2 Editorial
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Um estado da arte sobre a Pedagogia da Alternância no Brasil foi realizado pelos autores Ferrari, vinculada ao Instituto Federal do Espírito e Universidade Federal Fluminense (IFES/UFF) e Ferreira, do Instituto Federal do Amapá e da Universidade Estadual de
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Campinas (IFAP/UNICAMP), relatado no artigo “Pedagogia da Alternância nas produções acadêmicas no Brasil (2007-2013)”. Foram selecionados nesta pesquisa 73 trabalhos, dos quais 63 são dissertações de mestrado e 10 teses de doutorado. De acordo com os autores, os dados comprovaram uma concentração significativa dessa produção acadêmica em instituições da região Sudeste. Corrobora a relação da Pedagogia da Alternância com a Educação do Campo e demonstra a crescente adoção da Alternância em contextos educativos e escolares, com destaques para os Institutos Federais de Ciência e Tecnologia, Universidades Federais e, sua articulação com a Educação de Jovens e Adultos.
Os Movimentos Sociais são destacados por Costa, vinculada a Universidade Federal do Tocantins (UFT) e Caetano, pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O artigo intitulado “Compreendendo os movimentos sociais do campo e o MST: projeto educativo” reforça a discussão sobre práticas da educação do e no campo como possibilidade de provocar emancipação de seus sujeitos mediante as práxis educativas escolares. O objetivo central da pesquisa visa compreender, interpretar e narrar “A emancipação como inédito-viável no projeto da educação do campo”. Os pesquisadores identificaram que o MST qualifica o pensamento freireano ao contemporaneizar a resistência da luta do oprimido nas muitas marchas que a escola pesquisada promove.
Em diálogo com a Educação Popular e com teóricos como Paulo Freire e Habermas, o artigo “Por uma Educomunicação Ciberpopular: Ativismo e Diálogo nas Mídias Digitais”, de autoria do pesquisador Venâncio, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), faz um pertinente diálogo da cultura popular com as mídias contemporâneas, ao analisar espaços para a atuação da educomunicação em uma cultura popular mediada pelo digital popular, o que o autor vai denominar de uma cultura ciberpopular. O objetivo do pesquisador é mostrar como esse cenário pode proporcionar uma educomunicação dialógica e alternativa a partir da constatação da condição dupla do conceito de massificação, bem como da reflexão proporcionada pela educação dialógica freireana e os quatro modelos de ação refletidos a partir da divisão habermasiana de Sistema e Mundo da Vida.
Outro artigo internacional deste número que veio para contribuir com o debate sobre a Educação do Campo, salienta as questões agrárias e agrícolas no contexto africano. Trata-se do trabalho: “Os desafios de educação em Moçambique em relação à questão agrária e agrícola”, de autoria de Macaringue, da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), de Moçambique e, também, pesquisador vinculado a Universidade Federal de Goiás (UFG). O autor relata que, em Moçambique, esse debate é pouco massificado e, desde que o país se tornou independente, há mais de 40 anos, ainda não se conseguiu passar do discurso à prática sobre a importância que se dá em relação à agricultura para o povo moçambicano. O estudo que fecha este número da RBEC intitulado “School based factors affecting learning of Kenyan sign language in primary schools for hearing impaired in Embu and Isiolo counties, Kenya”, do pesquisador queniano Samuel (Kenyatta University), aborda uma pesquisa acadêmica voltada para a inclusão, desenvolvida sobre os fatores escolares que afetam a aprendizagem de Língua de Sinais Queniana nas escolas primárias para os alunos com deficiência auditiva nos municípios de Embu e Isiolo, no interior do Quênia. Assim como os demais artigos publicados neste número da RBEC, este estudo contribui para ampliar o diálogo entre a Educação do Campo com outras áreas da educação, com destaque para a inclusão, tema bastante pertinente no debate acadêmico, importante para a produção e socialização de conhecimento científico na área.
Os artigos reunidos neste número reafirmam o caráter relevante da pesquisa científica no Brasil no que concerne a Educação do Campo, a partir da diversidade de temas abordados e das instituições as quais os autores(as) estão vinculados. São temas que, embora sejam produzidos em diferentes contextos nacionais e internacionais em diálogo com diferentes áreas, corroboram proficuamente a produção de conhecimento em educação, além
Rev. Bras. Educ. Camp. Tocantinópolis v. 1 n. 2 p. 171-176 jul./dez. 2016 ISSN: 2525-4863 176 de ressaltar a necessidade de se ampliar pesquisas que possam contribuir para o avanço da ciência e, consequentemente, para a Pós-Graduação Brasileira.
Gostaríamos de agradecer, novamente, aos(as) autores(as) dos artigos, bem como aos pareceristas e avaliadores ad hoc da Revista Brasileira de Educação do Campo pelo trabalho realizado e emissão de pareceres neste número e ao longo do ano de 2016. Desejamos a todos e a todas boas leituras!
Como citar este editorial / How to cite this editorial
APA: Silva, C., & Araújo, G. C. (2016). Editorial. Rev. Bras. Educ. Camp., 1(2), 171-176.
ABNT: SILVA, C., & ARAÚJO, G. C. Editorial. Rev. Bras. Educ. Camp., Tocantinópolis, v. 1, n. 2, p. 171-176, 2016.
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