Produção e utilização de rações de tilapias

Produção e utilização de rações de tilapias

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Segundo SANTOS (sd), os produtos de origem animal (farinhas de peixe, carne, carne e osso e sangue), com excepção da farinha de osso, são ricos em proteínas, têm teores moderados de gorduras, com excepção da farinha de carne (com alto teor de lipídios), baixos teores de fibras e praticamente sem hidratos de carbono.

Alguns alimentos de origem vegetal, tais como soja, algodão (todas oleaginosas) têm altos teores de proteínas. O mesmo acontece com o vegetal mucuna preta. Os demais produtos vegetais têm baixos teores proteicos. Também são baixos a moderados os teores de lipídios nos produtos de origem vegetal. Os teores de fibras neles são moderados a altos, com excepção do trigo prensado, do xerém de milho, do resíduo de cervejaria e da torta de soja, com baixos teores de fibras. No que se refere aos carboidratos, eles se apresentam em altas percentagens nos produtos de origem vegetal, quase sempre (SANTOS, sd).

2.3 Nutrientes essenciais para tilápias

Os animais requerem proteínas, aminoácidos, gorduras (lipídios), hidratos de carbono, fibras, vitaminas e minerais em suas dietas. Os tipos e quantidades de cada um desses nutrientes variam, não somente entre as espécies, mas dentro das espécies, com a idade, funções produtivas e condições ambientais (SANTOS, sd). Através dos alimentos disponíveis ou oferecidos, os animais devem obter suficientes quantidades de nutrientes essenciais de forma a garantir a normalidade de seus processos fisiológicos e metabólicos, assegurando adequado crescimento, saúde e reprodução (KUBITZA, 1999).

Energia

Fundamenta KUBITZA (1999), que os animais necessitam de energia para a manutenção de processos fisiológicos e metabólicos vitais, para as actividades rotineiras, o crescimento e a reprodução. Esta energia provém do metabolismo de carboidratos, lipídios (gorduras e óleos) e proteínas. SANTOS (sd), sustenta que energia liberada pelo metabolismo dos alimentos assume as formas de energia livre, usada nos diferentes trabalhos orgânicos, e energia calórica, utilizada na termoregulação corporal. Os peixes, como seres pecilotermos, não utilizam esta última e, por isto, levam grande vantagem como transformadores de alimentos em proteínas de alto valor nutritivo, KUBITZA (1999), pois não gastam energia para regular a temperatura corporal. Desta forma, grande parte da energia é utilizada para crescimento.

Aminoácidos essenciais

KUBITZA (1999), afirma que os aminoácidos são unidades formadoras das proteínas, portanto de fundamental importância na formação de tecido muscular (crescimento) dos animais. Como para a maioria dos animais, os peixes necessitam de 10 aminoácidos essenciais em sua dieta, SANTOS (sd), que são: arginina, histidina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, treonina, triptofano e valina. KUBITZA (1999), os sinais indicativos da deficiência em proteínas e aminoácidos são: atraso no crescimento, má conversão alimentar, redução no apetite e, em alguns casos, deformidades na coluna (triptofano) e cataratas (metionina). SANTOS (sd), diz que após a ingestão, as proteínas são digeridas ou hidrolisadas para liberarem aminoácidos livres, que são absorvidos através da parede do tubo digestivo e distribuídos pelo sangue para vários órgãos, onde são usados para sintetizar novas proteínas, destinadas ao crescimento, reprodução e reparação de tecidos. Se o peixe não estiver ingerindo quantidade suficiente de proteína, ocorrerá rápida redução e paralisação do crescimento ou perda de peso, porque o animal a retirará do próprio corpo para manter as funções vitais. Há recomendações de 28% de proteínas, com mínimo de 2% e máximo de 35%, para dietas (peletizadas ou granuladas) destinadas à piscicultura intensiva

Ácidos graxos

Os ácidos graxos são importantes componentes das membranas celulares e servem como fonte de energia, principalmente para as espécies carnívoras que apresentam baixa capacidade de aproveitamento de carboidratos. Os sinais de deficiência em ácidos graxos são: atraso no crescimento, redução na eficiência alimentar, podridão das nadadeiras, síndrome do choque, reduzido desempenho reprodutivo e alta mortalidade (KUBITZA, 1999). SANTOS (sd), diz que as quantidades mínimas e os tipos de gorduras, necessários ao crescimento mais eficiente dos peixes, ainda não são bem conhecidos.As recomendações de vários pesquisadores em nutrição destes animais variam de 4 a 10% da dieta.

Minerais e vitaminas

Minerais e vitaminas desempenham papel importante na formação dos tecidos ósseos e sanguíneos, no crescimento muscular, em diversos processos metabólicos e fisiológicos essenciais para o adequado crescimento, saúde e reprodução dos animais. Embora as exigências minerais e vitamínicas dos principais peixes cultivados já sejam conhecidas, até o momento pouca atenção foi dada a este assunto na nutrição das tilápias. Uma das razões está no facto da maioria dos sistemas de cultivo destes peixes contar com a contribuição de alimentos naturais, reduzindo os problemas nutricionais devido a deficiência de minerais e vitaminas nas rações. Os peixes podem absorver minerais, como o cálcio, directamente da água. No entanto, as exigências da maioria dos minerais são satisfeitas através dos minerais presentes nos alimentos naturais e nas rações (KUBITZA, 1999).

KUBITZA (1999), diz que os alimentos de origem animal como as farinhas de carne e ossos e as farinhas de peixes são boas fontes de minerais. No entanto, rações completas formuladas à base de farelos vegetais necessitam suplementação adicional.

Segundo KUBITZA (1999), as exigências vitamínicas são satisfeitas através de vitaminas obtidas no alimento natural ou nas rações. Uma particularidade da nutrição vitamínica dos peixes é a não capacidade, da grande maioria das espécies, em sintetizar o ácido ascórbico (vitamina C). De fundamental importância ao crescimento, formação da matriz óssea e funcionamento do sistema imunológico, a vitamina C deve ser obtida no alimento natural ou na ração. Rações completas para sistemas intensivos de produção devem ser suplementadas com fontes estáveis desta vitamina.

SANTOS (sd), diz que as vitaminas A e D contribuem para a formação do corpo, pois a primeira é necessária à síntese das proteínas e a segunda ao desenvolvimento dos ossos. A vitamina A assegura o crescimento normal, assim como a saúde e integridade do tecido epitelial. Finalmente, a D desempenha importante papel no metabolismo do cálcio e do fósforo. O caroteno e a vitamina A podem ser armazenados no fígado dos animais.

Fibras

Material fibroso, difícil de ser digerido pelos peixes, ocorre em quase todos os ingredientes básicos usados como alimentos para peixes. O corpo destes animais praticamente não tem fibras, então elas numa dieta servem, principalmente, como volume e, talvez em alguns casos, como fonte de energia. Em rações peletizadas servem como material aglutinante, sendo que na formulação de dietas para peixes alguns nutricionistas insistem que o teor de fibras deve ser menor do que 10%, enquanto que outros recomendam até 20% (SANTOS, sd).

2.4 Forma física da ração

RIBEIRO et al. (sd), diz que por viverem em meio aquático, os peixes têm problemas de perda de nutrientes, principalmente os mais solúveis. Sendo assim, o processamento adequado da ração é fundamental na alimentação dos animais. As formas físicas nas quais pode se fornecer a ração aos peixes são:

a) Ração farelada: os ingredientes da ração são apenas moídos e misturados. Sua utilização não é recomendada, uma vez que as perdas de nutrientes são muito grandes, causando não só problemas aos peixes, como a poluição da água dos tanques.

b) Ração peletizada: por meio da combinação de humidade, calor e pressão, as partículas menores são aglomeradas, dando origem a partículas maiores. Sua estabilidade na superfície da água deve estar em torno de 15 minutos, o que garante sua qualidade. Este tipo de ração reduz as perdas de nutrientes na água, diminui a selecção de alimento pelos peixes, além de reduzir o volume no transporte e armazenamento da ração. Porém, tem um custo de produção mais elevado quando comparada à ração farelada.

c) Ração extrusada: a extrusão consiste num processo de cozimento em alta temperatura, pressão e humidade controlada. Sua estabilidade na superfície da água é de cerca de 12 horas, tornando o maneio alimentar com este tipo de ração mais fácil. Actualmente, tem sido a forma de ração mais indicada para a piscicultura.

2.5 Formas de fornecimento de ração aos peixes

Existem duas maneiras de se fornecer a ração aos peixes: manualmente ou pelo uso de comedouros. O fornecimento manual é interessante para manter um contacto visual com os peixes, no tanque. Podem-se observar, por exemplo, possíveis problemas de saúde dos animais, porém, requer maior mão-de-obra, quando comparado ao sistema de comedouros. A alimentação em comedouros pode ser feita em cochos (bastante usado em sistemas tradicionais, no fornecimento de ração farelada), ou mecanizada, no qual o alimento é lançado por um equipamento acoplado a um tractor. Este método permite uma alimentação rápida de grandes áreas, apesar de limitar o contacto entre o tratador e os peixes. Existem ainda os comedouros automáticos, que distribuem a ração de tempos em tempos no tanque, porém também limitam o contacto entre os peixes e o tratador. Este tipo de comedouro se encontra disponível no mercado, sendo necessário analisar sua relação custo/benefício quando da sua utilização (RIBEIRO et al., sd).

Na fase inicial de desenvolvimento dos peixes recomenda-se o uso de uma ração finamente moída, em função do tamanho da boca do animal. É importante que o alimento seja distribuído de maneira uniforme pelo tanque. A quantidade de ração fornecida aos peixes varia de acordo com a densidade de estocagem, a espécie, o tipo de ração, a fase de crescimento, as condições ambientais do viveiro e com a condição de saúde dos animais (RIBEIRO et al., sd).

RIBEIRO et al. (sd), afirmam que normalmente, adopta-se como parâmetro, o conceito de "biomassa", que é traduzido pelo número estimado de peixes existentes no tanque multiplicado pelo seu peso médio. Para isso, é necessária uma avaliação periódica dos peixes, a cada 30 a 45 dias. A oferta diária de ração deve aumentar à medida que os peixes crescem. Sendo assim, esta quantidade deve ser ajustada em intervalos de 7 a 14 dias.

Realçam RIBEIRO et al. (sd), que uma maneira prática de se verificar o consumo dos peixes e a necessidade ou não de aumento da quantidade de alimento fornecido é lançar a ração no tanque (no caso de rações peletizadas ou extrusadas) e observar os animais se alimentando. Quando começar a sobrar ração na superfície, significa que os peixes estão saciados e que aquela quantidade de ração foi suficiente.

O número de vezes que os peixes devem ser alimentados por dia varia em função da temperatura, da espécie criada, da idade ou tamanho dos peixes e da qualidade da água do tanque. Geralmente, quando a temperatura cai, o consumo de ração é menor e, portanto, o seu fornecimento deve ser menor também. Sabe-se também que, quanto mais jovem é o peixe, mais vezes por dia ele deve ser alimentado. Assim, na fase de alevinagem, a frequência de alimentação é de duas a três vezes por dia. Já na fase de engorda, essa frequência cai para uma a duas vezes por dia. A qualidade da água é influenciada pela frequência de alimentação, uma vez que o excesso de ração no tanque provoca diminuição do oxigénio dissolvido na água, prejudicando os peixes (RIBEIRO et al., sd).

RIBEIRO et al. (sd), dizem que quanto aos horários de fornecimento de ração, estes variam conforme a espécie cultivada. Porém, para espécies carnívoras e omnívoras, recomendam-se as primeiras horas do dia e o entardecer. O ideal é fornecer a ração sempre nos mesmos horários, todos os dias, para que haja um condicionamento dos peixes. É importante, porém, não fornecer alimento aos peixes quando as concentrações de oxigénio estiverem baixas, para não agravar ainda mais a situação.

3. Metodologia de investigação

3.1 Localização da área em estudo

O presente estudo foi realizado no distrito de Vilanculos concretamente na empresa Xibaha limitada. O distrito de Vilanculos fica situado a norte da província de Inhambane, tendo como limites a norte o distrito de Inhassoro, a sul o distrito de Massinga, oeste os distritos de Funhalouro e Mabote e a este o Oceano Indico (MAE, 2005).

O clima do distrito é dominado por zonas do tipo tropical seco no interior e húmido à medida que se aproxima a costa, com duas estações, a quente ou chuvosa que vai de Outubro a Março e a fresca ou seca de Abril a Setembro. A zona costeira tem solos permeáveis e favoráveis para a agricultura e pecuária, apresentando temperaturas médias entre 18o a 33o C, com precipitação média anual na época chuvosa (Outubro a Março) de 1500mm. A zona interior apresenta solos franco-arenosos e areno-argilosos e uma precipitação média anual de 1000 a 1200mm, com temperaturas elevadas que provocam défice de água (MAE, 2005).

3.1.1 Vocação da empresa

A empresa Xibaha limitada localizada no bairro de Chibuene, na vila Municipal de Vilankulo, é a única empresa que produz e vende alevinos de tilápia em Moçambique, tendo como principais compradores o governo moçambicano e privados, também engorda tilápia e camarão para comercialização interna e exportação. Produz igualmente rações para alimentar diferentes categorias de tilápias que a empresa produz.

Localização da área de estudo, Xibaha limitada Vilanculos (GOOGLE EARTH, 2003).

3.2 Métodos

Para a realização da presente pesquisa foram aplicados basicamente os procedimentos metodológicos: pesquisa bibliográfica e estudo do campo orientada por entrevista semiestruturada e observação participativa durante 2 meses (03 de Dezembro de 2015 a 31 de Janeiro de 2016) na empresa Xibaha limitada Vilankulo.

3.2.1 Pesquisa bibliográfica

Consistiu na leitura de diversas obras bibliograficas que versam directamente sobre a temática ou que apresentem abordagens a ela relacionadas que se mostraram relevantes para a pesquisa e posterior relacionamento com os resultados colhidos.

3.2.2 Estudo do campo

Entrevista semi-estruturada

A entrevista semi-estruturada foi realizada ao proprietário da empresa, trabalhadores responsáveis das áreas de fabrico de ração e de alimentação, visto que a empresa conta com um elemento para cada tarefa específica. Foi conduzida durante o período de recolha de dados na unidade de produção, a hora pré-determinada e marcada com antecedência, respeitando a disponibilidade dos entrevistados. A informação colhida foi registada no formulário da entrevista semi-estruturada em anexo I.

Observação participativa

A observação participativa realizou se durante o trabalho de campo, nas horas normais do trabalho com vista a acompanhar as actividades realizada na empresa Xibaha Limitada a mesma teve duas componentes distintas: a observação das actividades diárias relativas às quantidades e tipos de ingredientes usados, manipulação das máquinas de fabrico e o processamento das rações, método e tempo de secagem e conservação das rações e a segunda componente que foi a observação do maneio alimentar realizado em diferentes categorias de tilápias.

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