Aristóteles e as mutações - mário ferreira dos santos

Aristóteles e as mutações - mário ferreira dos santos

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Aristóteles e as Mnlaçoes Aristóteles e as Mnlaçoes

Programa editorial da Livraria e Editora LOGOS

"ENCICLOPÉDIA DAS CIÊNCIAS FILOSÓFICAS E SOCIAIS" — De Mário Ferreira dos Santos.

Volumes publicados:

"Filosofia e Cosmovisão" — 2.a ed. "Psicologia" "Lógica e Dialéctica" "Teoria do Conhecimento"

"Ontologia e Cosmologia".

No Prelo:

"Tratado de Simbólica" "Filosofia da Crise"

COLEÇÃO TEXTOS FILOSÓFICOS — Sob a direcção de Mário Ferreira dos Santos.

"Aristóteles e as Mutações" — Com texto reexposto e comentários de Mário Ferreira dos Santos.

A sair:

Obras completas de Aristóteles Obras completas de Platão Acompanhadas de comentários e notas.

"Don Quixote de Ia Mancha", de Miguel de Cervantes — Ed. ilustrada com as gravuras de Gustave Doré.

A sair:

"Paraíso Perdido", de Milton — Ilustrado com as gravuras de Gustave Doré.

Programa editorial da Livraria e Editora LOGOS

"ENCICLOPÉDIA DAS CIÊNCIAS FILOSÓFICAS E SOCIAIS" — De Mário Ferreira dos Santos.

Volumes publicados:

"Filosofia e Cosmovisão" — 2.a ed. "Psicologia" "Lógica e Dialéctica" "Teoria do Conhecimento" "Ontologia e Cosmologia".

No Prelo:

"Tratado de Simbólica" "Filosofia da Crise"

COLEÇÃO TEXTOS FILOSÓFICOS — Sob a direcção de Mário Ferreira dos Santos.

"Aristóteles e as Mutações" — Com texto reexposto e comentários de Mário Ferreira dos Santos.

A sair:

Obras completas de Aristóteles Obras completas de Platão Acompanhadas de comentários e notas.

"Don Quixote de Ia Mancha", de Miguel de Cervantes — Ed. ilustrada com as gravuras de Gustave Doré.

A sair:

"Paraíso Perdido", de Milton — Ilustrado com as gravuras de Gustave Doré.

Publicadas:

• Filosofia o Cosmovisão — 2.a edição. • Curso de Oratória e Retórica — 3.a edição.

• Se n Esfinge Falasse(Com o pseudônimo de Dan Ander-

• O Homem que foi um Campo de Batalha — prólogo de "Vontade de Potência" de Nietzsche — Esgotada. son) - Esgotada. • Realidade do Homem — Com o pseudônimo de Dan Anderson.

• Tratado de Economia — edição mimeografada — Esgotada.

• I,ógica e Dialéctica (Incluindo a Decadialéctica) — Esgotada.

• Psicologia.

• O Homem que Nasceu Póstumo. — Temas nietzscheanos.

• Técnica do Discurso Moderno.

• Análise Dialéctica do Marxismo.

• Curso de Integração Pessoal.

• Teoria do Conhecimento (Gnoseologia e Criteriologia).

• Assim Falava Zaratustra — De Nietzsche, com texto explicado e análise simbólica. • Ontologia e Cosmologia (As ciências do Ser e do Cosmos).

• Aristóteles e as Mutações — Reexposição analítieo-didáctica do texto aristotélico, acompanhada da crítica dos seus mais famosos cnmentadores.

No prelo:

• Assim Deus Falou aos Homens — Coletâneas dos trabalhos publicados com pseudônimo de Mahdi Fezzan.

• A Filosofia da Crise. • Tratado de Simbólica.

• Lógica e Dialéctica (incluindo "Decadialéctica") — 2.a ed.

A Publicar:

© "O Homem perante o Infinito". © Psicogênese e Noogênese.

© Noologia Geral.

© Ética.

© Axiologia (A Ciência dos Valores).

© Temática e Problemática Filosóficas. ^

© Teoria Geral das Tensões.

© Dicionário de Filosofia.

© Filosofia e História da Cultura.

© Sociologia Fundamental.

© Psicologia Social.

© Antropologia Cultural.

© Tratado Decadialéctico de Econom-a (reedição ampliada do

"Tratado de Economia"). © Temática e Problemática das Ciências Sociais.

© As três críticas de Kant.

© Hegel e a Dialéctica.

Traduções:

• Vontade de Potência, de Nietzsche — Esgotada. • Aurora, de Nietzsche.

• Além do Bem e do Mal, de Nietzsche.

• Diário íntimo — de Amiel.

• Saudação ao Mundo — de Walt Whitman, com ensaio Introductório — Esgotada.

Aristóteles e as Mutações f^ >J

Texto, com reexposição, acompanhado de notas explicativas e analíticas, por

\í MÁRIO FERREIRA DOS SAtyPOS y &»**£j£i& fe í ístuc* sawfc

Ida ÀJ.Ç-1 —

S. PAULO 1955 l.a edição: abril de 1955

I MU 1MMH BÍPLIOTECA MUNICIPAL

TW. Bento Munhoz ria ocha \etto j-lol ~j | ai/o"*/»?

Introducção — de Mário Ferreira dos Santos

Sinopse de alguns conceitos fundamentais, de Aristóteles sobre temas físicos

A geração e a corrupção na filosofia grega

TEXTO DE ARISTÓTELES Livro I — Com comentários

Comentários especiais ao Livro I, de Mário Ferreira dos Santos

TEXTO DE ARISTÓTELES Livro I — Com comentários

Bibliografia

A visão não apanha o movimento, mas sim uma forma em movimento.

Não é o movimento algo primário e original, mas um resultado.

Também é um resultado o dimensional, e tudo o que é dimensional implica movimento.

Todo o resultado é uma transüividade, porque transita do que era antes da operação, para o que é após a operação.

Também todo movimento é transitividade.

Em todo movimento há a actualização de uma possibilidade, e como o acto é a perfeição da potência, em cada momento de transitividade há sempre um ultrapassar.

O movimento é uma modal da acção transitiva. Esta revela a perfectibilização da potência: o acto, que revela a passagem de um modo de ser para outro, que é uma nova qualificação do ser, que passa de um modo para outro.

Se o reduzirmos à filosofia, podemos dizer, seguindo a posição de Suarez, que o movimento é uma modal. O movimento, deste corpo é algo que é distinto dele, mas que é absolutamente inseparável dele. O estudo das modais, que cabe à Ontologia, mostra-nos que o movimento e a dimensão são apenas modais, modalidades das coisas.

A formação do esquema da dimensão é importante para a compreensão de muitos aspectos do movimento. A disposição das partes em ordem a um todo, permitiu ao homem captar o seu nexo. Se estudarmos etimològicamente o conceito de dimensão, alcançaremos a sua raiz, o qual é aposterioristicamente construído pelo homem (post rem), fundado na sua experiência. Nessa dimensio ou demensio do latim, há sempre o apontar da acção da mente (mens, mentis, mensura, e por conseqüência, medida, captação pensamental do acto de pensar ao comparar pensamentos uns com os outros).

Esse de aumentativo, reforçador, revela-nos que a mente, que actua sempre por acomodação dos esquemas aos factos do mundo exterior ou aos pensamentos, realiza a assimilação pela "assemelhação" do intencionalmente captado com o esquema, também intencional.

12 ARISTÓTELES E AS MUTAÇÕES

Formado o esquema de ordem, e a captação da relação das parles com um lodo, facilmente se é levado ao serial e à formação do concedo de dimensão, que já é sensivelmente conslruido pela ordenação das coisas no mundo exterior.

Dessa forma, vè-se, apesar de tratado em linhas gerais, que cabe à Noologia estudar, que a dimensão implica a medida (mrnsiira) e a ação da mente em comparar pensamenlos captados com pensamentos estruturados em esquemas abslraclo-noélicos. Daí, termos as dimensões tópicas (essa dimensão que se extende localiter, a mensura externa, uolumcn. que é revelada pela ubiquação das coisas do mundo cxlerior, comparadas, postas de par cm par) e que fundam os esquemas das três dimensões do espaço, captadas pelo sciisório-molriz e estruturadas em esquemas abstraclonoélicos pela mente (abstração do quantitativo).

K há outras dimensões, como as qualitativas, as axiológicas e as íensionais, que surgem como esquemas abslraclo-noélicos da comparação das medidas qualitativas pela comparação dos aspectos qualitativos. Estamos, aqui, em plena dimensionalidadc qualitativa, dimensões extrínsecas às espaciais, às do volume, meramente exlensistas. As qualitativas são intensistas, pois nelas predominam os graus, já lautas vezes estudados por nós.

As dimensões, vê-se desde logo, implicam a ordem das parles com o todo, a comparação, e são modalidades das coisas. As dimensões do espaço são modais dos corpos, inseparáveis desses, mas metafisieamente separáveis pela construção dos esquemas noéticos que lhes correspondem, sem que lhes caiba um conteúdo fáctico, subsistente de per si, islo é, com perseidade. Não se dá a profundidade como lal, com um ser subsistente de per si, mas a profundidade cm função de esta ou aquela coisa, sem delas se separar em absoluto.

fcslc é o caracter modal da dimensão das coisas exteriores, (as quantitativas). E como modal também o é a dimensão não tópica, as qualitativas. Para justificar a nossa lese, que em muito nos auxiliará a obter a melhor compreensão do texto aristotélico, examinemos previamente as medidas.

Medir é uma ação que consiste em dar um valor numérico a uni objecío pelo número de vezes que contenha a unidade empregada. A medida quantitativa realiza-se por um melron, como se procede na medida da extensão por uma extensão, que serve de termo da comparação. Compara-se

ARISTÓTELES E AS MUTAÇÕES 13 esta extensão com uma extensão menor, e vê-se quantas vezes a primeira contém a segunda. A medida, portanto, implica o homogêneo ao medido. Medem-se homogeneidades. Quando se trata da extensidade, temos as medidas quantitativas.

Mas quando se trata de qualidades, a medida já não é uma unidade menor. As qualidades são medidas pelas suas perfeições, portanto por um maximum e não por um minimum, como a medida quantitativa. Meço este quarteirão, reduzindo sua extensão (homogeneamente considerada), com um metro (uma extensão menor, homogeneamente considerada). Mede-se o maior pelo menor.

Mas, no qualitativo, mede-se o menor pelo maior Se quero medir este verde, não digo que êle tem dois ou três unidades de verde, mas digo que é mais ou menos verde, comparando-o com o verde perfeito, que é ideal, do qual lenho uma posse virtual, e não actual, como acontece com todas as perfeições, das quais participamos.

Sintetizando:

a) A medida extensiva, (como minimum), abstractamente considerada e despojada da sua heterogeneidade, é a medida da quantidade, porque essa é divisibilidade, enquanto considerada apenas como quantidade (homogênea); b) a qualidade, perfeita em sua série (como maximum, portanto), é a medida da intensidade, apenas como tal, e abstractamente considerada; c) o valor, (como perfeição de sua hierarquia), como máximum, portanto, é a medida dos valores (escalaridade dos valores, mais ou menos); d) a unidade individual, como medida da tensão, que é mensurável e não medível, é tomada qualitativamente e não quantitativamente.

Em suma: A medida é o que nos faz conhecer se uma coisa é maior ou menor, e se é mais ou menos que outra, o que tanto na ordem quantitativa, como na qualitativa, já é um princípio de conhecimento, embora parcial.

Estas palavras, que a seguir reproduzimos, dão clareza ao pensamento exposto até aqui.

"O espírito mede as quantidades por adição, portanto, a unidade quantitativa é um minimum. 0 espírito mede a qualidade por "composição", unindo a um elemento de ordem actual um elemento de ordem potencial, afirmando uma deficiência, e, portanto, a unidade qualitativa é um perfeito, um maximum" (Isaye, pág. 38).

14 ARISTÓTELES E Ag MUTAÇÕES

Para I ornas de Aquino, c lodo gêner0) 0 ser mais perfeito e exemplar e medida dos outroseres do gênero.

Deus e o exemplar de todQS os participam da sua bondade (como bem e bom).

Para êle o efeito tem sua berfeicão própria; seu limite, e o que e, nem mais nem me E* diversos epítetos apresentam (.da essa ausência de exce como de defeitoS, essa moderação esse justo m0„ e daí pcsulta uma or<J uma disposição harmoniosa.

A causa de tal harmonia chamar.se.á medida de seus efeitos. Deus tudo dispôs com medida e, por isso, é medida de tudo.

Tais pensamentos nos podn levar a algmnas digressões que servem nao so para ilustr. & mat6ria que ora batamos, como para oferecer certos da<jQS serão oportunamente esclarecedores. Meditemos so t1 U(,Q t() foi diU) até aqui, e poderemos construir o* seguintes pensamentos:

Em cada instante, há um er é Q melhor de sua sé. ne. Entre todas as macieiras do mundo ha de haver, agora, neste instante, uma que seja fl mais perfeita> a que melhor corresponde, nao apena.* ao esquema abstracto macieira nem apenas ao esquema concreto imanente na maciei- ra, mas a forma, na ordem lniversal do ser. A macieira mais macieira de todas.

Todo gênero tem um têrm e a perfeição do gênero.

E esse termo se da, de facto s e em potência, porque o perfeito de hoje poderá ser pV erado amanhã, pois a per.

feição absoluta da macieira hó*caheria a forma essencial, porque esta e .so macieira.

Estas digressões mais comezinhas a dialectica piatônica que a anstotelica, levar-nos-i fl afirmacão de que um ser que atingisse a perfeição da frma essencial do eidos platô. nico, por exemplo, ou do arfthmós lethog (o numero de conjunto) pitagonco, seria mt. inalcançável. No segundo caso, seria compreensível 0 número da har._ morna pitagonca, os arühmoi harmonikoi sao sempre inde_ fimdos, portanto nunca alcan áyei materiaimente, na sua perteiçao extensista e detiniUVaniente acabada> como a re- laçao entre o diâmetro e a ccunferênci ou a hipotenusa e o quadrado, dao sempre um número indefinido. A forma essencial na ordem ontológica é perfeita e jamais alcançada pela materialidade, que dela potencialmente aproxi- mar-se sempre, como o nume de ourQ pitagorico, que jamais alcança um termo fmitç^

Assim, o esquema concret de um ser ai e aí?ora) esta macieira, .por exemplo, imita a idcia exemplar (na iingua.

ARISTÓTELES E AS MUTAÇÕES i:> gem de Tomás de Aquino), o eidos platônico, a forma escotista, ou o arithmós plethos pitagórico, mas, como imitanlc jamais o repetiria perfeitamente, pois do contrário com ele se identificaria, deixando de ser o ente material, aqui e agora, para tornar-se o ente ideal, não tòpicamente localizável, infinito e perfeito da essência ontológica, que está na ordem do Ser Supremo. Conseqüentemente, a perfeição, como termo final, é a idéia exemplar ontológica (e um teólogo poderia dizer teológica, porque está em Deus) jamais identificada senão formalmente com as coisas, e nunca existencialmente.

Ora, tais digressões exigem outros estudos de metafísica, que não caberiam nesta introdução tratar, mas que apontam, pelo menos, possibilidades pensamentais, e supinamente controversas, que exigem grande subtileza de espírito e idéias muito claras para penetrar num terreno, aparentemente fantasioso para o ignorante de tais assuntos.

E para tornar mais simples o que dizemos, bastaria atentássemos para estes pontos: se esta macieira é macieira é por que nela há o que, pelo qual, ela é isto e não outra coisa. É através de, ou por algo que ela é uma macieira c não uma pereira. E naquela macieira, ali, que é semelhante a esta, também há nela um pelo qual ela é macieira e não outra coisa, que nela também se repete, como naquela primeira. Há, portanto, em ambas, e em todas as macieiras do mundo, algo pelo qual elas são macieiras e não outra coisa, e esse algo é o que os filósofos chamam forma.

Nas macieiras, há uma forma da macieira. Mas essa forma que está nesta, está naquela também. Portanto, essa forma não é algo material, porque o que é material ocupa tun lugar e não poderia estar, simultaneamente, em tantos lugares e tão distantes. Essa forma é uma proporcionalidade intrínseca, uma "ratio", uma estrutura que a ordena como tal, e que se repete, em seu número (que não deve ser apenas considerado quantitativamente, o que é maneira bem grosseira de ver os números, mas também qualitatimente, como os viam os pitagóricos). No ser, o que o constitui ônticamente repete o número, imita-o, como um triângulo qualquer imita a proporcionalidade intrínseca do triângulo (três ângulos, cuja soma é igual a dois ângulos rectos). Posteriormente, o homem constrói desse esquema imanente nos seres um esquema em sua mente, um esquema abstraclo noético, que intencionalmente o repete, com os conteúdos da mente humana, mas que imitam o que há fundamentalmente na coisa. Temos, assim, um esquema concreto, na coisa (//! re) e um esquema abstracto noético, o conceito,

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