avaliação - cuidado - e-promocao - de - saude - 404528

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(Parte 3 de 5)

O acometimento renal pelo diabetes responde por 40% dos casos incidentes de diálise nos Estados Unidos, e no Brasil compete com a hipertensão, acometendo 30% dos pacientes que iniciam tratamento dialítico. Estes pacientes sofrem um risco adicional de morte de 20% no primeiro ano de diálise, principalmente por causas cardiovasculares. Em outras palavras, cerca de 30% dos pacientes com diabetes desenvolvem nefropatia diabética, especialmente em associação com hipertensão. A DRC é um importante determinante de desfechos adversos em pacientes hipertensos e diabéticos, sendo, atualmente, considerada um dos mais significativos fatores não tradicionais de risco cardiovascular.

O conhecimento do impacto dos fatores de risco na doença renal crônica dá subsídio para ações de prevenção da doença e promoção da saúde daqueles que já convivem com a mesma, evitando o seu agravamento. A partir de então, se torna possível implementar medidas preventivas com a finalidade de diminuição de casos de DRC em todo país.

Os objetivos deste capítulo são descrever o impacto da hipertensão arterial e do diabetes mellitus na DRC, assim como relacioná-los como fatores de risco para doença renal crônica, e ainda revisar a literatura, a fim de identificar as melhores evidências disponíveis.

Trata-se de uma revisão baseada nos dados da literatura, principalmente nos Registros Brasileiros de Diálise e DRC e nas Diretrizes Nacionais (SBN) e Internacionais (K/DOQI) das doenças renais.

Contextualizada a influência de hipertensão arterial sistêmica e diabetes com fatores de risco importantes para doença renal crônica e, tendo em vista o aumento na incidência da doença, despontaram ações no mundo para a sua prevenção. O Dia Mundial do Rim (DMR) tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a importância dos nossos rins a nossa saúde em geral e reduzir a frequência e o impacto da doença renal seus problemas de saúde associados em todo o mundo (ISN, 2015).

A ação de 2015 manteve o foco em alertar a população com relação a adoção de hábitos saudáveis, ingestão de água, mudança de estilo de vida e autocuidado das doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e obesidade (DMR, 2015).

A Universidade Estadual do Ceará em unidade com outras duas universidades, Universidade Federal do Ceará e Universidade de Fortaleza, potencializou o DMR na cidade de Fortaleza, CE, realizando ações de promoção e educação em saúde e de prevenção da doença renal. Tratou-se de uma ação conjunta de graduandos em medicina da Universidade Estadual do Ceará e de profissionais médicos e enfermeiros. Os aspectos éticos foram respeitados.

Um “stand” foi montado em uma praça pública no centro da cidade, tendo sido visitado por 220 indivíduos. A visita ocorria em seis estações. Na primeira, eram coletados dados de identificação geral e anamnese voltada para doenças renais. Na segunda, foram realizadas medidas antropométricas. Na terceira, ocorreu a aferição da pressão arterial sistêmica. Na quarta estação foi realizada a medição da glicemia capilar. Na quinta, realizou-se um teste rápido de urina pra identificar a presença de proteinúria ou hematúria. Na última estação, com a posse de todos os dados obtidos nas estações anteriores, foi realizada uma revisão e discussão dos achados, assim como uma entrevista com a pessoa analisada na busca de entender possíveis alterações encontradas e encaminhar para o serviço competente no caso de encontradas alterações.

Foram coletados dados através de um questionário estruturado. Realizou-se exame físico simplificado investigando antecedentes patológicos pessoais e familiares, aferindo Pressão Arterial (PA), verificando peso, altura, circunferência abdominal, índice cintura-quadril, IMC e realizando o teste rápido de glicemia.

Obteve-se que do total, mais da metade eram homens (53,94%), possuíam idade média de 58,15 anos (DP±14,03). A hipertensão esteve presente em 43,64% dos visitantes, e destes, 58,3% apresentaram PA elevada. O diabetes também teve destaque com 15,76% dos visitantes que afirmaram ser diabéticos, conferindo que destes, 38,46% estavam com glicemia capilar aleatória (GCA) elevada. No geral, 15,95% apresentaram GCA >140mg/dl, sendo que 61,54% disseram não ser diabéticos ou desconheciam. 13,3% referiram doença cardíaca e 5,45% Infarto Agudo do Miocárdio. 21,82% tinham história de doença renal, 20% de drogas nefrotóxicas, 23,64% história familiar de doença renal, 2,09% IMC>30,0kg/m², 69,51% circunferência abdominal aumentada. Com relação ao Índice Cintura-Quadril, 90,18% enquadrou-se no grupo de moderado e alto.

Segundo a World Health Organization (2005), as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são responsáveis por cerca de 60% das causas de mortes em todo mundo, afetando cerca de 35 milhões de pessoas por ano e, para a próxima década, espera-se que haja um aumento de 17% na mortalidade causada pelas DCNT. Dentre os principais tipos de DCNT, a doença cardiovascular (DCV) é a que tem o maior impacto epidemiológico, sendo responsável por cerca de 30% de todas as mortes no mundo.

É essencial agir na prevenção, tratando e controlando os fatores de risco modificáveis: diabetes, hipertensão, dislipidemia, obesidade, doença cardiovascular e tabagismo, cujo controle e tratamento devem estar de acordo com as normatizações e orientações do Ministério da Saúde. Em relação ao uso de medicamentos, deve-se orientar que o uso crônico de qualquer tipo de medicação deve ser realizado apenas com orientação médica e deve-se ter cuidado específico com agentes com efeito reconhecidamente nefrotóxico (BRASIL, 2014a).

O modelo da vigilância em saúde contempla o processo saúde/doença na coletividade e fundamenta-se na epidemiologia e nas ciências sociais. A vigilância em saúde permite orientar intervenções visando ao “controle de danos”, “controle de riscos” e “controle de causas” (PAIM; ALMEIDA FILHO, 1998).

Todas as práticas de saúde orientadas para os modos de andar a vida, melhorando as condições de existência das pessoas e coletividades demarcam intervenção e possibilidades às transformações nos modos de viver, trabalham com promoção da saúde, prevenção de doenças e agravos, ações de reabilitação psicossocial e proteção da cidadania, entre outras práticas de proteção e recuperação da saúde (CARVALHO; CECCIN, 2006).

Como o encontrado na ação do DMR em Fortaleza, foi verificada alta prevalência de fatores de risco para DRC entre os entrevistados, elevadas porcentagens de indivíduos diabéticos e hipertensos com glicemia e PA não controlados no momento do exame. Demonstrando que diabetes e hipertensão, apesar de serem alvo da prevenção primária da DRC e foco de ações de promoção, prevenção e educação em saúde permanecem não controlados. Ações mais efetivas e de amplo alcance devem ser implementadas.

A hipertensão arterial sistêmica e o diabetes são, portanto, fatores de risco e promotores de progressão da doença renal. A identificação, principalmente, desses fatores pode sugerir intervenções preventivas em pacientes que poderiam evoluir pra doença renal crônica, assim como naqueles que já possuem algum grau de insuficiência renal, retardando a perda de função renal. Com isso, vê-se a importância da identificação dos fatores de risco para um diagnóstico precoce de insuficiência renal e o acompanhamento adequado de doenças que podem evoluir com insuficiência renal.

Recomenda-se adoção de medidas efetivas de vigilância, prevenção, tratamento e controle para pacientes de risco, impactando no diagnóstico precoce, diminuição do comprometimento renal, utilização de TRS e, no caso de pacientes crônicos, na sua sobrevida.

A diálise afeta drasticamente a qualidade de vida dos pacientes. A descoberta da necessidade de tratamento dialítico inicialmente produz sentimentos de negação, medo e angústia e a evolução da doença altera na rotina do paciente renal crônico e estão relacionadas à limitação física, cognitiva e social do indivíduo. Além disso, sentimento de insegurança e dependência são muitas vezes vivenciados pelos portadores de DRC.

Nesse contexto, a fundamentação científica, a competência técnica e a excelência do tratamento, embora fundamental, não bastam. São necessárias adaptações na rotina de vida do paciente, garantir que o paciente tenha acesso à informação de qualidade sobre a sua doença e o seu estado, a participação ativa da equipe de saúde multidisciplinar, o apoio familiar consistente e suporte emocional e espiritual são fundamentais para que o tratamento seja bem sucedido e humanizado.

Diante de duas doenças de alta prevalência na população brasileira como o DM e HAS, que trazem implicações severas de forma insidiosa, em particular a nível renal, torna-se importante o cuidado e a avaliação precoce desses fatores de risco, a fim de evitar o crescimento cada vez maior do número de pacientes portadores de DRC.

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