Sifilis - Manual Aula 10 Interpretação dos resultados

Sifilis - Manual Aula 10 Interpretação dos resultados

1Diagnóstico da Sífilis - Aula 10

Aula 10Interpretação dos resultados dos testes de sífilis

Os testes para o diagnóstico da sífilis devem ser feitos em duas etapas, uma de triagem e outra confirmatória.

Independentemente da sistemática de trabalho adotada em seu serviço para a triagem das amostras, é fundamental que toda amostra reagente seja submetida a um teste não treponêmico quantitativo e a um teste treponêmico.

Os resultados dos testes devem ser interpretados pelo médico, em associação com os dados da história clínica do indivíduo e com os dados epidemiológicos. A seguir apresentamos a possível interpretação para diferentes combinações de resultados.

Teste

O que significa?O que fazer?Não Treponêmico Treponêmico

ReagenteReagentePodem significar sífilis ativa, sífilis latente ou sífilis tratada.

Para esclarecer o caso, deve-se analisar a história do indivíduo (dados clínicos e epidemiológicos).

Reagente (geralmente em títulos baixos)

Não reagente

Provavelmente é uma reação cruzada e esse resultado um falso-positivo.

Neste caso, é preciso investigar doenças autoimunes e crônicas, doenças infecciosas agudas, bem como outras situações fisiológicas e biológicas que o médico considerar pertinentes para explicar a reatividade do teste não treponêmico.

Interpretação dos resultados

2Diagnóstico da Sífilis - Aula 10

Teste

O que significa?O que fazer?Não

Treponêmico Treponêmico

Não reagente

ReagentePodem significar sífilis primária (com possível presença do cancro) ou sífilis tratada.

O médico deve examinar o indivíduo, buscando a lesão primária, e verificar a história clínica e epidemiológica dele.

Não reagenteNão reagente

Provavelmente o indivíduo não tem sífilis, ou a infecção é muito recente, por isso os anticorpos ainda não são detectáveis pelos testes utilizados.

Caso persista a suspeita clínica, os testes devem ser repetidos após cerca de 20 a 30 dias.

Interpretação dos resultados

Cicatriz sorológica é o termo utilizado para as situações nas quais o indivíduo, comprovadamente tratado, mas ainda apresenta reatividade nos testes.

Nestes casos, os testes treponêmicos tendem a ser reagentes, e os testes não treponêmicos quantitativos apresentam baixos títulos. É um erro considerar títulos baixos apenas como cicatriz sorológica ou como reação falsamente positiva.

Lembremos que a sífilis não confere imunidade permanente e os indivíduos podem se recontaminar tantas vezes quantas forem expostos ao Treponema pallidum. No início de cada infecção os títulos esperados são baixos. Só é possível determinar que se trata de cicatriz sorológica quando for comprovado que o indivíduo teve sífilis e realizou tratamento adequado.

Títulos baixos também são encontrados na sífilis primária, quando os anticorpos estão circulando em baixas concentrações, e na sífilis latente não tratada.

Como avaliar a resposta ao tratamento da sífilis?

Somente os testes não treponêmicos quantitativos são indicados para avaliar a eficácia do tratamento da sífilis. Recomenda-se a realização de testes para acompanhamento da resposta ao tratamento a cada seis meses, até o final do segundo ano após o tratamento.

3Diagnóstico da Sífilis - Aula 10

Negativação dos testes não treponêmicos

Quanto mais precoce for o tratamento após a infecção, mais rapidamente haverá desaparecimento dos anticorpos circulantes, com a consequente negativação dos testes não treponêmicos – ou sua estabilização em títulos baixos.

Para a maioria dos usuários tratados, espera-se que haja reversão dos resultados, e que os testes tornem-se não reagentes entre 6 e 30 meses após o tratamento.

Entretanto, na sífilis tratada tardiamente os testes podem nunca se negativar, persistindo a detecção de anticorpos em títulos baixos.

A sorologia, quando se apresenta repetidamente reagente em títulos baixos em usuários corretamente tratados, não tem significado clínico e devem ser considerados curados.

Segundo a literatura, os títulos diminuem cerca de quatro vezes após três meses e oito vezes aos seis meses após o tratamento.

Alguns autores já relataram que o teste permaneceu reagente nas seguintes percentagens, conforme o período de progressão da doença em que foi feito o tratamento:

Tempo6 meses12 meses30 meses Pacientes tratados com sífilis primária16,5%1,4%6,6%

Quadro 1 – Percentual de reatividade nos testes não treponêmicos no monitoramento do tratamento da sífilis.

Durante o monitoramento do tratamento, o aumento de dois ou mais títulos no teste sugere reinfecção ou tratamento inadequado.

A infecção pelo Treponema pallidum não confere imunidade, por isso um indivíduo pode contrair sífilis tantas vezes quantas for exposto ao agente etiológico.

4Diagnóstico da Sífilis - Aula 10

Limitações dos testes treponêmicos

Os testes treponêmicos não podem ser utilizados no monitoramento de tratamento.

Segundo a literatura, cerca de 85% das amostras de indivíduos adequadamente tratados permanecem positivas nos testes treponêmicos durante muitos anos – em alguns casos, durante toda a vida2.

Além disso, aproximadamente 1% da população em geral apresenta reações falsamente positivas nos testes treponêmicos3.

Não descuide de sua própria segurança. Lembre-se de que você vai lidar com material potencialmente infectante.

Outros cuidados necessários

Lembre-se sempre da sua segurança. Utilize os equipamentos de proteção individual quando for colher amostras de sangue ou realizar os testes:

• avental ou jaleco de comprimento abaixo dos joelhos, com mangas longas, sistema de fechamento nos punhos por elástico ou sanfona e fechamento até a altura do pescoço;

• protetor facial ou óculos de proteção e máscara;

• luvas descartáveis;

• sapatos fechados;

• calças compridas.

Para que você possa trabalhar observando todos os cuidados necessários, faça o curso Biossegurança, da Série TELELAB, e aprenda mais sobre esse tema.

2 - Ver referência no final da aula: Schroeter AL, Lucas JB, Price EV, Falcone VH.

3 - Ver referência no final da aula: LARSEN S.A., STEINER, B.M., RUDOLPH, A.H.

5Diagnóstico da Sífilis - Aula 10

Referências

AVELLEIRA J.C.R.; BOTTINO, G. Diagnóstico, tratamento e controle da sífilis. An. Bras. Dermatol. 2006; 81(2):1-26.

BIRNBAUM, N.R.; GOLDSCHMIDT, R.H.; BUFFETT, W.O. Resolving the common clinical dilemmas of syphilis. Am Fam Physician. 1999; 59:23-40, 2245-6.

BRAUNER, A.; CARLSSON, B.; SUNDKVIST, G.; OSTENSON, C.G. False-positive treponemal serology in patients with diabetes mellitus. J Diabetes Complications. 1994; 8:57-62.

BROWN, S.T.; ZAIDI, A.; LARSEN, S.A., REYNOLDS, G.H. Serological response to syphilis treatment. A new analysis of old data. JAMA. 1985; 253:1296-9.

CENTERS FOR DISEASES CONTROL AND PREVENTION (CDC). Recommendations for Partner Services Programs for HIV infection, Syphilis, Gonorrhea and Chlamydia infections. Morbid Morttal Wkly Rep, Recomm Rep. 57(R-9): 1-93, 2008.

HAAS, J.; BOLAN, G.; LARSEN, S.; CLEMENT, M.; BACCHETTI, P.; MOSS, A. Sensitivity of treponemal tests for detecting prior treated syphilis during human immunodeficiency virus infection. J Infect Dis. 1990; 162:862-866.

LARSEN S.A., STEINER, B.M., RUDOLPH, A.H. Laboratory Diagnosis and Interpretation of Tests for Syphilis. Clin. Microbiol. Rev., Washington, v.8, n.1, p.1-21, 1995.

PEELING R. W; HTUN Y. Diagnostic tools for preventing and managing maternal and congenital syphilis: an overview. 2004. Bulletin of the WHO. V. 82, p 439-446.

SCHROETER, A. L., J. B. Lucas, E. V. Price, and V. H. Falcone. 1972. Treatment of early syphilis and reactivity of serologic tests. JAMA 221:471–476.

Caro aluno, parabéns por ter se dedicado a este curso.

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