Apostila de Equipamentos Digitalizada-Tadeo-Jaworski

Apostila de Equipamentos Digitalizada-Tadeo-Jaworski

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A pretensão deste trabalho é a de difundir informações que foram obtidas ao longo de vários anos e, que dizem respeito a equipamentos mecanizados.

Parte da coleta de dados ocorreu nos estágios realizados, em visitas a fábricas e na em cursos técnicos de operação e manutenção de equipamentos.

Outros conhecimentos foram conseguidos através de estudos em publicações técnicas, estudos que se fizeram necessários para serem aplicados na forma de aulas ministradas na disciplina Equipamentos de Construção e Conservação, do Curso de Engenharia Civil, código T – 407, da UFPR.

Os temas expostos atendem ao programa da disciplina citada, quanto ao emprego e rendimento dos equipamentos de escavação, compactação e transporte horizontal de materiais.

De uma maneira condensada são apresentadas definições, conceitos, indicação de uso, recomendações de fabricantes, usuários, entidade normativas e a forma de obtenção da produção horária dos equipamentos analisados.

O autor recomenda uma consulta às fontes citadas nas referências bibliográficas se for necessário um exame mais aprofundado da matéria.

Curitiba, 20 de março de 1997. Eng. Civil Tadeo Jaworski

I. PREFÁCIO2
1.0. CONSIDERAÇÕES GERAIS4
1.1. DEFINIÇÕES4
1.2. CLASSIFICAÇÃO4
1.3. POTÊNCIA DE UM MOTOR5
1.4. FORÇA DE TRAÇÃO6
1.5. MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA7
1.6 COMBUSTÍVIEIS13
1.7 LUBRIFICANTES15
2.0. PRODUÇÃO DE UM EQUIPAMENTO17
2.1. EMPOLAMENTO E COMPACTAÇÃO18
2.2 RESISTÊNCIA AO ROLAMENTO20
2.3 RESISTÊNCIA DE RAMPA21
2.4. INFLUÊNCIA DA ALTITUDE2
2.5 ADERÊNCIA24
2.6 EFICIÊNCIA DE TRABALHO26
2.7. TEMPO DE CICLO26
3.0. MÁQUINAS TRATORAS28
3.1. TRATORES DE ESTEIRA28
3.2. TRATORES DE RODAS30
4.0. EQUIPAMENTO DE ESCAVAÇÃO30
4.1. EQUIPAMENTO ESCAVADOR DESLOCADOR30
4.2 EQUIPAMENTO ESCAVADOR TRANSPORTADOR37
4.3. EQUIPAMENTO NIVELADOR – NIVELADORAS4
4.4. EQUIPAMENTO ESCAVADOR ELEVADOR – ESCAVADEIRAS47
4.5. EQUIPAMENTO ESCAVADOR CARREGADOR - PÁ CARREGADEIRA57
5.0. ASSOCIAÇÃO DE UNIDADES62
6.0. ESCARIFICADORES6
7.0. ORGANIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS EM GRUPOS67
7.1. TERRAPLENAGEM COM BOTA FORA – ESTUDO DE CASO 167
7.2. DRAGAGEM COM BOTA FORA – ESTUDO DE CASO 278
7.3. COMPARAÇÃO DE EQUIPAMENTOS CONGÊNERES83
8.0. EQUIPAMENTOS DE COMPACTAÇÃO84
8.1. INTRODUÇÃO84
8.2. COMPACTAÇÃO DE SOLOS85
8.3. TÉCNICAS DE COMPACTAÇÃO85
8.4. PROCESSOS DE COMPACTAÇÃO8
8.5. EQUIPAMENTOSUTILIZADOS89
8.6. PRODUÇÃO HORÁRIA DE COMPACTADORES89
8.7. NÚMERO DE PASSADAS EM PISTA TESTE100
8.8. CONCRETO COMPACTADO A ROLO102
8.9. ESTUDO DE UMA COMPACTAÇÃO103
9.0. EQUIPAMENTOS PARA TRANSPORTE106
9.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS106
9.2. CLASSIFICAÇÃO107
9.3. CAMINHÕES COMUNS108
10.0. CONCLUSÕES120
I. ANEXOS121
I.1. FATORES DE CONVERSÃO121
I.2. PROGRAMAS121

1.0. CONSIDERAÇÕES GERAIS

1.1. DEFINIÇÕES

Máquina: é todo o aparelho que pode produzir um movimento ou por em ação uma forma de energia;

Implemento: é qualquer conjunto que complete uma máquina para a execução de um serviço específico;

Equipamento: máquina ou agrupamento formado por duas ou mais máquinas ou máquina(s) e implemento(s) destinado(s) à execução de um determinado serviço;

Acessório: peça ou conjunto de peças, não essencial à operação do equipamento e que contribui para ao maior conforto segurança ou rendimento operacional do mesmo;

Ferramenta de ataque: conjunto de peças que entram em contato direto com o material trabalhado, na execução de um serviço específico;

Peça: parte ou elemento unitário de máquina, de implemento, ferramenta de ataque ou acessório;

Conjunto: agrupamento integrado de peças com função específica; Instrumento: aparelho de medição e/ou controle; Sistema: agrupamento de conjuntos para fins específicos, podendo ou não, Observação: as definições acima foram extraídas da terminologia brasileira TB -51.

1.2. CLASSIFICAÇÃO

Quanto a sua finalidade, a máquina e o equipamento destinado a construção civil, pose ser classificado em dois grupos: motriz e operatriz.

Máquina motriz: é toda a máquina que produz a energia necessária à produção do trabalho. Como exemplos, podem ser citados: o trator, o compressor de ar, o gerador elétrico e outros equipamentos.

Equipamento operatriz: é aquele que acionado pela máquina motriz, possui implemento(s) que realiza(m) o serviço desejado. Como exemplo, podem ser mencionados: a motoniveladora, o trator de esteira dotado de lâmina frontal, a pá carregadeira e outros equipamentos do gênero.

De acordo como emprego, as máquinas e os equipamentos podem ser classificados da seguinte forma:

- Tratores; - Equipamentos de escavação;

- Equipamentos de transporte;

- Equipamentos de compactação;

- Equipamentos de desagregação de solos;

- Equipamentos de esgotamento de líquidos;

- Equipamentos de fragmentação de rochas;

- Máquinas e equipamentos auxiliares.

1.3. POTÊNCIA DE UM MOTOR

Como definição, potência de um motor é o trabalho por ele realizado em um determinado intervalo de tempo.

A potência pode ainda ser definida de outras formas pelos fabricantes de motores e instituições normativas, em função de vários fatores intervenientes em sua determinação, como sejam as condições ambientais, colocação ou não de acessórios e outros.

No quadro abaixo são apresentadas as condições ambientais estabelecidas com padrão, na determinação de potências:

Método/condições PMB - 749 SAE JS 816 DIN 6270 Pressão atmosférica 736 m Hg 746 m Hg 736 m Hg Temperatura do ar 20° C 29° C 20° C Umidade relativa do ar 60% 64% 60%

Potência máxima do motor: (maximum engine horse power) é a potência máxima que um motor básico é capaz de produzir em condições ambientais adotadas com padrão.

Potência líquida do motor: (net horse power) é a potência que um motor instalado em uma máquina pode produzir, nas condições normais de trabalho e ambientais adotadas como padrão, estando deduzida a potência absorvida pelos acessórios.

Potência ao freio: (brake horse power) é a potência desenvolvida no eixo motor

(volante), nas condições ambientais adotadas como padrão, determinada pelo freio de Prony ou outro dispositivo similar de prova. É conhecida também, como Potência Efetiva.

Se na determinação da potência ao freio forem consideradas as perdas causadas pelos acessórios normais do motor é obtida a Potência Líquida.

Potência na barra de tração: (drawbar horse power) fornece a potência disponível na barra de tração dos equipamentos que possuem movimento de deslocamento próprio.

Máxima potência efetiva líquida (ABNT): deve ser entendida como a maior potência disponível na tomada de potência (volante), para a produção dos componentes necessários ao seu funcionamento autônomo, conforme a sua aplicação.

Potência efetiva máxima (ABNT): deve ser entendida com a maior potência bruta do motor básico, de série, com apenas os componentes essenciais a sua operação.

Potência disponível: é a potência que um equipamento tem para execução de trabalho e corresponde a potência que se dispõe na barra de tração.

Potência necessária: é, como o nome indica, a potência necessária para a execução de um serviço. Deve ser inferior à disponível. Os principais fatores que determinam esta potência são: resistência ao rolamento e resistência de rampa.

Potência útil: é a potência que vai ser absorvida, efetivamente, na execução de um trabalho. Deve ser verificada em função de fatores tais, como: aderência ao terreno e altitude de trabalho.

A Figura 1 mostra como podem variar as grandezas da potência de um trator do tipo agrícola.

Figura 1 – Variação de potências para um trator agrícola 1.4. FORÇA DE TRAÇÃO

Para se saber, se um equipamento pode se locomover em um terreno em função das condições de serviço, como são resistência ao rolamento, resistência de rampa, altitude do local e aderência ao terreno, devem ser conhecidas as forças opostas ao movimento e comparadas estas, às forças de tração disponíveis nas diversas marchas do sistema de tração.

Pode-se assim determinar a maior velocidade de trabalho possível, para fins de obtenção do tempo de ciclo do equipamento em exame.

Gráficos fornecidos pelos fabricantes de equipamentos indicam nas ordenadas as forças de tração e nas abcissas as velocidades correspondentes em cada marcha. Figura 2.

Na falta de gráficos, a força de tração pode ser determinada em função da potência na barra de tração e a velocidade de deslocamento da máquina, da forma como segue.

Figura 2 - Exemplo de gráfico fornecendo as curvas de marchas, velocidades e forças de tração

1.5. MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA

Motor: denomina-se o motor ou a máquina motriz, a todo o aparelho destinado a transformar uma energia de certa espécie em energia mecânica.

Os motores que transformam energia calorífica em energia mecânica são chamados de motores ou máquinas térmicas.

Classificação dos motores térmicos:

a) Motores de combustão externa a.1. Máquinas a vapor; a.2. Turbinas a vapor.

b) Motores de combustão interna b.1. Motores de combustão interna, propriamente ditos; b.2. Motores a explosão; b.3. Turbinas a gás; b.4. Motores a reação.

Motores de combustão externa: aproveitam o vapor da água como fonte de energia secundária. A primária vem do calor necessário ao aquecimento da água e conseqüente produção do vapor.

Motores de combustão interna: são aqueles que utilizam a combustão rápida ou gradual de um combustível como processo de produção de energia mecânica.

Motores de combustão interna, propriamente ditos: (tipo diesel) nesses motores o combustível é pulverizado sob grandes pressões dentro da câmara de combustão, onde entra em ignição ao ficar em contato com o ar comprimido que atingiu elevada temperatura.

Motores a explosão: (tipo a gasolina ou álcool etanol) nesses motores a mistura (ar + combustível) é, moderadamente, levada a compressão e é inflamada por uma faísca elétrica, de uma forma rápida ou explosiva.

Os motores à diesel e à gasolina (ou álcool etanol) são assemelhados no seu formato externo, em peças como êmbolos, bielas, árvores de manivela e em outras partes. Em ambos os tipos de motores, a pressão que resulta da ignição do combustível com o ar, atuando na parte superior do êmbolo, provoca seu deslocamento de uma posição extrema superior (ponto morto superior ou PMS) até outra posição extrema inferior (ponto morto inferior ou PMI).

Esse movimento transmite uma força ao pino do êmbolo e este à biela e esta à árvore de manivelas.

A diferença básica entre os motores de combustão interna (diesel) e os eu motores a explosão (gasolina e álcool etanol) reside na forma com que o ar e introduzido para o interior da câmara de combustão no tempo de admissão. Nos motores tipo diesel, somente o ar é admitido nesse tempo e nos motores a explosão é admitida uma mistura de ar e combustível.

Taxa de compressão

A relação entre o volume total da câmara de combustão, quando o êmbolo encontra-se no PMI e o volume da câmara ao ficar o êmbolo no PMS, fornece a taxa de compressão.

Nos motores a gasolina a taxa de compressão é igual ou inferior a 8:1 e nos motores a diesel pode estar com as taxas entre 16:1 a 2:1.

Figura 3 – Corte esquemático do pistão

Nos motores a álcool etanol a taxa de compressão é superior a de motores a gasolina, tendo em vista ser o álcool menos detonante que a gasolina.

Exemplo numérico:

Qual é a taxa de compressão de um motor a gasolina, sabendo-se que o êmbolo acha-se no ponto morto inferior, o volume da câmara é de 6 0 cm3 e quando o êmbolo atinge o ponto morto superior o volume da câmara se reduz para 1 0 cm3.

Elementos essenciais de um motor

No desenho em corte de um motor a gasolina podem ser vistos os seus elementos essenciais, a saber: Cilindro: situado no corpo do bloco, pode ser usinado no próprio bloco ou ser inserido nele (camisa removível). Apresenta o cilindro uma superfície interna finamente acabada, lisa e sua seção transversal é perfeitamente circular.

Êmbolo e anéis: o êmbolo é alojado no interior do cilindro e possui entalhes onde são alojados anéis de aço que têm duas finalidades básicas. Primeira: evitar a fuga dos gases produzidos no tempo motor (anéis de compressão). Segunda: impedir a penetração do óleo lubrificante no interior da câmara de combustão (anéis de óleo).

Outras denominações dadas ao êmbolo: pistão e pistom.

Figura 4 – Desenho, em corte, de um motor a gasolina

Biela: a biela estabelece a ligação entre o êmbolo e a árvore de manivelas, permitindo que o êmbolo execute um movimento alternado.

Árvore de manivelas: (também chamada de virabrequim e girabrequim), peça que recebe a força de pressão do tempo motor pela biela e transforma o movimento de alternado em circular.

Volante: regulariza o movimento circular da árvore de manivelas, absorvendo

Hastes válvulas: forçadas pelo eixo comando (eixo de ressaltos), abrem as válvulas de admissão e exaustão em instantes sincronizados.

Eixo comando: (eixo de válvulas ou eixo de ressaltos), é ligado a árvore de manivelas através de engrenagens (ou correntes ou ainda através de correias dentadas de borracha). Cada ressalto do eixo comando aciona uma válvula por intermédio de uma haste e um balancim.

Molas de válvulas: pressionam as válvulas contra suas sedes, para proporcionar o fechamento da câmara de combustão.

Cabeçote: não faz parte integrante do bloco, porém é a ele ligado por intermédio de parafusos e porcas. A vedação entre peças, bloco e cabeçote é feita com a chamada “junta do cabeçote”.

Cárter do motor: é um compartimento metálico que torna estanque a parte inferior do bloco, sendo usado como reservatório de óleo lubrificante do motor.

Bloco do motor: é a peça na qual são montadas as demais, formando assim o conjunto do motor.

Poderiam ser citados ainda os condutos de entrada de ar e os de saída de gases, o sistema de lubrificação, o sistema de refrigeração, no motor a gasolina o sistema de ignição e carburação; nos motores diesel o sistema de alimentação, composto pela bomba injetora e bicos injetores.

Cilindrada de um motor: é o volume em centímetros cúbicos deslocado por um êmbolo (do PMI ao PMS), multiplicado pelo número de cilindros de que dispões este motor.

é conhecido como um motor 1.8

Exemplo: se um motor de quatro cilindros desloca um volume de 450 cm3 em cada cilindro, esse motor tem uma cilindrada correspondente a 1.800 cm3 e vulgarmente

A comparação de cilindradas entre motores é uma forma de comparação de potências porquanto a maior cilindrada corresponde, em geral, a uma maior potência.

Comparação entre motores:

Motores a explosão Motores de combustão interna Queima de combustível por explosão Por combustão gradual Menor relação peso/potência Maior relação Menor taxa de compressão Maior taxa Mais rápida aceleração Menos rápida Menos robustos Mais robustos

Menor aproveitamento calorífico do combustível (2%) Maior aproveitamento (28%)

Mais fácil manutenção Mais difícil Maior consumo de combustível Menor consumo

Observação: a comparação é válida em todos os itens, para motores de mesma potência.

Ciclo de Força

A seqüência completa de quatro operações ou tempos (com admissão, compressão, tempo motor e exaustão) que se verificam no interior de um cilindro do motor, para se obter um impulso de força, proveniente da expansão dos gases da combustão, denomina-se: ciclo de força. Ver fig. 5.

Figura 5 – Ciclo de força em motor de 4 tempos.

Dependendo do princípio de funcionamento do motor, o ciclo de força pode ser realizado de duas maneiras:

a) Um impulso de força para cada quatro passeios completos do êmbolo (referidos entre os pontos PMS e PMI), ou seja, a correspondência a duas voltas completas da árvore de manivelas, sendo nesse caso o motor denominado de motor à quatro tempos; b) Um impulso de força para cada dois cursos completos do êmbolo, correspondendo a uma volta completa da árvore de manivelas, sendo nesse caso o motor de nominado de motor à dois tempos. Ver fig. 6.

A figura 6-a mostra o início do tempo motor, após meia volta da árvore de manivelas e um passeio do êmbolo, se processa o tempo de admissão e o tempo de exaustão. Fig. 6-b. O tempo de compressão é visualizado na fig. 6-c, quando a árvore de manivelas completa outra meia volta.

Os motores de dois tempos quando comparados com os de quatro tempos e de mesma cilindrada, apresentam maior potência, menor número de peças e menor peso. Tem uma menor vida útil devido ao fato de trabalharem com maiores rotações. O seu sistema de lubrificação é de menor eficiência porquanto quase todos os motores de dois tempos utilizam o óleo lubrificante em mistura direta com o combustível.

Figura 6 – Funcionamento do motor de dois tempos Torque Motor

O torque de um motor é diretamente relacionado com a potência que o mesmo desenvolve e inversamente com a rotação de sua árvore de manivelas. É um fator de qualidade na comparação de motores de mesma potência, pois são preferidos os motores que possuam maior torque e menor RPM.

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