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Sumário Novo Testamento

MateusMt
MarcosMc
LucasLc
JoãoJo
AtosAt
RomanosRm
1 Coríntios1Co
2 Coríntios2Co
GálatasGl
EfésiosEf
FilipensesFp
ColossensesCl
1Tessalonicenses1Ts
2Tessalonicenses2Ts
1 Timóteo1Tm
2 Timóteo2Tm
TitoTt
FilemomFm
HebreusHb
TiagoTg
1 Pedro1Pe
2 Pedro2Pe
1 João1Jo
2 João2Jo
3 João3Jo
JudasJd
ApocalipseAp

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Mateus (William Barclay) 2 ÍNDICE

Capítulo 1Capítulo 8 Capítulo 15 Capítulo 2
Capítulo 2Capítulo 9 Capítulo 16 Capítulo 23
Capítulo 3Capítulo 10 Capítulo 17 Capítulo 24
Capítulo 4Capítulo 1 Capítulo 18 Capítulo 25
Capítulo 5Capítulo 12 Capítulo 19 Capítulo 26
Capítulo 6Capítulo 13 Capítulo 20 Capítulo 27
Capítulo 7Capítulo 14 Capítulo 21 Capítulo 28

Prefácio Introdução Geral Introdução a Mateus

Uma vez mais devo começar este prefácio expressando minha mais calorosa gratidão à Comissão de Publicações da Igreja de Escócia, que me permite adicionar outro volume a esta série de comentários bíblicos. Uma vez mais queria agradecer muito especialmente ao Rev. R. G. Macdonald, presidente dessa comissão, e ao Rev. Andrew McCosh, secretário e administrador, pela permanente bondade e o constante estímulo que me ofereceram. Estou muito seguro de que sem sua ajuda e fôlego não tivesse podido seguir produzindo estes volumes da maneira em que o tenho feito.

Queria dizer certas costura a maneira de explicação sobre este volume do Mateus. Se pudesse supor que todos os que o lerão conhecem já os volumes sobre o Marcos e Lucas, certas coisas tivessem podido omitir-se, mas cada um dos livros que integram esta série deve poder lerse independentemente de todos outros, e isto significou que me foi necessário repetir aqui algumas das coisas que já se hão dito nos outros dois volumes sobre os evangelhos sinóticos. Mais ainda, pode parecer que aqui uso muito espaço para cobrir uma seção muito breve do

Mateus (William Barclay) 3 evangelho. Mas deve recordar-se que neste livro estudamos o Sermão do Monte, e o Sermão do Monte está tão no centro mesmo da fé e a vida cristãs, que em quase todas suas partes devi comentá-lo oração por oração, e até palavra por palavra. Estou convencido de que nesta seção do Mateus o estudo detalhado recompensará amplamente a quem esteja preparados para fazê-lo.

É estranho que Mateus não tenha tido sorte com seus comentadores.

O comentário do A. B. Bruce, no Expositor's Greek Testament, ainda arroja luz sobre o texto. o do W. C. Allen, no International Critical Commentary, é mais para o perito que para o leitor geral. Entre todos os comentários sobre o texto grego, o do A. H. McNeille, na série do Macmillan é sem lugar a dúvidas o melhor de todos. O Exegetical Commentary on the Gospel According to Saint Mathew, do Alfred Plummer, é um trabalho sólido e que disposta grande ajuda. O comentário do T. H. Robinson, no Moffat Commentary, é lhe sugira, mas em certo modo superficial. que maior serviço disposta, embora por momentos resulta perturbador, é o do C. G. Montefiore, em sua obra Synoptic Gospels. C. G. Montefiore era um judeu liberal, e portanto sua exegese indevidamente será interessante de um modo particular.

O evangelho segundo São Mateus tem duas grandes características.

É preeminentemente o evangelho do Professor, porque em nenhum outro evangelho encontramos uma compilação tão sistemática dos ensinos do Jesus. E é preeminentemente o evangelho que foi escrito para nos mostrar ao Jesus como o homem que nasceu para ser Rei. Minha oração é que este livro possa contribuir de algum jeito a que compreendamos melhor os ensinos do Jesus, e a que o entronizemos de maneira mais plena como Rei e Soberano em nossas vidas.

William Barclay.

Trinity College, Glasgow, setembro de 1956.

Mateus (William Barclay) 4 INTRODUÇÃO GERAL

Pode dizer-se sem faltar à verdade literal, que esta série de

Comentários bíblicos começou quase acidentalmente. Uma série de estudos bíblicos que estava usando a Igreja de Escócia (Presbiteriana) esgotou-se, e se necessitava outra para substituí-la, de maneira imediata. Fui pediu que escrevesse um volume sobre Atos e, naquele momento, minha intenção não era comentar o resto do Novo Testamento. Mas os volumes se foram acontecendo, até que o encargo original se converteu na idéia de completar o Comentário de todo o Novo Testamento.

Resulta-me impossível deixar acontecer outra edição destas livros sem expressar minha mais profunda e sincera gratidão à Comissão de Publicações da Igreja de Escócia por me haver outorgado o privilégio de começar esta série e depois continuar até completá-la. E em particular desejo expressar minha enorme dívida de gratidão ao presidente da comissão, o Rev. R. G. Macdonald, O.B.E., M.A., D.D., e ao secretário e administrador desse organismo editar, o Rev. Andrew McCosh, M.A., S.T.M., por seu constante estímulo e seus sempre pressente simpatia e ajuda.

Quando já se publicaram vários destes volumes, nos ocorreu a idéia de completar a série. O propósito é fazer que os resultados do estudo erudito das Escrituras possam estar ao alcance do leitor não especializado, em uma forma tal que não se requeiram estudos teológicos para compreendê-los; e também se deseja fazer que os ensinos dos livros do Novo Testamento sejam pertinentes à vida e o trabalho do homem contemporâneo. O propósito de toda esta série poderia resumir-se nas palavras da famosa oração de Richard Chichester: procuram fazer que Jesus Cristo seja conhecido de maneira mais clara por todos os homens e mulheres, que o ame mais entranhadamente e que o siga mais de perto. Minha própria oração é que de alguma maneira meu trabalho possa contribuir para que tudo isto seja possível.

Mateus (William Barclay) 5 INTRODUÇÃO A MATEUS

Os evangelhos sinóticos

Os primeiros três evangelhos, Mateus, Marcos e Lucas, são conhecidos geralmente como os evangelhos sinóticos. A palavra sinótico provém de duas palavras gregas que significam ver conjuntamente. Sinótico significa literalmente "que se pode ver ao mesmo tempo". A razão deste nome é a seguinte. Estes três evangelhos oferecem o relato dos mesmos acontecimentos da vida do Jesus. Em cada um deles há episódios adicionados, ou outros que se omitem; mas em geral o material é o mesmo, assim como é o seu próprio ordenamento. Portanto é possível colocá-los em três colunas paralelas e lê-los simultaneamente, comparando-os entre se ao fazê-lo. Quando se faz isto, resulta bem evidente que estes três evangelhos estão intimamente relacionados. Por exemplo, se compararmos o episódio da alimentação dos cinco mil nos três evangelhos (Mateus 14:12-21, Marcos 6:30-4, Lucas 9:10-17) encontramos a mesma história, narrada quase exatamente com as mesmas palavras. Um exemplo bem evidente desta relação é a história do paralítico (Mateus 9:1-8, Marcos 2:1-12, Lucas 5:17-26). Estes três relatos são tão semelhantes entre si, que até um pequeno "à parte" – "diz então ao paralítico" – aparece nos três, e sempre como uma expressão entre parêntese, exatamente no mesmo lugar. A correspondência entre os três evangelhos sinóticos é tão íntima que nos impõe extrair a conclusão de que, ou os três tomam seus materiais de uma fonte comum, ou dois deles copiam do terceiro.

O primeiro evangelho

Quando nos pomos a examinar mais de perto este assunto, começamos a nos dar conta de que abundam as razões para acreditar que Marcos deve ter sido o primeiro evangelho a ser escrito, e que os outros

Mateus (William Barclay) 6 dois sinóticos, Mateus e Lucas, usam Marcos como base. Marcos pode dividir-se em 105 seções. Destas, 93 aparecem em Mateus e 81 em Lucas. Há somente 4 seções de Marcos que não aparecem em Mateus ou Lucas. Marcos tem 661 versículos – Mateus tem 1068 e Lucas 1149. Mateus reproduz em seu texto nada menos que 806 dos versículos de Marcos; Lucas reproduz 320. Lucas reproduz 31 versículos dos 5 de Marcos que Mateus não usa; deste modo somente há 24 versículos do Marcos que não aparecem em Mateus ou Lucas. Não se trata só da reprodução da substância destes versículos, mas sim aparecem copiados palavra por palavra. Mateus usa 51% das palavras de Marcos: Lucas usa 53%.

Mas há mais ainda. Tanto Mateus como Lucas em geral seguem a ordem dos acontecimentos que encontramos em Marcos. Em alguns episódios Mateus ou Lucas diferem de Marcos quanto à ordem, mas em nenhum caso ambos situam um mesmo acontecimento de maneira diferente de Marcos; sempre, ao menos um deles, segue ao Marcos.

As modificações do texto de Marcos

Visto que tanto Mateus como Lucas são muito mais longos que

Marcos, poderia sugerir-se que Marcos possivelmente seja um resumo dos outros dois. Mas há outro conjunto de fatos que demonstram que Marcos é o primeiro. Tanto Mateus como Lucas manifestam a tendência em melhorar e polir o texto de Marcos, se podemos expressar-nos deste modo. Tomemos alguns exemplos desta tendência. Às vezes Marcos pareceria limitar o poder do Jesus; pelo menos, um crítico com má vontade poderia chegar a essa conclusão. Tomemos três passagens que são o relato de um mesmo episódio:

Marcos 1:34: E ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios.

Mateus 8:16: Com a palavra expeliu os espíritos e curou todos os que estavam doentes.

Mateus (William Barclay) 7

Lucas 4:40: Y él, poniendo las manos sobre cada uno de ellos, los sanaba.

Tomemos outros três exemplos similares: Marcos 3:10: Pois curava a muitos. Mateus 12:15: A todos ele curou. Lucas 6:19: E curava todos. Mateus e Lucas trocam o muitos de Marcos por todos, de tal maneira que não se pode sugerir que o poder de Jesus sofria de limitações.

Marcos 6:5-6: Não pôde fazer ali nenhum milagreAdmirou-se da

Há uma mudança muito similar no relato de tais acontecimentos da visita de Jesus a Nazaré. Comparemos os textos de Marcos e Mateus. incredulidade deles.

Mateus 13:58: E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.

Mateus não quer dizer que Jesus não pôde fazer milagres e muda a forma da expressão de maneira tal que não seja possível imputar limitações ao poder de Jesus.

Às vezes Mateus e Lucas deixam de lado pequenos toques do

Marcos que poderiam interpretar-se como defeitos de Jesus.

dureza do seu coração

Mateus e Lucas omitem três afirmações do Marcos: Marcos 3:5: Olhando-os ao redor, indignado e condoído com a

Marcos 3:21: E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

Marcos 10:14: Jesus, porém, vendo isto, indignou-se. Mateus e Lucas vacilam antes de atribuir a Jesus as emoções humanas de ira e tristeza, e se estremecem ao pensar que alguém pôde ter sugerido sequer que Jesus estava louco.

Às vezes Mateus e Lucas alteram ligeiramente o texto de Marcos para eliminar afirmações que poderiam dar uma má impressão dos apóstolos. Podemos tomar um exemplo desta tendência no episódio em

Mateus (William Barclay) 8 que Tiago e João procuram assegurar-se de que terão os primeiros postos no Reino de Deus vindouro. Comparemos as introduções a esta historia em Marcos e em Mateus:

Marcos 10.35: Então, se aproximaram dele Tiago e João, filhos de

Zebedeu, dizendo-lhe:

Mateus 20:20: Então, se chegou a ele a mulher de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pediu-lhe um favor.

Mateus vacila em atribuir uma motivação ambiciosa diretamente aos dois apóstolos, e a atribui à mãe deles.

Tudo isto estabelece com clareza que Marcos é o primeiro dos evangelhos. Marcos oferece uma narração simples, vívida, direta: mas Mateus e Lucas já começaram a ser afetados por considerações de ordem doutrinal e teológica, que os fazem muito mais cuidadosos em sua maneira de expressar o que dizem.

Os ensinos de Jesus

Vimos que Mateus tem 1068 versículos e Lucas 1149 e que entre os dois reproduzem 582 dos versículos do Marcos. Isto significa que em Mateus e Lucas há muito mais material de que contém e pode oferecer Marcos. Quando examinamos estes versículos adicionais nos damos conta de que mais de 200 são quase idênticos. Por exemplo, são virtualmente iguais entre si passagens como Lucas 6:41-42 e Mateus 7:3- 5; Lucas 10:21-2 e Mateus 1:25-27; Lucas 3:7-9 e Mateus 3:7-10. Mas também notamos que há uma diferença. O material que Mateus e Lucas extraíram de Marcos se ocupa quase em sua totalidade de narrar acontecimentos da vida de Jesus; mas os 200 versículos que Mateus e Lucas têm em comum além dos que extraíram de Marcos é que estão compostos totalmente de ensinos do Jesus; estes versículos nos falam nem tanto do que Jesus fez mas sim do que disse.

Fica claro que estes 200 versículos estão tomados de uma fonte comum que os dois possuíram, na qual estavam contidos os ensinos do

Mateus (William Barclay) 9

Jesus. Este livro não existe na atualidade; mas os eruditos lhe deram o nome de Q, letra que representa a palavra Quelle, que em alemão significa fonte. Em sua época deve ter sido um livro de extraordinária importância, porque foi o primeiro manual com os ensinos de Jesus.

O lugar de Mateus na tradição evangélica

Aqui chegamos a Mateus, o apóstolo. Os eruditos concordam em afirmar que o Evangelho segundo São Mateus, tal como o temos na atualidade, não provém diretamente da mão de Mateus. Quem tem sido testemunha ocular da vida de Cristo não precisa usar Marcos como fonte para narrá-la, coisa que ocorre em Mateus. Mas um dos primeiros historiadores da Igreja, um homem chamado Papias, oferece-nos a seguinte informação, de enorme importância: "Mateus colecionou os ditos de Jesus em língua hebréia." Deste modo, podemos acreditar que não foi nada menos que Mateus, o apóstolo, quem colecionou esse primeiro manual com os ensinos de Jesus, obra da qual dependem todos os que querem saber quais foram os ditos do Mestre. E por causa da grande quantidade de materiais desta fonte que aparecem incorporados ao Mateus é que o evangelho recebeu este nome. Devemos estar eternamente agradecidos ao Mateus, quando recordamos que graças a ele possuímos o Sermão do Monte e quase tudo o que sabemos sobre os ensinos de Jesus. Em geral, pode dizer-se que devemos a Marcos quase tudo o que sabemos sobre os fatos da vida do Jesus, mas que graças a Mateus conhecemos a substância dos ensinos de Jesus.

Mateus, o coletor de impostos

Sabemos muito pouco sobre a pessoa de Mateus. Em Mateus 9:9 lemos a história de seu chamado. Sabemos que era coletor de impostos e que portanto deve ter sido uma pessoa profundamente odiada, porque os judeus odiavam aos membros de sua própria nação que tinham entrado

Mateus (William Barclay) 10 ao serviço civil de seus conquistadores. Mateus deve ter sido considerado um traidor de sua própria raça e povo. Mas sem dúvida possuía um dom. A maioria dos discípulos eram pescadores. Sua habilidade para expressar-se por escrito deve ter sido muito reduzida. Mas Mateus era sem dúvida um perito neste campo. Quando Jesus o chamou, estando ele sentado no banco de cobrador de impostos, Mateus se levantou e o seguiu deixando tudo, exceto uma coisa, sua pena. E usou nobremente sua habilidade literária ao converter-se no primeiro homem que compilou os ensinos de Jesus.

O evangelho dos judeus

Vejamos agora quais são as principais características do evangelho do Mateus, de tal modo que possamos tê-las pressente quando o lermos. Em primeiro lugar e sobre tudo Mateus é o evangelho que foi escrito para os judeus. Foi escrito por um judeu para convencer aos judeus. Um dos grandes objetivos de Mateus é demonstrar que todas as profecias do Antigo Testamento se cumprem em Jesus e que, portanto, deve ser o Messias. Há uma frase que o percorre totalmente, como tema que volta a aparecer vez por outra: "Tudo isto foi feito para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta, dizendo:…" Esta frase aparece 16 vezes no evangelho. O nascimento e o nome do Jesus são o cumprimento de profecias (1:21-23) o mesmo ocorre com a fuga ao Egito (2:14-15), a matança dos inocentes (2:16-18), a volta e a permanência de José em Nazaré e a infância de Jesus nesse lugar (2:13), o uso que Jesus fez de parábolas (13:34-35), a traição por trinta moedas de prata (27:9), o sorteio da roupa de Jesus enquanto estava pendurado na cruz (27:35). O propósito primitivo e deliberado de Mateus é demonstrar como as profecias do Antigo Testamento se cumprem em Jesus; como os profetas anteciparam cada um dos detalhes da vida do Jesus; e deste modo levar aos judeus a admitir que Jesus era o Messias.

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