Revista Acta Paulista de Enfermagem

Revista Acta Paulista de Enfermagem

(Parte 1 de 12)

Órgão Oficial de Divulgação Científica da Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo

Acta Paulista de Enfermagem/ Escola Paulista de Enfermagem/ Universidade Federal de São Paulo Endereço: Rua Napoleão de Barros, 754, Vila Clementino, São Paulo, SP, Brasil. CEP: 04024-002 Acta Paul Enferm. volume 29, fascículo(4), Julho/Agosto 2016 ISSN 1982-0194 (versão eletrônica) Periodicidade: Bimestral Tel.: +5 1 576.4430 Ramais 2589/2590 E-mail: ape@unifesp.br Home Page: http://www.unifesp.br/acta/ Facebook: https://w.facebook.com/actapaulistadeenfermagem Twitter: @ActaPaulEnferm Tumblr: actapaulenferm.tumblr.com

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Comissão Editorial Donna K. Hathaway, The University of Tennessee Health Science Center College of Nursing; Memphis, Tennessee, EUA Dorothy A. Jones, Boston College, Chestnut Hill, MA, EUA Ester Christine Gallegos-Cabriales, Universidad Autónomo de Nuevo León, Monterrey, México Geraldyne Lyte, University of Manchester, Manchester, United Kingdom, EUA Helen M. Castillo, College of Health and Human Development, California State University, Northbridge, California, EUA Jane Brokel, The University of Iowa, Iowa, EUA Joanne McCloskey Dotcherman, The University of Iowa, Iowa, EUA Kay Avant, University of Texas, Austin, Texas, EUA Luz Angelica Muñoz Gonzales, Universidad Nacional Andrés Bello, Santiago, Chile Margaret Lunney, Staten Island University, Staten Island, New York, EUA María Consuelo Castrillón Agudelo, Universidad de Antioquia, Medellín, Colômbia Maria Müller Staub, Institute of Nursing, ZHAW University, Winterthur, Suiça Martha Curley, Children Hospital Boston, Boston, New York, EUA Patricia Marck, University of Alberta Faculty of Nursing, Edmonton Alberta, Canadá Shigemi Kamitsuru, Shigemi Kamitsuru, Kangolabo, Tokyo, Japão Sue Ann P. Moorhead, The University of Iowa, Iowa, EUA

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Apoio

Editorial

O profissional da enfermagem e a criação de valores na saúde

No Brasil e no mundo, a Saúde está “doente”: os custos crescentes e a qualidade medíocre têm caacterizado os serviços de saúde em vários países. Apesar dos custos elevados e crescentes, se vê uma deterioração na qualidade dos serviços e uma grande massa de pessoas desassistidas, e os serviços públicos não têm condição de atender adequadamente à população no país, que totalizava cerca de 208 milhões pessoas em 2015.(1)

Este cenário evidencia a necessidade premente de soluções inovadoras envolvendo cada aspecto da gestão de saúde – entrega ao paciente, tecnologia, e o modelo de negócio. A contradição central no sistema de saúde é que o conhecimento médico e a tecnologia melhoram, mas a assistência médica geralmente não fica mais acessível à população.(2,3) A pouca valorização do capital humano, principalmente dos profissionais da enfermagem, exatamente em um ambiente dedicado a cuidar das pessoas, é outra grande contradição no setor.

No ambiente da saúde, tanto os poderes de decisão e administração como o cuidado ao paciente estão distribuídos entre vários profissionais (inclusive médicos, enfermeiros e nutricionistas), e a qualidade dos serviços resulta da cooperação entre esses vários atores e do trabalho em equipe.(4) No entanto, Infelizmente, o trabalho em equipe ainda é uma figura de retórica em muitas instituições hospitalares, e os vários serviços são vistos uns pelos outros como obstáculos, não como facilitadores. (5,6) Este ambiente de trabalho gera insatisfação entre os profissionais envolvidos na assistência,afetando a percepção da qualidade pelos pacientes e familiares.

Os profissionais de enfermagem, que são responsáveis pelo cuidado diário dos pacientes, são o motor da melhoria contínua na qualidade do cuidado. Qualquer mudança no modelo de negócios em saúde passa, necessariamente, por repensar o papel destes profissionais dentro da organização. As necessidades dos pacientes e principalmente dos profissionais da enfermagem (que entregam o cuidado ao paciente), devem estar no coração da inovação, no modelo de negócios e na gestão em saúde.(7)

Vários expressões são encontrados na literatura para preocupação com o elemento humano dentro das organizações: qualidade dos serviços internos, qualidade interna dos serviços, qualidade de vida no trabalho, endomarketing, marketing interno, clima de serviços, clima interno, etc. Cada um desses nomes surgiu nas mais diversas áreas do conhecimento, tais como Gerência de Serviços, Marketing, Recursos Humanos, Comportamento Organizacional e Ciências Sociais, inclusive Psicologia e Sociologia. Independentemente do nome escolhido, oferecer um bom ambiente de trabalho é necessário para que os profissionais se sintam felizes e, assim, desenvolvam atitudes positivas em relação à organização onde trabalham.

Não há consenso sobre os fatores que determinam a satisfação dos profissionais da enfermagem. Nos anos 80, surgiram duas linhas de entendimento: a primeira enfatizava fatores psicológicos, como a percepção de que o trabalho preenche ou permite preencher importantes valores para as pessoas, e a segunda destacava fatores relativos ao ambiente de trabalho, tais como reconhecimento, tamanho adequado da equipe, autonomia e instalações adequadas para cuidar dos pacientes. Nos anos 90, a satisfação dos profissionais de enfermagem passou a ser vista como um construto complexo, composto de fatores objetivos e subjetivos, tais como a natureza e o nível de autonomia, autoridade e responsabilidade, bem como o reconhecimento, a recompensa e a satisfação pessoal com o trabalho executado, além da perspectiva de crescimento na carreira. O cuidar do paciente foi reconhecido como fundamental para a satisfação dos enfermeiros.

Atualmente, acredita-se que um bom ambiente de trabalho para os profissionais da enfermagem é caracterizado pelo relacionamento amistoso entre colegas e baseado em confiança nos superiores. A confiança é alimentada pela efetiva comunicação interna, clareza na missão e nos objetivos do hospital, e respeito aos profissionais, que se traduz por evitar sobrecarga física e mental no trabalho, oferecendo segurança no trabalho. A sobrecarga e o estresse no trabalho são frequentemente apontados pelos estudos como deflagradores da insatisfação entre os profissionais da enfermagem no emprego.

Assim, os gestores de hospital devem se preocupar em estabelecer uma comunicação clara com estes profissionais, investir na capacitação, fomentar um ambiente pautado pela imparcialidade e justiça, e estimular um bom relacionamento entre os colaboradores. Com estas ações, pretende-se assegurar uma melhor assistência ao paciente, i.e., criar valores. Valores deveriam ser o mais alto objetivo nos sistemas de saúde, pois isso interessa tanto aos pacientes como aos demais atores do sistema. Entretanto, valor não é criado só com processos e tecnologia, mas principalmente com pessoas.

Referências 1. Organização Mundial de Saúde: site: http://www.who.int/countries/bra/es/ [citado 2016 Set 18].

2. Porter M. A strategy for health care reform - toward a value-based system. N Engl J Med. 2009; 361(2): 109-12. 3. Porter M. What is value in health care? N Engl J Med. 2010; 363(26): 2477-81.

4. Martins MIC. A transição tecnológica na saúde: desafios para a gestão do trabalho. Trabalho, Educação e Saúde. 2004; 2(2): 287-310.

5. Pedroso M, Malik A. As quatro dimensões competitivas da saúde. Harvard Business Review Brasil. 2011; 89: 58-67.

6. Bohmer R. Managing the New Primary Care: The New Skills That Will Be Needed. Health Affairs. 2010. 29(5): 1010-1014.

7. Omachonu V, Einspruch N. Innovation in healthcare delivery systems: a conceptual framework, The Innovation Journal: Pub Sec Innovat J. 2010; 15(1): 1-20.

Claudia Affonso Silva Araujo

Professora do Instituto de Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia e Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1982-0194201600050

Sumário

Artigos Originais

Validação de protocolo assistencial de enfermagem para pacientes em cuidados paliativos

Edilene Castro dos Santos, Isabelle Christine Marinho de Oliveira, Alexsandra Rodrigues Feijão363

Validation of a nursing care protocol for patients undergoing palliative care

Paternidade e amamentação: mediação da enfermeira

Rita Maria Viana Rêgo, Ângela Maria Alves e Souza, Tatiane Negrão Assis da Rocha, Maria Dalva Santos Alves374

Paternity and breastfeeding: mediation of nurses

Plataforma Moodle na construção do conhecimento em Terapia Intensiva: estudo experimental

Edvane Birelo Lopes De Domenico, Cibelli Rizzo Cohrs381

Moodle platform for the construction of knowledge in intensive care: an experimental study

Validação para a língua portuguesa do Educational

Practices Questionnaire (Student Version) Validation for the Portuguese language of the Educational

Practices Questionnaire (Student Version)

Isabel Amélia Costa Mendes390

Rodrigo Guimarães dos Santos Almeida, Alessandra Mazzo, José Carlos Amado Martins, Valtuir Duarte de Souza-Junior,

Indução da dor pelo quimioterápico docetaxel em mulheres com câncer de mama

Pain induction by chemotherapy medication docetaxel in women with breast cancer

Anna Cláudia Yokoyama dos Anjos397

Rhyquelle Rhibna Neris, Patrícia Magnabosco, Pedro Augusto do Amaral, Maria Ângela Ribeiro,

Desfechos clínicos de pacientes pediátricos tratados com oxigenação por membrana extracorpórea

Clinical outcomes of pediatric patients treated with extracorporeal membrane oxygenation

Rafael Nascimento Nogueira de França Santos, Larissa Bertacchini de Oliveira405

Eduesley Santana-Santos, Jéssica Ribeiro Silva, Ana Carolina Alcântara Ribeiro Mascarenhas Oliveira,

Excesso ponderal e marcadores de vulnerabilidade sociodemográfica em adultos jovens escolares

Excessive weight and sociodemographic vulnerability markers in young adult students

Teresa Cristina de Freitas413

Raquel Sampaio Florêncio, Jênifa Cavalcante dos Santos Santiago, Thereza Maria Magalhães Moreira,

Construção, validação e adequação cultural do protocolo

COMPASSO: Adesão ao autocuidado em diabetes Development, validation and cultural adaptation of the COMPASSO protocol: Adherence to self-care in diabetes

Bárbara Sgarbi Morgan Fernandes, Ilka Afonso Reis, Adriana Silvina Pagano, Sumaya Giarola Cecilio, Heloisa de Carvalho Torres ...................................................................................................................................................... 421

Vídeo educativo: estratégia de treinamento para cuidadores de crianças com fissura labiopalatina

Educational video: a training strategy for caregivers of children with cleft lip and palate

Flavia Maria Ravagnani Neves Cintra, Maria de Lourdes Merighi Tabaquim430

Ana Paula Ribeiro Razera, Armando dos Santos Trettene, Cleide Carolina da Silva Demoro Mondini,

Fatores de risco associados ao desenvolvimento da síndrome metabólica em crianças e adolescentes

Risk factors associated with the development of metabolic syndrome in children and adolescents

Stefany Emília Xavier Moreira Teixeira, Ana Roberta Vilorouca da Silva439

Rumão Batista Nunes de Carvalho, Roseanne de Sousa Nobrem, Mayla Rosa Guimarães,

Tempos de acesso a serviços de saúde face ao infarto do miocárdio

Access times to health services in cases of myocardial infarction

Fernanda Carneiro Mussi446

Andreia Santos Mendes, Virgínia Ramos dos Santos Souza Reis, Carlos Antonio de Souza Teles Santos,

Sofrimento moral em enfermeiros dos departamentos de fiscalização do Brasil

Moral suffering in nurses of inspection departments in Brazil

Mara Ambrosina de Oliveira Vargas, Edison Luiz Devos Barlem454

Luciana Ramos Silveira, Flávia Regina Souza Ramos, Dulcinéia Ghizoni Schneider,

Acolhimento na atenção primária à saúde na ótica de enfermeiros

Welcoming in primary health care from the viewpoint of nurses

Walterlânia Silva Santos, Tania Cristina Morais Santa Barbara Rehem463

Marina Shinzato Camelo, Luciano Ramos de Lima, Cris Renata Grou Volpe,

Aleitamento materno em crianças indígenas de dois municípios da Amazônia Ocidental Brasileira

Breastfeeding in indigenous children from two cities in the West Brazilian Amazon

Ana Cristina Freitas de Vilhena Abrão469

Vanizia Barboza da Silva Maciel, Romeu Paulo Martins Silva, Adriana Sañudo, Erika de Sá Vieira Abuchaim,

A história desvelada no Juquery: assistência psiquiátrica intramuros na ditadura cívico-militar

Douglas Sherer Sakaguchi, João Fernando Marcolan476

History unveiled in Juquery: intramural psychiatric care in the civic-military dictatorship Errata ...............................................................................................................................................................................482

363Acta Paul Enferm. 2016; 29(4):363-73

Artigo Original

Validação de protocolo assistencial de enfermagem para pacientes em cuidados paliativos

Validation of a nursing care protocol for patients undergoing palliative care

Edilene Castro dos Santos1

Isabelle Christine Marinho de Oliveira1 Alexsandra Rodrigues Feijão1

Autor correspondente Alexsandra Rodrigues Feijão Avenida Senador Salgado Filho, 3000, 59078-970 Natal, RN, Brasil. alexsandrarf@hotmail.com

DOI http://dx.doi.org/10.1590/1982- 0194201600051

1Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil. Conflitos de interesse: não há conflitos de interesse a declarar.

Resumo Objetivo: Descrever o processo de validação de conteúdo de protocolo assistencial de enfermagem para pacientes em cuidados paliativos internados em Unidades de Terapia Intensiva. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, descritivo, do tipo metodológico. Resultado do julgamento de 1 experts envolvidos na assistência e/ou docência. A operacionalização ocorreu por meio da concordância entre as respostas dos juízes obtidas pelo Índice de Validade de Conteúdo em uma rodada. Resultados: Foram avaliados 15 itens, nove correspondentes ao histórico de enfermagem e seis referentes às intervenções de enfermagem, os quais apresentaram índice de validade de conteúdo de 0,9 a 1,0. Das 165 respostas, 67,27% mostraram-se adequados; 30,91% adequados com alterações e somente 1,82% foram considerados inadequados, resultados que atestam a validade de conteúdo segundo a avaliação dos juízes. Conclusão: O protocolo assistencial de enfermagem para pacientes em cuidados paliativos internados em Unidades de Terapia Intensiva se mostrou válido e aplicável na prática clínica.

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