(Parte 3 de 4)

Depois do regresso, os iniciados são recomendados a fazer o sexo os três primeiros dias, para não serem estéreis. O regresso é feito em grupo. A aldeia recebe os seus filhos em grande festa, os pais cantam e dançam, é um acto simbólico que refere a morte da vida da criança e o nascimento de um cidadão novo para a comunidade (novo nascimento). Aquilo que se passou lá ninguém deve contar aos que não foram a circuncisão e as mulheres, se assim o fizer os espíritos podem lhe matar. Por esta razão que até hoje não se fez um levantamento maior sobre os ritos de iniciação.

Neste dia detectam a falta daqueles iniciados que morreram lá por causa de infecção do prepúcio ou por doença.

Para Miqueias (1996:179) cabana é queimada no dia em que os iniciados estão pronto para sair. Neste dia tira-se o remédio que protegeu os iniciados durante todo processo de ritos (Ovindiculiwa), são levados todos os vestes, instrumentos musicais (Makoti), a cama e esteira utilizados durante os ritos, são juntados num sítio para serem queimados. Este dia é dia de alegria, dia em que os pais vão receber o seu novo filho, e o filho com tanta expectativa de querer mostrar suas qualidades sociais na família e na comunidade. Há cânticos, danças, teatros e muito mais. Ao entardecer, por volta das 19h a cabana é queimada e os iniciados fogem e vão saltar o fogo das rolhas (Ikhara), depois entra no machimbombo que vai-lhe conduzir até na casa do chefe tradicional (Amwene). É lá onde vão apresentar as canções de boas vindas (Okungwe), mostra o quanto ele aprendeu e a maneira como ele passou, e a nova entrada na comunidade. Dormem, e o dia seguinte vão ao banho, onde são vestidos uma nova roupa, e cada um é portador de uma bengala (Muhoroxoxo) que simboliza o novo nascimento.

Todos vão ser reunidos na casa do chefe tradicional, onde cada família vai libertar os seus filhos com um valor munitário estipulado pelo Régulo. Depois da retirada do seu iniciado (wopoliwa) família continua com a festa nas suas casas.

Chegado a casa a família come depois segue o período de esmola, onde cada convidado junto a família vão lançar o dinheiro para o iniciado (Othuva Emuali), isto é acompanhado com cânticos, danças... ali lançam grandes somas de dinheiro, que no fim, o padrinho que ficou todo tempo com o rapaz no Djando recolhe todo dinheiro, faz a contagem e leva para sua casa, este é um sinal de agradecimento. Em muitas das vezes este processo desgraça a família. Neste momento que lançam o dinheiro não pensam do amanhã, eles gastam emocionalmente, depois de dois dias se arrependem: passando fome, sem dinheiro para o pagamento dos filhos na escola, nem para comprar roupa, nem despesas de casa...

3.3.5 Duração do Djando

Para Machael (1990:114), o tempo de duração do Djando pode variar muito, dependendo dos seguintes factores:

1. cicatrização das feridas, quanto mais tempo levar a cicatrização das feridas da circuncisão, maior será o tempo do Djando.

2. comportamento dos iniciados, enquanto eles não demonstrarem ter ultrapassado muitos defeitos e terem assimilado os “novos” valores, ficam no mato até que ele mostre que já assimilaram a matéria do curriculum.

3. alimentação e indumentária, enquanto os pais cujos filhos estão no Djando não garantirem a alimentação e indumentária para as cerimónias de devolução de filhos, o Djando vai ser adiado até que isso seja feito.

3.3.6 Função dos Ritos

Para Carvalho (2010:1), os ritos tem a função de agrupar as ideias da sociedade primitiva e a sociedade actual. Os rituais revelam os valores mais profundos do comportamento humano e o estudo de ritos torna-se a chave para compreender a constituição das sociedades humanas. Os ritos defrontam os altares de beleza, purificação, crescimento da força e da sabedoria. O resultado dos ritos não deve ser de negação das ciências e das liberdades humanas mais fundamentais, mas a busca de uma nova moralidade, que incorpore as raízes profundas da verdadeira tradição, compatibilizando-a com a liberdade e a ciência.

Para Eliade citado por Carvalho (2010:7), o momento central de toda iniciação vem representado pela cerimónia que simboliza a morte do neófito e sua volta ao mundo dos vivos, o que volta a vida é um homem novo, assumindo um modo de ser distinto. A morte iniciática simboliza o fim da infância, da ignorância e da condição profana. Quem nascem é aquele que foi iniciado (Carvalho 2010:7).

A necessidade de iniciação quer que o iniciado, o aprendiz evade-se um pouco de um mundo essencialmente profano e ingressar numa área um pouco sagrada buscando-se no grau de companheirismo (Carvalho 2010:7).

3.3.6 Factores da circuncisão

O factor mais comum da realização da circuncisão masculina era para a distinção entre os povos. Em muitas culturas, a circuncisão no início da puberdade é encarada como um ritual de passagem que marca o início da adolescência e a entrada do rapaz na vida adulta (Anon, 2010:1).

Para Calastre, (19..:29), os ritos marcam o reconhecimento social da maturidade biológica dos individuou que não podem ser mais considerados como crianças. Em seguida traduz a aceitação do grupo de entrada em seu seio de novos adultos. O rito expressa a morte e o renascimento, tornar-se adulto é morrer para infância e nascer para a vida social, pois os rapazes e as raparigas deixam a sua sexualidade expandir-se livremente.

3.3.7 Os Muçulmanos e os ritos de iniciação

No povo Yão houve desde sempre a prática dos ritos de iniciação “Unhago” os Árabes muçulmanos quando entraram no meio deste, interpretaram religiosamente a circuncisão pelo facto Muhammad (Maomé) ter sido circuncidado e com isso aproveitaram para efectuarem o “baptismo” muçulmano solene (kusinguwa) (Amide, 2008:62). Antes da chegada dos Árabes, os Yão faziam ritos de iniciação: Lupanda para os rapazes e Chiputo para as raparigas.

3.4 RITOS DE INICIAÇÃO FEMININA

Na província do Niassa é praticado dois tipos de ritos de iniciação feminina nos adolescentes que são: Nsondo para os Yãos e Chiputo para os Macuas. Há várias maneiras como a iniciação feminina é feita, de acordo com Amide (2008:74), as meninas vão com a idade compreendida entre oito a nove anos, que a partir de óleo de resina vão untar a menina para introduzir o ovo quente de pombo no órgão sexual da menina Yão (Nzondo). Enquanto que as meninas Macuas, em vez de um ovo, eles usam um “pau” para servir como órgão sexual masculino, para assim puder mexer no sexo da menina Martinez, citado por (Amide2008:74)

De acordo com Nhapulo e Bila (2005:118), as meninas são conduzidos nas palhotas, no meio do mato longe da população, e ali, entre cantigas e danças, subo direcção das mulheres mais velhas e idóneas, aprendem tudo o que uma mulher deve saber nas suas relações com outro sexo.

Barreira citado por Cipire (1996:40), o período de iniciação dura Oito dias, a menina não deve ter o contacto com estranhos mesmo do mesmo sexo, excepto as mestres. Findo este processo é queimado a palhota que albergou durante a iniciação, indo todas iniciadas banhar ao rio próximo, vestindo-se depois os panos muito vistosos e adornando se com missanga de cores.

Na iniciação feminina as mulheres cantam em volta das iniciadas, na medida que se vão entusiasmando no cântico, vão se dispondo dos panos até ficar nua, tapando o sexo com uma tira de pano com pelo menos dois centímetros de largura suspenso com cinto de missanga. Neste cântico, ensinam as moças o seguinte:

  • a mulher deve sempre limpar o sémen derramado pelo marido com as mão, depois das relações sexuais, nunca usar qualquer pano;

  • mostrar sempre o seu reconhecimento ao marido quando este lhe oferece qualquer presente (capulana, calcinha, lenço...) despindo-se e facultando o coito.

  • nunca esconder ao marido o seu estado de menstruação;

  • nunca cozinhar para o marido nem tocar em sal quando estiver menstruada, só fará isso depois de menstruação. Se a mulher ignorar isso emagrecerá ou mesmo morrerá Ferreira, citado por (Cipire,1996:40-41).

Tal como rapazes, uma rapariga só é reconhecida como ser humano completo, depois de ter passado dos ritos de iniciação. Estes têm como objectivo formar mulheres para enfrentar as tarefas múltiplas no lar, nos aspectos de esposa, mãe e produtora de bens materiais para o benefício do marido e dos filhos. As meninas são ensinadas que a menstruação nada tem de anormal, mas sim é um sinal que em breve poderá ter filhos, são ensinadas a utilizar o trapo como tampão, o primeiro deve ser enterrado a noite por ela própria, e é ela que deve lavar as roupas manchadas, depois abrirá uma cova onde despejará a água utilizada.

Ainda, são ensinadas a não fazer relações sexuais com o marido durante a menstruação, se isso acontecer ele morrerá, e se tocar no prato do marido ou de um outro familiar acarretarão grandes males e devendo de abster-se de tomar banho (Cipire,1996:41). Dependendo da cultura para cultura ou zona para zona, a iniciação é feita pelo ovo de pato previamente aquecido, ou espiga de milho, raízes de mandioca, frutos, chifres, uma tripa de cabrito cheia de água. Os gritos são abafados pelos cânticos das mulheres mais velhas.

3.4.1 A Tatuagem

Em algumas tribos entregam a moça missangas para passar a pôr nas ancas, estas, tem a função de tornar a jovem uma boa esposa (uma mulher que atrai sexualmente ao seu marido), além dos arranjos da vida íntima, a jovem é lhe feita a tatuagem nas ancas, no abdómen, nas nádegas, na cara é nas pernas, dos Santos citado por (Cipire,1996:45). A tatuagem serve também para distinguir Clãs de diferentes proveniêcias, esta tatuagem é constituída nos golpes dados com ferro em forma de raspadeira e com auxilio de um pequeno ganjo, de modo que a pele fique levantada , o sangue é estancado com auxilio de ocre. Neste processo de tatuagem é acompanhado pelo desfloramento do clitoris.

3.4.2 Os ensinamentos nos ritos de iniciação feminina

As mulheres formam um circulo, enquanto uma delas Namuku-Amóle, dançam ao centro. Depois uma outra, com uma escultura de pénis feito de madeira, presa a cintura vai também ao centro com a mulher, dramatizando para a jovem donzela, o acto sexual que ira praticar a partir daquela cerimónia (Cipire, 1996:43-44). Uma mulher preparada para ser mãe e esposa é embutida por várias regras que poderá seguir no seu futuro lar, como forma de proteger filhos que vai nascer.

Assim, depois de casamento, abstêm se de comer várias coisas, porque acarreta várias doenças à criança que vai nascer, como é o caso de ovos, certos peixes e animais. Durante a gravidez a mulher não deve praticar sexo com outro homem, pois se assim fizer, terá um parto difícil. Depois de parto a mulher deve permanecer pelo menos seis meses sem manter relações sexuais com um homem, permitindo a reposição do seu tecido.

Ensinam à jovem a obedecer ao marido, nunca lhe responder de má vontade, a ter sempre água quente preparada para as abolições quando ele regressa a casa e agradar-se sexualmente. “Fica feio assim, uma mulher ficar assim parada na cama como se fosse um morto” diz um anciã. A jovem aprende a se deitar ao lado do homem sempre que deseja. Aprendem a administrar os bens comuns, a pilar o grão, a peneirar, a cozinhar, a cultivar os campos e a tratar dos filhos. É lhe ensinado o uso de raízes para evitar a gravidez ou mesmo para abortar em caso de complicação do fecto, regras de higiene e amaneira como uma verdadeira mulher deve tomar banho (os seios e o sexo deve ser lavado com a mão esquerda porque a mão direita é reservada para as tarefas nobres ). É ensinada a conviver com as vizinhas, a lhe prestar toda e qualquer ajuda possível que necessitarem , a dar por emprestado instrumentos de trabalho do lar e devolver logo que acabar de trabalhar aos que deram emprestado.

3.4.3 A Circuncisão Feminina

A circuncisão feminina consiste em excisão, ou seja, a remoção de prepúcio e da ponta do clitóris, a clitordectomia, isto é, a remoção de todo clitóris e dos pequenos e grandes lábios; e a infibulação, que consiste na remoção do clitóris e dos pequenos e grandes lábios e na ligação dos lados da vulva sobre a vagina, prendendo-os com espinho ou linha. Uma pequena abertura é deixada para permitir as relações sexuais na noite de núpcias e fechada novamente para garantir a fidelidade ao marido. Outras formas da circuncisão incluem perfuração, transpassamento ou corte no clitoris ou lábios (Muriithi, 2010:37).

Para Cipire (1996:45), diz que para além dos homens a circuncisão é realizada também nas mulheres. Para ele este processo revela que os direitos das mulheres não são respeitados. Esta é uma prática originária nas celebrações e rituais dos judeus que se alastrou no continente africano nos primórdios das migrações humanas. Em Africa é praticada em 28 países com mais predominância na Somália, Quénia, Uganda... e em outros paises. Em Moçambique certas etnias, retém esta tradição, esfregando ovo cru partido no sexo do bebé do sexo feminino, recém nascido, permitindo que após o seu crescimento ela seja excitada. Esta lavagem impede o desenvolvimento de lábios vaginais. A vantagem desta tradição é de tornar a mulher apta e pronta para relações sexuais por mais exigências que o homem faça.

Muriithi (2010:37), afirma que a mutilação genital feminina, é realizada em meninas de três a dezasseis anos, geralmente em ambientes sem higiene, com instrumentos rudimentares e não esterilizados, com facas de cozinha, com laminas de barbear, pedaços de vidros ou pregos. Não se utiliza nenhum tipo de anestesia e três ou quatro mulheres seguram na menina com força durante dez e trinta minutos necessários para realizar a operação. Se a menina se debater (mexer-se), existe a probabilidade de outras partes do corpo serem feridos. Os efeitos colaterais deste processo incluem infecção, hemorragia interna e doenças infecciosas como hepatite B e HIV/SIDA. A operação pode ser fatal e existe a possibilidade da perda da função sexual.

3.5 CONCLUSÃO

Ritos de iniciação tem lado positivo que é de educar os jovens sobre a sexualidade, a responsabilidade da mulher para com o seu marido, para com a família do marido e para com as outras pessoas adultas.

O lado negativo dos ritos é de colocar sempre a mulher numa posição de submissão a vontade do marido. Outros ainda defendem que os ritos são positivos porque mantêm uma certa estabilidade social e preservam certos valores. As crianças que saem das zonas rurais cedo, a procura de instituições de ensino, carecem de acompanhamento por parte da família. Os ritos não são absolutamente negativos, na medida em que fornecem algumas informações, mas é preciso inculcar outras formas de educação de jovens.

3.7 O ESTUDO EMPÍRICO

3.7.1 OBJECTIVO

Obter informações em 7 pessoas, sobre os ritos de iniciação na província do Niassa.

3.7.2 Metodologia

O pesquisador vai elaborar um questionário qualitativo distribuidos pelos respodentes, onde eles poderão responder segundo o seu ponto de vista, em sete pessoas dos quais 1 Operadores, 2 Nakangas, 2 pastores e 2 iniciados, em ambos sexos respectivamente. E depois de um tempo o pesquisador irá recolher e procurar saber das dificuldades que encaram e esclarecê-los. O questionário servirá de instrumento para ter mais informações através dos respondentes a respeito dos ritos de iniciação. O pesquisador usará o método qualitativo que terá contribuições ao trabalho de pesquisa, uma variedade de procedimentos de carácter racional e intuitivo capaz de contribuir para uma melhor compreensão. De princípio o pesquisador irá ao objectivo da pesquisa a fim de Contestualisar o respondente para ver se está aberto para dar sua contribuição sobre os ritos de iniciação.

3.7.3 Aspectos Éticos

O pesquisador vai assegurar a confidencialidade que o respondente estará pronto para dar sua opção de acordo com assuntos já tratados no questionário. Pedir dados como: lugar de trabalho, idade e sexo e assim o anonimato será protegido e o respondente não irá ouvir ser apresentado em algum lugar.

3.7.4 ANÁLISE DE DADOS

3.7.4.1 Respondente 1 é um Nacanga com 44 anos de idade casado do sexo masculino.

De acordo com este respodente o processo da iniciação dos jovens é feita depois da colheita, as pessoas da comunidade que tem crianças com idade para se ingressar aos ritos de iniciação (7 a 10 anos) combinam, depois vão expor o caso ao chefe máximo (Amuené) da comunidade, este por sua vez autoriza e de imediato comunica a Raínha para preparar a farinha de bênção (Maquea) para a noite de preparativo. O promotor da iniciação é responsável para comunicar os operadores (Ngalibas). Feito tudo isso, combina-se o dia que os rapazes devem partir para o mato. Chegado o dia, na noite anterior faz-se uma grande cerimónia de despedida entre os pais e as crianças, isto faz-se na casa de Chefe (Amuené). Nesta noite o Chefe e o Operador juntos pedem os antepassados para proteger as crianças que vão para o mato, que não tenham nenhum perigo, para que os maus espíritos, demónios, feiticeiros não possam prejudicar a saúde das crianças, eles usam a farinha de mapira para abençoar as crianças, untando-lhes na cara (Capemba). Depois disso, os Ngalibas dançam até amanhecer. No momento que vão dançando vão medindo as crianças para ver se os seus antepassados estão a favor da iniciação da criança. Eles usam uma cabaça mágica (Ethuo). É posto na cabeça, se cair, tudo indica que a criança não esta aceite aos seu antepassados, neste caso, os pais da criança devem orar muito até que a cabaça pare na cabeça da criança. Para as crianças que não tem dificuldades de parar a cabaça os pais ficam muito alegres, rufando os seus apitos. No dia seguinte, os pais dos iniciados vão logo cedo fazer palhota onde vai albergar os seus filhos durante a iniciação, as 10h partem para o mato ou a floresta realizar a circuncisão, este processo chama-se “Ovava Emuali”. Depois de um mês a cabana é queimada, estes voltam a casa com um novo nome, nova roupa que representa a infância que deixou, renascendo na comunidade com novas ideias para enfrentar a vida adulta. Estes são respeitados com os pais e a família em geral. Para ter comida precisa cantar algumas canções, prometendo que depois da sua saída vai ajudar aos seus pais que lhe alimentou todo este período se não conseguir descodificar algumas canções eles perdem a comida.

3.7.4.2 Respondente 2 é um Ngaliba com 42 anos de idade casado do sexo masculino.

Para ele a circuncisão é um acto muito difícil e que não dá recordar cada vez mais. Depois da cerimónia de despedida com a família dos iniciados, estes são conduzidos a palhota para a “festa de mel”, antes dos iniciados chegarem primeiro são os alombwes, que vão preparar o terreno, isto é, cantam, tocam batuques e gritam alto para que os choros enfrentados pelos iniciados não cheguem ao ouvido dos outros. O primogénito leva consigo uma galinha, esta vai dar informação a todo fenómeno mau que acontece no Djando, esta galinha é primeira a ser circuncidada no dedo menor. Concluído este processo, um por um vai ser dirigido ao local da circuncisão, onde está o Ngaliba mascarado com seus instrumentos, os padrinhos fazem sentar o menino, tapa-lhe a cara, para este não ver o material usado na circuncisão.

O Ngaliba pega o prepúcio corta com uma faca bem afiada a parte de cima que não dói muito e em fim ultima a parte de baixo (fio de ligação) onde o menino abandona todo comportamento mau, esta parte dói até outros fazem necessidades maiores e alguns menores, isto é que se chama “DJANDO” de verdade, está dor ajuda para a mudança de comportamento, depois aplicam um medicamento curativo e põem uma rodela em volta do pénis para que este não toque as pernas. Depois de regresso a casa e o iniciado ter um comportamento sujo, recordam-lhe este dia, prometendo lhe levar de novo. Ninguém aceita este momento, é um momento que não agrada a ninguém, faz-se uma vez na vida.

Os iniciados entrevistados dizem não ser usado anestesia na circuncisão, nem as facas usadas não estão sendo esterilizadas, mas os Ngalibas, negam este facto, eles dizem que o Governo está patrocinar os materiais da circuncisão, tais como: facas, luvas, panelas e injecção de anestesia para o trabalho. Os Ngalibas são instruídos pelo governo que no momento da circuncisão eles devem pôr uma panela no fogo, na medida que vai circuncidando os meninos vai lançando as facas na panela, para que esta, não venha a contaminar outros o vírus de HIV/SIDA. Nem sempre as feridas são curadas com o medicamento tradicional, mas também, com poeira. Os iniciados fazem os exercícios matinais, consiste em bater o chão com as mãos levantando muita poeira, este processo é feito todos dias até que as feridas curem (Nantjizanjiza).

3.7.4.3 Respondente 3 é um iniciado com 13 anos de idade solteiro do sexo masculino.

Conforma este respodente,nos ritos de iniciação ensinam como uma pessoa deve-se comportar com os mais velhos e com outras pessoas em geral, ensina-se a ter paciência no momento que sua esposa esta de menstruação, ensina-se como se realiza o enterro segundo a tradição, a não ter medo do cadáver, ensinam a coragem, ensinam que quando ver sua mãe a te mandar pôr sal no caril não deves negar porque está de menstruação.

É ensinado a composição duma mulher (sexualmente), são encorajados que após a sua saída deve experimentar as relações sexuais com as meninas da mesma idade. São ensinados que um dia vais sonhar com uma mulher na cama, depois de acordar vais sentir humidade no biquini, ao ver, é uma coisa branca, isto é espermatozóide, tem a função de fazer filhos, isto é, quando juntares com uma mulheres que apanhou menstruação.

É ensinada que não pode manter relações sexuais com uma mulher que esta menstruada, respeitar os pais e outras pessoas, não insultar, receber a carga dos mais velhos, buscar lenha ou água para os idosos ou os doentes, ensinam a examinar se o espermatozóide funcionam ou não, através de uma bengala chamada “Muhoroxoxo”

Ensinam a praticar a agricultura, a pesca, construção de casas, artesanato, aprende a respeitar a si e ao outro, estes ensinamentos são feitos em muitas vazes com varra de nome “Telele”, qualquer que esquecer um dos ensinamentos é chicoteado, os padrinhos devem ajudar neste processo.

3.7.4.4 Respondente 4 é um pastor com 48 anos de idade casado do sexo masculino.

Para alguns pastores dizem que não é necessário os cristão realizarem os ritos de iniciação. Agora Cristo aboliu tudo e a circuncisão ocorre no coração, isto é, esta circuncisão é demonstrada pala mudança de comportamento não pela carne como se fazia o povo Judeu. Hoje a circuncisão não tem valor como antigamente, só basta aceitar o nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas em contrapartida alguns pastores dizem que o Cristão é salvo pela graça e não depende da obra humana. Se numa região os Cristão desde muito tem esta tradição não convém proibir a realização dos ritos de iniciação. Só deve-se rejeitar os ensinamentos que não vão de acordo com as normas bíblicas, os ensinamentos positivos podem ser ensinados segundo a tradição. Também a bíblia não fala se podemos realizar ou não.

3.7.4.5 Respondente 5 é uma Naganga com 44 anos de idade casada do sexo Feminino.

Falando da importância dos ritos da iniciação feminina, para este respodente diz que é para ter um conhecimento sobre sua própria cultura: amaneira de cuidar o marido, dos filhos e do lar em geral. A manina é ensinada que uma mulher deve ser sorridente e acolhedora e quando vem uma visita não deve amarar ruga ou preparar uma viagem, despachando os outros. Não pode fofocar, não pode responder mal ao marido, aprendem como agradar sexualmente o seu marido. Dentro do casamento há coisa que não se falam com o seu esposo bocalmente, mas sim através dos sinais, por isso que ela precisa ser instruída e conhecer esses sinais como por Ex. por causa da vergonha uma mulher menstruada não deve falar com o marido, ela leva uma missanga vermelha e deixar no pote da casa de banho. Quando o marido fôr tomar banho irá ver aquela missanga e saberá que a minha esposa está menstruada. Ensinam as meninas a culinária, a respeitar a sogra. São ensinadas que o tempo de gravidez não pode fazer relações sexuais com outro homem, porque enfrentaria um parto difícil, são ensinadas como devem mexer anca no momento de fazer o sexo com o seu marido para lhe agradar sexualmente.

Quem não faz isso facilmente é abandonada, não só mexer ancas mas também o afloramento de clitoris é fundamental para fortificar um lar, muitos lares complicam, por causa deste dois fenómenos. Para alguns pastores não vem a importância dos ritos de iniciação feminina, estes aumentam a prostituição das jovens, segundo a bíblia, os homens é que eram circuncidado e não as mulheres. Os ritos de iniciação feminino falam só do sexo, como deve ser usado, depois de terminar este curso, vão implementar o que aprenderam, aumentando cada vez mais grávidas pré-maturas e crianças sem pais. Esses ensinamentos são dados sem a observância das idades das iniciadas (Js 5:2-4).

Ainda este respodente descreve as vantagens das missangas e tatuagem, como ajudam para a excitação no momento das carícias para a realização do acto sexual. Antes de fazer o sexo o homem deve apalpar as missangas nas ancas ou tatuagens nas pernas ou nas nádegas da mulher para este ter o arranque ou a força e a apetite de realizar o sexo, para atingir a satisfação sexual. Não só a satisfação sexual, mas também, serve para embelezar o corpo da mulher em motivar do homem. Com missanga o homem sente se mais a vontade e realizado. Se o homem estiver longe da sua esposa basta pensar nas missangas dela, este sente saudades da sua esposa, o coração fica a bater e não consegue apanhar sonos (é daí que nasce o mor). A tatuagem e a missanga tem a mesma função, só que a tatuagem é um método mais antigo de atrair os homens e as missangas é um método actual.

3.7.4.6 Respondente 6 é um iniciado com 25 anos de idade casado do sexo masculino.

Para este respodente diz que os jovens devem ser iniciados, nesta iniciação, eles aproveitam muitas coisas como: a circuncisão e a educação.

A circuncisão: vai ajudar o jovem a se defender das doenças transmitidas sexualmente como o HIV/SIDA e fornece higiene ao jovem, vai ajudar o jovem a ter sexo bom, isto é, o pénis entra bem na vagina sem problema (trazendo assim felicidades no lar), toda mulher gosta de um homem circuncidado, traz grande prazer no acto sexual, nesta comunidade casa um homem que foi circuncidado.

A educação: o respeito que ele aprende vai lhe levar a ter uma boa moralidade na comunidade, vai conhecer os métodos de enterrar os mortos, como se deve amar, como realizar o sexo agradável (técnicas de sexo), aprendem as normas e regras que regem o funcionamento da comunidade, respeitar as mulheres dos outros.

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