Manual de Exames - Hermes Pardini

Manual de Exames - Hermes Pardini

(Parte 2 de 4)

• 1º passo: Sempre certificar-se que a paciente não é virgem e que não está grávida.

• 2º passo: Nunca introduzir o espéculo com a bexiga cheia, solicitar que a paciente esvazie a bexiga. Se houver coleta uretral realizar antes de esvaziar a bexiga.

Utilizar os dedos indicadores e médios e expor o intróito vaginal, introduzir delicadamente o espéculo (previamente umedecido com soro fisiológico). O espéculo deverá estar fechado com as valvas em posição vertical. Quando já introduzido, o mesmo deve ser rodado, de modo que suas valvas fiquem em posição horizontal. Em seguida abrir as valvas e acertar a posição do espéculo para expor o fundo de saco vaginal e colo uterino.

Certificar que todos os exames foram colhidos, fechar o espéculo (nunca retirá-lo aberto) e retire-o lenta e cuidadosamente evitando que o colo uterino fique preso pelo espéculo.

4.3 Ordem anatômica dos locais de coleta masculina

A coleta deve ser realizada de acordo com a ordem anatômica: • Uretra

• Região peniana

4.4 Coleta no canal endocervical Introduzir espéculo; Fazer assepsia rigorosa com gaze e soro fisiológico.

Manual de Exames

Introduzir o swab no canal endocervical, e descamá-lo fazendo movimentos giratórios e suaves.

Pacientes histerectomizadas, colher em fundo de saco vaginal.

4.5 Coleta no fundo de saco vaginal e colo uterino Introduzir espéculo; Retirar excesso de secreção utilizando uma gaze estéril.

Utilizando o swab, colher material do fundo do saco vaginal ou colo uterino conforme solicitação médica.

4.6 Coleta na região uretral

Realizar assepssia local com gaze estéril umedecida em soro fisiológico 0,9% retirando excesso de secreção, se houver.

Para coleta de material uretral em mulheres introduzir o swab cerca de 1 a 2 cm, e em homens cerca de 2 a 3 cm através de movimento giratório.

Para coleta uretral masculina, é necessário primeiramente retrair o prepúcio.

Após a coleta de secreção uretral, solicite ao cliente que esvazie a bexiga.

4.7 Coleta na região peniana ou vulvar

Na coleta de material da pele ou mucosa, essa deve ser umedecida com soro fisiológico, raspada (com lâmina de bisturi lado não cortante) preferencialmente nas áreas consideradas suspeitas. A amostra deverá ser colocada dentro dos meios específicos.

4.8 Coleta na região anal

Para coleta de material anal introduzir o swab cerca de 2 a 3 cm, promovendo movimentos giratórios contra a mucosa. Caso ocorra contaminação por material fecal deve-se desprezar o swab e realizar nova coleta.

Manual de Exames

4.9 Sequência para coleta dos materiais

Iniciar a coleta pelos micro-organismos presente nas secreções, deixando por último os micro-organismos intracelulares ou com afinidade pela parede celular. Seguir ordem abaixo:

1. Exame direto a fresco (Cândida e Trichomonas) 2. Gram e cultura bacteriológicas 3. Mycoplasma, Ureaplasma, Neisseria gonorrhoeae (gonococo) 4. Chlamydia trachomatis

5. Secreção de orofaringe

As diferentes localizações anatômicas da boca, da faringe e do nariz são colonizadas por várias bactérias, que predominam em locais diferentes.

É necessário que a coleta seja feita do local mais apropriado e que o material colhido não misture com os locais próximos.

Preparo para a coleta Não escovar os dentes 1 hora antes da realização da coleta. Não usar anti-séptico bucal no dia da coleta. Permanecer em jejum pelo menos por 2 horas antes da coleta. Coleta Solicitar ao paciente que abra a boca intensamente.

Usar iluminação adequada, utilizar o abaixador de língua e introduzir o swab de modo a atingir a área de coleta sem tocar as outras partes da boca.

Pressionar o swab na área mais suspeita (pontos com pus, edemaciados, avermelhados), rodá-lo no ponto de coleta com vigor.

Retirar o swab com o material colhido, sem tocá-lo em outras partes da boca e introduzir nos meios específicos.

Manual de Exames

6. Secreção conjuntival

Desprezar a secreção superficial purulenta, e com swab colher o material da parte interna da pálpebra inferior.

A coleta deve ser realizada do olho especificado pelo médico. Quando no pedido médico não vier especificado colher separadamente de ambos os olhos afetados e identificar os swabs (olho direito e olho esquerdo) ou apenas do olho que estiver afetado.

“Jamais coleta secreção acumulada no canto do olho” 7. Secreção de feridas, furúnculos e abscessos

Antes da coleta, lavar a região com salina estéril e havendo crosta recobrindo a lesão, esta deve ser removida utilizando gaze estéril embebida com salina estéril ou soro fisiológico.

O material é colhido de acordo com as características das lesões, por meio de swabs, alças bacteriológicas ou bisturi (lado não cortante).

A primeira porção de uma secreção, se abundante deve ser desprezada.

Nunca espremer um abscesso ou furúnculo. A coleta destes materiais é procedimento médico. Somente quando os furúnculos estão drenando espontaneamente, podemos realizar a coleta.

Manual de Exames

Referências Bibliográficas:

Montagner, C. Prevalência de casos de Mycoplasma hominis e Ureaplasma urealyticum nas secreções endocervicais e urinas de primeiro jato em um laboratório de análises clínicas em Brusque-SC. Brusque, 2006. 83-88f. Trabalho de conclusão do curso (Especialização) – Universidade Católica do Paraná, Brusque 2006.

Neves, D. P. Parasitologia Humana. 1. ed. São Paulo: Atheneu, 2005. 285-288 p.

Beraldo, C. at al. Prevalência da colonização vaginal e anorretal por estreptococo do grupo B em gestantes do terceiro trimestre. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Londrina, v.26, n.7, p. 543-549, 2004. Disponível em <http://w.scielo.br. Acesso em: 10 nov. 2009.

Seadi, C.F. at al. Diagnóstico laboratorial da infecção pela Chlamydia trachomatis: vantagens e desvantagens das técnicas. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, Rio de Janeiro, v.38, n.2, p. 125-133, 2002. Disponível em <http://w. scielo.br. Acesso em: 10 nov. 2009.

Ferreira, A. W.. Diagnóstico Laboratorial das principais doenças infeciosas e auto imunes. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001. 171-174 p.

Ministério da Saúde. Manual de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis DST. 4 ed. Brasília: 2006. 138 p.

armazenamento, Regina M. B[et al.]; prefácio Reiche Edna Maria Vissoci –

• Manual de coletas Microbiológicas: Procedimentos técnicos, transporte e Londrina: Ed. UEL, 1999. • Ministério da Saúde http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMIS9C6A000BPTBRIE htm • Atlas de Doenças Sexualmente Transmissíveis - Segunda Edição Stephen A Morse Adele A Moreland King K Holme. • Netter – Atlas de Anatomia Humana

• Manual de coleta de secreções 20007/2008. Grupo de Secreção – Instituto Hermes Pardini

Sites: • w.gineco.com.br / w.dst.com.br / w.aids.gov.br

Material produzido pelos Bioquímicos do Grupo de secreção do Instituto Hermes Pardini. Editado e revisado por: Christiane Fonseca Caetano de Paula. Bioquímica da Assessoria Científica do Instituto Hermes Pardini. Janeiro/2012.

FAsE PRé-AnALÍTicA

Manual de Exames

FAsE PRé-AnALÍTicA

A importância da fase pré-analítica no laboratório clínico

As condutas que dizem respeito à fase pré-analítica no laboratório de análises clínicas estão dentre as mais importantes para garantir a confiabilidade dos resultados. As ações executadas nesta fase, ainda que imperceptíveis, repercutem em todas as demais fases do processo. A fase pré-analítica não deve ser negligenciada ou equivocadamente assumida como de menor importância. Um erro que pode comprometer gravemente a qualidade nos resultados obtidos.

Ainda é comum o falso conceito de que é na fase analítica que se concentram todos os procedimentos necessários à produção de resultados confiáveis. Talvez pelo fato de ser essa a fase em que um laboratório clínico seja reconhecido como tal. Nesse sentido, os laboratórios realizam importantes investimentos em equipamentos, treinamentos de pessoal, controle de qualidade, softwares sofisticados, reagentes de fabricantes renomados, etc. Obviamente, são todos itens de extrema importância, mas sem uma adequada dedicação aos eventos que compõem a fase pré-analítica, corre-se o risco de que sejam produzidos resultados que não correspondam à realidade do paciente.

Assim, é necessário que a fase pré-analítica apresente medidas que garantam a sua correta execução, permitindo que as falhas sejam detectadas e prontamente corrigidas. Além disso, é importante ressaltar que a fase analítica somente poderá ter uma correta avaliação quanto à sua exatidão e precisão quando parte-se do pressuposto de que a fase pré-analítica está adequada, permitindo que os esforços para garantir uma correta fase analítica não sejam em vão.

São diversos os processos pré-analíticos que devem ser adequadamente observados antes da análise das amostras. Estes se iniciam com a consulta médica, com uma orientação em linguagem clara quanto aos procedimentos a serem assumidos pelo paciente tais como dieta, jejum desejável, uso de medicamentos, horário da coleta, atividade física, ingestão de líquidos, tabagismo, material a ser coletado, etc. Além disso, é desejável um pedido médico que seja legível e objetivo quanto ao que se pede. Espera-se a fiel adesão do paciente a essas orientações.

Manual de Exames

Em seguida, têm-se início as atividades a serem implementadas pelo laboratório clínico. Esta deve incluir um cadastro adequado e com a precisa identificação do paciente. Quando houver algum procedimento de preparo prévio, este deve ser orientado de maneira clara e objetiva, devendo seu fiel cumprimento ser conferido no ato do recebimento da amostra. É necessário replicar as orientações médicas, acrescentando-se aquelas que ainda não tenham sido repassadas pelo médico, em especial as orientações específicas de cada exame, tais como uso de conservantes, momento da coleta, dieta, etc.

prolongada e modificação na constituição primária da amostra do paciente

Antes de se iniciar os procedimentos de coleta, devem-se colocar à disposição todos os materiais a serem utilizados. Atenção especial deve ser dada ao número de exames a ser coletado, de forma a se organizar a sequência correta em que os tubos de coleta serão utilizados. A não observância desse procedimento é causa frequente de resultados indevidos. O uso do anticoagulante ideal para a obtenção da amostra é de extrema importância, haja vista que um equívoco pode inviabilizar a execução do exame. Os procedimentos ligados à venopunção, tais como garroteamento e a homogeneização do sangue recém coletado, também são importantes e devem ser minimamente traumáticos, de forma a evitar hemólise, estase Amostras de urina necessitam de uma conferência quanto ao volume obtido, dando-se especial atenção aos volumes muito pequenos ou muito elevados.

A identificação das amostras coletadas e a sua inspeção prévia são indispensáveis para que se garanta a autenticidade das amostras. A identificação incorreta das amostras é inadmissível e a conscientização quanto à sua gravidade deve ser enfatizada junto à equipe de trabalho.

Uma vez obedecidos todos os procedimentos que determinam as boas práticas de um laboratório clínico, as amostras recém coletadas poderão ser encaminhadas para processamento. A centrifugação, quando necessária, deve ser realizada obedecendo-se fielmente às instruções de cada exame. É necessário que haja a adequada retração do coágulo para as amostras de soro, atentando-se para o período máximo que a amostra pode aguardar até que seja centrifugada, assim como a velocidade e tempo de rotação ideais.

Análises toxicológicas exigem fiel cumprimento de medidas que garantam a inviolabilidade da amostra, ao passo que as coletas para dosagem de metais

Manual de Exames devem ser realizadas em frascos especiais e manipuladas sem risco de contaminação da amostra por elementos do ambiente.

É essencial garantir que as amostras sejam mantidas durante todas as fases do processo sob a temperatura adequada, de acordo com a definição prévia de cada exame. Os equipamentos do laboratório, como freezers e refrigeradores devem ser permanentemente inspecionados para garantir a conservação nas faixas ideais de temperatura. Amostras submetidas a temperaturas fora da faixa considerada ideal, ainda que transitoriamente, podem comprometer a qualidade dos resultados e estão dentre as principais fontes de erro. A distribuição e transporte das amostras, especialmente aquelas que tendem a ser naturalmente mais prolongadas, tais como as amostras encaminhadas para laboratórios de apoio, também devem ser realizadas dentro das condições adequadas de armazenamento.

Percebe-se diante do exposto acima, que as condutas assumidas na fase pré-analítica são determinantes para se garantir a autenticidade da amostra e preservar suas características naturais, podendo assim ser encaminhada para análise com o fim de produzir um resultado confiável e que atenda às expectativas do médico. Nesse sentido, toda avaliação de resultados que não seja coerente com o status clínico atual do paciente não deve ter sua investigação restrita apenas à fase analítica.

Por fim, a fase pré-analítica merece atenção especial do laboratório clínico, que deve proporcionar treinamentos constantes a sua equipe e promover a colaboração ativa do paciente. Ambos são agentes cuja participação é determinante para o sucesso da fase pré-analítica.

Principais fatores pré-analíticos que podem influenciar os resultados

Na fase pré-analítica é importante que a amostra seja inspecionada previamente no sentido de se detectar alterações que possam vir a interferir nos resultados. Da mesma forma, no momento da liberação do resultado, é importante que haja compatibilidade entre este e as informações prestadas pelo paciente ou descritas no pedido médico. Naturalmente, muitos exames exigem avaliações específicas. A seguir, será feita uma breve descrição de alguns dos interferentes mais comuns:

Manual de Exames

Jejum alimentar e dieta

A necessidade de jejum mínimo é definida baseada na literatura bibliográfica e normas vigentes e é estabelecida para a maioria dos exames laboratoriais, variando de acordo com as recomendações de cada exame. Por outro, as coletas de sangue devem ser evitadas após período muito prolongado de restrição alimentar – superior a 16 horas. Já em outros casos, como os exames de glicose e insulina, por exemplo, o jejum máximo permitido é de 14 horas.

Em situações especiais, bem como para a população pediátrica, o jejum mínimo e o máximo devem ser avaliados de maneira pontual.

O paciente deve seguir a dieta alimentar e hídrica habitual para coleta de exames de sangue, fezes e urina, exceto quando para realização de algum exame é exigida dieta específica, como é o caso da serotonina, catecolaminas, gordura fecal e pesquisa de mioglobina urinária, por exemplo.

Horário de coleta

A concentração de vários elementos varia em função do horário da coleta, devendo-se atentar para as orientações especificas de cada exame.

De forma geral, a coleta deve ser realizada em estado basal, pela manhã, pois a maioria dos testes foi padronizada para realização nestas condições.

As variações circadianas são importantes e podem ser principalmente diárias, ocorrendo, por exemplo, nas concentrações dos exames ferro, cortisol, ACTH, etc.

As alterações hormonais típicas do ciclo menstrual também podem ser acompanhadas de variações em outras substâncias. Por exemplo, a concentração de aldosterona é mais elevada na fase pré-ovulatória do que na fase folicular. O horário da administração de medicamentos também deve ser considerado na determinação de níveis terapêuticos para monitorização.

(Parte 2 de 4)

Comentários