os anticorpos ligados ao conjugado continuam fluindo pela fita até a área T e ligam-se aos antígenos imobilizados, resultando no aparecimento de uma linha colorida.

5.O fluxo continua, e frações do conjugado que não se ligaram na área T vão ser revelados na área C, produzindo uma linha vermelha. Essa linha é o controle da reação. Ela sempre deve estar presente, e indica que houve perfeita migração da amostra na tira de reação.v

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Leitura do teste rápido para sífilis com metodologia de fluxo lateral

Ao realizar a leitura do teste, observe se ocorreu a formação de uma linha colorida na área C. A presença dessa linha valida o teste e indica que não houve problema com a reação. Em seguida, leia o resultado da amostra observando se ocorreu ou não a formação de uma linha colorida na área T. Os resultados possíveis são estes:

Reagente – quando há formação de uma linha colorida na área T e outra na área C. Um resultado reagente indica que há anticorpos antitreponema detectáveis na amostra do indivíduo (Figura 2);

Figura 2 - Teste rápido de fluxo lateral reagente

Não reagente – quando há formação de linha colorida apenas na área C. Um resultado não reagente indica que não há anticorpos antitreponema detectáveis na amostra do indivíduo (Figura 3);

Figura 3 - Teste rápido de fluxo lateral não reagente

Teste Inválido – se não houver formação de linha colorida na área C, o teste será considerado inválido, independentemente do resultado obtido na área T. Neste caso, o teste deverá ser repetido (Figuras 4 e 5).

Figuras 4 e 5 - Testes rápidos de fluxo lateral inválidos

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Veja a seguir como proceder se o resultado do teste for inválido.

1. Repita o teste. Caso o resultado continue inválido, faça o teste com um kit de outro lote ou de outra marca.

2. Você também pode considerar que: a) amostras coaguladas ou lipêmicas podem interferir nos resultados; b) os volumes da amostra e do tampão talvez estivessem incorretos; c) os tempos de todas as etapas podem não ter sido rigorosamente respeitados. 3. Verifique as condições de estocagem do kit e o prazo de validade.

4. Informe prontamente ao fornecedor caso haja persistência de resultados inválidos, pois isso sugere que existem problemas no kit.

5. Faça um teste treponêmico, como o FTA-abs, a hemaglutinação ou o imunoenzimático.

• Não utilize kits com prazo de validade vencido.

• Não misture componentes provenientes de kits ou caixas de lotes diferentes.

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Imunocromatografia em plataforma de duplo percurso – DPP

Observe na Figura 6 um exemplo de teste rápido DPP (imunocromatografia em plataforma de duplo percurso).

1. A fase sólida é constituída de duas tiras de nitrocelulose. 2. Por isso o dispositivo do teste contém:

a) um local onde são colocadas a amostra e a solução tampão, denominado Poço 1, que permite a migração dos anticorpos presentes na amostra; b) uma área para colocar o tampão, denominado Poço 2, que tem por objetivo liberar o conjugado (anticorpos antitreponema ligados a partículas de ouro coloidal) que está imobilizado na membrana; c) uma terceira região, denominada janela de leitura, onde estão imobilizados os antígenos recombinantes de Treponema pallidum (T) para a reação específica e imunoglobulinas G (C) para controle da reação e validação do testes.

Figura 6 - Funcionamento de um teste rápido de duplo percurso

8Diagnóstico da Sífilis - Aula 9

3. A amostra é colocada no Poço 1 e, em seguida, é adicionada a solução tampão.

4. Quando os anticorpos antitreponema estão presentes na amostra, fluem pela fita e ligamse aos antígenos imobilizados na área de leitura do teste. Outros anticorpos presentes na amostra podem se ligar à área C.

5. Em seguida é adicionado um tampão ao Poço 2. A migração do tampão libera o conjugado imobilizado, que se liga aos anticorpos específicos antitreponema (área T) e aos demais anticorpos (área C).

Leitura do teste rápido para sífilis com metodologia DPP

9Diagnóstico da Sífilis - Aula 9

Observe se houve a formação de uma linha colorida na área C. A presença dessa linha valida o teste e indica que não houve problema com a reação. Em seguida, faça a leitura do resultado da amostra observando se houve ou não a formação de uma linha colorida na área T.

Os resultados possíveis são estes:

Reagente – quando ocorre formação de duas linhas coloridas, uma na área de controle (C) e outra na área de teste (T) (Figura 7);

Figura 7 - Teste rápido DPP reagente

Não reagente – quando ocorre formação de somente uma linha colorida, a da área de controle (C) (Figura 8);

Figura 8 - Teste rápido DPP não reagente

Teste inválido – quando não ocorre formação de linha colorida na área de controle (C) (Figuras 9 e 10).

Figuras 9 e 10 - Testes rápidos DPP inválidos

10Diagnóstico da Sífilis - Aula 9

Acompanhe adiante o passo a passo de um teste rápido para sífilis com metodologia DPP.

Procedimento detalhado para coleta da amostra e execução do Teste Rápido DPP® Sífilis Bio- Manguinhos

1Separe os componentes necessários do kit Teste Rápido DPP® Sífilis Bio-Manguinhos e coloqueos sobre uma superfície plana. Para cada amostra coletada são necessários o tampão de corrida,

1 (uma) lanceta descartável, 1 (uma) alça coletora descartável, 1 (um) curativo adesivo, 1 (um) frasco para eluição e 1 (um) suporte de teste DPP® Sífilis embalado individualmente.

2Retire o suporte de teste do envelope laminado, identifique-o com o nome do indivíduo ou o número de identificação e lote do kit.

3Verifique a integridade de todos os componentes e a existência de 2 (duas) linhas na janela de teste do suporte, sendo uma de cor azul (linha Teste) e outra de cor verde (linha Controle). Se a duas linhas estiverem presentes, o dispositivo estará adequado para uso. Caso uma ou ambas as linhas esteja(m) ausente(s), não utilize o dispositivo, e comunique o ocorrido ao SAC de Bio-Manguinhos (telefone: 0800 210 310, ou e-mail: sac.reativos@bio.fiocruz.br

4Antes de coletar a amostra de sangue, identifique o frasco para eluição com o nome do indivíduo ou o número de identificação e desenrosque o dosador (parte branca) do frasco, mantendo a tampa preta rosqueada no dosador.

5Colete a amostra por punção digital: a) Perfure a lateral da polpa do dedo com a lanceta fornecida no kit; b) encoste a alça coletora na gota de sangue que brotou no dedo, permitindo que a alça seja preenchida.

6Insira a alça coletora com a amostra no frasco de eluição de modo que a alça toque no fundo do frasco. Coloque a alça com a amostra dentro do frasco, quebrando a alça coletora na região marcada.

7Recoloque o dosador no frasco de eluição certificando-se de que tanto o dosador quanto a tampa preta estejam bem fechados. Homogeneíze gentilmente o frasco fazendo movimentos circulares sobre uma superfície plana por 10 segundos.

8Retire somente a tampa preta do dosador e, com o frasco na posição vertical, adicione 2 (duas) gotas da solução ao poço 1.

11Diagnóstico da Sífilis - Aula 9

9Marque 5 (cinco) minutos no cronômetro ou relógio. Após esse tempo, a linha azul (Teste) e a linha verde (Controle) devem desaparecer da janela de leitura.

Se as linhas não desaparecerem, descarte o suporte de teste e repita o procedimento desde o início, usando um novo suporte de teste.

10Adicione 4 (quatro) gotas do tampão de corrida ao poço 2, mantendo o frasco na posição vertical.

11Marque 10 (dez) minutos no cronômetro ou relógio. Após 3 (três) minutos, verifique se ocorreu migração do tampão de corrida na janela de leitura.

Caso não haja migração, descarte o teste e repita o procedimento desde o início, usando um novo suporte de teste.

12Após os 10 (dez) minutos de corrida do tampão, realize a leitura do teste. Esse tempo não pode exceder 15 (quinze) minutos.

a) Verifique o aparecimento de uma linha rosa/roxa na área da linha Controle. Caso ela não seja visualizada, invalide o teste e repita o procedimento desde o início, usando um novo suporte de teste.

b) Se a linha Controle for visualizada, observe a ausência ou o aparecimento de uma linha rosa/roxa na área da linha Teste. A ausência dessa linha indica um resultado não reagente, e o aparecimento da linha indica um resultado reagente.

13Após a leitura do teste, anote o resultado.

Trate todas as amostras como material potencialmente infectante. Portanto, as normas universais de biossegurança devem ser adotadas, incluindo-se o uso de equipamentos de proteção individual (jaleco, óculos ou protetor facial e luvas).

12Diagnóstico da Sífilis - Aula 9

A escolha do teste rápido

Antes de decidir, faça contato com vários fabricantes de testes que tenham produtos registrados na ANVISA e solicite a bula de cada produto.

Esses testes estão comercialmente disponíveis em variados formatos, para analisar amostras de sangue total, de plasma e de soro.

Portanto, verifique quais são os tipos de amostras definidos pelo fabricante do conjunto diagnóstico que você pretende utilizar. O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais fornece os testes rápidos para a Rede de Serviços Públicos Brasileira.

Acesse o site do TELELAB para saber quais kits estão registrados na ANVISA: w.telelab.aids.gov.br.

Para realizar a escolha, considere também:

• qual amostra pode ser utilizada no teste e se sua estrutura de coleta é adequada; • a quantidade diária de testes que você irá realizar;

• as condições existentes para estocar as amostras coletadas por punção venosa – caso você pretenda utilizar esse tipo de amostra;

• local adequado e pessoal treinado para coletar a amostra.

As amostras obtidas por punção digital podem ser colhidas em qualquer local, desde que sejam respeitadas as normas de biossegurança: uso de EPI, antissepsia das mãos e do local da punção, entre outros.

13Diagnóstico da Sífilis - Aula 9

Referências

BENZAKEN, A. S.; BAZZO, M. L.; GALBAN, E.; PINTO, I. C. P.; NOGUEIRA, C. L.; GOLFETTO, L.; BENZAKEN, N. S.; SOLLIS, K. A.; MABEY, D.; PEELING, R. W. External quality assurance with dried tube specimens (DTS) for point-of-care syphilis and HIV tests: experience in an indigenous populations screening programme in the Brazilian Amazon. Sexually Transmitted Infections (Print), v. 0, p. 1-5, 2013.

BioManguinhos/FIOCRUZ – Instruções de Uso testes rápidos para sífilis -DPP TR.

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