O envelhecimento ativo e seus fundamentos

O envelhecimento ativo e seus fundamentos

(Parte 6 de 6)

A fé ajuda bastante, porque nas minhas orações peço a Deus que dê a ela paz e tranquilidade; e saúde prá eu cuidar dela. (G. B. D. M., 81 anos).

Diante dos relatos expostos, pode-se observar a importância do suporte espiritual e religioso na vida dos cuidadores e seus familiares, e ainda o quanto é importante eles se inserirem em alguma comunidade religiosa, que serve não só como uma estratégia de enfrentamento à sobrecarga do ato do cuidar, mas também no seu próprio bem-estar e o do familiar cuidado. Assim, apoiados em suas crenças, fé ou religião, esses cuidadores conseguem enfrentar sua jornada de cuidados paliativos.

10ª) A possibilidade da rede de apoio formal (político-social) ou informal (vizinhos, amigos)

Além da família, tem uma pessoa que vem fazer o asseio da minha mãe, limpeza, banho e higiene (...). (A. P., 67 anos)

Redes de apoio social informal fazem com que os cuidadores possam acreditar que ainda existem formas e meios de dar continuidade, com mais força, nos cuidados a seus familiares (GUTMANN, 2012); nos relatos apresentados, os cuidadores referem que contam com amigos, vizinhos e comunidade. A busca de apoio informal mostra-se, pois, muito importante nas relações e trocas de experiências, relações essas que fazem com que se amenize o sofrimento, tanto de quem cuida, quanto de quem é cuidado; contudo, por vezes, eles se sentem preocupados, evitando “não incomodar”. A troca de informação auxilia em momentos de urgência e emergência, quando surge alguma intercorrência no domicílio, quando os cuidadores recorrem à rede mais próxima.

Com base nas considerações anteriores que tinham como objeto de estudo os discursos dos cuidadores familiares, na variação de suas práticas, vistas estas não como simples e mecânicos procedimentos cotidianos, mas como atos responsáveis e éticos para o bem-estar de pessoas em situação paliativa sob seus cuidados, pode-se não apenas apreciar esses sujeitos em suas opções de práticas, mas sobretudo detectar os efeitos da diferença de seu proceder, quando cada um institui uma forma diferente de cuidados.

Assim é que as experiências em situação paliativa em família são variáveis, de cuidador a cuidador, dependendo de uma série de fatores como a adaptabilidade mais demorada ou não à função, a preparação adequada ou não aos cuidados paliativos, o apoio da família, de vizinhos, ou demais profissionais envolvidos no suporte de uma rede social, ou informal.

Em termos teóricos, pode-se dizer que há um ganho na metodologia aplicada nesse estudo, dado que faz ver a relação dos cuidadores com a pessoa cuidada, ou dizendo melhor, torna possível que se conheça um pouco de sua história familiar. Isso significa, a nosso ver, que a interpretação dos resultados aqui vista, por meio da correlação dos dados objetivos e subjetivos, com a mediação da teoria gerontológico-social, não deixa de ser construção do analista; entretanto, a atividade de análise proposta dos discursos dos cuidadores entrevistados – estes que constituíram nosso objeto de estudo – incidiu sobre cada discurso sem ter nenhuma categoria de pré-análise ou dada a priori. Assim, as categorias temáticas foram emergindo da própria análise dos discursos.

Considerações finais O presente estudo nos levou a refletir sobre os limites e as possibilidades das práticas dos cuidadores que, em seu cotidiano, dispensam tantas horas de sua vida produtiva para acompanhar pessoas em situação paliativa. Quanto aos limites ou problemas, verifica-se a impotência de muitos dos cuidadores em manter ou constituir, em novos moldes adequados àquela situação paliativa, uma vida interior. Repete-se a mesma impotência, relativamente à vida exterior, e disso resulta-lhes uma inevitável frustração que pode conduzi-los a um permanente estado depressivo ou até à desistência da profissão. Como tornar esse trabalho mais inteligente, interessante, humanizado, e do qual se possa dizer que vale a pena um investimento em Cuidados Paliativos? Nessa investigação, deparou-se com relatos significativos sobre essas práticas cotidianas. Nos modos de fazer os cuidados paliativos é que estaria o ponto central de suas atividades, e no que os cui-

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