Sífilis - Manual Aula 3 Reação de VDRL em amostras

Sífilis - Manual Aula 3 Reação de VDRL em amostras

1Diagnóstico da Sífilis - Aula 3

de líquor

Aula 3Reação de VDRL em amostras

A realização do VDRL em amostras de líquor é uma ferramenta fundamental para o diagnóstico da sífilis congênita ou da neurossífilis.

Para analisar amostras de líquor, o preparo do antígeno sofre algumas modificações, conforme você verá nesta aula. Mas, antes, fique atento às orientações a seguir.

• Não teste amostras de líquor com conjuntos diagnósticos que não tenham sido padronizados para a utilização nesse tipo de amostra.

• Antes de realizar o teste, certifique-se de que o kit de que você dispõe permite testar amostras de líquor.

• Leia as instruções do fabricante do produto antes de iniciar o teste.

para fazer o VDRL

Cuidados com a amostra de líquor

A amostra de líquor deve ser centrifugada, a fim de sedimentar e remover hemácias ou contaminações bacterianas que podem estar presentes e causar interferência no teste.

Amostras de líquor turvas após a centrifugação, ou com hemólise, não são adequadas para o teste VDRL. Nesses casos, solicite uma nova amostra.

Se não for possível obter nova amostra, e se houver concordância do médico que estiver assistindo o indivíduo, pode-se fazer um teste treponêmico. No entanto, se esse teste for reagente, deve-se obrigatoriamente fazer o VDRL para o acompanhamento do tratamento.

A amostra de líquor não precisa ser inativada para a realização do VDRL.

Procedimentos do VDRL em amostras de líquor

2Diagnóstico da Sífilis - Aula 3

1. Preparo da suspensão antigênica modificada para uso em amostras de líquor

Materiais necessários:

• Suspensão antigênica de VDRL preparada conforme está detalhado na ação 3 e validada de acordo com a ação 6, na aula 2.

• Solução de NaCl 10% (10 g de NaCl em 100 mL de água destilada).

• Erlenmeyer de 25 mL com tampa de vidro esmerilhado.

• Pipetas de volume ajustável entre 1,0 mL e 5,0 mL ou pipetas de vidro de 2 mL.

• Recipiente para descarte de ponteiras ou recipiente com água e sabão neutro para colocar as pipetas de vidro utilizadas.

• Cronômetro.

• Caneta para escrever em vidro.

Como fazer? a) Misture, em um Erlenmeyer, uma parte de solução de NaCl 10% com uma parte da suspensão antigênica do VDRL previamente preparada e validada para utilização com amostras de soro.

b) Para testar entre uma e cinco amostras de líquor, misture 1,5 mL de NaCl 10% com 1,5 mL da suspensão antigênica.

c) Homogeneize a mistura por meio de suaves movimentos de rotação. Deixe a mistura descansar ao menos 5 minutos antes do uso.

d) Identifique o Erlenmeyer: “Suspensão antigênica para VDRL em líquor”, horário e data do preparo.

f) Utilize a suspensão em até 2 horas após o preparo. Depois desse período, se houver necessidade de testar outras amostras de líquor, prepare uma nova suspensão antigênica.

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2. O teste de VDRL qualitativo em amostras de líquor

Materiais necessários:

• Suspensão antigênica modificada. • Solução salina (NaCl 0,9%).

• Seringa de vidro de 1 mL com agulha de calibre 2 G calibrada para 50 gotas com 0,5 mL da suspensão antigênica ou pipeta de 10 µL.

• Lâmina de vidro escavada com círculos côncavos de 14 m de diâmetro e 1,75 m de profundidade (lâminas de Kline).

• Agitador orbital, tipo Kline, ajustado para 180 ±2 rpm.

• Microscópio óptico comum (objetiva 10X e ocular 10X).

• Pipetas de volume ajustável entre 50 µL e 200 µL.

• Ponteiras descartáveis para volumes entre 50 µL e 200 µL.

• Caixa para descarte de ponteiras.

• Recipiente de vidro para descontaminação de produtos biológicos, contendo solução aquosa de hipoclorito de sódio (uma parte de água sanitária comercial mais quatro partes de água) ou contendo álcool 70% (peso a peso – p/p).

• Caneta para escrever em vidro.

• Cronômetro.

Para calibrar a agulha utilizada para pipetar a suspensão antigênica do VDRL no líquor você deve seguir os mesmos procedimentos detalhados anteriormente na ação 4 (aula 2) para o VDRL. Observe ainda que:

4Diagnóstico da Sífilis - Aula 3

Como fazer? Organize seu protocolo de trabalho.

Confira os procedimentos do VDRL qualitativo em amostras de liquor no passo a passo a seguir. 1Pipete 50 µL do líquor em uma demarcação da lâmina escavada de Kline.

2Cuidadosamente, faça a homogeneização da suspensão antigênica modificada.

5Faça a leitura da reação em microscópio óptico, com objetiva de 10X e ocular de 10X, imediatamente após o término da agitação.

6Se não for observada floculação na amostra, a reação é negativa e o laudo pode ser emitido. Caso haja floculação na amostra de líquor puro, a reação é positiva. Neste caso, para determinar o título é necessário fazer a reação quantitativa por meio da diluição seriada do líquor em solução salina.

Reação de VDRL quantitativa no líquor

5Diagnóstico da Sífilis - Aula 3

Faça seu protocolo de trabalho e confira os procedimentos do VDRL quantitativo em amostras de liquor no passo a passo a seguir.

1Faça diluições seriadas do líquor seguindo os mesmos procedimentos apresentados na ação 8 da aula 2.

2Use a suspensão antigênica modificada para fazer o VDRL quantitativo em líquor. Utilize 10 µL de suspensão antigênica modificada. A reação deverá ser agitada, por 8 minutos, a 180 rpm.

3A reação estará finalizada quando for possível estabelecer a última diluição do líquor que ainda apresentar reatividade. Esta corresponderá ao título que será reportado como o resultado final do teste.

Diferenças entre VDRL no soro e VDRL no líquor VDRL no soroVDRL no líquor

Modificação da suspensão antigênicaNãoSim

Estabilidade da suspensão antigênica8 horas2 horas Volume da suspensão antigênica17µl10µl Tempo de agitação da reação4 minutos8 minutos Tipo de lâminaPlanaEscavada

Quadro 1 – VDRL no soro e no líquor

Os testes de floculação só devem ser realizados em ambientes com temperatura ambiente entre 23ºC e 29ºC.

Temperaturas fora dessa faixa desestabilizam a reação, o que pode gerar resultados falso-positivos ou falso-negativos.

6Diagnóstico da Sífilis - Aula 3

Referências

LARSEN, S.A., POPE, V., JOHNSON, R.E., KENNEDY, JR., E.J. A Manual of Tests for Syphilis. Washington: APHA, 1998, 361p. 9ª edição

LARSEN S.A., STEINER, B.M., RUDOLPH, A.H. Laboratory Diagnosis and Interpretation of Tests for Syphilis. Clin. Microbiol. Rev., Washington, v.8, n.1, p.1-21, 1995.

CENTERS FOR DISEASES CONTROL AND PREVENTION (CDC). Recommendations for Partner Services Programs for HIV infection, Syphilis, Gonorrhea and Chlamydia infections. Morbid Morttal Wkly Rep, Recomm Rep. 57(R-9): 1-93, 2008.

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