Manejo Pragas Milho Bt

Manejo Pragas Milho Bt

INSTITUTO FEDERAL GOIANO – CÂMPUS RIO VERDE

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS

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MANEJO DE PRAGAS NO MILHO Bt

Professor: Dr. Alessandro Guerra da Silva

Disciplina: Cultura de gramíneas

Autor: Orlando Costa Pina Filho

RIO VERDE - GO

FEVEREIRO 2015

RESUMO

PINA FILHO, O. C. Revisão: Manejo de pragas no milho Bt, 2015.Seminário apresentado à disciplina Cultura de Gramíneas, Prof. Dr. Alessandro Guerra Silva – I. F. Goiano Campus de Rio Verde - Doutorado em Ciências Agrárias.

Os agricultores dispõem de nova alternativa de controle de praga utilizando híbridos transgênicos para a cultura do milho. Entre as espécies do gênero Spodoptera, 15 são consideradas de importância econômica para diversas culturas, sendo alvo do manejo com a tecnologia Bt. O mecanismo de ação deste manejo ocorre quando ao se alimentar com a folha de milho Bt, a praga ingere uma proteína que sofre modificação no seu intestino (pH ácido) provocando a ruptura da membrana celular das células do intestino. O produtor ao adotar a tecnologia Bt deve cumprir duas regras: a da coexistência que define uma distância de 100 m da lavoura convencional ou 20 m com plantio de faixas com híbrido convencional de mesmo ciclo e porte; e o Manejo da Resistência de Insetos (MRI) que deve ser efetuado com a implantação de uma área de refúgio com distância máxima de 800 m, correspondendo a 10% da área plantada com transgênicos. Com a tecnologia Bt é efetuado o controle populacional da lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda), broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis) e a lagarta-da-espiga do milho (Helicoverpa Zea). Pragas como lagarta-elasmo, percevejo, cigarrinha, tripés, pulgões e larva-alfinete o controle ainda deve ser efetuado utilizando produtos químicos via sementes e aplicações foliares. Muitos são os benefícios quando se utiliza a tecnologia Bt, porém o seu uso de forma inadequada pode levar a quebra da resistência pela praga. O programa de manejo integrado é necessário para que a tecnologia funcione por muitos anos.

Palavras-chave: Spodoptera frugiperd, pragas, controle, manejo, milho Bt

  1. REVISÃO

A utilização de plantas transgênica com atividade inseticida representa uma nova alternativa para o agricultor. Visa minimizar danos causados por insetos-pragas em lavoura de milho, contribuindo para o manejo e controle. Porém seu uso deve ser efetuado com rigoroso critério técnico, sem o qual pode haver perca da resistência e ineficiência da tecnologia.

As espécies do gênero Spodoptera são amplamente distribuídas no mundo, dentre as 30 espécies catalogadas, quinze são consideradas pragas de variadas culturas de importância econômica. A praga Spodoptera frugiperda é a que mais se destaca tendo como alimento 80 espécies de plantas, incluindo o algodoeiro, o milho e a soja (BARROS et al., 2010; CAPINERA, 2008). Por não apresentar diapausa, S. frugiperda é uma praga de ocorrência sazonal nas áreas de clima temperado, e sob temperatura mais altas, pode produzir até 13 gerações por ano no milho (AFONSO et al., 2009). No Brasil a importância da praga para a cultura do milho pode ser verificada com incidência média relatada de até 96% de infestação nas espigas (FIGUEIREDO, et al., 2006). Historicamente a principal medida de manejo de S. frugiperda no Brasil tem sido o controle químico. Contudo o comportamento larval de S. frugiperda que se alimenta e se protege no cartucho das plantas de milho, limita significativamente a eficiência desse método de controle (COSTA et al., 2005).

O mecanismo de ação do controle biológico, através da transgenia, ocorre quando as lagartas ingerem uma proteína na forma de cristais. Os cristais de B thuringiensis ao serem ingeridos pelas larvas dos insetos suscetíveis, sofrem ação do pH intestinal (ácido) e de proteases, que solubilizam o cristal. Então, ocorre a aderência da toxina Cry aos receptores localizados na membrana apical do tecido epitelial do intestino da larva, criando canais de íons ou poros, promovendo a quebra do equilíbrio osmótico celular que se intumesce (CARNEIRO et al., 2009).

Para o controle de pragas, adotando a tecnologia Bt, não basta apenas utilizar as sementes e pronto. O produtor deve adotar o Manejo da resistência de Insetos (MRI), recomendado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Para a implantação do MRI, recomenda-se o uso de uma área de refúgio correspondendo a 10% do total plantado com material transgênico em diversos arranjos de acordo com a área de lavoura. A área de refúgio não pode ficar distante a mais que 800 m daquela com plantas transgênicas (MENDES et al., 2011; ARAÚJO et al., 2012; MACHADO & FIUZA, 2011).

Essas recomendações são adotadas no intuito de sincronizar os cruzamentos dos possíveis adultos sobreviventes na área de milho transgênico, com aqueles suscetíveis emergidos na área de refúgio, evitando o desenvolvimento de populações de pragas resistentes às toxinas Bt. Em grandes áreas de plantio pode ocorrer seleção de biótipos com tolerância à proteína, tornando-a resistente (RESENDE et al., 20140).

Trabalho realizado com S. frugiperda rotulado, foi observado a captura de adultos deste inseto a diversas distâncias em relação ao ponto de soltura. Deste modo 47,4% dos insetos foram recapturados distante 223,6 m do ponto de liberação. A distância de 806 m foi a mais longa observada. Mais de 90% dos adultos de D. grandiosella foram recapturados na faixa de 300 m do ponto de soltura (QURESHI et al., 2006).

Zancanaro et al., (2012) comparando a adoção de refúgio pela mistura de sementes não transgênica no saco em diferentes proporções (tecnologia de refúgio no saco RIB), constatou que ela é interessante como alternativa para o controle de lagartas que atacam a cultura do milho, podendo substituir o método tradicional de refúgio utilizado atualmente.

A utilização da tecnologia Bt tem como objetivo controlar a lagarta-do-cartucho do milho (S. frugiperda), a lagarta-da-espiga do milho (Helicoverpa Zea), e a broca da cana-de-açúcar (D. saccharalis). O controle de pragas como coró, larva-alfinete, lagarta-elasmo, percevejos, cigarrinha, trípes e pulgões ainda não pode ser efetuado utilizando a tecnologia Bt, sendo necessário o tratamento de sementes e ou aplicações foliares com inseticidas (MENDES et al., 2011).

As principais vantagens do uso da tecnologia Bt no manejo de pragas na lavoura de milho são as reduções de perdas, proporcionando maior produção, e redução na aplicação de inseticidas, principalmente os largo espectro, favorecendo a manutenção de inimigos naturais (LOURENÇÃO et al., 2013). Araújo et al., (2011) avaliando a flutuação populacional de S. frugiperda, D. saccharalis e do inimigo natural D. luteipes, em milho convencional e Bt na safrinha, constatou a regulação natural da população de S. frugiperda por D. luteipes. Neste contexto, deve-se levar em consideração a presença do inimigo natural D. luteipes antes de se adotar qualquer medida de controle destas pragas no milho.

Mesmo com o uso de todas as táticas de controle de pragas, tem aumentado cada vez mais a importância do manejo adequado do sistema de produção, visando à preservação dos inimigos naturais presentes nas lavouras de milho (FIGUEIREDO et al., 2009). A falta de produtos seletivos para uso em situação de emergência no controle da lagarta-do-cartucho é um dos grandes desafios para o manejo integrado e preservação do controle biológico das pragas. Além de não existir critérios para o estabelecimento de dano econômico em função da densidade populacional dos inimigos naturais para a tomada de decisão (WAQUIL et al., 2008; WAQUIL et al., 2010).

A rápida adoção da tecnologia Bt pelos produtores provoca a expressão contínua das proteínas inseticidas durante todo o ciclo das plantas, isto representa ameaças a sua durabilidade pela forte pressão de seleção sobre os insetos-pragas (HUANG et al., 2011; TABASHNIK et al., 2008). O alcance dos benefícios econômicos com o uso da tecnologia Bt para o agricultor ocorrerá mediante o emprego adequado das recomendações dos órgãos de pesquisa e empresas detentoras da tecnologia, respeitando a legislação (LOURENÇÃO et al., 2009). Para a lagarta-do-cartucho, tanto no milho como em outras culturas transgênicas, um programa intensivo de monitoramento de resistência e a adoção de medidas alternativas com um forte componente biológico, serão fundamentais para reduzir a densidade populacional da praga e os prejuízos por ela causados (WAQUIL et al., 2010). O monitoramento da infestação das plantas é importante, pois dependendo do híbrido utilizado e da infestação, o produtor deverá adotar medidas de controle complementares (MENDES et al., 2011).

Avaliando a eficiência de híbridos de milho convencional e transgênico Lourenção et al. (2009), observaram a presença da lagarta-do-cartucho em todas as áreas. Isto indica que em altas infestações da praga, caso não seja efetuado o manejo com agroquímicos, pode haver danos econômicos irreparáveis. Deste modo, o manejo adequado da tecnologia no controle de pragas do milho, implica em evitar a evolução destas para a resistência. Mantem a eficácia tecnológica por maior tempo, reduz o uso de inseticida e evita a contaminação ambiental.

Michelotto et al. (2011); Araújo et al. (2011) observaram que para os híbridos de milho não Bt a percentagem de espigas com danos promovidos pela lagarta-da-espiga foi de 35,4%, enquanto que nos híbridos Bt não foram observadas espigas danificadas independentemente da época de avaliação, safrinha ou verão. O híbrido Bt proporcionou maior massa de grãos por espigas, e maior rendimento médio de produção.

  1. CONCLUSÃO

O manejo utilizando tecnologia com híbridos transgênicos é uma importante arma no controle de pragas na cultura do milho. Porém a adoção e utilização desta tecnologia pela maioria dos produtores provoca uma expressão contínua das proteínas inseticida. O seu uso de forma inadequada, pode levar a quebra da resistência do mecanismo de ação pela praga, tornando a tecnologia inviável economicamente. Não basta simplesmente colocar a semente no solo e pronto, deve-se efetuar o monitoramento de resistência, adotar a área de refúgio, observar a população de inimigos naturais e só no ultimo caso aplicar o controle com produtos químicos. O técnico responsável pelo empreendimento junto com o produtor, deve adotar um programa de manejo integrado de pragas eficiente para que a tecnologia funcione com eficiência por muitos e muitos anos.

  1. REFERÊNCIAS

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BARROS, E. M.; TORRES, J. B.; BUENO, A. F. Oviposição, desenvolvimento e reprodução de Spodoptera frugiperda (JE Smith)(Lepidoptera: Noctuidae) em diferentes hospedeiros de importância econômica. Neotropical Entomology, v. 39, n. 6, p. 996-1001, 2010.

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